<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823</id><updated>2009-11-11T16:32:54.563-08:00</updated><title type='text'>Gotas liricamente coaguladas</title><subtitle type='html'>A miscelânea criativa que sai do Ego em polvorosos momentos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-5052718960855626669</id><published>2009-09-30T20:43:00.000-07:00</published><updated>2009-11-03T10:54:14.822-08:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (IX) - Lúcifer</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.highfiber.com/%7Ethermite/discs/luciferpg.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 191px; height: 189px;" src="http://www.highfiber.com/%7Ethermite/discs/luciferpg.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pícaro mundo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Irreflectidamente perceberás quem sou, não através do modo como escrevo as coisas, mas sim através da apresentação clara do meu nome, (emendo) o nome que atribuíram à minha entidade, Lúcifer.&lt;br /&gt;Não são capitais as crenças, os ideais, as nacionalidades, os jogos ou as cores que os leitores do mundo que esta carta encontrarão defendem, porque capital – complementar e absoluto – é que eu sou o ar, o conhecimento provecto, a sabedoria, o portador da luz, a força edificante da iluminação, a estrela da manhã, o ponto cardial este e outras singularidades.&lt;br /&gt;Eu faço de anfitrião do Outono, o Outono cintilante em classe e fascínio de artes e talentos, de agora. Saúdo; saúdem o Outono! E eu saúdo-te, mundo, excitado por saber que me conheces ou simplesmente leste as letras do meu nome em qualquer ocasião!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta carta redigida para o mundo ler afogueia-se de alguma indulgência ante o meu ego e seres que me são semelhantes: os vampiros. Sim, os vampiros! Tenho já a necessidade de avisar toda a humanidade do desrespeito que têm prestado a estes seres começados pela letra v. Senti a inevitabilidade em fazer esta carta para provar a minha intolerância perante o mundo, que significa agora estar às claras apertado e deveras desabrigado, revelando, para que estaquem as semidoidas intervenções humanas, linhas de segredos em determinado código, condutas que costumam ser apenas dos vampiros. Sabedoria vampírica.&lt;br /&gt;Precisamente, estou farto das coisas que tenho visto a acontecer, que ouço a acontecer, que prevejo a acontecer a ver e a ouvir. E o que mais devo e permito-me a expressar é que eu posso fazer o que estou a fazer, não obstante que sou eu quem pode e manda. O meu compromisso de jornada é permanecer, como permaneci, escondido com o conhecimento para mim e para os meus que da dignidade são alvos, mas, precisamente, eu fartei-me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Origino estas linhas de monólogo escrito, porque eu sou o pai dos vampiros e nessa qualidade defendo, atacando o mundo, os patrimónios, os objectivos e os legados vampíricos que têm vindo a ser mascados e pregados com ignomínia.&lt;br /&gt;Sou o primeiro! O disparo, a rota e o alvo de uma bala, a insalubre bala que eu próprio sou e sou eu próprio. E sou e fui o primeiro, porque a estrela da manhã, a do conhecimento, é parte de mim, sou eu, a parte diurna que inicia lutas, contagens e mais extensões, apesar das estórias insculpidas que inseriram outras personagens em detrimento do elitismo da minha. Sou eu, sim, eu, eu sou o pai dos vampiros! Fui, sou, fui, sou, fui, sou… o ancião vampírico!&lt;br /&gt;A dança por palavras já conduziu, conduzindo, à revelação principal nesta carta, com a qual é o mundo presenteado: Lúcifer, o mordaz, o anjo caído, o primeiro, a mordidela original. Sou eu, sim, eu, eu sou o pai dos vampiros! O ancião deles.&lt;br /&gt;Sim, eu, Lúcifer, estou então por perto, coabitando a simpáticos quilómetros da vossa vizinhança. Estou no meio de vós como qualquer outro, estou; é o principal. Quer dizer, no meio de vós não estou realmente, pois sou adepto das larguezas. Sou romano, daí… apaixonado por largas infra-estruturas, recursos; as peles e as minhas munições, nascido e criado e ainda fortalecido; Lúcifer, romano, Lúcifer. Primeiro dardo, espeto, a lutar contra as religiosidades convencionais romanas e até o primeiro a desejar a proclamação da essência natural, a invocar energias luzidias das pedras que me prepararam nome e som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar das idades que conto, dos aniversários que pesam, encaro-me como um ser jovial, espirituoso de ideais e apaixonado pela vida que levo em sensações sumarentas, maliciosas, sobretudo por sempre respirar uma imensa borga, um estado alucinatório que possui o núcleo do meu desejo nuclear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permito-me preleccionar, neste instante que já é hora, em alçadas próprias e reais do vampirismo. Quero ensinar-te, mundo!&lt;br /&gt;Vampiro é aquele que se alimenta de energia vital e não de sangue, porque sangue – pensando como numa pasta líquida vermelha humana – é perigoso e transporta e sabe a doenças. Os fanáticos por sangue devem perceber de uma vez por todas que metáforas são hinos neste tema do vampirismo. Somente os doentes e as aberrações se ajoelharão perante a ingestão de fluidos como o sangue que são tão nocivos quanto nojentos. E eu e os guerreiros da minha espécie e casta, doentes e aberrações é o que não somos, apesar de serem destas formas que procuram intitular-nos. Prosseguindo. Toda e qualquer referência a sangue impregnada nos nossos discursos e/ou simbolismos é portanto metáfora (e figuras e figurinhas de estilo equiparáveis), absorvendo a partir disto a energia e os entusiasmos que são retirados às vítimas. A energia vital que extraímos dos humanos e doutros animais é a chave da nossa caminhada para o império terrestre e uma utopia quiçá aberta. Apesar de insinuar e sugerir-te isto, mundo, não te ensinarei o porque do/no porquê nem como. Na exposição continua o secretismo e vice-versa.&lt;br /&gt;Boa parte da realidade faz-se na ocultação de algo por cima de algo ou entre algo. Isto faz entrar no pensamento que tantas são as verdades no mundo moderno disfarçadas em mentiras. As informações nobres do vampirismo na desinformação corrente. Tanto melhor! Chega lá quem sabe; alguma parte deste tópico é-te familiar, mundo? Aqueles que falam sei que não sabem. Aqueles que sabem sei que não falam. E eu sei e eu falo, porque deparei-me com um dia e uma hora deste novo mundo que despertou cá dentro um incrível azedume que há muitas eras não sentia. O advento das relações por meios tecnológicos castradores das genialidades, das discussões à mesa com seres de interesses semelhantes, a pretensa literatura e rasco conhecimento que se gerou à volta dos meus semelhantes, à volta das minhas tradições. Atacaram a balança da beleza vampírica.&lt;br /&gt;As parvoíces pavoneadas por ti, mundo, lançaram-me para o interior desta carta como uma advertência de enorme ira pelo perturbar e pela troça às/das leis que prevalecem sobre os meus poderes, as minhas naturezas, as minhas indumentárias e os meus camaradas. Sei da raça humana a gracejar e praguejar coisas como que a vida é um jogo, um curto espaço, uma passagem, mas para mim não é nada disso. É uma imortalidade, uma obediência para com os meus instintos de predador, uma verdade cruel que tanto tem de prazer como de dor. Se pelo menos a raça humana gracejasse e praguejasse sobre o que diz do modo como diz, vivendo por entusiasmo e vontade construtivos, o defeito e a gordura eram menores…&lt;br /&gt;Testar tudo e não crer em nada! Falar de coisas sem as tomar por garantidas e sim testá-las, fazer com que trabalhem para a realização de alguma coisa, é geometria para as minhas mãos. E para as tuas, mundo? Pelo que tenho conhecido, a resposta é não. Ou andas maneta ou somente estúpido, o que é por si só muito grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo. Eu, como vampiro, levo a minha vida nocturna numa grande moradia de praia. Deito-me grande parte das noites de maior preguiça sobre a areia da praia, apanhando o feitiço do luar. Momentos de banhos de lua. E de manhã, transporto o meu corpo astral para fazer de corpo da estrela da manhã, fazer de estrela da manhã, enquanto vou resguardando, em segredo seguro, o meu corpo mais físico debaixo da areia húmida. Tal localização é parte de uma passagem que liga aquele ponto da praia à cave da minha moradia; é o mais discreto que conheço; o mais cuidado; vós, humanos deste mundo, que se estiverdes pela praia naquele local, atenção! ... bem que eu posso estar por debaixo das vossas toalhas de ilustrações da moda.&lt;br /&gt;Com a minha moradia sobre um magnífico penhasco de praia, a existência nocturna embeleza-se com a paisagem, com os sons e com os acontecimentos marítimos em redor. Desde horas de estudo, desde horas de escrita, desde horas de caça, desde horas de prazer e lazer até horas de socialização elitista, a moradia que actualmente detenho faz jus aos meus pensamentos estrategicamente volumosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fazer referência a isto, quero agora passar o desabafo de que por vezes encontro-me num vórtice de tarefas, projectos e passos, em mistura, o que me deixa exausto. No entanto, dou a volta a esta problemática de origem pessoal. Felizmente. Como pratico várias disciplinas vampíricas, como é o caso do animalismo, da metamorfose, da alindada presença, da potência de acção, da rapidez, da ofuscação, da dominação, da demência, do auspício vital, etc., por ser o pai dos vampiros e o responsável por ter definido com base na atribuição de disciplinas diferentes a cada género de vampiros, mas possuir todas como criador das mesmas, gera-se o conflito de atitudes e escolhas pessoais. A carga de habilidades em curto-circuito. Tomando, porém, de seguida consciência da errada atitude em mim, entro na disciplina vampírica que concede o ideal equilíbrio à questão, colocando a meio gás – ou mesmo adiando – algumas coisas para conseguir outras. Exacto, porque vale de pouco colher muitas frentes ou muitos estudos, devido às capacidades atrofiarem e não permitirem materialização plena ou a um nível exemplar. Daí a especialização, o pragmatismo, a escolha e o momento próprio serem mecânicas importantes no conhecimento e na sabedoria; cenários na minha jornada e da minha natureza; anexem este desabafo, anexem para vencerem mais e melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece lá fora, ali, aí, acolá, uma guerra! E, dentro desta, outras! Guerras pequenas que ignoram que os seus objectivos são sugados para os objectivos da guerra maior, guerras pequenas que acontecem dentro e em prol da grande guerra, a dos vampiros. Ninguém sabe, alguns pressentem, outros negam. O facto de terem sido produzidas mitologias em volta dos vampiros e o facto de terem sido criadas encenações para a teoria da nossa existência plena, contribuem para que sejamos os beneficiados, pois pudemos sempre caminhar e agir sem grande sobressalto, por a negação e crença em provas originarem os maiores paradoxos e atritos conhecidos. As mentiras que são verdades fulminam-se nas verdades que são mentiras e não há indícios de vantagem. Mais, as paredes ficam a obstruírem-se, enquanto nós levitamos as nossas supremacias e gargalhadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Represento a ideia de total conhecimento, luz e inteligência para aqueles que vivem com a curiosidade iluminada e não só. Sou ventos e tempestades, pedras preciosas, de alcance exigente. Todavia, deixemos agora para lá estas pistas descritivas de personalidade para contar-te, mundo, uns pares de cenas da minha vida, da minha rotina.&lt;br /&gt;Perpetuidade de ternuras e ronhas, junto ao meu caixão. Enlaces de conquistas seguidas, apertões que fazem os olhos esbugalhados saltarem das órbitas alegres, seduções de peles brancas e frias. Folhas das estações em ventres com nódoas que conheci sempre. Beijos e romantismos profundos, toques nos ossos. Noites de beleza vertiginosa, criações condoídas, bruxarias e vampirismo. A imortalidade é um peso ao qual não escapo, mas a ela junto conhecimento, dureza e prazer. Injecções. Injecções estas que alargam os meus ombros para melhor suportar o peso de ser imortal. Eu já tenho eras e eras em cima dos ombros, mas por elas posso dizer obrigado, transpondo esta carta para a soma das íris e pupilas dos olhos que comi às minhas vítimas. Sangue com a vitalidade certa, gritos e vitaminas, poros lambuzados, obrigado que digo, devido a ter preenchido o meu ser de enlevo e poderoso sabor, engoli, digeri (não regurgitei) e satisfiz-me.&lt;br /&gt;Pelas chamas das noites, bebendo energia vital das vítimas, as suas auras vaidosas, as gotas de sangue encenadas… é isto, é o que faço, caminhar; levitar; voar; fazer de todas as noites o maior sítio de contentamento momentâneo!&lt;br /&gt;A minha existência tem pontos diferentes, situações diversas; naturalmente. Acontece por vezes reunir-me com outros vampiros, membros activos da comunidade vampírica mundial, numa mansão na República Checa ou noutras mansões doutros países, e informarmo-nos de situações, problemas e festas e etc., discutindo o que houver para resolver. Recentemente estive na Roménia, numa assembleia de compra e venda de objectos vampíricos (acontecimentos normais e nos quais penetramos disfarçadamente na maré humana), encontrados recentemente na herança de senhores portugueses, bem como por lá estive presente em aniquilamentos de vampiros traidores e por fim permiti-me assistir a partir de uma galeria privada, num museu medieval, a rituais de vampiros em ascensão ou pretensão e simples orgias com vampiros, humanos viciados em fetiches e membros de múltiplos cleros (devorados após os seus orgasmos), às quais apenas assisto, pois estou já um pouco ultrapassado para brincadeiras dessas com tanta gente ao mesmo tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os morcegos, os muitos que compõem a minha estirpe domesticada – fiéis companheiros –, testemunham invariavelmente os gritos da bela paixão que nutro por conhecimento e pela entrega de tal aos meus súbditos. Os morcegos e os habitantes pequenos da noite assistem sem cansaço aos momentos sexuais, extasiados, aquando de investidas vampíricas e esses orgasmos de sucção e incorporação faustosa das vitalidades conquistadas transmitem energias poderosas à natureza, à nossa volta. Não há dúvida; pois sente-se electricidade em todo o ambiente. Os vampiros são os provocadores superiores de mudanças astrais no universo. Não hajam dúvidas…&lt;br /&gt;As passagens das brisas, do som das chuvas, dos salpicos da água do mar, denunciam o passar dos dias e dos anos, se bem que nada quase transmitem à minha luz existencial, devido à imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquando do dia mais marcante em qualquer calendário universal, cósmico, que é logicamente o meu aniversário, este ancião dos vampiros parte para o Egipto. Local de beleza e sapiência milenares, cósmicas, que serve tal-qualmente de ponto de encontro com os mais interessantes camaradas que conheço, assim como para rituais próprios, recreio para saciar a sede e indulgência de descobertas. Lá, nas alturas perfeitas, o céu é negro, queimado como tudo e lindo. O céu queimado decorado por ventos de fogo peludos e ardis, ventos que fazem as vegetações secas e mortas abraçar o nada, o sobressalto. A areia, essa completamente desassossegada, não pára de atirar-se aos meus trajos compridos; parece que felicita-me… tudo, quente e colado, sobre e entre, a areia, pelo deserto fora. Eu permito-me a devaneios compridos nesses momentos, avistando igualmente as dunas mirabolantes, que merecem guardar terrores e riquezas dentro delas e ainda fazem companhia a regiões estonteantemente quadrangulares de areias movediças. Regiões e áreas. Áreas e regiões que com certeza guardam terrores e outras riquezas.&lt;br /&gt;As pirâmides enormes e imensas… imensas e enormes… em/de formatos e aparências – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ipsis verbis&lt;/span&gt; – robustas, inertes e valiosamente belas. No meu último aniversário entrei como comummente na pirâmide que se encontra escondida das consciências, das noções e dos olhos humanos – exactamente, também e apenas os meus filhos sabem dela e como a alcançar –, a qual simboliza, para a identidade vampírica, o amor individual, a força vampírica, a amplitude das disciplinas vampíricas, a arte vampírica, a fórmula imortal, etc.&lt;br /&gt;Todas as visitas deste género à pirâmide é o bombear intenso de um vislumbre a várias câmaras fúnebres de antepassados. É excepcionalmente arrepiante! Tudo cheira a morte, tudo cheira a antigo, tudo cheira a sabedoria, tudo cheira a perseverança, tudo cheira a ritualismo, tudo cheira a misticismo, tudo cheira a vaidade e crenças imortais que vivem. Tudo cheira a mim próprio, devido à pirâmide implementar a representação do próprio ego. Antes de sair da pirâmide, da última vez, trouxe umas peças de valor: umas coroas; uns frascos; cinco ou seis armas; algumas jóias; uns ornamentos e também amuletos.&lt;br /&gt;Regozijo-me com presentes, ofertar a mim próprio coisas fabulosas! E a pirâmide dos vampiros é completamente a pirâmide dos vampiros…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após ter informado, avisado e descrito, satisfeito estou no nosso covil, algures numa das praias embelezadas pela morte da lua nesta noite. A caneta e as folhas serviram bem o meu propósito. Não levarei, por certo, uma eternidade de tempo até lançar estas palavras para o seio dos teus humanos, mundo, mas aqui nas minhas dimensões e nos meus mundos vampíricos posso ficar nem que seja uma eternidade de tempo a aguardar por essas tuas respostas/reacções. No quentinho da minha curiosidade, junto das minhas velas a arder, imortais velas a arder… fico de olho em ti, mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despeço-me com considerável atenção na energia vital humana. Apesar de avisado, mundo, desejo que continues a aumentar os teus caminhos com vítimas para os meus súbditos e semelhantes e, principalmente, para mim. Não te ensaies nisso! Apesar de avisado, mundo, desejo que continues a ser tu próprio, porque fico eu com os meus a perceber as diferenças entre as coisas e os seres e afins inomináveis, não pelas cores mas pelos méritos.&lt;br /&gt;Apesar da leitura atenta a esta carta, nunca irás conquistar aquilo que posso conquistar em ti e a ti!&lt;br /&gt;Apesar de avisado, mundo, desejo que multipliques o belo, o feio ou misturas com e sem sabor, mas pára, por favor, de transformar poderosas ocorrências do vampirismo nos teus argumentos lamechas para filmes e/ou em histórias de livros de embalar que vendes. Este pedido não é porque eu esteja a ficar com a provisão de lenços de papel em baixo, mas porque tamanho mau gosto deixa-me com pele de galinha durante eras…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprimentos à vizinhança,&lt;br /&gt;                                                           &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;                                                                          Lúcifer&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. S. Um terceiro modelo saiu para conversar connosco. Conheceu-se uma missiva com reminiscências anciãs, capacidades superiores e informações poderosas. O terceiro modelo exibiu-se, não obstante, julgado não será, julgado é o mundo. Confidenciar tornou-se de sentido geral e avisar premente. Ficou na audição e mais ainda no peito que a defesa deve ser acatada por inteligência. A terceira entidade interage com as personalidades dos anteriores modelos e com eles se reúne como que em celebração vitoriosa. Observando a sumptuosidade do ambiente, absorvido em potência, charme e luz sábia… sob as labaredas da boca do panteão… Lúcifer senta-se, permite-se a uns urros de campeão com os seus camaradas campeões e a uns brindes nutritivos, ritualistas, vermelhos… e o terceiro trono do total de quatro está assim ocupado, reocupado, e falta um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://images7.cafepress.com/product/195228267v29_150x150_Front.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 150px; height: 150px;" src="http://images7.cafepress.com/product/195228267v29_150x150_Front.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-5052718960855626669?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/5052718960855626669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=5052718960855626669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/5052718960855626669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/5052718960855626669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/09/recintos-possuidos-ou-o-gozo-de-um.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (IX) - Lúcifer'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-7155232669377187538</id><published>2009-09-23T12:13:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T12:20:42.848-07:00</updated><title type='text'>Crónicas (em movimento)</title><content type='html'>- Ui, que barulho!&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Para que é que se fazem filhos?&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;- Dão dores de cabeça.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Separaram-se e têm uma filha. Porque é que se casaram?&lt;br /&gt;- Pois...&lt;br /&gt;- Estupidez!&lt;br /&gt;- Não faz mal. Ouves este barulho apenas por meia hora...&lt;br /&gt;- Maravilha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, tinha uma prenda a dar-lhe: um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;skate&lt;/span&gt; novo. Apesar de não saber seque equilibrar-se num, ela tinha em casa um armário repleto deles. Mais um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;skate&lt;/span&gt; não seria novidade, mas não deixaria de ser engraçado.&lt;br /&gt;O modo de ver alguém a andar com um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;skate&lt;/span&gt; debaixo do braço irritava possivelmente...&lt;br /&gt;Quando era ela a fazê-lo, soltava risadas: parecia mesmo um peru a ostentar um casaco de peles. Porém, antes essas figurinhas do que discutir por minutos seguidos com alguém por um lugar sujo de comboio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-7155232669377187538?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/7155232669377187538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=7155232669377187538' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/7155232669377187538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/7155232669377187538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/09/cronicas-em-movimento.html' title='Crónicas (em movimento)'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-6092199617030355986</id><published>2009-08-18T17:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-06T16:44:22.063-07:00</updated><title type='text'>Novo anúncio</title><content type='html'>Faltam-me realizar dois textos para que a minha série &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio&lt;/span&gt; termine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida que realizei todos os textos até ao presente dia com muito prazer, num conceito que foi pensado e explorado da melhor forma que consegui e também do modo que me apeteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi para entreter, para fazer pensar, para irritar e também para ensinar algumas frases.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve inicio o nono texto - a ser aqui publicado no Equinócio de Outono -, o qual intitular-se-à &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio - Lúcifer&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Revelo aqui que o mesmo contará com contornos vampíricos. Fiquem atentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resto de bons serões...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-6092199617030355986?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/6092199617030355986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=6092199617030355986' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6092199617030355986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6092199617030355986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/08/novo-anuncio.html' title='Novo anúncio'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-6622384924474905736</id><published>2009-06-28T18:57:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T03:27:43.091-07:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (VIII) - Satan</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SkghpYK0wZI/AAAAAAAAAEE/wwzQoO2VSYs/s1600-h/SatanicAngel.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 210px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SkghpYK0wZI/AAAAAAAAAEE/wwzQoO2VSYs/s200/SatanicAngel.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352565151876039058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi os galos a cantar, no outro lado da parede, ainda que distantes, audíveis. Era dia de rumar para mini-férias. Planeei a hora de sair da cama que cumpri à regra, com a ajuda dos galos. A lua do dia timidamente penetrava no quarto, enquanto eu já lavava a cara. Uma noite de anseios, uma noite mal dormida, mas que não prejudicara nada. A minha figura no espelho rachado era esguia, esquisita e com olheiras. Nada de especial, sempre igual, sempre o mesmo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um duche e ter-me vestido, certifiquei-me que nada faltava na mala de viagem. O pequeno-almoço fez jus ao imaginário de si mesmo: foi pequeno. O despertar foi alegre, a boa-disposição estava redonda o suficiente e a alma maquilhada da beleza do corpo… quanto baste.&lt;br /&gt;De férias, marcadas a sul do ponto da minha residência no país, procurava, na altura de sair de casa e entrar no comboio, divertir-me para ultrapassar todas as problemáticas, dores de cabeça, do trabalho e afins. Ou seja, ter o devido descanso, aproveitar prazeres e festas da vida… ninguém sabe o que passara, o que acumulara, o que engolira, até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajar até ao sul do país fora um tanto complicado. Os meus olhos normalmente queixavam-se da luz diurna, mas não apenas latejo. Dor na íris que se entranhava pelas ramificações até ao interior da minha cabeça, onde parecia existir vidros que se friccionavam uns nos outros…&lt;br /&gt;A sombra, que por vezes me protegia, amenizava este mais do que latejo pela luz diurna, permitindo-me até apreciar alguma da bonita paisagem que se transmutava de região para região. A viagem, tirando isso, decorreu satisfatoriamente. A distância não era tanta quanto isso e a comodidade do transporte contribuiu para que tudo decorresse melhor. Vi pessoas distintas, grupos de amigos que viajavam, assim como namorados juntinhos e de sorriso de orelha a orelha, sorrisos lamechas, falando baixinho sobre o que iam fazer quando chegassem ao destino. Alguns estrangeiros ajudaram a preencher o comboio, partilhando com os restantes passageiros os seus lemas da vida ser bela, da moda barata em países mediterrânicos e os seus belos sotaques quando tentaram o português…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem foi mais leve do que o clima que se vive numa adega cooperativa, mas mais pesada do que um duche em altura de ressaca.&lt;br /&gt;Solstício de Verão: o elemento ardente nas peles e nas carnes, nas mentes e nas almas, nas camas e nas praias. Excelente anfitrião para as férias, para desligar dos deveres e das obrigações, para passar a sentir o mundo como recreio. Chegara onde tinha que chegar… tempo de me encaminhar para o hotel onde reservara quarto para a minha estadia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com prático sorriso, senti a chegada ao meu destino, rodeado por novas caras, diferentes arquitecturas e inclusive mais sons. Ruas alagadas de gente, de turistas, de barulho, pescadores de bigode amarelo e queixo queimado, a aguardarem por cinco centímetros de peixe; esplanadas a serem metrópoles.&lt;br /&gt;O hotel era de qualidade simpática com atendimento cortês, mas de personalidade semelhante a outros. Nada diferia de outros. Limpo, decorado, sensual.&lt;br /&gt;Nessa primeira noite, jantei no restaurante do hotel. O salão era convidativo a permanecer por bom tempo e a arte dos cozinheiros a várias repetições do menu. Fui ficando, fui comendo, fui observando, fui sendo… a calmaria; depois subi para o quarto e comigo levei a fina vontade de ver um dos filmes que o hotel disponibilizava aos hóspedes; disponibilizava, o hóspede pagava. De licor na mão e olhos fixos no filme, diverti-me imenso naquele serão, sentado numa cadeira de baloiço…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que foi que daquilo que comi me caiu mal no estômago, mas acordei com sensação de barriga fortemente inchada e dor por todo o lado. Depois de uns minutos de angústia sobre mim mesmo, apercebi-me de que havia alguém sentado numa das cadeiras do quarto. Esse alguém era demónio, numa estética humana, com caracterização amistosa e consciência múltipla. Eu soube da sua identidade vetusta, porque entranhou-se na minha cabeça, bloqueou as minhas incredulidades, apresentando-se à minha pessoa da forma mais firme que alguma vez sentira. Numa espécie de controlo, numa espécie de sentimento de que aquele momento era tudo para mim, certeza surreal, como quadros de Dali, em que os meus olhos eram pedras de fruta reluzentes diante de Satan, demónio presente no quarto. Satan acalmou-me e ambientou-me prontamente à sua presença, dizendo-me que ele era ele como eu era eu, se ele fosse eu e eu ele, em esplendor e idade… também ele era meu amigo, adepto e companheiro, para aqueles dias de mini-férias. Eu sentia-me então leve, normalíssimo, como se estivesse diante de um dos meus amigos ou conhecidos de infância ou familiares. Apesar do excelente ambiente entre mim e Satan, a empatia, não percebia bem como é que um quarto comum terrestre agradaria aos gostos megalómanos de Satan como estava a agradar, à medida que sorria e tocava nos objectos do quarto. De mansinho, chegou o momento em que ele começou a falar comigo telepaticamente e, sem capacidade de ter mãos sobre mim próprio, comecei a discursar para ele, para mim, para o vazio do quarto, o que ele queria, o conhecimento que ele me transmitia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satan representa o ponto cardeal Sul, tal como a existência de um ego evolutivo e infernal atitude. Mesmo as mais fracas das personagens contêm pilares e alicerces, nem que retóricos, para identificar a presença de determinadas personagens em determinada hora, determinado local e determinada distância, e, logicamente, é a crítica a tais alicerces e pilares que nos proporciona algum conhecimento em algum plano, tema. E se é assim com as mais fracas, com as mais fortes, ainda mais é!&lt;br /&gt;Satan, em termos de base, existe em fundamentos ou relatividades adjacentes ao domínio do fogo, à administração do inferno, seja qual for o tipo de inferno ou a ideologia, ao porte adversário, à oposição, ao segmento de acusação e também, não entrando em questões mais fundas, à união de rebeliões. O Verão é estação do ano que prima pelo sol forte e gigante no céu, mesmo até pelo nosso quarto adentro, nos momentos em que nos acorda com brusquidão, ainda deitados, como numa mensagem de repreensão por termos adormecido num estado tão miserável, alcoolizado e confuso. Satan é o senhor do fogo e em termos superiores em relação à linha do horizonte, deve ser o sol, a combustão imensa, o calor absurdamente tão longínquo e tão sentimentalmente perto. Não haveria melhor momento do ano para este companheiro de armas, porque aquela loucura de calor e quase fogo gasoso que sabemos é tão-somente o charme do perfume de Satan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de Satan, nome que deriva do Hebreu, toca no ângulo de ser O demónio, O demónio pelas diversas culturas e pelos tempos do mundo. Assim, é um conceito ambíguo, clássico e de cliché, que se aplica a Satan. Vejamos, Satan, de forma tradicional, tem aquele termo que é aplicado a um anjo, ou O anjo negro, na doutrina judaico-cristã e aplicação a um jinn, ou um tipo de génio, na doutrina islâmica. De par em par das aplicações a que o seu termo se aplica, Satan fora a figura que na Bíblia Hebraica desafiara a fé dos humanos. A classificação de Satan, aí, é apresentada como O anjo caído ou demónio que passa o tempo a tentar os humanos a caírem em desgraça, pecado e acção com maldade. Seja em forma física ou metafórica, de alegoria, hipérbole… acredita-se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pormenorizando, no Cristianismo, o vocábulo ou a personagem Satan, alude ao comum chavão e à identificação do título d’O Demónio e d’O Satanás, assim como sinónimo de diabolus no latim, diabólico. Tudo ligado entre si como o mesmo, semelhante a diversas ruas que, não importe como, convergem ao mesmo ponto. É a figura central do mal, da perdição, dentro da religião Cristã. Para grande parte dos Cristãos, é acreditado ser um anjo que se rebelou contra Deus, assim como aquele que falou e seduziu Eva, através da serpente, a desobedecer ao comando de Deus. O desígnio de Satan, enquanto figura ambígua clássica, é incitar as pessoas a afastarem-se do amor de Deus, aproximando-as em falácias a tentações maldosas. No seio do Cristianismo, Satan é o senhor dos demónios, que até se pode tornar o senhor da Terra e dentro da Bíblia Sagrada temos a forma como ele foi expulso do Paraíso, ao género do Homem, mergulhado no interior da Terra, excitando em si uma enorme ira e vontade de fazer guerra contra aqueles que seguirem os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus. As crenças Cristãs têm Satan como Satanás, sua figura sobrenatural, demoníaca, mas tal-qualmente qualquer adversário das mesmas crenças ou como qualquer pecado e tentação humanos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Islamismo, Shaitan é o equivalente para Satan. Enquanto Shaitan, nos escritos Islâmicos é tido mais como adjectivo para ideias relacionadas com demónio, tanto para o Homem como para os seres jinn, Iblis é tido como o nome pessoal do próprio demónio que atormenta as ideias de puro e benigno na religião/sociedade. Quando nos escritos Islâmicos, refere-se à criatura que recusou ajoelhar-se perante as cenas da Criação, há a referência do seu nome como sendo Iblis e a ele se conectam perspectivas que até são similares às do Cristianismo, mas ainda assim diferentes, já que enquanto o carácter de Satan no credo Cristão é considerado como um anjo caído, no credo Islâmico não, mas sim como um jinn. Normalmente perto do escalão de anjos pelas suas qualidades de sabedoria e capacidades nobres, os seres jinn, nas crenças Islâmicas, possuíam uma vontade própria equiparável aos humanos, ao contrário dos comuns anjos, e assim explicam, os Islâmicos, que Satan ao ser um jinn, agarrou na sua vontade própria para desobedecer ao divino…&lt;br /&gt;Noutros conceitos de Satan, ao longo das páginas de História, temos ainda e novamente o nome Shaitan para a deidade no panteão dos Yazidi, no território Indo-Europeu, ligado a Malek Taus. Num outro seguimento espiritual de populações de países subdesenvolvidos, Satan não é referenciado como um poder maligno independente ou com forma, comparando-se a outros credos, mas significando base natural dos humanos. Explicam assim que a natureza básica, inferior, no Homem é simbolizada como Satan, um ego mau dentro de cada humano, ao invés de uma maléfica personagem exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito do que é apresentado como sendo erudição satânica não advém realmente de Satanistas, mas de Cristãos. Tudo porque se relaciona com o folclore medieval e a teologia de época envolvendo demónios e bruxas.&lt;br /&gt;Assinalo que esse momento em que discursei com e por efeito de Satan foi de estranheza volumosa, confusão emotiva ao máximo e particular nostalgia. Recordei a vez em que subi num dos pontos da Igreja, quando fiz – por tradição manipulativa – a profissão de fé, acto de encenação religiosa com pontos cómicos, pontos entediantes, pontos sem nexo, ligado à catequese. Numa fase da cerimónia em que estava alinhado com companheiros e companheiras, onde o branco e o preto predominavam a par de caras de crianças aldrabonas exibidas a um público feito de pais e familiares babados com fome e com vontade de fumar um cigarrinho no final daquela coisa toda, após uns cânticos próprios serem entoados, ouvira o padre a questionar-me com litanias e premissas religiosas, as quais eu seguia com um guião apropriado, qual casting novelesco. Uma das questões, encaixada naquele preceito de sermos crianças fascinadas e obedientes a Deus e aos trilhos do – agora sei – puro idiotismo, era se eu estava fielmente confiante em renunciar a Satanás, por toda a vida, em qualquer das minhas acções e qualquer dos meus pensamentos. A minha profissão de fé, no momento, era básica e tinha que ver com levar o protocolo a bom porto. Assim, eu repeti depois do padre, que renunciava sim a Satanás, com umas quantas mais belas adjectivações, repetindo agora e depois e etc. Estava eu a renunciar ao bicho deles, sim, mas não às mais belas qualidades de Satan! Eu renunciei na altura ao Satanás dele, não ao meu Satan! Sei-o magnificamente agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lancei, depois de recordar, contando a Satan, este episódio que é lugar-comum, episódio que mais se assemelhara a um teatro arranjado com marionetas infantis, uma grande gargalhada por imaginar o jocoso cenário que seria o de responder ao padre que não, que não renunciaria a Satanás: os pais admirar-se-iam, o público contestaria, o padre resmungaria, a madeira rangeria, as paredes escureceriam…&lt;br /&gt;Todavia, como assim estaria, excepto pelo factor de gozo puro, a entrar numa tendência errada com o bicho da Igreja, não desejei tal cena depois. Talvez, num outro cinema ou palco. Com outras personagens, com outros figurantes. Satan engoliu mais um pouco da própria bebida de fogo e inspirava… desse gesto imaginário dele, saíram devaneios de revolta para com o que fazem as crianças passarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou-se…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos de vista geral, Satan acolhe títulos em si como O demónio, príncipe das trevas, dragão amaldiçoado, espírito imundo, poder satânico, mestre do engano, espada infernal, mestre da fúria àquilo que é puritano, hipócrita e inibidor, etc.&lt;br /&gt;O conceito de Satan toca igualmente no ângulo menos ambíguo ou então não ambíguo, de ser uma projecção energética, uma figura expressada pela Natureza e/ou pelo Homem. Neste caso, é um conceito nobre, natural e apelativo, que se aplica a Satan. Vejamos, indivíduos hão que não acreditam em Satan como uma entidade viva ou um deus. Vêem-no mesmo como força básica ou princípio da Natureza. Indivíduos hão que consideram Satan como uma alegoria, a qual terá que ver com crises de fé, individualismo, vontade própria, sabedoria ou iluminismo. Satan nesta minha mente e nesta minha alma, através desta minha voz, proclama-se como o adversário da mediocridade, do caminho da Mão Direita, da estupidez, do conformismo que gosta de conformismo, da autodestruição, de deuses idolatrados, da depressão e das ovelhas. O senhor do fogo, do lume, do aspecto de enxofre, aceita invocar tudo o que seja de forma estimulante aceite. Estimulação própria, vontade própria, liderança…&lt;br /&gt;Satan não é realmente, apesar de ter-se vestido com umas roupas, umas formas e umas máscaras – ao género como Belial fez – para estar no vector mundano de férias, uma entidade viva, mas sim um símbolo natural, uma existência etérea, um complemento emocional e pessoal – forte como um sonho ou uma metáfora –. Satan quer ser para mim um princípio essencial, um âmago, e não objecto de adoração literal. Não é por especialidade, importância, mas é, sim é, por verdade. É inspiração, provocação, honestidade para com necessidades. O Homem precisa de provocação, o Homem precisa de provocação, o Homem precisa de satisfazer as suas necessidades honestamente, o Homem precisa de satisfazer as suas necessidades honestamente. Satan é tão simplesmente conceito, opinativamente muito diferente de conceito outrora dado, de utilidade eclética e nexo multicultural, porque tal se compenetra nas tonalidades basilares da Natureza, sendo parte dela. Satan é vida e é vivo, nos instintos… Satan é uma força negra na Natureza que representa a Natureza carnal e assim os desejos do Homem. Satan é a descrição simbólica de pessoas poderosas e independentes, assim como oposição a Deus e demais deuses ou religiões organizadamente equiparáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas em branco, em termos de escrita. Passeios, ocupações e acções que não vos conto. Horas que não ficais a conhecer. Coisas que ficam por vos contar. Espaços… quebras…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuramos responder ao mundo, na sua construção e nos seus acontecimentos e não podemos separar um conceito de outro, de uma mesma moeda, apesar de contrários, já que existem na moeda. O bom/mau e a luz/escuridão são relativos e assim é que têm que ser, porque as suas faces alteram-se consoante a moeda, consoante as coordenadas, o estrado… e Satan é arbitrariedade nestes exemplos, por nada ser insubstituível, ignorado ou eternamente resistido. Todos sentimos as definições e as coisas de forma diferente, mesmo Satan. E esta diferença alimenta poderes satânicos: autenticidade, observação e assimilação únicos. Satan está para a realidade como a nossa reunião de ego, inteligência, lucidez, limites e erros está para a percepção de realidade. &lt;br /&gt;Satan não é baço espiritismo. Não, é simbolismo carnal, mundano, desejo de matéria, evolução e prazer, enquanto uma vida dá conta das horas que passam… Satan é a personificação do caminho da Mão Esquerda, é a vida como ela é, a necessidade, o materialismo, o caminho de relatividade e do individualismo com aceitação dos instintos e das riquezas que abundam pelo Homem. É a vida como ela é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas em branco, em termos de escrita. Passeios, ocupações e acções que não vos conto. Horas que não ficais a conhecer. Coisas que ficam por vos contar. Espaços… quebras…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci do quarto, caminhei até uma residência familiar para a minha pessoa. O dia estava ardente, as ruas pouco frequentadas…&lt;br /&gt;Mantive conversas, tinha mantido conversas, com determinada figura humanamente feminina da residência para onde me dirigi, antes da viagem. Momentos e horas e segundos ao cubo, preparando a duração e animação da minha estadia. Só que, de repente, para espanto, me expeliram, os da tal residência, argumentos de que tudo estava errado naquela forma, que eu estava erradamente presente, que tudo não tinha passado de uma série de mal-entendidos, conversas cortadas, ideologias despropositadas.&lt;br /&gt;Mal-entendidos? Conversas cortadas? Ideologias despropositadas? Tudo, mas é o sexo gigante de um cavalo! Naquele instante, na minha visita, a tolerância não existia, sobretudo porque a exigência que atribuía a certa pessoa não permitia falhas ou brincadeiras de mau gosto como aquelas. Ou estavam a ver-me ali para desfrutar do meu tempo de mini-férias ou então estavam bem a limpar cortes de bovinos, comigo lá dentro a chibatar os rabos de tais pessoas que estupidamente interagiram comigo. Naquele instante, eu respirava pesadamente, sentia comichão até no fígado, e queria gritar se eu era para eles algum palhaço, um palhaço daqueles que podiam fazer contrato para realizar qualquer tipo de tarefa para belo prazer de alguém, inclusive daqueles testes com impactos de automóveis para se saber a qualidade dos equipamentos, substituindo eu então aqueles bonecos engraçados sem feições no rosto. Se era algum palhaço sem piada, com algum tipo de comando. Se eu era algum palhaço seria apenas por livre e espontânea vontade, mas pelo menos tentaria entrar para um circo onde me pagassem devidamente. Porém, gozar… gozariam comigo no camarim. Até aqueles cachecóis podiam usar, durante posições de cão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, num dos dias, voltei à residência por pedido de tréguas que me lançaram. Satan estava a acompanhar-me nesse compromisso. Respirou-se, olhou-se, o tempo a passar. Todavia, a dada altura, a pessoa indicada desabafou comigo, que um objecto meu de cariz de fetichismo tinha sido encontrado lá, despoletando na residência reacções ofensivas para comigo. A base da confiança tinha ido por água abaixo, bisbilhotaram erradamente e, como se não chegasse, cogitaram intenções que a minha pessoa teria, por isso atribuindo-me cores, títulos, formas e penugem bravas e lânguidas. Satan, manteve-se trocista, como que a enviar-me a mensagem para que eu me controlasse, olhasse pelo lado burlesco e individual da situação. Contra-atacar e trocar palavrões com difamadoras era o que eu desejava; regatear, discutir, andar ao estalo, fazendo sentir o amargo gosto da cebola nos olhos de quem me difamara, por um corpóreo absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satan cantarolava coisas sem nexo, estávamos longe da residência. A pessoa do meu compromisso regressou à base de vespas que não desejei mais perto do meu perfume, no momento em que Satan mostrou os seus órgãos genitais inventados a uma senhora de meia-idade, fornicando-a, depois da mesma rir de felicidade, no meio da praça histórica próxima. Cresceu amor no mundo. Se regras não houve, regras não haviam. E a loucura insolente deu asas à partida da minha interlocutora e eu pude voltar costas ao que não me interessava viver para prosseguir com Satan para planícies cobertas de aromas mais deliciosos para satisfação de mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desloquei-me, depois, para os restantes dias numa casa. Casa com dois pisos, decorada a bom gosto, com pouca idade. A casa possuía mais divisões no piso de baixo. Na parte de baixo, havia uma cozinha, corredores, despensa, casa-de-banho, sala, dois quartos e uma divisão de arrumação lúdica. Na parte de cima, havia corredores mínimos, uma casa-de-banho e dois quartos. Eu tinha o quarto mais pequeno para mim, onde tinha à minha disposição livros, revistas e adereços, enquanto o maior era para a minha anfitriã daquela casa. Possuía televisão, fotografias e roupa espalhada em muitos cantos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas em branco, em termos de escrita. Passeios, ocupações e acções que não vos conto. Horas que não ficais a conhecer. Coisas que ficam por vos contar. Espaços… quebras…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui sair na penúltima noite sem grandes planos e a respirar um ar fresco, montanhoso e delicioso comandei-me para visitar uma galeria de arte naquela zona turística. A galeria de arte era de foco contemporâneo, linda, com uma iluminação adequadíssima e um ambiente realmente descontraído e diferente de outras galerias. Satan veio para porta principal. A sua chegada virou-me o olhar para a esquerda e vi que também quem me convidou para ficar na casa onde fiquei, se encontrava na galeria. Não havíamos combinado qualquer tipo de coisa para aquela noite, porque não havia o dever de encontro entre os dois a toda a hora. Foi uma fantástica ocorrência.&lt;br /&gt;Satan abraçou-me numa sinceridade amiga e depois possuiu-a; não sexualmente, possuiu o intelecto dela, invadiu a alma da jovem que eu conhecia há anos e pela qual mantinha especial e belo carinho. Foi conclusivo para mim depois que a possessão do intelecto visava a expressão do lado carnal dela – por mim –. Não tendo sido um atrofio no cérebro ou uma possessão daquelas que magos brancos adoram intitular como o pior pesadelo dos humanos, tenho que referir e confessar que ela se tornou incrivelmente sensual, cheirosa, apetecível, poderosa e manipulativa, de olhar e de postura. Cumprimentámo-nos… os meus lábios humedecidos em alegria na face sedosa dela. Os braços dela envolveram-me como que em paixão…&lt;br /&gt;Ah, Satan, meu brejeiro abismal! O que é que foste fazer…! Deixaste-nos hipnotizados! Ternura, desejo e a sensualidade confortava-nos ao longo da visita à galeria…&lt;br /&gt;O quarto mais pequeno não me viu naquela noite, pois ela convidou-me para dormir com ela, na cama, no quarto, dela. A excitação era imensa em mim, as pulgas no corpo multiplicavam-se e o meu cabelo podia muito bem embrulhar-se naquela noite com o cabelo feminino dela. A temperatura alta, os magníficos arrepios, os beijos, os toques… tudo arrebatador com ela. Levei-me, levei-a, Satan levou-nos. Noite perfeita, no que foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A qualidade de Satan quando tenta, penetra, algum humano é sobejamente sexual. Porém, não é bacoca, não é unilateral, não é independente, ou seja, é necessário o humano estar a expelir fumo e desejo sexuais para que a possessão ou tentação funcione, agarre. Em detalhe, ela expelia o que era necessário, Satan encaminhou-se para com triunfo fazer a coisa acontecer. E eu concordei com tudo, em igual fumo e desejo expelidos, por isso...&lt;br /&gt;No olhar dela, eu descobrira mais da magia de Satan, descobrira sussurro dele em que fez o que fez para que a minha mente se pudesse atulhar de pensamentos e desejos pecaminosos, provocadores. Satan queria oferecer-me um escape à realidade, soltar as mãos das amarras da realidade, do barco da tensão, do tédio. Divertimento, foco em anseios carnais para materializar-me em actos com ela, actos airosos, doidos, borbulhantes, vermelhos; odor a prazer, bonita sexualidade, odor a prazer, arrepio… Satan é a escolha sem vergonha, seja qual for a pista da sexualidade em que dancemos, seja qual for o alvo a que nos encostemos. Satan é o maior misto de beleza, carnalidade e manipulação que existe, num processo universalmente circundante à oposição de tudo o que nos estorva o ego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas em branco, em termos de escrita. Passeios, ocupações e acções que não vos conto. Horas que não ficais a conhecer. Coisas que ficam por vos contar. Espaços… quebras…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo modelo saiu para conversar comigo, eu com ele, connosco. Ficou num testemunho repleto de forças, fortaleza ideológica e emocional, a partilha de experiências que me transformaram. O segundo modelo exibiu-se, como qualquer um de nós, não obstante, julgado não será, julgado não é o Homem. Dele conhecemos a identidade como semelhante ao anterior modelo e possivelmente aos que aqui chegarão. Abraçados à qualidade, ao indescritível, ao impensável, ao individualismo… sob as labaredas da boca do panteão… Satan ao sentar-se, cumprimenta com amistoso e colossal abraço Belial, camarada de armas… e o segundo trono do total de quatro está assim ocupado, reocupado, e faltam dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/Skgh3PkBlnI/AAAAAAAAAEM/Xu3Bqm4y5tk/s1600-h/w.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/Skgh3PkBlnI/AAAAAAAAAEM/Xu3Bqm4y5tk/s200/w.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352565390083987058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-6622384924474905736?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/6622384924474905736/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=6622384924474905736' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6622384924474905736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6622384924474905736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/06/recintos-possuidos-ou-o-gozo-de-um.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (VIII) - Satan'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SkghpYK0wZI/AAAAAAAAAEE/wwzQoO2VSYs/s72-c/SatanicAngel.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-677243462876218916</id><published>2009-04-28T10:59:00.001-07:00</published><updated>2009-05-07T11:29:48.178-07:00</updated><title type='text'>"Doce silêncio"</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Publico aqui a parte quase integral de um poema que criei para figurar num trabalho escolar de uma amiga, o qual incide na história da doçaria e do simbolismo do silêncio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre-se dia e noite por enigmas gastronómicos do nosso apetitoso mundo,&lt;br /&gt;Como se numa festividade nobre entrassem a todo o segundo, &lt;br /&gt;Nos conventos de antigamente…&lt;br /&gt;A fome e a importância do romântico belo presente,&lt;br /&gt;A ironia e o burlesco de proclamar&lt;br /&gt;A gula como pecado sobre um dos mais belos contos de encantar.&lt;br /&gt;Clássicos curiosos deleitados pelos poderes do açúcar e da farinha,&lt;br /&gt;Agradeceram aos céus a fórmula desenvolvida entre fé e prazer&lt;br /&gt;Pelos dentes, pela língua, pelo sistema digestivo, à vida docinha,&lt;br /&gt;Jubilando-se por um dos pecados mais doces acometer!&lt;br /&gt;Gula e convento deviam ser opostos, inimigos de dogmas como sol e lua,&lt;br /&gt;Os olhos, como em viagens por sonhos alindados,&lt;br /&gt;Observaram e observaram, sem fim, a confecção a lhes agradar:&lt;br /&gt;Bolos, doces, compotas e fins de refeição suscitados,&lt;br /&gt;Actos como de teatro histórico de aprisionar a alma ao paladar!&lt;br /&gt;O uno salão de jantar, patriótico e fabuloso, diante das brisas de revelação,&lt;br /&gt;Ornamentado por conversas sumarentas, lorde de receitas divinas que fosse,&lt;br /&gt;De toda a sua manteiga se pintava nos ovos e os ovos adoçavam o ego e o coração…&lt;br /&gt;Puro gozo e puro deleite da arte que era ser amante de possuir algum doce &lt;br /&gt;De formas sensuais, paladares lustrosos; canta-se alegria e devora-se um doce!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio rememora a ousadia de saborear qualquer coisa de superior,&lt;br /&gt;Dir-se-ia um templo prudente, uma ala de lábios cosidos com casca de frutos&lt;br /&gt;E mulheres de dedo na vertical sobre o tecido labial instando silêncio de carinhos enxutos.&lt;br /&gt;Graciosas fogueiras aqueciam todos os presentes, sem esgrimir letras,&lt;br /&gt;Aqueciam, brilhavam e actuavam soberbas, as fogueiras, ensinando os presentes&lt;br /&gt;A contemplarem silêncio, serem silêncio, estarem quentes, no calor de silêncios quentes,&lt;br /&gt;As fogueiras de uma jornada prolongada em descobertas e aperfeiçoamentos sociais.&lt;br /&gt;As noites, festins de ternura e complacência, silenciosas,&lt;br /&gt;Respeitantes ao carácter tranquilo do globo de silêncio em ditosas horas,&lt;br /&gt;Eram visitas ideológicas por atingir melhor gosto sob ausências sonoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem do tempo altera pouco vontades de gosto,&lt;br /&gt;A massa da doçaria avivando a essência e a textura de vício, essa sorridente,&lt;br /&gt;Simbolizaria todas as características do doce escolhido por ávida boca.&lt;br /&gt;O doce é um apreço majestoso, criado ao nascer de um dia e adorado até ao sequente;&lt;br /&gt;Por ter amantes concorrentes, se perde um pouco na memória, mas a boca,&lt;br /&gt;Essa fonte inesgotável que dá e recebe prazer,&lt;br /&gt;Não esquece o rosto, o beijo, o abraço, dos seus doces predilectos nem que ao alvorecer…&lt;br /&gt;Vivam todos; caramelo, doce, aveludado aroma, cheiro açucarado, sumarentas gulodices!&lt;br /&gt;Os doces são pecados que pecaminoso em si ferve, prazeres que folião em si excita,&lt;br /&gt;São demónios e anjos sob moderação e excessiva adoração que tudo suscita…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que foi ter um sonho e o que é que foi sonhar?&lt;br /&gt;Tudo faz parte do sonho e faz tudo parte da realidade?&lt;br /&gt;Não conseguir entender o que é diferente ao terminar,&lt;br /&gt;Não conseguir entender o sabor dissemelhante da impassibilidade.&lt;br /&gt;O doce sonhado é tão bom quanto o realizado,&lt;br /&gt;Simplesmente pela presença da conquista, da consumação.&lt;br /&gt;As barreiras da doçura na cozinha são as dos palcos de silêncio enclavinhado,&lt;br /&gt;Em modelação, transparentes, frágeis, femininas, ameigadas, namoradas.&lt;br /&gt;Relaxantes… acreditar piamente, que o silêncio ajuda a perceber as assaz realidades,&lt;br /&gt;Tal-qualmente os doces propiciam à exaltação, desde os sentidos às verdades!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SgMoasdaVVI/AAAAAAAAAD8/X8wqXSr5sTI/s1600-h/DSC00733.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 360px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SgMoasdaVVI/AAAAAAAAAD8/X8wqXSr5sTI/s320/DSC00733.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333150822813029714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://outrapartedemim.blogs.sapo.pt/arquivo/despir.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 360px;" src="http://outrapartedemim.blogs.sapo.pt/arquivo/despir.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-677243462876218916?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/677243462876218916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=677243462876218916' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/677243462876218916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/677243462876218916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/04/doce-silencio.html' title='&quot;Doce silêncio&quot;'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SgMoasdaVVI/AAAAAAAAAD8/X8wqXSr5sTI/s72-c/DSC00733.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-5220128353596745228</id><published>2009-04-17T12:46:00.000-07:00</published><updated>2009-04-17T12:52:41.597-07:00</updated><title type='text'>A alma da tempestade</title><content type='html'>Proclama-se a tempestade apocalíptica,&lt;br /&gt;E a sua mão vive profunda na carne e no obscuro,&lt;br /&gt;Nos templos mecânicos, nas ruínas, muito da insanidade gelada&lt;br /&gt;Aqui e agora, tatuamos a alma da tempestade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fortes ventos e fenómenos tombam toda a beleza,&lt;br /&gt;As perturbações explodem debaixo das chuvas de ácido.&lt;br /&gt;O frio diminui a temperatura nas mentes,&lt;br /&gt;É importante quebrar a febre da luminosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fracos e os religiosos,&lt;br /&gt;No cerne da tempestade, perecem.&lt;br /&gt;Os ventos e brisas abomináveis, os cataclismos para os estúpidos.&lt;br /&gt;Obsoletos, caquécticos e roubados,&lt;br /&gt;Esses que apenas ajudam a que a roda que tritura o mundo continue a girar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,&lt;br /&gt;A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,&lt;br /&gt;O que vive morre por nós!&lt;br /&gt;O que morre é útil para nós!&lt;br /&gt;Vive a mente da nossa génese devastadora:&lt;br /&gt;Noroeste, Norte, Nordeste… &lt;br /&gt;E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!&lt;br /&gt;Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu negro, loucamente terrível,&lt;br /&gt;Larga os relâmpagos fatídicos,&lt;br /&gt;E no manto negro por cima das cabeças,&lt;br /&gt;Abrem-se gargantas abismais com vozes de tragédia natural!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fugir de pingos vermelhos,&lt;br /&gt;As nossas gotas de deuses,&lt;br /&gt;Fortalecidas como as de demónios, de criaturas inventadas,&lt;br /&gt;Os humanos queimam os seus cabelos pobres,&lt;br /&gt;E também corrompem mais a essência da terra!&lt;br /&gt;Os rebentamentos climatéricos não desistem,&lt;br /&gt;Da vossa matéria precoce provar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,&lt;br /&gt;A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,&lt;br /&gt;O que vive morre por nós!&lt;br /&gt;O que morre é útil para nós!&lt;br /&gt;Vive a mente da nossa génese devastadora:&lt;br /&gt;Noroeste, Norte, Nordeste… &lt;br /&gt;E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!&lt;br /&gt;Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas valetas, as criaturas atormentam-se,&lt;br /&gt;A fraca vista foge e a pele derrete aflitivamente,&lt;br /&gt;Foi triste existir sem lutar por prazeres e verdades,&lt;br /&gt;É incómodo acabar sem sangue e em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As folhas podres no chão,&lt;br /&gt;A desgraça e o pecado,&lt;br /&gt;Os sons da terra medonha a ranger, os rios glaciais a transbordar,&lt;br /&gt;O tormento e o assombro,&lt;br /&gt;Numa página de história incalculável,&lt;br /&gt;Um elixir confuso com sombras e tempo que se bebe…&lt;br /&gt;Bebes, bebem… bebeu-se! &lt;br /&gt;E as entranhas atrofiam,&lt;br /&gt;O corpo arranha-se e os olhos das criaturas avistam o fim…&lt;br /&gt;Tudo, porque a nossa alma faz o vosso ser dançar em ecos tormentosos e crus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa fala superior inquieta o ar,&lt;br /&gt;E amolece a terra que virou um poço de estrume.&lt;br /&gt;A fé que tentou a inteligência,&lt;br /&gt;Sofreu com o terror viciado das precipitações brutais,&lt;br /&gt;Provando a violência da calamidade, extingue-se para cemitérios esquecidos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,&lt;br /&gt;A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,&lt;br /&gt;O que vive morre por nós!&lt;br /&gt;O que morre é útil para nós!&lt;br /&gt;Vive a mente da nossa génese devastadora:&lt;br /&gt;Noroeste, Norte, Nordeste… &lt;br /&gt;E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!&lt;br /&gt;Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bondoso é o perverso,&lt;br /&gt;E a saída a entrada para a amargura.&lt;br /&gt;Contemplai a imensidão da força das veias do tufão!&lt;br /&gt;Contemplai o massacre que as garras dos ventos fazem!&lt;br /&gt;O bondoso é o perverso&lt;br /&gt;E a saída a entrada para a amargura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo tem orgasmos de dor e os olhos das criaturas avistam o fim…&lt;br /&gt;Maravilhoso, pois a nossa alma faz o vosso ser dançar em ecos tormentosos e crus!&lt;br /&gt;Dogmas de osso,&lt;br /&gt;Osso com dogmas de maldição.&lt;br /&gt;As planícies são montanhas de vergonha,&lt;br /&gt;Os mares abismos de extermínio,&lt;br /&gt;Todos os pontos cardeais idolatram apenas um&lt;br /&gt;E todas as coordenadas antecipam-se no poder da tempestade a caminho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,&lt;br /&gt;A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,&lt;br /&gt;O que vive morre por nós!&lt;br /&gt;O que morre é útil para nós!&lt;br /&gt;Vive a mente da nossa génese devastadora:&lt;br /&gt;Noroeste, Norte, Nordeste… &lt;br /&gt;E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!&lt;br /&gt;Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinta a tua ferida com a tinta da nossa alma!&lt;br /&gt;Ou sucumbe e torna-te em alimento para a alma da tempestade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sobressalto da vida como ervas nuas e mortas,&lt;br /&gt;A capacidade de destruição exalada pelos nossos olhos,&lt;br /&gt;O que vive morre por nós!&lt;br /&gt;O que morre é útil para nós!&lt;br /&gt;Vive a mente da nossa génese devastadora:&lt;br /&gt;Noroeste, Norte, Nordeste… &lt;br /&gt;E Northvein! O verdadeiro panteão dos poderosos!&lt;br /&gt;Northvein! É a alma da tempestade, a nossa alma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SejdYVEUpUI/AAAAAAAAAD0/abUXOetNnsg/s1600-h/frame.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 276px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SejdYVEUpUI/AAAAAAAAAD0/abUXOetNnsg/s400/frame.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325749969407485250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-5220128353596745228?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/5220128353596745228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=5220128353596745228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/5220128353596745228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/5220128353596745228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/04/alma-da-tempestade.html' title='A alma da tempestade'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SejdYVEUpUI/AAAAAAAAAD0/abUXOetNnsg/s72-c/frame.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-6300487975200155717</id><published>2009-03-23T19:02:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T03:27:24.048-07:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (VII) - Belial</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SchCrsztd7I/AAAAAAAAACk/TXBPryn2Ld4/s1600-h/331059230v8_350x350_Front.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SchCrsztd7I/AAAAAAAAACk/TXBPryn2Ld4/s200/331059230v8_350x350_Front.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316572678640727986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A História dos homens e das mulheres e das mulheres e dos homens sempre fora pintada em telas que, nos seus braços finos e finitos, deveras assoalham passagens de demónios ultrajantes. Um dos pontos facilmente alvo de deturpações e estupidez é o campo da demonologia, ciência ou pretensão para catalogar os demónios em hierarquia, qualidade/defeito. O campo em si é já duvidoso e insuficiente de consenso geral, mas ainda assim fascina e importa conversar acerca. Nem que seja para exorcizar meninos. Nem que seja para deitar fora inércias visíveis.&lt;br /&gt;A demonologia é equiparada a outras parcelas de estudos ocultos ou mais ou menos alternativos, desgastantes, incoerentes ou fantasiosos. Pinturas de incenso e alho. Leituras misteriosas e melindrosas. Pasta de símbolos e ritualismos negros. Galinhas para estripar, recantos da mente para exercitar, cabelos e madeixas brancas, verrugas no cérebro e nos focinhos humanos. Este estudo assenta nos relatos sobre perfis e existências de demónios, na delineação da sua hierarquia, composição e história (estória), bem como nos meios e nalgumas exemplificações de evocar os mesmos personagens. Apesar deste estudo estar perto de antigas inscrições religiosas e pretender englobar muitos demónios num só tomo de conhecimentos, não significa directamente que seja usado como fonte para bruxos ou rituais construtivos, porque na maior parte das vezes a única pretensão da demonologia é servir a humanidade como testemunho simples de mitologia, metafórica, ao invés de carta de amor em compromisso.&lt;br /&gt;A demonologia conhece um local onde filma e passa maior parte do seu tempo a narrar e a recolher as informações e os estudos acerca dos seus escolhidos/modelos. Esse local é conhecido por todas as pessoas, mesmo variando de noção ou intenção; todas as pessoas o conhecem e tal local, variando de crença para crença, fisionomia para fisionomia, aspecto e contornos para aspectos e contornos, chama-se inferno. Um cliché religioso, um moralismo, uma percentagem de medos e dores, uma pintura, um texto, uma fotografia, uma dimensão construída sob as existências das criaturas, uma parte do ego, uma orgia de ataques profundos… ideia de lugar ou estado arcaico, o qual sempre sofreu alterações pelos milénios e pelas filosofias, pelas artes e pelos líquidos que entram no sistema digestivo universal. O inferno é uma criação de todos e de ninguém, visto que as provas de tal sítio é de conhecimento geral e de conhecimento nulo. É uma etiqueta no bolso daqueles de indumentária branca, preta, colorida, daqueles que legislam dogmas para quem os quiser cozinhar. É também uma grande abordagem dos sentimentos e das emoções que afectam a vontade e as vitórias daqueles que as exercitam, significando retrato daquilo que deturpa, condiciona, parte…&lt;br /&gt;Reflectindo no que o inferno representa, facilmente se saúdam cépticos e crentes, viciados em etiquetas e emissários de medo e castração. Outros povos que se saúdam dentro desta paisagem opinativa são seriamente os crentes do castigo eterno, pessoas cinzentas e pudicas, que respiram cinzas toda uma vida, todos os dias e todas as noites e ainda um dia depois, por temerem tal crença realizada a qualquer ocasião. São os alvos de sugestões de medo, sugestões de ruína constante, opostos rijos aos não crentes, aqueles que respiram numa existência em que não se vêem a ser castigados, pois instauram em si próprios a máxima de que quem não quer castigo não procura dar a mão à palmatória ou nem tão pouco se detém à espera da palmatória. O que é verdade é que crença como a anterior é falada e transmitida, porém como essa há muitas e não vale de nada segurarmos só um dos fios quando a extensão desse não nos possibilita vantagem maior. O que existe aqui é um circuito imenso de fios absurdos, frágeis, e uma das luzes que nele se pode salientar é que uma mente acondicionada em receio de vida por uma regra a não quebrar sofrerá de um castigo quase imperceptível, prolongadamente visceral, facto que não precisa acontecer se entender que louvor e castigo andam de neurónios ligados, intercalados; e tudo seria mais simples e brando.&lt;br /&gt;Nesta confusão de inferno e castigo eterno, quanto mais volumosa é a nossa lucidez, mais facilmente é o castigo derrotado. Os predadores não sofrem castigos, apenas derrotas ou oscilações dentro do jogo natural das cascas e dos néctares. As vítimas e os passivos, que piamente acreditam no lugar de danação, sofrem castigos, ao género das achas na fogueira que aquece a família em casa. São eles as achas, são eles o lume. A crença deles é a fogueira. Sorrisos, cinismos, medos, mas as pernas não querem fugir ao lume.&lt;br /&gt;Somos apenas massa, carne, osso, tecido, fórmula de peso e gravidade, órgão e pele que sujam, mas isto tudo que somos é com capacidade para conhecimento sem limites e obras-primas, podendo acreditar no que se quiser. Esqueçam-se ilusões, pretensões, impulsos de divindade sem mãos e desígnios de fundamentalismo. Acredite-se em nada, realize-se objectivos sem cobrança de motivo, degrade-se, seja-se neutro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um dia esquisito, mantido numa rotina que rasga o cunho da alegria, que estripa o copo da vida, mas não a bebida. Sentado, a escrever, equaciono quanto de mim disperso para o papel e quanto nunca não o faço. É mais ou menos o resultado da soma dos pacotes de leite e cereais deitados ali no chão esburacado. Parece uma obra de arte, pois deve ter sido um artista impecável que tal fez ao pensar que as pessoas iam congratulá-lo após verem o pranto. Ou é a mania de arte que polui que é grande de mais de mais ou é a massa cinzenta menos de menos. Aposto na segunda hipótese, se bem que a primeira é gira à mesma. O Homem sempre quis criar coisas à volta dele, nem que seja o seu próprio esterco, sempre fez de tudo; subiu, desceu. Viveu, vive. Haverá sempre alguém a contemplar.&lt;br /&gt;Olho para o chão, olho para nada, olho para a burrice. Parece que estou agora a escrever sobre o ambiente em redor, porque se tivesse algo mais interessante não escrevia, visto que guardava para mim. A esta hora não peço para ver ninguém e não quero ver humanos. Está toda a população sob deveres e obrigações de tempo, lazer, inércia. Por mim, óptimo, sempre tenho lixo para admirar sozinho, comportamento que os grandes artistas sempre preferiram: público concentrado, escasso, mas dedicadamente concentrado. A existência é simples, porque esta nos concede opostos simples de mastigar. Saúdes ou castigos…&lt;br /&gt;Tenho uma visita esta tarde, visita que penso ter saltado do estudo do início deste texto, porque faz parte das linhas e das pretensões do saber da demonologia. De seu nome Belial, um demónio com uma idade que se perde a conta, parece-se com um belo anjo, de voz doce, com corpo duplicado e sensual, sentado num transporte com dragões que dominam e aquecem fogo. Alto como um edifício citadino, Belial pisa o chão e cumprimenta-me com elegante aparato, apresentando-se vaidoso. O que é (quem é) este enorme ser, vivo ou morto-vivo – possivelmente para além do que é vida e morte, mesmo que entrelaçadas –, que se ergue e se molda defronte à minha pessoa? Que impressionante cerimónia ou incompreensível facto é este que estou a passar? Numa leitura de demonologia mais popular, Belial é o demónio que foi criado imediatamente depois de Lúcifer, com bastante tendência para enganar qualquer um, inclusive aqueles que o convocam. Belial, um dos demónios do inferno, visualizo-o como se visualizasse um rei – se bem que não sei como é visualizar um rei –, o qual se parece como um belo anjo que tem forma mutável, indo do sensual ao perturbador.&lt;br /&gt;Numa leitura de demonologia moderna ou anulação de uso de preconceitos, qualquer indício à carne de Belial é tido como organismo sem lei ou com rebeldia, fechando julgamentos e acções de embuste e terror num único teorema demoníaco. No folclore, Belial permanece como um deus, ligado especificamente com os horrores de Sodoma e Gomorra, cidades lascivas e corrompidas, e tal-qualmente com a composição obscura de subornos e assassinatos secretos.&lt;br /&gt;Belial mostra-me ser uma regra do terreno e do solo impuro, sorrindo-me na certeza da sua personificação de maldade e rindo do momento em que o trataram como a mera modificação da deidade arcaica da Babilónia, onde se restringia ao submundo e à vergonha. Nada disso, sou demais, grita-me. Sou o incalculável, o livre… &lt;br /&gt;O mestre da terra, Belial, é o lado carnal do Homem, é a maior ligação com a componente castanha que nos apara os pés, é a luxúria, o sexo, o prazer e por isso as vias principais que tomam a vida em coisa de mérito. Quando as pessoas, começa a dizer-me Belial, tendem a nortear-me e/ou a proibir-me, o que acontece é que o orgulho menos capaz vem ao de cima, ao passo que quando me recebem, ao de cima vêm coisas como a pujança, o deleite, a independência e directa essência terrestre. Sentir-se seguro, uno ou assente é sinónimo de contactar comigo. O Homem vencedor é simplesmente humano, em degustação e louvor da sua natureza, carne e conquista material, vocifera Belial, sendo que toda a experiência seja concreta, a experiência de vida, e assim da terra para o cimo estamos nós feitos da carne e para a carne e para os feitos e destruições grandiosos surgidos da carne!&lt;br /&gt;Eu ouço Belial e escrevo algo ao mesmo tempo, mas este não parece importar-se com este facto. Não estou a escrever as falas do demónio terrestre, mas sim a escrever qualidades/características do mesmo, à medida que o monólogo dele tende a prosseguir, como se a simples audição do monólogo me concedesse tal sabedoria. Desperdiçador de lei e moralidade, opositor, imoral, dissoluto, lascivo, desmarcado, incontrolado, revolucionário, audaz, livre, impuro, injurioso, desfrutador de pasto e infracção.&lt;br /&gt;O vento intensifica-se, a tarde, a terra quase borbulha de calor.&lt;br /&gt;Há teólogos, discursa Belial, que me elegem como o demónio mais lascivo e indolente de todos os que perderam o lugar na virtude deles – cantam eles como se isto fosse abominável –, mas se tais criaturas olhassem para mim e me acolhessem com as suas facetas naturais e instintos de energia, podiam aprender qualquer coisa engraçada nas suas entediantes laborações! Para essas criaturas, eu sou a ruína e destruição! Belial diz isto de forma alegre, sem deixar que os seus saltos de exibição corporal abanem todo o recinto em que nos encontramos…&lt;br /&gt;O enorme ser que me fala comanda mais de oitenta legiões pelo inferno e mundo afora, com a imodesta postura de que é o pai da ilegalidade, assim como aquele que detém a supremacia das nações ou figuras que são idolatradas – unicamente – devido à força unicamente humana! A Bíblia Satânica afirma Belial como um dos quatro príncipes herdeiros do inferno, tocando-lhe o trono do norte. LaVey, homem que exaltou o elemento terrestre como fonte de/para tudo, sublinhou aos canais distribuidores da História que Belial é o mestre da Humanidade e o seu retrato de campeão é o guia dos impulsos carnais que condecora a Humanidade com avanços reais. Belial é nome presente no livro de outros séculos, “Ars Goetia”. O título do livro descende do latim, mas muitas vezes reduz-se ao nome “Goetia”. Belial diz-me que nunca leu este livro, o qual contém descrições das dezenas de demónios que King Solomon evocara para os obrigar a trabalhar para o templo dele e os quais confinara num navio de bronze selado por símbolos mágicos. No “Ars Goetia”, King Solomon descrevera o perfil de cada demónio, indo das perguntas e respostas às qualidades e defeitos, como se um manual de aptidão para com demónios. Belial grita-me que nunca trabalhou obrigado para ninguém e que não gosta de navios, porque não se deslocam por terra. O livro que Belial nunca leu, parece ter instruções e rituais de trabalho, assim como métodos para utilizar fórmulas mágicas próprias para se chamar cada um dos demónios lá listados. Belial revela-me que nunca apareceu a ninguém de forma parecida, porém igualmente sabe, e não se surpreende, que as pessoas tendem a pronunciar mal as palavras e a demonstrar erradamente os seus sentimentos, em livros semelhantes, em acções semelhantes. Aleister Crowley leu e interpretou o livro para a sua magia… Belial recorda: o mago fechado em paredes a estudar e a iniciar rituais uns após outros para criar as suas maravilhas e tocar/retocar o seu infinito! Um excelente mago… &lt;br /&gt;Belial foi apontado pela História como um soberano do lado negro, uma das forças mais poderosas e que mais evoluem, conjuntamente como o anjo da corrupção e da hostilidade. Os seus domínios são as trevas e as terras, a partir das quais e sob as quais alcança o objectivo fácil de influir os desejos de maldade e culpa. Sou o pai das mentiras, dos exércitos também, portanto não nos interessará acreditar de todo no todo, em mim, mas sim em partes, as partes que nos oferecem prazer, vida, força, independência, intensivamente brande Belial, e quando sou bem recebido pelos meus invocadores, consigo fornecer-lhes bons resultados a troca de boas oferendas e sacrifícios, porque aí estão a acreditar justamente nas suas qualidades naturais! Gilles de Rais, aquele nobre louco que se alterou ideologicamente durante a sua existência, matou e sacrificou vítimas em meu nome para chegar à minha amizade, mas apenas ofereceu-me partes dos corpos que esventrava, o pútrido, esquecendo-se da beleza palpitante e húmida de belas mulheres e belos homens, que inteiros podiam ter saciado um mínimo do meu lado lascivo e sensual; esqueceu o meu lado pornográfico... e quando se invoca a minha graça há que lembrar o castigo e o sexo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fragmentos grandes de terra com fogo líquido levantam-se à frente dos meus cabelos riçados e enfiando-se com rapidez para o interior do corpo do meu visitante negro, provocam-lhe um delírio e um bem-estar que não posso descrever mais do que isto…&lt;br /&gt;Belial ensina-me que é, sempre foi, uma concreta projecção do seu néctar arcaico na espécie humana, revelador de/em pormenores com atitude estranhamente lúcida, elucidativa. Sou julgado pelas religiões contra a minha personalidade como aquele sem valor, mas eu trato-me sim de um ser no âmago daquilo que é a verídica natureza humana. Materialista, alio o meu aspecto de poder à linha de acção do senso comum para crescer em força e, de forma simplista, provar todo o prazer, continua Belial. Com subtileza, domino a terra, elemento que faz parte de mim e eu dele, e com subtileza sou mestre de mim próprio, mestre sem o mestre de terceira pessoa! Sou a terra, sou mestre de mim próprio, posso ser tu mesmo, sou Belial! “Aquilo que não nos mata, torna-nos mais fortes”; decerto já ouviste esta expressão! É verdade. Eu pu-la nas mentes daqueles que me seguiram e daqueles que me atacaram, só por uma questão de honra, porque a faceta de exaltação e auto-preservação que a mesma encerra é deveras forte. Das coisas das coisas, eu fui erguido. Sou contra as leis, sou aquele que pertence a um abismo do qual ninguém consegue subir e eu sou tudo aquilo que instila desprezo pelos deveres, pelas redenções.&lt;br /&gt;Belial funde-se nos processos de vida e de morte, através dos estados da carnalidade, do sexo e da luxúria, tidos como escapes, mais-valias, forças e ruindades da qualidade de ser terrestre. Ele permitiu-se falar em tempestades de prazer que gera e gerou no planeta, capazes de engolir e regurgitar fantásticas poeiras gigantescas em todo o espaço sideral. O meu nome – a significar sem mestre –, simboliza a independência verdadeira, a auto-suficiência e a realização pessoal, explica-me Belial, verdadeiras naturezas que sempre narraram os povos de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite cerrada. Animais excitados com os olhos brilhantes por algo que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um grande espaço de tempo, posso agora escrever sozinho certas noções que alcancei com a visita desta tarde, uma visita não programada, quer dizer programada, porque sou um humano consciente das minhas naturezas carnais, independentes e fortes, e às quais chamo família!&lt;br /&gt;E tudo por mim adentro se molha em fogo. A certeza de mais um conjunto de diabruras, de crueldades feitas carne. Aprendi com Belial. Signo de poder inflamado, quis funcionar num universo de mundos de modo ordinário. A capacidade de ver feito, fazendo, a capacidade lá espetada. O corpo com sujidade, sujidade de luz virgem, sem quaisquer riscos de maior, atirou-o às mais largas perfurações infernais de líquidos e lava, os seus banhos irados...&lt;br /&gt;Estas frases comportam efeitos que, a serem atabalhoados, muito podem fazer para o dano cerebral. A sua pele é casca gelatinosa com nódulos clássicos e a sua voz de trovão é auxiliada por um dialecto que mistura todas as línguas universalmente conhecidas, sãs e insanas. A amplíssima louquice – ou desembaraço – de Belial personifica-se na humanidade na altura de uma vingança, no traçar de um plano, no combate, na fermentação de testosterona e outras hormonas a ferver, na jornada de prazer, no nirvana, na perda de alguém querido, na derrota ideológica…&lt;br /&gt;A estupidez dos deuses enerva o demónio. A ingenuidade, o cinismo, a tomada de decisões ridiculamente infértil. As montanhas são enormes, repletas de vegetação e rochedos, e são um dos pontos que cativam a paixão dele. Os rochedos vermelhos, grossos de fogo e areia, também. Toda e qualquer tentativa de torná-lo bondoso e branco recebeu uma oposição feroz, porque a sua natureza ditara que estúpidos são aqueles que dissolvem as próprias metas e os próprios interesses em prol de desígnios de deidades omnipresentes. Belial ignora regras, paraísos de ilusões, de consolos, porque não existe para ele maior sobrenaturalidade do que negar os pecados animais. Belial procura existir para vangloriar em si mesmo a sua identidade, procurando concentrar fantásticas expedições ao poder sobre tudo e todos e, similarmente, procura destruir fraquezas, gelos e seres mesquinhos. Os seus conhecimentos e a sua sabedoria estão nos poços onde vive, estão na alcovas e nas ruínas onde fornica anjos e criaturas sensuais diversas e onde tenta apagar os alicerces das faces e dos olhos das luzes, harmonias, estrelas pacíficas, unhas e fantoches, curas evangelistas sobre derrotas e soldados de fé que o desafiam.&lt;br /&gt;Comandando as suas legiões, conquista parcelas de terreno no submundo, no mundo, nos mundos, e muitos homens possuem réplicas do ceptro que Belial usa para o comando... homens que vivem perto de nós. Belial passa férias no centro da Terra, bem no núcleo. Durante os tempos normais, tem que comandar as suas legiões e investir contra anjos, santos e eternos defensores das criaturas de Deus, mantendo o equilíbrio das trevas e da mentira no jogo universal; malícia e ferocidade. E as férias servem para descansar, fazer arte com lava, fogo e compostos mergulhados nos aterros da Terra. Realiza magias e por vezes viaja para se encontrar com quem o invoca ou convida… vive em campos, cavernas e florestas… estuda manuscritos extensos de filosofias modernas, de hábitos terrestres e no fundo é somente um aventureiro desgarrado dos humanos das profundezas. Ele está presente nos corpos dos exorcizados e masturba-se olhando os olhos e ouvindo as palavras dos padres patéticos e caricatos. Se estes conseguirem excitar Belial, então o demónio ejacula nas entranhas dos exorcizados e com sorte a história acaba bem, senão a masturbação não chega a bom porto ou a bom deleite (com leite vulcânico) e os exorcizados sofrerão com mais tempo de chagas e acções demoníacas. Os padres quase pelintramente voltarão, para satisfação de Belial, o masturbador luxurioso que possui as criaturas para que lhe sirvam de fetiche.&lt;br /&gt;A magia elementar é uma cartilha maternal do Homem. Belial ritualista é o ser da realização autónoma, que representa o elemento terra e o qual se encontra de pés bem assentes no chão – procedimento mágico real e sólido – sem tantos lugares-comuns místicos desprovidos de objectivismo. Ritualismo ligado à terra, às rochas matrizes. &lt;br /&gt;Os caminhos relativos levam à evolução pessoal, ao culto físico, à metafísica dissecada e a um estado de melhor conformidade natural entre o meio e a consciência sábia. &lt;br /&gt;Não só de ruídos, pancadaria, sobressaltos mentais e físicos, vive Belial. A música é constante e invariavelmente universal e é de bom-tom o ânimo de Belial ao ouvir, escutar, melodias com letras que o toquem no factor vanglória/interesse. Uma das bandas modernas a criar um misto e uma atitude conscientes de atracção da atenção do demónio sem mestre é LORD BELIAL, a qual é feita por membros talentosos de veias inchadas por exaltação negra. Há palavras neles que excitam e animam o demónio da terra, palavras de todos nós como: paredes; rituais; carne; caveiras; decoração; velas pretas; queimar; desejo furioso; apodrecer; gritar; sacrifício; esperar; fado; ódio; arder o crucifixo; encher; sangue; profano; mãos; maldade; malícia; infernal; imensidão; fogo; …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belial apareceu-me para que o conhecesse e escrevesse sobre ele, mas no fundo apareceu-nos, por/para essas razões, porque aquilo que de que ele é nomeado é também de nossa própria nomeação. Apareceu, conversou, engrossou-se, retrocedeu. Naturalmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca enorme do panteão infernal cospe fogo e fogo engole com abismal categoria. Um modelo saiu para conversar connosco, nos sonhos, nos pesadelos, nas simples e básicas coisas da vida, nos prazeres, nas dores, e foi dele que ouvimos explosões de força. Não sendo o único modelo, vamos caminhar atrás, ao lado e para além dele, aproveitando este tempo precioso sem que outro modelo de categoria equiparável saia até nós, sob as labaredas da boca do panteão… e um dos quatro tronos está assim ocupado, reocupado, e faltam três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SchC56KNM6I/AAAAAAAAACs/Hxq_ZSmDrLw/s1600-h/um+rosto+de+belial2.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SchC56KNM6I/AAAAAAAAACs/Hxq_ZSmDrLw/s200/um+rosto+de+belial2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5316572922742911906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-6300487975200155717?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/6300487975200155717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=6300487975200155717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6300487975200155717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6300487975200155717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/03/recintos-possuidos-ou-o-gozo-de-um.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (VII) - Belial'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SchCrsztd7I/AAAAAAAAACk/TXBPryn2Ld4/s72-c/331059230v8_350x350_Front.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-1838223437387796437</id><published>2009-02-22T11:17:00.000-08:00</published><updated>2009-03-25T07:54:47.448-07:00</updated><title type='text'>"Devora-me"</title><content type='html'>Nós nas nossas mesas barulhentas,&lt;br /&gt;Eles cortejando copos vertidos,&lt;br /&gt;Vós penteando peles ferrugentas,&lt;br /&gt;Tu e eu com delírios perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as manias e tantas as portas,&lt;br /&gt;E aquilo que mais importa é vencer,&lt;br /&gt;Vamos esquecendo raízes e horas mortas,&lt;br /&gt;Não nos apressa à atenção vós estares a gemer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu continuas a olhar o fundo do rio,&lt;br /&gt;Ele não larga o promíscuo humor,&lt;br /&gt;Ela deseja destapar o mundo e com um fio&lt;br /&gt;Eu interligo fluidos no buraco do amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde sai é por onde entra,&lt;br /&gt;Muitos dias nada queremos,&lt;br /&gt;Muitas horas jogamos às cartas,&lt;br /&gt;Por aqui, despimo-nos de roupa, por aqui, amamentamo-nos em vazios…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos penetrar a língua em doces,&lt;br /&gt;Doces cozinhados na febril madrugada,&lt;br /&gt;Já assumimos um trono do elitismo assediado,&lt;br /&gt;Na terra de porcos de focinho enfeitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://img.olhares.com/data/big/251/2519448.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 399px; height: 292px;" src="http://img.olhares.com/data/big/251/2519448.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-1838223437387796437?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/1838223437387796437/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=1838223437387796437' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1838223437387796437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1838223437387796437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/02/poema-pedir-titulo.html' title='&quot;Devora-me&quot;'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-2897725485245015072</id><published>2009-01-25T15:53:00.000-08:00</published><updated>2009-01-25T15:58:46.992-08:00</updated><title type='text'>... apenas dar o gosto à caneta</title><content type='html'>Danças que se perdem no cheiro da noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Suores frios, talvez ardentes, excitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cores vivas que pintam cenários eróticos, muito exóticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ir-se aos inícios de uma vigorosa intimidade, os perfumes doces nos pescoços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A graciosidade nas posturas e a atracção das inocentes visões das criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Talvez, nesta noite haja sangue nas bocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agir de modo consciente, olhar, dizer, agarrando-se com valor às sapiências, com mistério, com uma grande voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   E, finalmente, as mãos alcançam aquilo que quer o corpo enfeitiçado...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-2897725485245015072?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/2897725485245015072/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=2897725485245015072' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2897725485245015072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2897725485245015072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/01/apenas-dar-o-gosto-caneta.html' title='... apenas dar o gosto à caneta'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-1879756960000299339</id><published>2009-01-18T15:00:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T15:05:07.209-08:00</updated><title type='text'>Anúncio 2009</title><content type='html'>Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha série de textos Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio, que tenho apresentado aqui, encerrará neste ano. Realizarei mais quatro textos, um por cada estação do ano.&lt;br /&gt;No início da Primavera, exibirei no Gotas liricamente coaguladas o texto Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio - Belial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurarei criar tais textos como os tenho idealizado, de forma a que resultem de forma original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ao Equinócio de Primavera!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-1879756960000299339?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/1879756960000299339/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=1879756960000299339' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1879756960000299339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1879756960000299339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2009/01/anncio-2009.html' title='Anúncio 2009'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-802954813579868584</id><published>2008-12-31T08:29:00.000-08:00</published><updated>2009-07-31T03:27:02.987-07:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (VI) - Mel Vermelho</title><content type='html'>No final de 2008, apresento mais um texto da série Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais para o 2009 haverá, certamente. Que não o achem demasiado doce, mas também que não o sintam com falta de açúcar! Ahahaha!&lt;br /&gt;__&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SVuevsYzuGI/AAAAAAAAABc/zqc0Lc_E4Io/s1600-h/TS+041.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SVuevsYzuGI/AAAAAAAAABc/zqc0Lc_E4Io/s320/TS+041.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285993129855662178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Inverno. As ruas estão ensopadas. É Inverno e as ruas desertas estão enregeladas, com gelo pontiagudo. Eu simpatizo com este tempo, mas não tanto com o facto de me cruzar menos vezes com os companheiros e amigos que se fecham em casa. Nesta ordem da verdade, não há nada para ninguém. Não há conspiração, não há conversa, não há ajuntamento; há Inverno.&lt;br /&gt;Passa-se sempre alguma coisa nestes momentos frígidos. O pensamento voa para zonas supostamente mais quentes, as queixas saltam da língua para os ouvidos, as culpas pincham para as aberturas aliciantes da realidade parada, as ocasiões tornam-se mais sortudas ou de motivo excepcionalmente garantido e os humanos fincam-se por especulativas confusões. &lt;br /&gt;Paro diante do portão da minha moradia. Daqui engraço com as estrelas que não tremem devido ao frio desta noite. Pouco ou nada de interessante se vê daqui a esta hora, mas foi exactamente por isso que eu saí da sala há momentos. Tenho vontade de descobrir qualquer coisa de extraordinário, pensar que podemos utilizar de maneira incrível e evolucionária qualquer coisa já há muito existente no mundo, persuadir atitudes de pessoas para outros caminhos prodigiosos ou persuadir caminhos prodigiosos a encaixarem-se nos pés de outras pessoas… tenho vontade de acelerar o núcleo do planeta. Estas ramificações de vontade são receita de uma personalidade mutável sob um ideal apaixonado pela vida, pela obra, e qualquer miniatura de composto terreno, por exemplo o que vejo agora às escuras, ramifica-se e massaja a vontade do corpo e da mente. Cada um desses ramos agrada-se com cada pertence meu, portanto o motivo de estar a deambular pela parte de fora da casa é perfeitamente vontade minha, mas se assim não fosse, parecia que estava a ficar alienado, vazio, esgotado ou sem rumo aparente. A noite fria e a minha vontade em chama. Vontade de ferro, frio fundido. O silêncio é um gelo apenas exterior.&lt;br /&gt;Vivo um novo dia para superar anteriores, unicamente para não me sentir linha e sim pico. E em cada novo dia há obstáculos a um pico, inclusive a meteorologia, mas compete-me a mim próprio arriscar. Ritual diário da escolha. Estava muito aconchegado dentro de casa, mas escolhi sair para o frio desta noite, para assim inovar, diferenciar, adicionar, face ao dia de ontem. Contrariar e responsabilizar também, cenários que me fazem lembrar de uma das coisas que os meus pais dizem constantemente, que para eu sair de casa a temperaturas baixas, tenho que me agasalhar até à ponta do nariz ou sofro. Eu não sofrendo com falta de cuidado, sei que sem me superar sofreria baixas intelectuais.&lt;br /&gt;Os sons de animais ou de ordem estranha não se estão a fazer ouvir. O céu tenta clarear com o avançar destas horas, da madrugada, e a lua move-se no seu aspecto melancólico. Pazes, ausências, refúgios, pontos, sonos espalhados, odisseias nocturnas… em tudo o frio desta data vive. Neste momento, vou até ao pé do fontanário mais arcaico do meu jardim, o qual se encontra recentemente ornamentado com plantas exóticas e, nas suas bordas, acompanhado no seu tom de classe por conjuntos de espadas e armaduras pequenas, gastas, cruzadas. A nuvem de ar, o vapor denso, o frio, que sai da minha boca entreaberta, conforme respiro, funciona como um pano de secagem do silêncio, desmaiando sem graça na água do fontanário para onde olho. O fontanário, os ornamentos, a água... tudo fica turvo no plano físico, agora que o plano psicológico traz calor à realidade. Eu sento-me na pedra com gelo e o meu cérebro relembra outras vidas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espelhos e um observador. Para lá dos espelhos, vidas, atrevimentos, histórias! Os espelhos reflectiam imagens de séculos anteriores. O chão era pisado por retrocessos de tempo, de pós, e a criação da alegria nos espelhos esquematizou prazeres ambíguos. O observador, à distância certa para reparar, escrevia sem razão, mas com deleite e sumarenta animação, acerca dos personagens que se evidenciavam do resto do terreno, das imagens apartadas, dos espelhos. Esse observador, sem língua, com farfalhuda massa cinzenta, com olhos e material de escrita, acompanhou os intervenientes na acção essencial, nos regulados segundos da sexualidade arrebitada. Três pontos na fórmula redonda, entre espelhos e estranhezas da noção: o observador, um personagem homem e um personagem mulher. Os enredos montaram-se sob sorrisos entre espelhos num colapso doce e o homem e a mulher renasceram para existir com dimensões e adjectivos totais, porque o observador ganhou então o seu trono de comando…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele – o homem – usualmente dormia muito calmo, sem transpirações de maior, calores ou sentimentos de solidão abismal. Ele era bonito, de feições claras e definidas, que se enriqueciam num corpo jovem e forte, repleto de uma sensual energia. Encontrou-a – a mulher – num dia fervoroso, num parque com estátuas de reis notáveis e burgueses belos. Ela exibia uma silhueta, perfumada com lindas formas, sumptuosa, completamente atraente e elegante, dona de um rosto angelical que era adornado por um ar enfeitiçado. Ela vestia-se de branco: a blusa branca, a saia pelo joelho branca, engrandecendo-se em calçado vermelho e jóias vermelhas. Ela vestia-se num branco inspiradamente vivo e admirável. A pele do corpo dela era pálida e assemelhava-se a uma grande concentração de seda. Ele pôde contemplar, após dar passos em direcção à zona do jardim que lhe interessava, que o cabelo dela era vermelho, qual vermelho marcadamente exibicionista mas refinado. Era ordinariamente uma cor em finos fios de cabelo bem tratado, mas o cérebro dele convenceu-o que aquela faustosa imagem a passear-se tinha um encanto fabuloso e real, merecedor de largos momentos de atenção!&lt;br /&gt;Após terem trocado olhares cúmplices, ela caminhou em direcção a ele e com uma vénia e um sorriso luxurioso, afastou-se por completo dele e daquele jardim. Ele corou e de imediato se virou para admirá-la de costas, pois sentia que precisava de fazê-lo sem pudores, mas apesar de tê-la admirado uma última vez, ela já não mais voltou a lançar-lhe o olhar. Sentindo uma sensação de satisfação, ele decidiu partir rumo a casa para poder meditar em tudo o que sucedeu, visceralmente guardando as imagens, os olhares, do caso vivido. O dia passou rapidamente desde que chegou a casa e se fechou no quarto. Quando a lua da meia-noite cintilou no firmamento, ele já dormia pesada e meigamente, na sua cama enorme e de arte requintada. Nessa noite, ela surgiu-lhe no quarto e próxima da janela se deteve a olhar o corpo dele. A atmosfera do quarto ficou esquentada, pintada sobre uma aura vermelha e ele no seu inconsciente acreditou conduzir um sono inquietante, transpirado, ao género de uma tortura de cócegas estimulantes. Ela avançou para ele e ajoelhou-se perante o rosto docemente adormecido que se apontava ao tecto branco do quarto. Ela admirava o rosto dele, pensava o quão belo era e inspeccionava cada centímetro dos seus lábios rosados. O olhar arrebatador dela fortaleceu-se e como uma membrana em fogo acalorou e enrijou o físico dele. Ela sorriu com melosa malícia depois de reparar no corpo dele a agitar-se com calor e sentindo tanto calor, ele destapou a camisa de dormir o suficiente para mostrar o peito cuidado e cativante. Aos olhos dela, ele continuava a agitar-se sobre os lençóis encorrilhados e tais olhos rejubilaram-se por completo com o endurecimento e dilatação por debaixo das calças dele, que lhe significava um inchaço tão tentador. Ela adorou o desencadear de prazer através da sua silenciosa perscrutação ao quarto dele e satisfeita ergue-se do chão e deu-lhe um longo beijo afectuoso numa das bochechas do rosto transpirado. Afastou-se da mesa-de-cabeceira, observando à contraluz que ele mantinha uma erecção enorme, rígida e fervorosa, ao ponto de por baixo das roupas se adivinhar avolumados vasos sanguíneos no membro sexual…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol irrompeu graciosamente pela janela do quarto dele, fazendo-o despertar de seguida. Achando-se húmido, saltou da cama e sentiu-se preenchido por uma força criadora, que o convenceu de uma noite de sono bem aproveitada e com direito a ter sonhado com ela, que no dia anterior tinha vislumbrado. O bem-estar manteve-se-lhe no corpo e na alma e a rotina encarrilou-o com paixão, mas depois da noite em que sonhou com ela, não voltou a vê-la no jardim. Estranho era para ele, porque jurava que por vezes, por segundos, a via em qualquer local, parecendo cómico e ao mesmo tempo desorientador. Sentiu que a noite anterior fora uma referência importante doravante na sua sexualidade.&lt;br /&gt;A tarde estava interessante e as coisas corriam calmas e conforme o esperado, mas não esquecendo que se deslocara já muitas vezes no seu coche particular. Ele tinha um emprego pacato, o qual significava um grupo de bibliotecários e arquivistas, sendo o seu desempenho muito formal e linear, sem grande espaço para investigar, criar ou inovar no sector. Sentia que tinha garra para ir mais à frente, mas o meio e as pessoas com quem se relacionava, levavam-no a um conformismo usual, que pouco diferia do dos seus demais. O mais que podia esperar da sociedade era um padrão demasiado igual, porém o seu interior necessitava de um bem desigual. &lt;br /&gt;O ritmo das horas e dias ia de vento em popa e ele sentia-se cada vez mais regenerado de dia para dia. Ela continuou a surgir-lhe no quarto, noite após noite, visitando aquela beleza adormecida e igualmente realizando coisas cada vez mais atrevidas nele. Ele sentia-se durante o dia muito mais confiante, desde que a conheceu, portanto declamou que o seu dia-a-dia passara de cinzento e azul a vermelho e dourado. O carácter sensual constante que passou a sentir sob a pele, demonstrou que ele era capaz de emanar mais energia e força de resolução nas suas relações com pessoas e/ou deveres. A diversão dos sonhos, pensava ele que seriam sonhos, naquelas noites húmidas, para além de lhe despontar grandes sorrisos, confortava-o numa ideologia responsável, natural e rica, perante a vida quotidiana e as utopias. Ele acreditou em momentos de felicidade, em parte, muito vivos. Era um embrulho com laços de cores exoticamente superiores…&lt;br /&gt;O murmúrio dos animais da noite embalou-o num sono aveludado. Ao fim de uma hora, ela estava no quarto dele e, como quem mata saudades de alguém muito especial, beijou-o repetidamente nos lábios semiabertos, cuidadosa, sem que ele despertasse. Sussurrou-lhe depois com doçura ao ouvido esquerdo para que a mirasse, para assim se sentir mais bela e acompanhada. Ele permaneceu embarcado no sono tranquilo, mas ela, mesmo assim, ficou honrada. Ela afastou-se para o pé da lareira apagada do quarto, no lado esquerdo da cama dele. Pôde reparar, mais pormenorizadamente, nos itens medievais com que ele emoldurava e alindava a parede contígua à lareira. Agarrou a maior espada afixada e nas suas mãos manuseou-a de maneira fina, feminina, espontânea. Olhava a lâmina ainda afiada da espada, quando passou um dos dedos no corpo esguio desta. Ao terminar o tacto, sentiu cortar-se ligeiramente, nada de preocupante, visto que inclusive a entusiasmou um tanto. Aquele corte, aquela palpação à arma, fê-la pensar nas características físicas e sexuais dele, desejando cortar-se na energia dele, no corpo dele, na firmeza dele, no poder sensual dele… e ao recolocar a espada na parede, deslizou cortesmente até ele e acendeu algumas velas. Destapou-o e viu que ele vestia apenas umas calças finas, de um tecido bastante apetitoso para ela. Passou as mãos claras e ardentes pelo peito nu dele, sentindo o batimento do coração em crescendo com a duração do toque dela sobre a pele. Pressentindo o calor nele a despontar, retirou-lhe as calças, despindo-o então por completo, de um imponente modo. O corpo dele brilhava com o jogo de sombras e efeitos das velas acesas e a sua nudez arrebatou o olhar atento e mágico dela, levando-a a respirar mais verdadeiramente. Ele, completamente a dormir, transpirava bastante, mostrava os músculos que se endureceriam, teve-a diante de si, cativantemente feliz, a despir-se lentamente pelo quarto. Nua, lindamente sedosa, ela fixou-se uma vez mais na figura dele, adorando-o, bebendo pensamentos sobre ele. Ela, corpo feminino encantador, percorreu as suas formas pálidas com as mãos, em círculos e ondulações provocantes. As suas mãos detiveram-se entre as suas pernas altas, torneadas, conquistadoras, numa imagem pura de erotismo desenfreado. Ela tocava-se entre olhares calorosos a ele e pensamentos molhados, sentindo um prazer inominável. Ele dormia totalmente, mas dos seus poros vertia uma animada temperatura e volúpia aromática da inconsciência. Ela sabia de todos os estados físicos e extra-sensoriais dele e sobre tais motivações, ela masturbava-se…&lt;br /&gt;Os gemidos sãos, os pensamentos abundantes, as massagens genitais, os ardores de prazer, por ela cumpridos, coloriram o resto da noite e o culminar gracioso da masturbação dela, o acto saudável, forte e moralizador, afagaram o descanso dele até ao nascer do dia. &lt;br /&gt;Na manhã seguinte, ulteriormente à quinta noite, à quinta visita erótica dela que influía sempre mais sexualidade nele, ao quinto sonho exsudado, ao levantar-se, o quarto não cessava de ondular, serpentear, facto que o levou a saltar para a acolhedora almofada novamente, fechando os olhos com prontidão. Segundos, longos segundos depois, ele sentiu a sensação de formigueiro nos pés, mas uma incrível sensação de força e irrigação de testosterona como se tivesse acabado de ter a sua melhor noite de sono. Cogitando estar estranhamente a sonhar, não pôde deixar de sentir um tímido perfume a mel e sabonete. Pragmático, concluiu que tal perfume não advinha do seu corpo, mas o seu cérebro manipulou a sua vontade a acreditar que tal cheiro lhe era muito querido e familiar.&lt;br /&gt;Quando voltou da sua função de bibliotecário e arquivista, dirigiu-se ao quarto num impulso libidinoso e muito instintivo. Ao dar a volta pela sua cama tratada e arrumada pelas suas criadas, deparou-se com um pedaço de mel num dos cantos da sua almofada. Esteve a concluir se teriam as criadas descuidadamente vertido aquele líquido doce um pouco avermelhado. A seguir, foi até ao espelho embutido num dos seus armários de livros pessoais para ver as suas faces, o seu ar devaneado, e com estupefacção viu ela reflectida no espelho, bem perto do seu pescoço. Loucamente virou-se e não a encontrou, mas desvanecia-se no ar o mesmo perfume que sentiu ao acordar. No espelho mirou-se e encontrou a sua beleza de sempre, acompanhada por uma aparência de obsessão feminina. Desceu o quarto e numa das salas de estar encontrou as criadas que habitualmente tratavam dos seus aposentos privados. Inquiriu-as se tinham derramado mel na sua almofada e elas asseveraram, juraram, não ter feito essa asneira. Ele acreditou subtilmente nas palavras delas e retirou-se da moradia. Concluiu que pudesse estar obcecado pela imagem dela, o que fez com que o seu cérebro ganhasse a sugestão que a tinha visto em muitos locais antes e a mesma obsessão deve ter-lhe sugerido que o mel estivesse ligado à presença dela. No intuito de se acalmar e desanuviar, foi com o seu criado de coche até à beira-mar, não muito distante dali. Passeou na areia da praia, deixando-se embalar ao sabor do vento morno do fim da tarde. As gaivotas preenchiam o céu, o mar emitia os seus sons relaxantes, as ondas morriam nos buracos feitos por pegadas… e ele, minutos mais tarde, acolheu por certo a quietude, o equilíbrio, da beira-mar e a sua mente e alma confessaram-lhe sentir-se melhor. No fim do passeio, ele guardava prazer, alegria, gozo e ânimo, em si, portanto foi com tais formatos que se deitou na cama, aquecido por uma lareira rubra…&lt;br /&gt;A meio dessa noite deleitosa, a sexta noite, ele acordou, sem roupa, por intermédio de um estalo dela. Ele estava como que delirante, o mais feliz que soube experimentar. Ela abriu para ele um sorriso de orelha a orelha e, depois dele confirmar o extremo desejo hasteado nela, deixou-se abraçar e, inundada de beijos, carícias e meias palavras, por ele foi possuída intensa e voluptuosamente. As magníficas trocas e dádivas de fluidos sexuais, queimou-lhes a pele apaixonada e um superior patamar de êxtase alcançaram melodicamente. Um sonho nunca é somente um sonho, numa sexualidade executora.&lt;br /&gt;O quarto estava mergulhado numa extensão de satisfação. No final do acto sexual, ele disse-lhe que se achava capaz de lamber todo o chão que ela havia pisado. Silêncios sumarentos, suspiros de carinho, realização de vontades. Ela mantinha o frequente sorriso amaciado, mas reparava-se-lhe um refulgente rubor nas saborosas bochechas. Magnificentemente, um vento abrasado entrou pela janela do quarto e apagou as inúmeras velas vermelhas que ela tinha trazido. Os esbeltos corpos deles perduravam nus e entrelaçados, apenas evidenciados por um feixe lunar inebriante, que aspirava descrevê-los como uma dupla de actores a serem contemplados em cima de um palco pelo público rendido.&lt;br /&gt;Ensejos a seguir, ele sucumbiu numa sensação de calor, franco prazer, líquida paixão… mas acordou em breves minutos. Em frente à lareira acesa, tapada somente por um transparente véu erótico, ela dançou para ele um mantra oriental. Ela via os olhos dele a agitarem-se ao ritmo lascivo da dança. Ela via-o atento ao seu corpo dominador. A lua, que entrava pelo lado direito da cama, enfeitiçava a silhueta dela num distinto molde de beleza. O véu roxo tapava ligeiramente os formosos seios dela, tapava-lhe ligeiramente a púbis e dançava de forma aliciante nas nádegas fofas dela. Todo aquele cenário diante dele, foi um enorme motivo de vislumbre, erecção, submissão e respeito. O mantra que ela encenava era de uma qualidade maravilhosa e com o grau de ousadia a subir, ele pôde observar todos os cantos do corpo perfeito dela, todas as formas, todos os orifícios e camadas desnudadas. Ela agarrou numa adaga que ele tinha fixa na parede e com esta actuou na parte final da dança. Colou-a junto ao corpo, estendia-a pelo ar e passava-a pelas chamas da lareira, culminando num pormenor muito delicioso para ele: acariciou a adaga, afagou-a com os lábios e, pensando num falo fascinante, lambeu-a com distinto sensualismo. Ela excitou-o como ele nunca imaginou merecer e foi ter com ela, com um cálice de prata com vinho, assim que visualizou o meigo chamamento dela. Beberam o vinho imersos numa libido extravagante, marcados pelas sombras das chamas da lareira que serpenteavam fortemente, girando como línguas num beijo desvairado como o deles. Ela beijou-o e agarrou numa das velas que tinha trazido para o quarto. Ele abraçou-a, acolheu-a entre as suas pernas másculas e estendidas. Da vela não verteu para o peito dele cera líquida, escaldante, mas sim mel. Mel vermelho. As velas derreteram muito no corpo dele, aglomerando muitas manchas de mel vermelho. Provaram o mel, provaram os beijos. Provaram-se. A cópula aconteceu muitas vezes, a masturbação aconteceu muitas vezes, a sodomia aconteceu muitas vezes, o sexo oral aconteceu muitas vezes, naquela noite longa de prazer. A sexta visita dela encerrava-se nos lençóis protectores da cama dele e todo o gozo dos dias borbulhou enobrecedoramente, sob um perfume sublime de carnalidade.&lt;br /&gt;A aurora da manhã, lançou um orvalho fresco e vital para ele e para ela. A vida era extraordinária, simples, materializada e livre. Ela beijou-o no rosto revitalizado, sussurrando-lhe que estava então honrada com o Universo completo e incompleto, moldável. Ele ouviu que ela lhe fizera aquelas visitas, após se terem cruzado fisicamente, porque ela própria era uma analogia, um ónus positivo, da sexualidade humana, uma força da natureza criada para atribuir felicidade, prazer, naturalidade e força a quem procurasse por ela. Revelou-lhe que ele tornar-se-ia superior, numa maior escala de amor, nessa tal-qualmente força natural e percorreria os trilhos virtuosos da sexualidade com outras pessoas que desejasse. A luz do sol irrompeu pelo quarto e ele permitiu cordialmente que ela saísse pela janela, adornada e alegrada nos raios de virtude da manhã. Ao desaparecer, repetiam-se na mente dele palavras, frases, cheiros e gemidos, que garantiram que a sexualidade é um temperamento entranhado dos corpos sob qualquer forma ou exercício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interpolação de períodos destrói os espelhos, os personagens, os ciclos de letras. A mudança de espaço e a disfunção de coordenadas, trazem-me ao fontanário, onde olho a água serena e límpida, como um sonho de algodão e amêndoas raras.&lt;br /&gt;A noite está muito mais agitada, com uma agitação própria de vitórias com sangue e suor. É Inverno e é altura de frio, de procura de aquecimento. Toda a leitura de um texto sexual ou erótico ou sugestivo, faz parte de um dos fetiches gerais do mundo, um ramo da sexualidade, e como todo e qualquer prazer o essencial da história é alcançarmos os frutos que mais desejamos provar: proibidos ou não proibidos, sem regras nem limites, com consciência, pois a árvore da sexualidade é algo inato à natureza humanamente altiva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-802954813579868584?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/802954813579868584/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=802954813579868584' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/802954813579868584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/802954813579868584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/12/recintos-possudos-ou-o-gozo-de-um.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (VI) - Mel Vermelho'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/SVuevsYzuGI/AAAAAAAAABc/zqc0Lc_E4Io/s72-c/TS+041.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-2551386867021849163</id><published>2008-12-03T16:45:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T16:54:39.291-08:00</updated><title type='text'>Espera Infinita</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://img.olhares.com/data/big/186/1861998.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 369px; height: 550px;" src="http://img.olhares.com/data/big/186/1861998.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos anos, asas mentirosas que não ganham abertura,&lt;br /&gt;Abrem para enferrujar numa eternidade de tempo sem nada a fazer…&lt;br /&gt;Abrem para esperar, esperar as manchas a crescer, as teias sem cura,&lt;br /&gt;O lixo a empilhar, o musgo a ressaltar, o enxofre a corromper.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele que espera infinitamente, espera sem esperar nada…&lt;br /&gt;Uma caveira partida em velas, que uma eternidade ainda tem que esperar…&lt;br /&gt;Rosas, pedras, baratas, explosões, agonia, escultura, é esperar nada…&lt;br /&gt;Uma escultura é uma espera infinita e a fraqueza de aturar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repetições a mais, repetições de tantas esperas, o ser na infinita cavidade…&lt;br /&gt;Esperar por esperar, uma eternidade a esperar, a esperar correctivos…&lt;br /&gt;Esperar costuma ser por alguma coisa, mas aqui custa esperar a imortalidade…&lt;br /&gt;Espera infinita a esperar nada, por nada, infinito de castigos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade incrível de pó, na senhora, nas linhas das alças,&lt;br /&gt;Espera alguém que não aparece, mas prometera vir numa manhã bonita,&lt;br /&gt;E agora ela espera por quem? Ninguém. As suas esperas são pontas falsas,&lt;br /&gt;Caveiras de tempo, dentro do suor, e à espera da senhora está uma espera infinita…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora de branco a bailar, não tem as pestanas,&lt;br /&gt;Não tem dolorosas ocupações superiores à dor de esperar, as salientes catanas,&lt;br /&gt;Terminar de ver as sombras sem esperar outras sombras…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do cinzento ao preto enfermo, em rugas deslavadas, respira em negras lombas,&lt;br /&gt;A personagem viverá da mesma forma, esperando a não finalização do seu mal…&lt;br /&gt;A igualdade dos momentos, a ira, na sua casota de cal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Personagem sem idade, em felicidade de sepulcrais rochas,&lt;br /&gt;Uvas e pinças de ácido; desesperar ao abrigo do relógio intemporal… letais tochas,&lt;br /&gt;Humanos e estátuas são atrasos, avanços, durações de nada… cavam na anta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oferecem-se caules envelhecidos, atiram-se espinhos para a garganta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-2551386867021849163?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/2551386867021849163/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=2551386867021849163' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2551386867021849163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2551386867021849163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/12/espera-infinita.html' title='Espera Infinita'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-1461204638822166545</id><published>2008-12-03T16:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T16:44:50.143-08:00</updated><title type='text'>Pasmei à Noite</title><content type='html'>Um conto retirado do meu livro - Eviscerar Mistérios...&lt;br /&gt;__&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1! 1, 2! 1, 2, 3! 1, 2, 3, 4! 1, 2, 3, 4, 5! 1, 2, 3, 4, 5, 6! 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7! 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8! 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9! 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10! 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contar os números. Contá-los! Cantá-los! Desde há algum tempo para cá, que me colocava todas as noites a contar desta forma. Utilizo isto, utilizo a doçura da noite, utilizo a janela do quarto para olhar para a lua e, todas estas utilizações são um ritual meu. Ritual de serenidade. Serenidade nocturna!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois paro a contagem. Depois, um depois próximo… num número perto, eu paro sempre as contagens. Paro a canção! Canção, que por vezes, me faz acreditar no absolutismo destes números. Assegurando-me de que – para mim até é um desejo – não existem mais números. Até existem, mas são como os seres no mundo. Existem tantos que se tornam longínquos, inúteis e desinteressantes para os meus objectivos. Desirmano-os da minha mente. Sei, com certeza, que por lá estão, mas que não são satisfação nem acolhimento.&lt;br /&gt;E continuo nos números! Os tais números na minha cabeça! A mergulharem e a rebolarem. Através da minha voz! Os números na minha mente. Os números na minha voz. Os números a serem números na minha mente e a serem números na minha voz. Sem conseguir vê-los, namoro-os!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um sistema que me relaxa e que, apesar de serem sempre os mesmos sons, a sua utilização é sempre diferente. Os mesmos números. A sua utilização diferente. A novidade. Sistema que me proporciona tanto sentimentos basilares como inexperientes. Sentimentos e devaneios e coisas de pasmar.&lt;br /&gt;Não é de espantar que eu, durante este ritualismo, não retire o olhar da lua e a lua não se repele de mim. Somos muito atentos entre nós. Nada se finca ao nosso redor. Eu e a lua preenchemos tudo. Eu e a lua só deixamos livres os espaços onde perduram as verdades e os gritos. Eu espio todo o meu corpo projectado no corpo da lua. Eu pairo atrás da janela e contra a lua. Eu sou uma absoluta verdade na janela do quarto! Sou uma absoluta verdade na lua! No mundo. No meu mundo. E no mundo de todos.&lt;br /&gt;Por esta altura, estou a pensar nas minhas forças. Estou a recordar as minhas brincadeiras. Estou a recordar as minhas lutas. Também estou a pensar nos meus desejos. Estou a conviver com a minha vaidade. Mais… estou a acariciar a minha inteligência! Simplesmente, estou a reflectir na minha vida. O que tenho. O que consegui. É tudo delicioso, porém muito ainda me falta para concluir as delícias. Faltam-me mais quantidades de qualidade. Delícias como conquistas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu desígnio é evoluir. Evoluir! Canalizar o que sou e canalizar os números em picos, em espadas. Espadas de energias. Quero ostentar as procuras e as consumações. E os meus instrumentos são os números, os rituais, os picos e as espadas de energias. Eu sou o vencedor e o perdedor. Eu sou a minha evolução!&lt;br /&gt;Eu visto-me de negro. Todas as minhas vestes são negras. São lindas. São finas. São negras. São elegantes como o pano fixo que exibe a lua. As minhas vestes mostram-se misteriosas. As minhas vestes são aprazíveis. Protegem a minha pele e tudo o resto da agressividade dos olhares. As minhas vestes são úteis! Eu sei que os olhares que se dirigem a mim são olhares de crítica e de ofensa. São olhares de mediocridade e de espanto. Poucos são os olhares de fascínio e de agrado. E olhares brilhantes e de respeito. São poucos, estes. As vestes são úteis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho-me a mim próprio. Toda a capacidade de usufruir das abundâncias da vida é carne da minha carne. Eu preciso de mais vou, luto, perco, venço, venço e perco, venho, utilizo, aprendo, sugo. Eu preciso de mais! Eu vou! Eu luto! Eu perco! Eu venço! Eu venço! Eu perco! Eu venho! Eu utilizo! Eu aprendo! Eu sugo! Eu sou um homem. Eu sou um animal racional. Eu estou, unicamente, à minha espera para o ataque!&lt;br /&gt;Fecho as janelas do quarto e saio do quarto. O quarto não é meu. Estou em mais um hotel. Estou! Pois, gosto de novidades, de ambientes desconhecidos, de mobílias e de paredes novas. Desci do quarto e encontrei-me com pessoas. Encontrei-me com olhares e encontrei-me com respirações. Balanço simpaticamente a cabeça a quem balança a cabeça simpaticamente a mim. Encontrei-me na recepção e paguei a utilização do quarto. No fim, recolhi os agradecimentos e as admirações do jovem em serviço. Recolhi a essência final do local. À saída! Eu recolhi os últimos sons daquele local.&lt;br /&gt;Detive-me no passeio. Espantei-me. É uma noite especial, esta. Uma noite que é noite. Uma noite que não esquecerei. Alguma razão alicia-me, eu sei. Esta noite é perfeita. É muito boa. A noite. A noite em questão é o fenómeno da felicidade. A noite é minha. A felicidade será. Coloco-me em andamento. Percorri uma distância familiar para que frequentasse a agitação de um bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho sede. Estou sedento. Gosto de beber, quando isso é um requinte. Assim como comer. Beber e comer sem aproveitar plenamente esses momentos é um palco que não me encanta. Gosto de beber. Gosto de comer. Gosto, com requinte. Com todas as razões, entrei no bar. Um bar famoso e agradável. Um bar que tem tudo aquilo que um bar tem. Porém, este bar é melhor que um bar. Dizem. Queria era entrar no bar. Entro nele e dezenas de olhares voam para mim. Olhares que são velas. Queimam as minhas vestes negras e derretem. Dezenas de olhares. Olhares que são olhares e não perfuram as minhas vestes. De atitude sedenta, com exactidão, pedi para que me servissem uma bebida. Interrogaram a minha pessoa. Aquilo que eu queria. Para mim, era um licor especial. Apenas um licor especial. Um licor eliminador de sede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as palavras, dei passos. Sento-me isolado, perto de uma mesa larga. Nessa mesa estava uma gata encerrada numa caixa do seu tamanho. Eu olhava para a gata. Eu observava e não percebia o por quê do animal ali estar. No meu rosto alinham-se interrogações. Interrogações. Interesses. Pararam após. Pararam no instante em que perguntaram se eu queria tornar-me dono da bonita gata. Achei engraçada a abordagem. Eu nunca tive uma gata. Pensei e pensei. Os prós e contras. Pensei. Hum! Está na hora de ter uma gata. Aceitei. Aceitei, logo perguntando qual a razão de me oferecerem a gata. Contam-me que o dono a abandonou. O dono, ao que parece, era um idiota, que raramente tratava dela. As pessoas próximas do homem é que a alimentavam. As pessoas próximas. E a gata foi abandonada. A gata que teve um dono idiota. Certo dia, o homem decidiu viajar. Tomou a sua consciência. Decidiu, o homem, antes de viajar. O homem decidiu abandoná-la num local escondido e afastado.&lt;br /&gt;Eu ouvia, e o meu cérebro e o meu corpo inteiro e os meus fluidos sentiam asco ao homem. Continuaram a história. Eu ouvia. Eu não conhecia o homem, mas sentia asco por ele. Continuaram a falar-me, as pessoas. O homem, após alguns minutos de largar a gata, fora dramaticamente atropelado. Um carro passara na zona. Velozmente. Um carro passou a grande velocidade. E o seu condutor distraíra-se na observação a um cão a apodrecer na estrada. O condutor observador não reparou no homem atravessando a estrada, fora do local indicado. O condutor observador não viu na estrada o homem, que abandonara a gata. Fora fatal. Fora um atropelamento exímio. A história terminou aqui. Vejo muitas pessoas comovidas, pensativas. Pessoas comovidas e pensativas no bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas deixaram-me tranquilo no meu canto, quando assim lhes pedi. Bebi o licor. Aos poucos bebi o licor. Com vontade. Com prazer. O licor que eu pedi. Uma vez por outra bebi goles em honra da minha gata. A minha gata que é bonita. Os olhos dela são enormes. Os olhos dela fitam-me com silêncio e com simpatia. Noto que não tem receio nem dúvidas em relação a mim. Nem tem de ter. A minha gata sentia-se tranquila. O licor esquartejou-me a sede. O licor especial. E a minha gata estava ali comigo. A minha gata bonita, de olhos grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha mente corre ardentemente sangue. E correm ardentemente impulsos nervosos, que me desenham e confirmam vontades. Seleccionei a vontade de sentir e de caminhar pela noite. E seleccionei mais qualquer coisa. Quero viver experiências poderosas, arriscadas. Experiências de arrebatar. E assim seria. Eu estava bem, mesmo. Terminado o meu tempo naquele bar, deixei o dinheiro certo sobre o tampo da mesa. A mesa estava vestida com um agradável tecido púrpura. A mesa em que eu me havia sentado. Pego na caixa da minha nova companheira. A minha gata. Saio do bar. Saímos do bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá fora há vento. Cá fora, na rua. A rua. Vento a passear por todo o lado. Por onde o vento quer. Vento cruzado. Cá fora há papéis a esvoaçarem. Cá fora há cabelos a voarem sem se desprenderem das cabeças a que pertencem. Cá fora há papéis e há cabelos. Na rua. Cá fora há a lua. A lua estava no céu. Enorme e a ser lua. Cumprimentou-me. A lua. Eu vim para a rua e na rua vi a lua. E a lua lançou-me ao rosto uma brisa sumarenta. Gosto desta brisa. Pisquei o olho ao astro feminino. Pisquei o olho à lua. E eu já sabia aonde ir. Na rua eu soube o que queria. Na rua onde há vento.&lt;br /&gt;A minha gata soltara, entretanto, o seu primeiro miar. O primeiro miar que eu ouvi da minha gata. É um miar alegre. Pensemos, um miar de uma gata. Sorri nos olhos da criatura felina. Decidi não lhe colocar um nome. Era a minha gata. Chega isso. Percorri as ruas compridas. Eu e a minha gata. As ruas preenchidas. As ruas que se assemelham a nervos elásticos, mínimos, presos. Eu encontrei um hotel que desconhecia. Na recepção pedi um quarto. Um quarto com uma varanda espaçosa. No hotel eu pedi para que me arranjassem comida para a minha gata. Comida que a minha gata come. Comida e bebida agradáveis. Adquiri uns pacotes de comida para a minha gata, assim como um recipiente com areia própria para a minha gata. Tudo o que eu pedi, os empregados arranjaram-me. Pago aos empregados os favores. Subo ao quarto e vou para a varanda. Começa a chover na rua. Na varanda não chove e sente-se um tempo ameno. A caixa ficou vazia. Soltara a minha gata. Não interessa a existência da caixa. A minha gata está livre e está esfomeada. A minha gata comeu à sua inteira vontade, da forma que uma gata come. E bebeu água com fartura. A minha gata já não tinha nenhuma fome. A minha gata já não tinha nenhuma sede. A minha gata começou a correr e a brincar, das formas que uma gata corre e brinca. Brinquei durante uns largos minutos com ela e mimei-a. Eu estava contente. A minha gata estava contente. Arranjei-lhe um confortável nicho, quando vi que a minha gata queria adormecer. Afasto-me. Vejo que a minha gata se encontra contente. A minha gata ficou a dormir. Afasto-me. Desci para a recepção do hotel, onde depositei a chave do quarto. Depositei a chave no sítio onde se depositam as chaves de quartos de hotel. Antes de transpor a porta e calcar o passeio, vi uma senhora velha próxima de um vaso colorido. Na recepção do hotel. Vi uma senhora velha e fui ter com a senhora velha. Pergunto à senhora velha onde existe um cemitério. Quero ir a um cemitério!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cemitério mais próximo fica a uns quinze minutos do hotel, sempre para norte. Agradeci à senhora velha a informação. Voltei à rua, então. Olho o céu. Admiro as pequenas estrelas. Olho o céu. O céu parecia-se com um manto de seda estrelado, que, se fosse possível, sensualmente assentaria num belo corpo de uma bela mulher. Admiro o céu e as estrelas. Ver-se-ia uma bela mulher enrolada num belo manto de seda estrelado. Uma bela mulher com o céu vestido. Continua uma brisa calma e refrescante. A brisa apalpa-me e desenrola-se em mim. A lua conta histórias às estrelas mais próximas e adormece-as. A lua e as suas histórias! A mim não me contavam histórias, porque eu não queria adormecer. Eu não queria histórias. Eu tomei o caminho planeado, caminhando alegremente. Caminhava. Eu caminhei. Caminhava e pensava no que ia fazer. Eu caminhava como eu caminhava. Eu pensava como eu pensava. Sensualismos. Eu pensei. A luxúria e a ternura tomaram de imediato o meu espírito e o meu corpo como os seus consortes. Todas as células. Todos os componentes do meu corpo. Tudo isto e tudo aquilo se debruçaram na luxúria. O meu corpo possuído! A luxúria! Tinha ela todo o protagonismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua por onde caminho é enorme. A rua é enorme! A rua e as ruas! Encontram-se vários negócios ao lado uns dos outros e defronte de outros. Nas ruas habitavam muitos negócios. Analisando. Eu analisei. No calendário anual víamos que era quase Natal. Aquele tempo de festa e de religião caseira. Esse tempo de festa e de religião caseira não é para mim. O Natal. Gosto apenas de alguma reunião familiar e das conversações sob o calor da lareira. Adoro conversar! Adoro conversar no tempo frio. Adoro conversar no tempo chuvoso. O tempo que faz na altura do Natal. Mas este ano está um tempo diferente. Diferente! Eu adoro conversar. Conversar e sob qualquer estado meteorológico. A conversar importam-me as pessoas com quem converso. As conversas importam. A rua e as lojas que eu vira importam às pessoas, que se importam com elas. As lojas. Estas lojas são exagerados pontos de concentração. Vários tipos de concentração. Concentração de pessoas! Concentração de produtos! Concentração de consumos! E concentração de fé natalícia! Fé natalícia? Sim! A fé natalícia que despeja balúrdios em carteiras das lojas. Uma rica fé! E lojas ricas. Os consumidores a queixarem-se. Os consumidores e as suas queixas! Queixam-se e a queixarem-se esbanjam dinheiro. Os consumidores compram coisas com um ouriço-cacheiro no ânus. Até lhes dói! Os vendedores a excitarem-se. Os vendedores e as suas excitações! Excitam-se e a excitarem-se vendem. Dominam os pobres e os ricos. E todos dizem gostar! Esta realidade é muito cómica. É uma cómica realidade. Esta realidade não é minha. É deles. A minha realidade é usufruir, como outro cidadão qualquer, deste tempo curto de descanso. Bem bom! Não me queixo. Excito-me e vivo.&lt;br /&gt;Luzes, barulhinhos mecânicos, lâmpadas, decorações, animais abandonados. A rua continha isto. A rua continha mais. Continuei a andar. Andar. Andar. Andar. Luzes, barulhinhos mecânicos, lâmpadas, decorações, animais abandonados. Ao andar, observei uma pessoa que regressava a casa. Luzes. Outra que saía de casa. Barulhinhos mecânicos. Outra pessoa a olhar, o céu sentado, num banco pequeno e sujo. Lâmpadas. E observei um menino e uma menina, cada qual na sua janela, a pedirem pelos seus desejos. Decorações. Eu não estava na minha janela. Animais abandonados. Eu já não estava à janela. Eu estava na rua. Eu estava a andar e eu estava a desejar também. Eu desejava fazer sexo. Desejava fazer sexo. Eu caminhava. Andava. Na rua. O meu corpo respondia ao desejo. O meu corpo estava preparado para o desejo. O meu corpo estava preparado para o sexo. Interiormente, vi fragmentos e cenas de sexo. Vi prazeres e lufadas mentais de bem-estar. Felicidades e euforias! Cenas de sexo que eu já vivera. Eu vi. E eu senti calor. Senti muitas mais coisas, mas refiro só o calor. Calor! Calor! As minhas veias a pompearem-se. Tantas matérias. As minhas veias a ramificarem-se. Veias que apareciam de ventres de outras veias. As minhas veias. As minhas veias e tantas complexidades. Eu sentia calor! Eu sentia. Depois, eu reparei nos músculos. Depois, eu reparei nas carnes a brincarem. A pele a nadar!&lt;br /&gt;Em gesto de informação, eu tenho um estado muito próprio: eu sofro de suores frios, até nas situações em que não se têm suores. Suores e suor frios! Eu sofro assim. E como agora me sinto nervoso e desejoso eu suo. Suores frios! Tremo! Ando a tremer. Eu tremo. Ando! Sinto calor e suo. Suo uns suores frios. E tremo muito. Tremo! Num dos passos que eu dou a tremer e a suar uns suores frios, confirmo satisfeito que o cemitério está a uns cem metros à minha frente. Apenas cem metros! E um pouquinho menos. O cemitério. O cemitério! Um simples cemitério, que é um local memorial, que as pessoas à noite não visitam. Um cemitério cultiva beleza e meiguice à/na criatura que eu sou. E então, como é natural, eu visito-o! À noite, que é quando ele tem mais tempo para mim. Durante o dia o cemitério não tem tempo para mim. O cemitério era largo e era preenchido e era um cemitério pouco iluminado. O cemitério era largo. O cemitério era preenchido. O cemitério era um cemitério pouco iluminado. Eu gostei. Gostei. E eu gosto de outras coisas mais. Eu gosto…! Gosto de coisas que ninguém sabe. Gosto de coisas. Eu gosto. Eu gostei…!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei na entrada. Totalmente parado. Estava. Parei. Na frente do cemitério. Parei na entrada. Não que estivesse bloqueada, mas para poder contemplar a imobilidade total. Na entrada, parei. O silêncio e o cheiro fúnebres. Eu, parado. O silêncio de cemitério. Eu, parado. O cheiro a cemitério. Eu, parado, a contemplar. O cheiro de terra. Eu, parado, a contemplar. O cheiro de velas esgotadas. Os cheiros. O cheiro de flores mortas. Eu, cheirando. O cheiro de lápides pálidas e frígidas. O cheiro de mortos enterrados. Os cheiros, eu, parado. Deixei, depois de longos minutos, a imobilidade. Movi-me. Penetro neste local! Penetrei no pavimento de cemitério! Nele não se encontrara mais ninguém vivo. Ninguém mais ali. Eu estava vivo! Os outros não! Outros não. Eu sim. E de resto, não mais criaturas. Sendo assim, toda esta, a simpatia do local é toda minha. Nem sinto nenhum medo ou pavor. Eu sinto simpatia. Aqui! O cemitério é tranquilizante. Também belo e solitário. É o cemitério. E jovem como eu! O cemitério jovem e invadido… esburacado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei. A certa altura imobilizei-me e pensei. Pensei, imobilizado. Eu estava num cemitério. À noite. Pensei claramente. Este meu gosto era para ser respeitado. Estar no cemitério. Estar a visitar o cemitério à noite. Pensei! Eu não fora ali para incomodar nada. Eu não fora ali para partir nada. Seria estúpido, isso. Não tinha razões, disso. Apenas fora ao cemitério para apreciá-lo. Devem respeitar-me. Exijo respeito!&lt;br /&gt;Esta harmonia. No cemitério. Este convívio com o cemitério. No cemitério, eu. E esta quietação! Percorri e visitei minuciosamente o cemitério. Minuciosamente. Apreciei todas e mais algumas coisas. Todas e mais algumas coisas visitei. Todas e mais algumas coisas, que são próprias de cemitérios. De cemitérios bonitos. De cemitérios. Próprias. Coisas próprias. Visitei-as e vi-as. Vi-as. Visitei-as.&lt;br /&gt;Nas visitas, nas vistas, eu ri. Ri ri ri ri. Eu ri ri ri. Eu ri muito! Sabe-se que as pessoas debaixo do cemitério, nos seus abismos de terra e pedra, pagaram muito dinheiro para ali se deitarem. Deitarem-se nos buracos. Para isso pagaram. Muito dinheiro. Dinheiro que ficou sobre a terra. Dinheiro longe delas. Pessoas que ficaram sob a terra. Pessoas que não são pessoas vivas. Pessoas que não pagaram nada. Pagaram por elas. Dinheiro… muito! O quanto vale um buraco.&lt;br /&gt;Eu comecei a visitar cemitérios há oceanos de dias. Tempo recuado. Nos primeiros dias visitava cemitérios. Eu visitava cemitérios que não voltara a visitar. Há oceanos de dias. Há rios de lembranças…! Eu visitei uma única vez, cada um dos cemitérios, desde os primeiros dias em que comecei a visitar cemitérios. Eu pouco me recordo deles. Eu pouco me recordo dos cemitérios que visitei só uma vez. Uma vez cada. Eu não sei dizer qual foi o cemitério mais bonito. O cemitério mais bonito que visitei. Não sei! Já visitara muitos. E aquilo que eu queria… uma imaginação… era tornar aqueles cemitérios que eu visitei num cemitério só. Um só cemitério. Seria o mais bonito e ordenado. Seria o cemitério mais bonito e ordenado! Bonito. Ordenado. Mesmo como eu gosto que sejam… os cemitérios e os não-cemitérios. Depois da realização, ninguém desconfiaria que eu tinha juntado muitos cemitérios. Ninguém desconfiaria que eu tinha visitado muitos cemitérios. Se desconfiassem, tudo bem. Nem frio nem quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estar agora num cemitério chega-me a sensação de calmaria, de moleza. Moleza. Calmaria. Chegaram-me. E a vontade sexual fugiu. Eu já não estava preparado para fazer sexo. Eu não sentia desejo. A vontade sexual fugiu, por eu ter visitado mais um cemitério. Fugiu. Fugiu da forma como ela foge. Fugiu, a vontade fugiu, tal como se sabe. Eu não a notei mais ali. A vontade sexual… dentro de mim. Eu não a notava. Eu visito mais um cemitério e a vontade sexual fugiu. No cemitério penso. Na vontade, no desejo, penso. Pensei no seu desaparecimento. Concentrei-me, porque a vontade desapareceu. Eu pensei, porém pensar não a fez aparecer. Eu concentrado! A vontade ausente! Mas eu devo ter pensado, mas sem pensar da forma, que se deve pensar para, que a vontade de fazer sexo, apareça! O cemitério não queria que eu a redescobrisse com os meus pensamentos. O cemitério não queria isso. O cemitério queria que eu pensasse nele. O cemitério não queria que eu pensasse sem ser nele. O cemitério tinha ciúmes, o cemitério. Por isso ou sem isso eu não redescobri a vontade sexual. O cemitério era ciumento. E queria ser a minha vontade. Até que… o cemitério terminou! Andei pelo cemitério até que terminou. Terminara o cemitério. Eu estive perto dos muros que me mostraram o fim do cemitério. Eu estive pertinho deles. Eu estou próximo do fim do cemitério. E estou a olhar para ele…! É o fim do cemitério. O cemitério ciumento, aonde pensei. Eu não tenho mais tempo para aqui ficar. No cemitério. Esquecendo-o, para além do cemitério, a igreja erguia-se. A igreja. Grande e igual a outras igrejas, talvez, erguia-se a igreja!&lt;br /&gt;As pessoas que compraram e habitam os buracos do cemitério passaram uns ensejos antes na igreja. Não se lembram, mas passaram. As pessoas agora mortas foram à igreja. Vieram para o cemitério. Eu sairia do cemitério. Quero passar na igreja! A igreja que eu vejo. A igreja que está ali perto. A igreja reconstruída recentemente. A igreja. O casulo religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos a meio da madrugada. A lua cantava. Eu ouvia-a tão bem como se ouvisse os meus gritos no meu interior. A lua. Cantava pelos seus raios tenazes e amarelados. Os raios que a lua entorna. As sinfonias lunares! O seu brilho projectado! A lua de vidro astronómico e celestial. A lua! Este corpo cantava. Este corpo no firmamento sorriu para mim. E eu senti o sorriso dela. O sorriso da lua. Senti-o. E sorri para ela! O sorriso da lua fora energético. O meu sorriso fora entusiástico. O sorriso da lua fora energético. Vigoroso. O sorriso da lua é assim! O sorriso da lua fora energético. Vigoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/STcndnUc7II/AAAAAAAAABE/ZuYpMmGU4X8/s1600-h/x.JPG"&gt;&lt;img style="float:center; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 228px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/STcndnUc7II/AAAAAAAAABE/ZuYpMmGU4X8/s320/x.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275728878212279426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o sorriso da lua eu descobri a brecha. A brecha na qual a minha vontade sexual tombou. Descobri-a com a iluminada ajuda da lua. O seu sorriso! Descobri-a. Descobri dentro de mim o local onde estava a vontade. Todo o meu interior era vontade. Eu descobri a minha vontade! Todo o meu exterior era vontade. Descobri a vontade sexual. Arfei. Sussurrei calor. Vocifero calor. Arfo. Sinto-me majestoso e olho a igreja como outras pessoas a olharam. Olhara a igreja. Olhara. Olhava! Mas eu olho a igreja de um modo sensual. Olho-a de um outro modo. Olho-a do meu modo, de um modo diferente; olho eu a igreja! Eu sabia o que ela tinha para mim. O que tinha para mim a igreja. Eu sabia. Eu sei! Sei que vou gostar de entrar nela. Entrar na igreja… vamos! A igreja encerrava os elementos e a causa. A igreja encerrava os elementos. A igreja encerrava a causa. Os elementos e a causa para a minha fausta concretização daquela noite!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um caminho em terra batida para alcançar a igreja, mas eu estava parado. E tudo era pouco iluminado. Pouco iluminado. E eu sei que não preciso de mais luz do que esta luz. Eu saí do cemitério pelo caminho que eu calcara para entrar. Eu sabia que todos saímos por onde entrámos. O caminho em terra batida era mesmo um caminho em terra batida. Rapidamente o meu calçado ganhou terra. Terra na sola e na biqueira do meu calçado. Terra no calçado. Então eu pude ver pequenas porções de areias e pequenas porções de pós de terra a esvoaçarem à minha passagem. Porções de areias. Porções de pós de terra. Até caírem.&lt;br /&gt;Alguns segundos passam. Passam segundos e eu chego lá. Deparo-me a dois metros da entrada da igreja. Como estivera anteriormente a olhá-la, eu já entendera a sua beleza. Entendera a sua beleza antes. Eu já entendera a sua arquitectura exemplar. Entendera a sua arquitectura exemplar antes. Eu gostei daquela construção. A porta de entrada da igreja é uma porta de entrada azul-acinzentada. A porta é grande. É uma porta grande. Uma porta! O dobro do meu tamanho. Não sei de quantas vezes é a minha largura! Uma porta pesada e intransponível. Existem santos e estátuas religiosas espalhados ao longo da grandeza da porta. Espalhados ao seu redor. Quero vê-la por dentro. Quero ver a igreja por dentro. Ver o seu interior! Ver tudo aquilo que esta contem! E finalmente experimentar o que me apetece!&lt;br /&gt;De seguida, bati à porta. Bati à porta. Eu bati! Pum pum! Pum pum pum! Pumpumpumm! E esperei. Ainda pude ouvir os sons da minha mão a bater na porta de entrada da igreja a desvanecerem-se. Batera à porta. Segundos depois a porta deslizou suave, e também, divinamente, diriam uns. Eu aguardava. Aguardava o ensejo de ver o rosto de quem me abrira a porta. Eu aguardei a normalidade de ver o rosto do padre. Um padre, naturalmente, um padre. O padre? Seria? Fora? Não. Não é o padre. Não! Quem me abre a porta não é o padre. Não é ele. Mas nada mais em concreto há na minha visão! Nada era absoluto. Escuridade. Luz fraca. Silhueta incerta. Tudo: pouco lúcido. Até que vi um rosto. Vi o rosto! Até que vi uma pessoa. Vi uma pessoa! É uma freira. Uma freira jovem. A freira abria-me a porta. Essa pessoa que eu vi: a freira. Bonita. É a freira. Melancólica. É a freira. Enfiada no seu trajo de freira. A freira. Tem olhos graciosos e aliciantes e que não pertenciam a mais ninguém… senão a si mesma. Assim era a pessoa que me abriu a porta da igreja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cumprimentei a freira com palavras de cumprimento. E a freira cumprimentou-me com as mesmíssimas palavras. Eu sorri. A freira não sorriu. Não sorria. A freira não sorria. A freira era cínica, mas não sorria. Por entre palavras e cinismos, a freira perguntou-me o que é que eu desejava. Não importa o que eu disse. Importa? Respondi ao quesito da freira. Eu fui persuasivo. Trocaram-se prosas por minutos e no fim eu entrei. Eu entrava na igreja. A freira, pois, convidou-me a entrar na igreja! Eu ouvi a porta a fechar-se. Um propagado som de uma pesada porta a fechar-se. Estava… estive no interior da igreja. Igreja formosa. Um local magnífico. Um lindo vislumbre. A igreja. Apenas a sua beleza pura era bela! A arte. A arquitectura. O carácter e o mundo aos quais a igreja pertence não me interessam minimamente! A igreja era um edifício para eu notar. Observar e conhecer. A freira conversou comigo acerca de tudo o que eu via. A freira falou-me sobre muita coisa. Eu ouvia a freira. Eu escuto os conhecimentos da freira com respeitadora tranquilidade. A freira silenciou-se. Perguntei-lhe pelo padre. A freira pensou. O padre encontrava-se doente. O padre estava a repousar em sua casa. Na sua casa próxima da igreja. Eu vi mais coisas. Eu ouvi a freira a falar e a filosofar mais coisas. Não se cansa. Fala meigamente. A freira fala...! Eu discordo das filosofias da freira. Eu respeito a freira e eu gosto de ouvir a freira falar. Momentos à frente, eu falo dos meus pontos de vista à freira. Perguntou-me sobre as minhas filosofias. Os meus prismas e os meus entendimentos. Passámos um grande tempo a dialogar… o que não foi desagradável. A freira respeita-me e admira-me. Esconde-me certas coisas.&lt;br /&gt;Os meus olhos não esconderam a alegria e a tentação que as vestes de freira da freira me despertaram. Os meus olhos não esconderam a tentação pela mulher que era freira. Eu queria a freira. Mais do que a adrenalina, eu queria a freira. A freira parecia desconfiada. Afastava-se e disfarçava. A freira parecia tentada! A freira aproximava-se. Afastava-se e disfarçava. A freira disfarçava. O meu instinto animal e o instinto animal da freira agitavam-se. Os nossos instintos desejavam-se. Queriam sair, aparecer! Naturalmente, agitaram-se. Loucamente, agitaram-se. Eu e a freira: abanadores e lareiras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu corpo estava preparado. A minha vontade respondia. O meu corpo e mente apelavam manipular o corpo e mente da freira. Invadi-los! Só que a freira tinha receio. A freira sentia desejo. Sentia desejo e tinha receio. Sentia calor. A freira admiradíssima com aquilo tudo…! A freira sentia-se a pecar! O corpo da freira e as suas crenças lutavam entre si! Eu no olhar da freira via tudo. A freira não parecia uma freira. Eu sabia que aquela mulher era uma freira. Sabia isso e isso provocava-me! Tornara-se um fetiche. A freira é uma mulher atraente e carente. Uma mulher obrigada. Uma mulher vedada. Uma freira. Engraçado e delirante! A freira é uma mulher vedada pela religião e pelos pais, que lhe destroem a inteligência. Destroem-lhe as necessidades. A religião e os pais destroem-lhe os prazeres humanos. Eu quero ultrapassar a vedação da freira! Os seus bloqueios. Eu quero possuir e divertir-me com a freira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A freira era uma freira que tinha vergonha daquilo que precisava fazer. A freira era uma freira que tinha vergonha daquilo que queria fazer. Eu caminhei para a freira. Os meus braços rapidamente agarraram a freira, docemente. Os meus braços a envolverem o corpo da freira. Os meus braços na freira. O calor dos meus braços sobre o frio do corpo da freira. Os braços frios da freira. O meu calor e o frio da freira. A freira queria tudo; menos fugir. Queria opor-se a tudo o que conhecia. A freira estava a ser o que era: nenhuma freira. Nenhuma freira! Hipocritamente, a freira lançou-me trepidações e olhares de negação. Destoou, mas…! A freira queria tudo; menos fugir. Os olhares da freira eram olhares de quem recusa alguma coisa. Por segundos disfarçou. Por uns segundos mais curtos do que os segundos são. Ajustou e…! Eu sabia que se nesse momento largasse a freira e me precipitasse a sair da igreja, a freira correria a apanhar-me. Correria como jamais havia corrido. Buscar-me-ia. Todavia, não me importava fugir. Não fiz isso. Continuei agarrado à freira. Insisti em tomar a freira. Entretanto, a freira disse-me que era tudo o que queria. Eu era aquilo que a freira queria e precisava. A freira necessitava de se sentir mulher. A freira queria um homem. A freira queria sentir força, libertação e luxúria. Força. Libertação. Luxúria. Nada mais importava à freira.&lt;br /&gt;Portanto, eu necessitava de ter a freira. Fazer a freira ver uma majestosa união. Atingir o que me apetecia. Eu tinha uma vontade obstinada. O desejo de possuir uma freira. O desejo de enlouquecer com orgasmos dentro da igreja e de experimentar ousadia e risco arrebatava-me. Estávamos desejosos um do outro. Não necessitámos de um desenho. Despimos as roupas. A freira despiu as minhas roupas. Eu despi as roupas da freira. Transpirávamos como se manteiga fosse a nossa pele. Transpirávamos como se a nossa pele fosse manteiga. A respiração aflita. O corpo aflito. Os corpos aflitos e inflamados. As respirações aflitas e os batimentos cardíacos surpreendentes. Entregámo-nos entranhadamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corremos para o altar. Corremos para o altar exaltados em carícias. Fulgor. Desvario. Dois seres em simultânea perdição corporal. Carícias de diversos teores. Atirámos para o chão os objectos religiosos do altar. Carícias e loucuras. Suores e sensações. Eu explorava o corpo da freira. Não me lembro de ter explorado alguma coisa de maneira tão detalhada. A freira sentia-se completamente indefesa e completamente deliciada. Apetites salientes! Largávamos segredos e fluidos saíam de nós. Eu deitei-me sobre aquela mulher. No meio dela. Deitei-me com a freira. Eu possuí a freira. Eu possuí a freira, que já não tinha vestes de freira. Uma mulher despida e voluptuosa. Assim era! Com vários ritmos. Com várias formas. Com várias variedades. Sexo foi! Fizemos sexo durante muito tempo. E durante esse muito tempo, o meu sexo era o deus da freira! A freira, aquela bela mulher, tinha descoberto o seu deus. Tinha encontrado e compreendido um deus que lhe garante felicidade! Eu notava a novidade. A freira notava a novidade. Depravada e deleitosamente. O deus da freira estava dentro dela! Bem dentro dela! E, assim, no meu corpo a freira comungou e no meu sexo a freira rezou. Vice-versa. Sem sacrifícios nem obediências compulsivas. Sem tédios, sem regras. Apenas prazer. Apenas realização. Apenas energia. Apenas vontade própria. Liberdade! Apenas naturalidade construtiva.&lt;br /&gt;A freira adorou o seu novo deus. A freira fez dele o que quis! A freira teve dele o que quis! A freira teve-me e eu fui a sua felicidade. A freira foi a minha fonte de energias. O meu ritual frenético. A novidade que eu tanto procurava. A freira foi a minha mais recente concretização! A freira encheu-me de conhecimento, de evoluções e de harmonia. Eu cumpri e angariei frutos de objectivos. Não querendo pasmar ninguém, eu e a freira repetimos a relação sexual uma vez e outra e outra. E mais uma outra e uma última vez. Afinal, o sexo da freira era um lugar, um trono, um templo voluptuoso. Quente. Anestesiante. Deveras aprazível! Manipulador… como uma deusa pode ser! Eu, frenético no bem-estar. A freira, embriagada no prazer. E após as realidades… depois parámos. Pois!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Separámos os nossos corpos. Separámos os nossos olhares. Os nossos olhares, de alguma maneira, predatórios. Eu comecei a vestir-me. Tornei a proteger o meu corpo com as minhas vestes negras. Eu vesti-me. Vesti todas as minhas roupas. As minhas roupas, que estavam dispersas pelo chão da igreja. Eu vesti-me! Vesti-me, porque queria regressar ao hotel. Voltar para o hotel. Eu tinha ido até ao ponto desejado. E até ao ponto desejado eu queria ir, novamente! Regressar ao hotel. Eu quero sair dali, eu quero regressar. E eu queria ver o nascer do dia. Sentir e estar presente; ao nascer do dia. Felicitar-me com a aurora daquela manhã. Assistir romanticamente ao seu nascimento. Eu queria deslumbrar a beleza da aurora. Alvejar-me com a sua energia. Com a sua grandeza. Com o seu suborno. Com a sua magia e condição. Eu queria fitar a aurora daquela manhã. A aurora, que me fazia sentir renovado e satisfeito. A aurora que expira luz recém-nascida e salpicos químicos.&lt;br /&gt;A freira ficou deitada no altar! Ficou onde tinha ficado. A freira permaneceu onde teve os seus orgasmos de freira. Os seus orgasmos femininos. A freira não tinha reacções bruscas. A freira não queria sair dali. A freira arrepiava-se. Estava conquistada. Estava anestesiada. A freira ainda acedia aos espasmos. Ainda incendiava. Eu agradeci de alguma maneira, lisonjeado, à freira pela nossa acção. Pela nossa diversão demente e fascinante. Eu despedi-me da freira. A freira não se conhecia a si mesma. A freira sentia-se desviada de tudo. Sentia-se acima das coisas. Para além delas. A freira sabia que todo o seu ser era prazer! A freira tocava nos seus próprios dedos e sentia prazer. Tocava nos seus cabelos: prazer! Tocava nos seus seios: prazer! Tocava nas suas pernas: prazer! Tocava no seu sexo, tremia…: prazer! A freira sentia-se como fogo diluído, superabundante e concentradamente dilatado. A freira sentia-se bem! Respirava e emanava prazer. A freira estava bem. A freira era o prazer puro. O puro prazer. A freira era o prazer!&lt;br /&gt;A minha hora chegara. Eu virei costas. Sairia da igreja. O meu tempo na igreja terminava. Regozijei-me entre as paredes! Aquelas paredes que assistiram a tudo. Aquelas paredes que assistem a tudo. Eu comecei a assobiar. Ri confiante. Ri alto. Alto. Na presença destes sons haviam ecos. Ecos. Corriam para imitarem os sons. Tudo ali na igreja ecoava. Ecos! Os ecos são umas criaturas confidenciais que se divertem com todos nós. Brincam, os ecos! Tudo o que na igreja se cria faz eco. Guia ecos! Eu ouvi uma porta a abrir-se. O eco da porta a abrir-se. Eu ouvi uma porta atrás de mim a abrir-se. Ouvi essa mesma porta a fechar-se, de seguida. O eco da porta a fechar-se. A porta que se tinha aberto fechou-se. E eu concentrei-me. Respirei profundamente. O teatro na igreja ganhara mais uma personagem! Uma personagem que entrou mesmo há instantes. Eu então olhei para o que existia atrás de mim. E vi tudo o que sempre lá tinha estado. E vi mais! O padre tinha aparecido. O padre apareceu na igreja. O padre observava o altar. Observava o altar e observava a freira. O altar e a freira. O padre viu tudo! O padre sentia-se melhor e foi à igreja para rezar. Entrou na igreja, pois já se sente melhor. O padre foi à igreja por isso.&lt;br /&gt;Fora uma daquelas visões únicas… com certeza, que fora uma visão excepcional. O padre estava paralisado. Por aquilo que viu. Paralisado! O padre estava petrificado. Por aquilo que encontrou. Petrificado! O padre estava abalado. Por aquilo que vê, por aquilo que encontrou. Abalado! Sem noções! O padre tinha as suas reacções plenamente confundidas! O padre. Aquele padre sonhava todas as noites com aquela freira. Aquele padre confundido, sem noções, abalado, petrificado e paralisado, sonhava com aquela freira! O padre sonhava. Sonhava com aquela freira. Sonhava com aquela freira imóvel e despida para ele. O padre sonhava com aquela freira inflamada. Os sonhos do padre eram estes. Os sonhos do padre eram a realidade naquela igreja! A sua igreja era a exactidão da sua depravação. O padre caíra de joelhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre, que sonhava com a freira que está despida e deitada no altar, caiu de joelhos. Caiu de joelhos! O padre caiu de joelhos sobre um tapete. Caiu de joelhos… e um som seco e rígido faz-se ouvir pela igreja, com ecos secos e rígidos. O padre caído! A freira deitada! O padre sente-se totalmente excitado e totalmente repugnado. O padre é um padre que se sente totalmente excitado. O padre é um padre que se sente totalmente repugnado. E o padre chorou. Chorou como um padre chora. O padre chorou ali, distante de mim. O padre chorou como um padre chora. E o padre chorou até lhe doer. Chorou… chorou! Mas a freira ria. A freira, que estava deitada no altar. A freira com quem eu me enrolei loucamente. A freira, que pela primeira vez na sua vida estava feliz. A freira ria! O prazer ri! O padre chorava! A fé chora! Uma mistura de sensações. Era isso! O mundo, uma miscelânea. E eu… eu saí da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundos, cheguei à rua principal. O meu corpo era feliz. A minha mente palpitante, abundantemente vívida. Era aquele um momento excepcional. O meu ser pertencia ao mundo. O meu ser era maior do que o mundo. O mundo era as pernas do meu ser. Eu estava feliz. Apaixonado por mim mesmo. Apaixonava-me pela inocência. Pela perversidade. Pela alegria. Pelo prazer. Pela frustração. Pela sensualidade. Pelo charme. Pelo desejo. Pela queda. Pelo vício. Pelo pecado. Pela graça. Pelo sabor. Pelo odor. Pela intelectualidade. Pelo impulsionamento. Eu apaixonava-me pela tortura. Pela harmonia. Pela capacidade. Pela futilidade. Eu apaixonava-me pela diversidade. Pela novidade. Pela natureza. Franca e indistintamente, aquilo que aplicava em mim um efeito tinha a minha atenção. Eu apaixonava-me precocemente. Estaria em controvérsia? Eu estaria a ser estranho e a inventar e a confundir! A sabedoria e a loucura dentro de mim eram os autores da combustão dos efeitos do meu universo. Universo parcial e total. Apesar de eu ser uma areia ao lado do tamanho do cosmos, a minha supremacia humana era uma lança de longos metros no pescoço do Espaço. A lança representativa de um tamanho interior assaz prodigioso. Eu uma areia, mas uma areia aspergida de especialidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era ainda de noite. Que júbilo isto me injectava! Eu queria a noite e eu ainda tinha a noite. A noite descia para o seu abrigo, mas ainda era de noite. A lua estava mais tímida. Não havia vento algum. O vento tinha ido para outros lugares. Outros lugares para os quais vai o vento, depois de sair daqui. O vento gostava desses lugares e ia lá. O vento sumiu-se! Não havia vento algum e a lua estava mais tímida. O nevoeiro alindava o mundo! Há nevoeiro pelos cantos e há nevoeiro pelos espaços do mundo. Eu vi que existia nevoeiro àquela hora. Nevoeiro belo. Nevoeiro misterioso. Nevoeiro humedecido. Nevoeiro que tapava um pouco as coisas. Nevoeiro que alindava muito as coisas. Existe nevoeiro. E a noite começa a descer para o seu abrigo. Mas ainda é de noite e há nevoeiro. Eu idolatro o nevoeiro. Apetece-me apalpá-lo inteiramente. Vestir-me com ele e perceber os seus comprimentos e as suas origens. Eu caminho através do nevoeiro. Eu gostava de viver numa casa onde o nevoeiro existisse sempre. Acho tão encantador. E nele avanço pelas ruas. As coisas que eu vejo parecem diferentes, pois estão a dormir. E eu deambulava. Eu dirigia-me ao hotel. Eu regressava ao hotel. Regressei ao hotel. Eu subi as escadas que sobem para os quartos. As escadas que me levam onde quero. Subi ao quarto. Eu entrei no quarto. Na varanda, a minha gata acordou. Acordou e fitou-me. A minha gata esperava-me. Espreguiçou-se. Miou. Miou. Espreguiçou-se. Eu, quando lhe lancei sorrisos, agarrei-a. Agarrei na minha gata. Era uma gata quente e muito calma nos meus braços. Bonita e que cheirava apenas a gata. Saímos do quarto. Tranquei mais uma vez aquele quarto. Deixámos para trás o quarto do hotel. Descemos à recepção. Saímos do hotel. Mais uma vez nas ruas…! Eu e a minha gata nas ruas. Caminhando por uma rua. Andando por outra rua. Procurámos um jardim. Encontrámos um jardim. O nevoeiro permitiu-nos alcançar com rapidez um jardim. Tudo nos levava ao jardim. Um jardim viçoso e inspirador. Viçoso! Inspirador! Um jardim que nos inspira. Eu sentei-me com a minha gata ao colo. Queria ver o nascer do dia. Eu queria ver a aurora daquela manhã! A aurora já gritava suavemente. Forçou-me a olhar para ela. Eu gosto que a aurora me force a olhar para ela. Eu olho-a. A aurora nascia. Aparecia bem produzida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arranjada e realista. Eu contemplo a aurora…! Eu contemplo a aurora, hoje alterada. Estou sereno e interessadíssimo. A minha gata fora convencida a olhar para a aurora. A minha gata olha-a. Observa e destaca aquele acontecimento airoso. A aurora nascia. Eu e a minha gata estamos interessadíssimos e conquistados neste ensejo matinal. É neste ensejo que ainda sentimos o frio delicado da noite e a ambígua lividez da lua. Que sentimos, juntamente, a febre truncada do dia e a tintura do sol. Eu e a minha gata contemplámos a morte de um e o nascimento de um outro. Contemplámos a morte do astro lunar e o nascimento do astro solar. Eu e a minha gata contemplámos a morte da noite e o nascimento do dia. Sentindo as suas especiais atmosferas! O sol subia! Aparecia progressivamente. Eu vi-o. Eu concentrei-me depois, de olhos fechados. Fiz uma introspecção. Eu recordava os momentos da noite passada. Desde o primeiro acontecimento ao último. Recordei até ao acontecimento presente. Com gosto! A minha gata estava ao meu colo. Ronronava, olhando tudo o que o dia trazia. O nevoeiro desmaiou! O nevoeiro começou a desaparecer. A dispersar-se. O nevoeiro começou a ser sugado pelo céu. O céu guardava o nevoeiro. O nevoeiro começou a ser sugado pela terra. A terra guardava o nevoeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha gata ronronava e olhava tudo o que o dia trazia. O dia trouxe torpor. O jardim agitou-se estranhamente. Ondulou com os seus membros e enervou-se. O jardim atingiu-nos com golpes na cabeça. Eu desmaiei! A minha gata desmaiou! O jardim levou-nos ao desmaio. O jardim surpreendeu-nos. Desmaiamos para guardarmos tudo aquilo que sabemos, fazemos e somos. Repentinamente, perdemo-nos do jardim. O desmaio penetrou-nos. O jardim ardeu nas nossas pálpebras desmaiadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-1461204638822166545?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/1461204638822166545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=1461204638822166545' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1461204638822166545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1461204638822166545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/12/pasmei-noite.html' title='Pasmei à Noite'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_tNqYv-96gpo/STcndnUc7II/AAAAAAAAABE/ZuYpMmGU4X8/s72-c/x.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-6368177194808298300</id><published>2008-11-12T15:36:00.000-08:00</published><updated>2008-11-28T12:05:29.046-08:00</updated><title type='text'>Pietá até ao seu enlevo</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Certos seus abraços, certos seus revirar de olhos, e sua cerimonial memória que entre…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Sua forma triangular, absorve a graça de uma dor de procriadora,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;A segurar dentro das suas vestes um filho morto, recta ida,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Aplanam-se à idealista trajectória de um dia puro que se fora,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Os passos no seu coração morto, escultura varonil e sem vida…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Esculpida em mãos renascentistas, seu enlevo feminino,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Tenta chegar à sua mais espiritual face de carne, num fogo de reinado europeu,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;No seu seio, sensação de formigante prazer pela espinha aberta, morre o filho divino,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Um leite rochoso, barulhos doces em que tudo apareceu…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;O artístico corpóreo não é mármore, nem vidro, nem argila,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;É figura a mascar o ascender da existência num soberano fado,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;A lei do forte personagem esculpido, dupla ideia sob unida fila, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;E um morto e um enlevado…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Pelas curvas, geometrias, astronomias e matemáticas, da face de Pietá,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Descobre-se quem é pervertidamente fundo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;A piedade que perdura, com o morto ao seu joelho, riso lhe dá,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Nunca a estátua se olhará, pensando que ali está a dor acesa no mundo…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Olha-se e descobre-se o enlevo que descarrega seu todo, na Virgem, na junção,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Das nuvens que se soltam pelo corpo da permeabilidade,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;E então líquidos aprazíveis são as fendas da sua composição,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Fendas em enlevo, à composição dividida, a piedade, Senhores, piedade…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;É uma fotografia tirada, no segundo em que um sino da Igreja mais alta,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;No segundo da soma de ruínas marcantes,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Faz ouvir-se, inconscientemente, sob volumes pretos que lhe falta, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Pietá arreganha os dentes brancos na expectativa de ataques delirantes…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Pietá, virgem e sedutoramente pálida, com a falecida respiração a seu colo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Aguarda uma chuva de carinho, melada e de fruta,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Para desfazer a sujidade dos poros e verificar a humidade do seu ornamentado solo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Os seus ossos são banquetes reais, Reis são as palavras pelas quais a fotografia luta…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;No meio da terra morta, da profundidade e largura para tapar o morto que a talha,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Pietá é a consorte da desgraça, sorte da estátua vetusta, dos delírios,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Se não chorámos, quando a vemos, é porque não calha,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;O seu enlevo só chega na solidão, perto das larvas frias dos lírios…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Não seremos dignos de assistir ao divino espasmo, mesmo com a fotográfica voz,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Não teríamos piedade e voltaríamos pedra e mineral esculpidos para dentro de nós.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Pietá só ainda começou o seu assalto ao prazer, enlevo sem piedade, enlevo com Pietá!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Toc-toc, toc-toc… perdendo tempo em admiração que alguém nos dá,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Pum-pum, pum-pum… saltando de hora em hora em paisagem mística,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;As suas saias épicas de exploração foram levantadas, aos poucos, pela margem artística…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;Se há tardes fixas, em que qualquer coisa de incrível pode acontecer, então tal será já,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Pietá só ainda começou o seu assalto ao prazer, enlevo sem piedade, enlevo com Pietá!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:Garamond;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-6368177194808298300?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/6368177194808298300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=6368177194808298300' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6368177194808298300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6368177194808298300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/11/piet-at-ao-seu-enlevo.html' title='Pietá até ao seu enlevo'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-4384902847547190558</id><published>2008-10-07T14:41:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T03:26:42.370-07:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (V) - O whisky</title><content type='html'>22:04h&lt;br /&gt;Sei que o mundo é bonito, mas neste momento sei que apenas o gelo o será...&lt;br /&gt;Ivo. Apesar do nome curto que tenho, a forma perigosa de ter vivido a minha vida de curto nada teve. Ivo, nome de um homem de experiências fartas, nome de viajante terrestre decadente. Virtualmente, digo que fui um conjunto de irritações, exageros, hilariantes posturas pouco racionais. Veemente, digo que sou um humano que soube viver perturbadamente, a perturbar, e que colheu espontaneamente surpresas que o mundo nunca vira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, no chão que reveste a textura das minhas calças sentadas, o frio enche-me os poros, porque este frio da Dinamarca não é uma seda que faça parte do meu código genético. O monte alto e gelado dinamarquês que subi, através da fúria que o whisky liberta dentro de mim, proporciona-me uma vista deslumbrante sobre a calmaria das pessoas que não vejo ou conheço. No cimo deste monte de gelo, largo os tempos que fizeram mudar as minhas cartas de baralho que manipulava no mundo. As revelações sobre/na repulsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma altura em que era Sábado e eu saí à noite, a um bar qualquer nas redondezas, para divertir-me e descomprimir de outra semana de muitos trabalhos, esforços e também náuseas. Sentei-me ao balcão, perto de uma mulher sensual e de aparente faixa etária menor do que a minha. Pedi o costume: whisky. Velho. Uma pedra de gelo pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consumo whisky quase como quem, depressivamente, bebe chá no tempo de uma gripe. O ritmo de ingestão compassada mas veemente. A par dos invisíveis segundos, funguei e passei o nariz pela manga do meu fato de Sábado, deixando obviamente marcas de líquido nasal, para de seguida dar o primeiro gole no néctar levemente acastanhado. Foi um barulho de satisfação que emiti, no fim do gole. A mulher ao meu lado riu. Lamentou não sei bem o quê com os seus lábios finos, mas continuou o namoro com a sua bebida: um cocktail de frutos silvestres, penso eu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Momentos mais tarde, avancei um pouco mais para a mulher e ofereci-me para lhe pagar um copo, um whisky igual ao que eu bebia. Ela acedeu calma e desinteressadamente. Enquanto bebíamos e brindávamos às guerras que fizeram o mundo ser aquilo que hoje ele é, começando pela guerra entre forças, energias e compostos do Big Bang até à Segunda Guerra Mundial, os meus discursos cativavam a mulher, à qual nunca perguntei o nome, mas perante a qual me fiz passar por um ricaço, herdeiro de um casal de abastados bancários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que eu ia entendendo o ritmo das coisas, ela seria a minha presa sexual naquela noite. Bebi dez whiskys e, escusado será mostrar que, vomitei todo o balcão do bar, tal-qualmente três clientes e os meus sapatos. Foi quase numa tempestade de apupos que saí do bar, arrastando a mulher, ainda a terminar o seu whisky…&lt;br /&gt;Violentamente, saindo do carro ainda com os sapatos vomitados, puxei a mulher motel adentro e o responsável deu-me a chave do quarto, que normalmente usava para os meus entretenimentos semelhantes. O quarto ficou iluminado com uma luz vermelha muito viva. Abusei promiscuamente do corpo da mulher, que foi um objecto obstinado na minha mão, e quanto mais eu lhe dava prazer, mais ela me irritava. Decidi morder-lhe a orelha direita, mas mal ela gemeu cortei-lhe a orelha selvaticamente. No instante seguinte, senti o orgasmo a caminho do meu corpo e mente e não bloqueei a intensidade até ejacular finalmente bem no núcleo da ferida imensa e fresca acima do pescoço da mulher. Enfiei o meu sexo rijo, com resquícios de sangue e saliva com whisky, na boca da mulher para prontamente vê-la a desfalecer. A cena imprópria não demorou largos minutos, mas pôs-me de rastos e só serviu para agravar a minha habitual dor de costas, que já perdurava dias afinco. Pagando uma simpatiquíssima quantia de dinheiro, pedi ao responsável do motel para se livrar do corpo da mulher. Não perdemos muito tempo com palavras e deitei-me para procurar eliminar as minhas dores, apagando tudo da minha mente. Novamente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, tentei arranjar uma consulta no meu médico. A maldita dor de costas estava a ser um problema demasiado extensivo. Apesar de me ter preocupado com o meu estado de saúde, estava ainda muito atordoado da anterior noite mal dormida, logo foi sem espanto que pisei algumas pessoas que estavam na sala de espera da clínica. Sem pedir desculpas a ninguém, insisti com a secretária para que me arranjasse uma consulta urgente naquela manhã. Assim fez. Sentei-me mais relaxado e arrotei ao efeito dos whiskys. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu médico era um homem lúcido, proveniente de uma família de sucesso na vida e com filhos talentosos. Após me ter inquirido sobre aquilo pelo qual me queixava, fazendo conversa acerca do meu estado de saúde, agitou distintamente a cabeça como se compreendesse todo o meu interior e perguntou-me se eu aceitava whisky. Fiquei à toa. Era uma pergunta demasiado insólita para aquela altura e aquele lugar… porém, respondi-lhe que aceitava. Por ter vindo a saber que eu andava com esta dor de costas, mas também febres ao princípio das noites, febres muito altas, o meu médico receitou-me um velho whisky dinamarquês, o qual continha um ingrediente como que medicinal que actuava nas zonas lombares; não só mas principalmente. Era um whisky raro, segundo ele, que apenas os bons apreciadores extraíam todo o proveito dele. Fui para casa beber o whisky. Resultados posteriores: a minha vida mudou radicalmente, porque as febres começaram a transformar-se em visões sobre o mundo, sobre curas e fórmulas para extinguir doenças. O meu cérebro esmagava-se dentro da minha cabeça e sempre que o sentia a contorcer-se de forma desconhecida, espontaneamente eu pensava em fórmulas científicas, com as quais pude entender todo o mundo da medicina, da física, da química e da biologia. O calor dentro de mim era esgotante. As minhas mãos passavam para o papel essas fórmulas, como se isso fosse a única coisa que verdadeiramente sabia fazer…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos dias, as paredes da minha sala de estar estavam riscadas com as fórmulas. Chamei o meu médico a minha casa e ele encarregou-se de chamar uns investigadores de elite para aplicarem o que eu escrevi e soube. As fórmulas que eu visionava quando bebia do whisky serviriam para destruir evoluções de cancros, para curar a sida, bem como outras doenças do mundo poderiam ser apagadas rapidamente. Era disso que eu sabia, tal como os investigadores vieram a perceber depois de lerem o que eu escrevi.&lt;br /&gt;Como é que tinha eu conseguido aquelas fórmulas? Eram tão perfeitamente certas que pareciam surreais, comentavam os investigadores. Antes de proliferarem as fórmulas e métodos de vacinação pelo mundo, o meu médico ofereceu do whisky a todos nós na sala e de imediato brindámos à saúde perfeita do Homem! O whisky produziu embriaguez no médico e nos seus investigadores amigos, todavia em mim acentuou a noção de que tudo o que eu sabia era absoluto e que os pensamentos não paravam de me assaltar, bombeando visões do efeito das minhas fórmulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve, no acto seguinte, um tempo cinzento em que nada aconteceu. Os investigadores escreveram-me só passado um mês. Tinham iniciado aplicações reais das minhas fórmulas num grupo extenso de doentes de sida e cancro. Todos recuperaram 80% da sua integridade. A comunicação social começou a dar a conhecer os avanços feitos na medicina, que um estranho tinha descoberto, estranho, porque não autorizei que a minha identidade fosse revelada. Permaneci na sombra, como sempre permaneci e vi a proliferação e distribuição de whisky, que eu experimentei da parte do meu médico, começar pelo continente africano e depois por todo o mundo. Começou tal coisa, porque eu acreditava que era esse o veículo da cura de doentes. Criaram-se registos para toda a História: o whisky entrara nos hábitos mais banais do ser humano. O meu médico conhecia os efeitos daquela bebida, mas só quando me conheceu é que admitiu que tais efeitos eram superiores. Teve que admitir! Por lembrar disso, nunca se conheceu concretamente os fabricantes daquele whisky ou de onde ele nos chegava, posteriormente à revelação das minhas fórmulas medicinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconteceu de forma construtiva, mas grande parte do mundo não compreendera bem o porquê ou como estava tudo a acontecer. Lembro-me de que o mundo se tornou membro de uma única crença: a científica. Crença essa que era regada por um whisky: o whisky!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cores, transformações, soluções, resultados, vitórias…&lt;br /&gt;Um dia nasceu pior que outros e esse foi a chegada do dia em que saturei de ver todas as pessoas a beber a mesma bebida que eu e o dia em que saturei de ver todo o ser humano a funcionar do meu modo e esse dia ficou registado como o dia em que deixei de escrever e palrar entre investigadores sobre as minhas fórmulas de cura. Dia preto com fumos de metal pungente. Tanta saturação, já que o mundo humano estava curado, só que tornou-se mais dependente do whisky que eu e apesar disso ver realidade pura, somente a minha pessoa via as tais fórmulas e percebia futuros…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23:19h&lt;br /&gt;Detendo ainda dentro do meu corpo as imagens, as visões e os fluidos reveladores que curaram algumas doenças letais. Viajei para a terra natal do meu whisky, para correr atrás das ironias de uma infinita cosmologia e é por cá estar que os jovens e idosos da zona procuraram conhecer tudo acerca de mim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todo o absoluto azar, já me encontraram e novamente de mim querem gestos. Olho para eles como se fossem os únicos seres humanos que no mundo têm a capacidade e a vontade de me chatear. Estão tão fanáticos e radicais por obter curas e respostas para os seus males que, se fosse noutra altura da minha vida, agoniza. A multidão já começou a subir o monte de gelo. As brisas nórdicas cantam ao meu ouvido imóvel.&lt;br /&gt;O intuito maior destes jovens e velhos é o de comerem-me vivo para digerirem o meu corpo e as minhas células acesas pelo whisky. Sobem pela sabedoria? Ouvi falarem nisto e nesse momento sorri por ter decidido deslocar-me para este ponto do planeta. Desaparecer numa marca maior. Nasci numa marca menor. Estojos de inseguranças.&lt;br /&gt;Penso nos valores nórdicos, mas nenhum é melhor que este gelo do monte. O gelo que me conforta os pensamentos. Não se é superior por muito tempo, entre humanos. Não é que não haja brio para isso, mas a verdade é que acabamos por nos aborrecermos em ser os seus comandantes. Agora, aproveitando as suas histerias, comandarei sem me chatear por não mais existir da forma física que chateia. Serei sempre um divinal espectro, com sabor a whisky com muitos anos desde a colheita ou consumação ou ainda manipulação indefinida, dentro dos genes humanos que comigo ficarão. Luxos da vida…&lt;br /&gt;Estou a ser tocado pelos dinamarqueses. Apalpado. Agarrado. O gelo do monte deixa de ser branco, logo a seguir à primeira investida canibal sobre mim. As nuvens assemelham-se a grandes garrafas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou… eles comem-me… não é mesmo possível não haver morte, não é […]&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23:47h&lt;br /&gt;Escreve-vos, a partir destas folhas caídas no gelo, um velho dinamarquês, caros indivíduos que encontrem alguma vez estas palavras…&lt;br /&gt;Esqueçam tudo o que leram! Esse memorável cavalheiro português, Ivo, deixou de existir. Apenas as suas roupas vão para o seu caixão. Ivo deixou de existir e até que nos soube bem a sua carne. Tenra, madura, e molhada… tresandava e sabia a inteligência e a whisky. Parecia mesmo whisky…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-4384902847547190558?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/4384902847547190558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=4384902847547190558' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/4384902847547190558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/4384902847547190558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/10/recintos-possudos-ou-o-gozo-de-um_9774.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (V) - O whisky'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-1556941519301145426</id><published>2008-10-07T14:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T03:26:21.817-07:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (IV) - O café</title><content type='html'>Sabrina.&lt;br /&gt;Poderão conhecer uma mulher, uma jovem ou mesmo uma menina, com este nome, mas essa não serei eu. Sabrina. Dentro de mim, há um todo de paixão.&lt;br /&gt;Sou sábia, solteira, satisfeita e sonhadora. Sabrina, sem outro nome, que vive por Portugal, sozinha. Considero-me como outras pessoas, que sejam bonitas, donas de um bom-gosto e algo descontraídas. Tenho um peito arrebitado, um corpo característico para a minha faixa etária e sou um bocadinho peluda. Olhos mágicos. Sou dona de uns olhos mágicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é um dia bastante quente, no qual o sol brilha alto e redondo, mas por nada disto deixarei de cumprir o meu ritual, a consumação do meu desejo maior: beber café.&lt;br /&gt;Frequento um café, o Pedaço Felizardo, perto da minha moradia. É um café básico, não muito elaborado, mas que dá prazer visitar, pelo menos a mim própria. E dá-me esse prazer visitá-lo, porque tem uma enorme fachada ao género do velho estilo barroco, com colunas de pedra vermelha, janelas espaçosas e retém um perfume interior que apaixona qualquer visitante, inclusive salientando o meu caso… mesmo sendo uma cliente assídua. Para entenderem melhor, quando entramos no estabelecimento, é como se algumas décadas tivessem caído e recuado, tal é a semelhança a locais e meios de socialização extintos, aqueles presos nas memórias das pessoas velhas e da História. O gerente do café conhece-me minimamente, tal como sempre pretendi e mencionara, mas por várias vezes, sozinha ou acompanhada, sugeriu-me, alertando-me, abandonar o vício do café. Enfim. Sempre respeitei tal comportamento, ao ponto de achar graça e dar dedos de conversa, mas vezes há em que não tenho paciência para as sugestões do tal sujeito. Da última vez que lá fui, irritei-me um tanto, silenciosamente, mas percebi que, debaixo das pestanas grandes do gerente do Pedaço Felizardo, ficara uma moldura de desdém e augúrio. Eu permaneci uns segundos inquieta, meditando naquilo em que terá ficado a pensar o homem que tanto insiste para que eu pare com o ritual do café. As maquinações… o café. O café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste instante, avisto o café à minha frente… é depois daquela esquina. Depois daquela esquina. Depois da esquina. Depois daquela esquina. Ao ar livre, cheira-se um mofo xaroposo e os pulmões enchem-se-me de impressões pesadas. Hoje não prendi o meu longo cabelo escuro, quase até meio das costas, tal como costumo fazer. Não o prendi, porque preciso de sentir-me liberta, de vez em quando, neste caso, sem cabelos nem nada a estorvar… tudo o que tenho assenta apenas na pele. Preguiça. Café. Vou beber café. Estou cansada de ver os dias passar cruelmente. Vejo o café ambicionado de fronte. Passo a mão no cabelo. Tenho-o oleoso, terei que ver disto posteriormente. Oxalá, agora, este café me saiba pela vida! Minha sede exagerada, hoje…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Servem-me o café na mesa do costume. A mesa fica próxima da janela de acabamentos dourados, no canto oeste. Daqui, sentada, vejo uns velhos bosques face ao rio selvagem e olho uma mansão assombrada e queimada, a qual contabiliza cento e três anos de vida… ou de morte. O sol projecta-lhe uma imensa sombra no chão esburacado e as areias das paredes assemelham-se a bichos, a insectos, deformados terrivelmente, como que por uma grande radiação. Encontro-me no meio de um ambiente, pela paisagem que observo e descrevo, sombrio, assustado, repugnante e loucamente árido. Portugal provinciano, antigo e com detalhes desconhecidos e enterrados. Um bafo de Eras…&lt;br /&gt;Pego na saqueta branca do açúcar, para sacudi-la. A saqueta pequena dança presa pelos meus dedos comprimidos. Para trás e para a frente, para trás e para a frente… uma agitação forte e barulhenta. Para trás e para a frente, para trás e para a frente… uma agitação forte e barulhenta. Para trás e para a frente, para trás e para a frente… uma agitação forte e barulhenta. Uma barulhenta e forte agitação… para a frente e para trás, para a frente e para trás. Uma barulhenta e forte agitação… para a frente e para trás, para a frente e para trás. Uma barulhenta e forte agitação… para a frente e para trás, para a frente e para trás. Eu projecto a minha mão esquerda, livre e fechada, para o centro da mesa de dois lugares, e sacudo, bato, a saqueta doce contra a mão. Sacudo e bato. A saqueta contra a mão. O açúcar na saqueta pequena, para o café. Durante cinco minutos não paro de fazer isto. Sacudir. Como uma loucura, nunca acho suficiente o tempo que gasto nisto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico agora paralisada com a chávena nas mãos. Paralisada. Perdida. A devanear. Se as nuvens pudessem estalar os dedos neste preciso segundo, eu reagiria da forma comum, aquele vibrar o corpo, pestanejando fortemente os olhos, por de novo encaixar a alma na carne e no osso, que porventura se desapegou. Chávena bonita, pálida, fumegante, quente e pálida. Irracional. Ao menos, sei que penso em algo concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encho já a minúscula e requintada colher de café. Eu verto o café para a chávena, gota a gota, o café esburaca o resto do café acastanhado. Encho a colher minúscula e requintada de café. Verto o café para a chávena, gota a gota. Encho a colher com café e verto-o para a chávena. O som que isto provoca é um efeito engraçado, quase imperceptível mas hipnotizante. Encho a colher minúscula e requintada de café. Verto o café para a chávena, gota a gota. Encho a colher com café e verto-o para a chávena. Encho a colher minúscula e requintada de café. Verto o café para a chávena, gota a gota. Encho a colher com café e verto-o para a chávena. Um ciclo de faces estagnadas que se empolam. Verto o café para a chávena, gota a gota. Portanto… introduzo um dedo na chávena de café para molhá-lo na bebida castanha. O calor do líquido parece estar a invadir os meus poros sensíveis e doces de mulher, dando-me a sensação de uma particular influência eléctrica possuir o meu dedo. Dedo quente. Dedo estático. Dedo surreal, não sei quando ou como, no café real, apesar do dedo real pertencer a um sistema humano que vê coisas surreais. O meu dedo fugiu do meu controlo e espetou-se no meu peito. Ui. Manchei-me de café! Baques sucessivos estão a drenar o cansaço do meu cérebro, por intermédio de um assobio gorjeado. Toda a vontade de beber café accionou na minha mente um circuito quase majestoso de poeiras infernais com espectros exaltados. A minha mente parece que mede agora um quilómetro. Por que é que não suporto o peso do meu crânio? Ai, café…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo a chávena branca aos meus lábios macios. Por estes meus lábios que tantos beijos trocaram, o café invade o interior da minha boca perfumada e sinto o seu calor agradável, delicioso, a revestir os meus dentes aguçados. O café, picando-me a língua inquieta. Detenho-me, finalmente. Imóvel, finalmente. Serena, finalmente. Finalmente, balanço e tudo fica turvo, finalmente. Lume e estrondos macabros, que são explosões subterrâneas. Movimentos por debaixo da minha pele. Comichão nas nádegas. Ritmos cardíacos surpreendentes, que leva o mundo a alterar-se, neste momento. Não me recordo de algo assim! Ouço máquinas a grunhir e preservo o recente gole de café nas minhas goelas. O que é que se passa? Todo… mas… o ambiente que me circundava há quinze segundos desapareceu! Não me dói a cabeça, é certo, porém esta move-se como um puzzle orgânico. Deixo de arfar, para escutar o que parece ser o barulho de uma coruja, por eu estar a caminhar ao relento. Eu não sei, mas acho que alguém está a brincar comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou agora numa estrada muito degradada que mostra altas colinas negras, com as árvores mais feias do Universo. Reparo que as minhas roupas estão enigmaticamente rasgadas, mas não só. Eu tenho as roupas molhadas em diluente! O local que me envolve não é muito luminoso e talvez por isso tenha uma lanterna de luz vermelha nas mãos preenchidas de feridas e quistos, nos quais vagueiam lesmas chifrudas. Mal ou bem, aponto a lanterna para o que existe à minha frente, para ver o caminho que estou a fazer nesta estrada. Ai, estou cheia de medo. Medo. Medo. Estou cheia… cheia… cheia de medo. Tenho medo, por alguma razão que desconheço e não suporto o movimento de olhar para o que vem atrás de mim, aquilo que sei que persegue a minha presença, porque sinto o meu pescoço preso, tal-qualmente tivesse duas espadas em brasa dos dois lados, obrigando-me assim a manter o pescoço desumanamente direito. Ouço morcegos a gritar. Caminho, mas infelizmente os morcegos urinam em cima dos meus cabelos e… agora as suas urinas incendeiam controladamente, em minúscula escala, as minhas roupas. Estou em agonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A temperatura de um nevoeiro púrpura, atrás de mim, pressiona o meu corpo brutalmente. Caminho sem querer, pela estrada que desconheço e a qual me dá arrepios. Eu não estou no meu perfeito juízo, com certeza, já que interrogo os meus sentidos por julgar que aquilo que vem atrás de mim será ou é uma legião de mortos, de pestilências, de fenómenos vis, que referencio a livros do Mundo Antigo. Os empurrões nas minhas costas em fogo são mais nojentos e medonhos, ao mesmo tempo que estou a cheirar odores cadavéricos e enervantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maldito ambiente torna-se cada vez mais escuro e a luz da lanterna torna-se mais pálida e assombrosa, situação que não me surpreende. Estou a ser mordida nas costas por dentes mais aguçados do que as espadas em brasa no meu pescoço. Sinto um medo profundo, em doses de maníaca percepção, estou a sucumbir e vejo-me rodeada de paredes que rodopiam a uma velocidade intolerável. Eu tremo por toda a parte, simultaneamente poderosos abanões atingem-me no peito. Estou a abanar por dentro de um modo horrendo, perturbante, doloroso, o que agora me faz cair de joelhos. É impressionante este cenário maníaco. O fogo em mim dá-me sonhos doentios e lembro-me que gosto de tomar café. Café?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito estar a sofrer espasmos graves, como se de uma doença terminal se tratasse. Abismal estado de choque… o meu olhar está a fumegar e as veias injectadas estão… neste momento, eu rio alucinadamente e sinto que unhas de metal cortantes furam os meus ombros, ao mesmo tempo que vapores de cores ácidas e abstractamente corrosivas fazem desenhos insanos à frente da minha visão obscura e desenquadrada com a realidade. Os desenhos são tronos de paisagens de carne em fóssil, sustendo figuras e personagens de vários membros, com corpos agrafados a motores com penas vomitadas, as quais dão estranhos passos mergulhados em aplicações robóticas. As figuras, que comeram as paredes que rodopiaram para mim, seguram humanos vivos pelas costas e mortos de pele púrpura que seguram velas de lume gigantesco. Os desenhos tornam-se neste momento avermelhados, brilhos de rubi, e por mim abaixo desce uma chuveirada de pregos com olhos dentro de meteoritos moles. Milhões de dedos golpeiam-me e rodas de diamante com lava fossilizada, com o tamanho das árvores feias das colinas, esfacelam de meio em meio metro a estrada à minha frente. A lanterna desliga-se. Vento…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha cabeça esmaga os meus ombros. Vejo quase nada, quase nada, mas ainda assim avisto mesas limpas de um café, ao meu redor. Estou no Pedaço Felizardo. Tenho a minha chávena a meio… mas questiono-me fortemente, pelos episódios que vivi, há momentos. Contudo, há cubos de inox da estatura de um gato adulto a voar do outro lado do vidro da janela, pelo que as minhas questões se evaporaram fugazmente. Não sei o que são. Olham-me. Incorporam-se uns nos outros, criando uma misteriosa escultura. Tento identificar aquela escultura, mas a chávena está a entrar na minha boca, está a entrar com muita força na minha boca. Tenho medo, não tenho condições para opinar mais sobre aqueles cubos... desmaiei. Sei que desmaiei e o café saboroso vai escorrendo por mim adentro. Arde… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inacreditável! Ouço os sons dos meus neurónios a funcionar. Ouço os sons de uma colher a bater intermitentemente numa chávena de café. Café. O meu cérebro alimenta-se em proteínas e células de mágoa, mas também de impulsos abstractos. Levanto-me de um chão espelhado e depois num tecto de cinzas, para beber mais um trago de café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho-me, em frente a uma piscina vazia. Afasto-me para o lado de um quintal cheio de abóboras em forma de gárgula e cogumelos com corpos de cavalos-marinhos. Reparo, agora, incrédula, que as minhas nádegas estão na parte da frente e que o meu ventre se encontra na parte de trás, assim como tenho os calcanhares virados para a frente e os dedos dos pés virados para trás. Inverti. O resto das pernas está correcto, aliás, consigo andar perfeitamente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguro por uma trela grossa de cabedal líquido mas inquebrável, um bando de mortos com as cabeças trespassadas que cantam o meu nome ruidosamente, como um hino, com aqueles tons de um amor platónico. Os mortos, em asquerosa excitação, pretendem destruição, exigem que todos sintam o frio das suas campas. Escolheram-me por ser mulher, gostam de uma influência diferente de poder, de uma persuasão sedutora e de uma seriedade forte. Agora, sem café a restar na minha chávena, não sei como reparo nisso, vamos para um labirinto de escamas e fedores alienados. No labirinto, estão inimigos sem a coluna vertebral, sem ossos, sem tendões. São orbes sem definição, borrachas altas, gorduras e espessuras de prejuízo para nós. Vejo-os ali, perto. Solto os meus mortos enraivecidos e cintilantes em baba verde. O café. Um trago, dois tragos… tragos dissemelhantes, complicados de engolir. Com suores que cheiram a café, os meus mortos, correm para aqueles corpóreos moles, enquanto gritam como índios perturbados por homens das civilizações modernas. Os meus falecidos e putrefactos esmurram, pontapeiam, amolgam, magoam e trespassam os diversos, disformes, pedaços de gomas e colas intensamente bravos e aterrorizadores. Eu assisto impune e soltando gargalhadas à luta nefasta que se desenrola. Os mortos são arrojados, porém não conseguiram ainda eliminar nenhum dos seus esponjosos adversários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro drasticamente. Borbulhas caem a meus pés. Os meus cabelos esfarelam-se em átomos de cinquenta centímetros. Um clarão cinzento irrompe do alto e desaba no epicentro da fúria. Não vejo, não sinto, não ouço. Respiro mal. Não vejo, não sinto, não ouço. Respiro mal. Não tenho medo. Tenho medo. Não tenho medo e olho como consigo para a minha frente. Os meus mortos foram-se, desapareceram, menos a presença dos seus suores com odor a café. Não tenho a trela na minha posse. As queimaduras nas minhas mãos têm a forma de uma trela. Água nasce aos meus pés, água ácida. Os adversários avançam para mim e cercam-me. Não tenho medo, apesar das suas atitudes serem para mim desconhecidas… mas não me dão medo! Os orbes não falam, não emitem sons e tão-pouco se transmutam. Dá-se novamente o clarão cinzento, ouço melhor desta vez, pelo facto de ter caído em cima de mim. As formas esponjosas agora encolhem e agarram-se à minha pele, como aparelhos, depois como injecções e por fim como tatuagens. Estou inchada, cheia de sangue esponjoso. Tenho pavor abismal perante isto tudo. Tropeço e rebolo. Rebolo, rebolo. O mundo treme e faz barulho, ensurdeço e perco a fala. Nulidade e brancura no horizonte. Penso que nada mais pode acontecer, mas… ai, levo com um bocado cru do mundo que está a mudar de novo e caio assim numa cavidade repleta de antiquíssimas estátuas Gregas, nas quais o meu corpo rebenta, devido às saliências tenebrosas de outros milénios esculpidos. Alarmes soam na cavidade, pois accionei o meu estado de emergência. Apanho o meu corpo e saio…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me da mesa, ajeitando a cadeira. Pedaço Felizardo. Café. Deixo o dinheiro para pagar o que consumi e bocejo. Despeço-me, de lábios molhados, do gerente do espaço cativante. Digo-lhe até à vista, murmurando que vou tentar deixar de beber café. O gerente faz-me uma vénia, deixando escapar um brando olhar de relâmpagos roxos sob as suas córneas treinadas. Vou voltar para casa e prender o meu cabelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-1556941519301145426?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/1556941519301145426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=1556941519301145426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1556941519301145426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1556941519301145426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/10/recintos-possudos-ou-o-gozo-de-um_07.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (IV) - O café'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-8803657650407514008</id><published>2008-10-07T14:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T03:26:03.304-07:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (III) - Locus Amoenus</title><content type='html'>Sol rico em proteínas que deslaça o turvado das mentes, dos solos. Neste dia, azulado, esverdeado, celeste, campestre, versículos amenos, apetece viver sobre a doçura das plantas, sobre os minerais do amor, sobre a luminosidade dos cereais. Os solos verdejantes, oscilantemente declamados, amparam uma transformação. Aqui, ao nascer do Sol, já, se enceta uma alusão ao Equinócio da Primavera, que se aduz como aplausos rijos! Como, melífluas raízes de rosas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo decorrer de cada ano, criam-se desejos, fracassos e obtenções. O Homem deve sempre partir à procura dos prazeres, para assim usufruir do que precisa para ser/estar feliz. O Homem tem instintos e forças primordiais e é também com a inerência a estes aspectos que saberá conhecer-se visceralmente e saberá quais os desejos a encontrar e a possuir, para uma existência individual mais proveitosa, na qual florir abundantemente. E neste ponto do calendário meditamos sobre isto tudo! Neste ponto do calendário é período de partir-se na direcção que se quer ir. Quando se diz que ameno é flácido?A promessa de poder é imensa, porque significa a existência real da genuinidade e acções orgulhosas humanas! O Sol ameno trata-se, nesta moldura, da estrela diurna que desfaz a apatia das criaturas. O dia, com sua querida temperatura em crescendo, é fruto inspirador de companheiros e ornamentos serenos, repletos de prazeres, de festins, de conhecimentos e complexidão primaveril. As manchas diurnas fixas no céu brilham, no meio de muitas cores e tamanhos, pela magia e força resultantes pelo sexo primaveril. O estéril, fausto, sai dos cercos e caminha sobre os montes, as planícies e os betões orgânicos, aquando então começa a vestir-se plenamente de ávido, majestoso, sensual e denso. Tudo evolui nos parâmetros cativantes do Equinócio primaveril, nos parâmetros de calmas dimensões. As horas passam por nós e nada de importante, estas, são. &lt;br /&gt;A nós importa fazer e ter, sem obedecer a relógios ou a nervos! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as criaturas nos admiram, todas as criaturas têm algo que nos interessa, o que dá pelo nome de colaboração. Todas as criaturas não são o que nós somos, o que dá pelo nome de universal diferenciação. Ondas de calor caiem, apaixonantes ondas de liberdade natural caiem, em nós…Quando se diz que ameno é flácido?O ritualismo humano é o império entre nós, no qual a sede de felicidade e harmonia para com a robusta, fresca e bela Natureza, nos torna mais coesos. O Equinócio de Primavera saúda-nos, encorajando-nos a viver os nossos diferenciados caminhos nobres, imediatamente, sentindo as novas e naturais energias que carregam-nos acima do encantamento. E então percebe-se tudo, através do recurso e protecção, receptivas à Mãe Natureza. Pensei em ti, envernizada por pólen, a escorregar para mim, em acentos de gomos de laranja. Eu e tu fazemos um par, fazemos vários pares, de sorrisos vencedores. Sim… pois nós somos procriações. Nós somos mãos. Nós somos rectas. Nós somos curvas. Nós somos substâncias. Nós somos elementos. Nós somos corpos. Nós somos inteligências. Nós somos conquistas e artes e naturezas. Gosto do cheiro da graça… dos sentimentos.Quando se diz que ameno é flácido?Tenho dado atenção a uma expressão latina, componente literária, que desde a Antiguidade Clássica se senta nos nossos livros como imagens precisas de paisagens sonhadas, descrevendo a Natureza de uma forma amorosa, como odores frescos e renovadamente leves que voam nos braços das brisas fosforescentes das alegrias, expressando fascínios sensoriais no Homem, o qual sente-se acariciado em ambiente mágico e homogeneizado. Há quem diga, que neste meio enquadra-se o ser humano que busca a satisfação pela singeleza, no paraíso terrestre. Sinto, respiro, o dia avança bem… entre alvos germinantes, componente a espumar em mim que condiz entre ambientes leves e panoramas sem sombras, claras de ovos. Salivo no sossego de corresponder intuitivamente às parcelas apaixonadas, do cajado da interpretação, quer do universo, quer do próprio individualismo, a fim de fazer-me bem com sabedoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um lugar relaxante? Com alimento, com alcances verdadeiros, com interacção, estou agradado aquando de descrições e afins figuras de estilo a paisagens belas, palpáveis, luzentes, massajadas e evolutivas. Por si só, a Natureza traduz-se carnalmente, no seu estado de moderação. Sabeis que na hora de amar prontamente, se acelera à valorização da sensibilidade plural, do real e da vida? Claro que sabeis, pedaços de formoso. Oferecei-me cascatas, planícies, monumentos, todos os dias, todos os inícios de tarde. Nada me dói. Neste texto, tenho gosto pela parceria… vós vindes ao encontro das palavras e sou eu. Os cremes e os sumos das histórias fazem arranjar outras histórias com cremes e sumos, de sumos e cremes das histórias, das estações da Terra.Quando se diz que ameno é flácido?Na rota de um pedregulho bem formado, sorridente, penteado, com as pupilas interessadas e sabor achocolatado na boca, assisto à tertúlia aconchegante entre dois personagens da nossa literatura. Uma tertúlia que actuo, com as chamas do pensamento em sintonia. Personagens que escreveram muito sobre amor, sobre relações, pensamentos, mas sobre um tipo de amenidade. Para lá das varandas regadas, o pólen e as cores do vento primaveril fazem as pessoas soltarem-se de casa. Eça de Queirós, Eça de Queirós. Cesário Verde, Cesário Verde. Torno a escrita em elemento importante de constituição amena, como que um horizonte poético ideal. Poder ver prados, rios, arvoredos, sons de água a escorrer, sem vê-la, é uma ambiência calma que suscita vontade e energia restauradas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma enorme adição de pensamentos entre dois seres. Cesário Verde dissera, outrora, que ele e ela se encontravam pelo campo cheio de verduras, cobertos de folhagem. Falara no braço à volta do pescoço e do braço à volta da cintura, que a apertava. Cesário Verde, chamando-a de pomba mansa, descrevia mimosos jardins, bancos de mármore, arbustos, beijos, tranças, e, desejando distracções e leituras animadas, ambicionou formar com ela um único coração, um único gozo inteiramente romântico. Por volta das dez horas de uma manhã transparente, Cesário Verde gostou de admirar os jardins e suas nascentes, as suas brancuras junto de ruas quentes, reluzindo passos sem pressa, em aconchegos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesário Verde, apaixonado pelas visões da horta da vida, das luzes do Sol, inscreveu-se na ideia de transformar simples vegetais num ser humano e numa existência cheia de belas proporções carnais, ao mesmo tempo que viu aromas, fumos caseiros, padeiros, subindo e batendo, por vezes, pelas portas próximas. Escreveu que o Sol dourava o céu à sua passagem, assim como as poeiras se elevavam às nuvens, alindando-o, Sol que lançava os seus raios de destilada laranja por cantos e aberturas, seus raios de laranja destilada. Um escritor que fora verdura e abundância, sonhador de um Sol campeão, humanamente campeão.Quando se diz que ameno é flácido? Pela plenitude da vida divertida, abre-se uma cascata de sementes de açúcar, no núcleo da terra. Eça de Queirós, prosador de serras e cidades, homem bem-parecido, passou tinta pelo papel, vindo a conseguir transmitir palavras de terras do Alentejo, da Estremadura, das Beiras, que formavam belas sebes densas, muros altos e cristalinas ribeiras, terminando em campos ricos em alimento. Eça de Queirós ensinara, se quisermos, que a vida é um rio, um rio de Verão, manso, translúcido, deitado em areias alvas e macias. Saudáveis arvoredos e ditosas aldeias pululam em tinta do escritor, depois de conhecermos felicidade em aproveitar clemências do fértil Abril que retira as saudades por matas, por bosques frescos e flores de muitas cores e vitalidades, quase humanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eça de Queirós criou um enredo em volta de aldeias, nobres, confusões e crenças, conseguindo demonstrar água verdadeira, verdadeira água de leitura amena, romanticamente equilibrada, fazendo-nos apreciar, tal como inscrevera, com a sua tinta de cheiro novo, personagens sob um radiante Sol, sob brisas largas e extraordinariamente sãs, sob douradas manifestações da Natureza, sob atributos de papoilas e relvas e frutos, prendendo leitores à virtude mágica de viver pela boa-disposição de capacidades tradicionais, essas chegadas à luz de instantes puramente portugueses. Eça de Queirós escreveu diálogos corteses, afáveis, naturais e de um teor esforçado, revelando um espírito capaz de vencer com calos de belas feições. Um escritor que fora local e imaginário português, português de força paisagista. Eu, sentado na relva e depois na areia de praia, não conheci estes dois escritores, mas, ainda assim, acho-os bons parceiros de cartas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O orvalho no meu nariz assemelha-se a um namoro ao amanhecer. Hormonas simples de palavras, que nos enlevam os sorrisos. É impressionante verificar surpresas nos cascos mais evitados, é impressionante dar a outrem a beleza de um ser único e dono de si. A linha do horizonte, pelo cuidado do oceano chegado, é muito deslumbrante e apoiada por nuvens claras, por moles pastos, existe a beijar-me os olhos. Somos calmamente graciosos, somos seres vivos e estamos a viver graciosamente calmos para cintilar mais um pouco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu leitor terá a sua estrela visceral e até será a sua própria luz, nem que uma luz de mitologia. Em muita quantidade, positivo para ser levado a sério, em muita quantidade, fácil de ler ou simpático para conquistar, em muita quantidade, bom para deixar de ser eu mesmo. Sublinho a inteligência das plantas de fruto, que bailam sob os narizes de quem as colhe, de quem as estuda. Ser-se ameno nas terras de humanos…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-8803657650407514008?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/8803657650407514008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=8803657650407514008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/8803657650407514008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/8803657650407514008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/10/recintos-possudos-ou-o-gozo-de-um.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (III) - Locus Amoenus'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-1172824628330320355</id><published>2008-08-28T17:24:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T03:25:40.442-07:00</updated><title type='text'>Recintos possuídos OU O gozo de Um demónio (II) - Locus Horrendus</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;    Trovoada enxuta. Na sombra dos recantos citadinos, a luz celeste aterroriza. Álvaro de Campos disse que não dormia, disse que jazia, cadáver acordado, que sentia. Disse que o seu sentimento era um pensamento vazio. Disse que o seu cansaço entrava pelo colchão adentro, que lhe doíam as costas por não se deitar de lado e, se estivesse deitado de lado, doíam-lhe as costas por estar deitado de lado. Álvaro de Campos pensou na Humanidade que esquece as suas alegrias e as suas amarguras, pensava e não dormia. Sendo assim, a dor aparece, portanto há que decidir que posição adoptar para recebê-la. Exactamente; Álvaro de Campos dizia esta palavra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Hoje há qualquer coisa dentro de mim que me consome o sorriso. Uma qualquer coisa, uma coisa qualquer, fria, deprimente, suada, porca, nojenta, amassada, de repente destruidora. Esta coisa dentro de mim é a angústia e também é a ira, a tragédia emocional, o culto pela crueldade, é a braveza, a saturação. Parece-me que tudo está incrivelmente, assombrosamente, mal. A caneta é um nojo. Hoje, que para vós não é o meu hoje nem o meu amanhã, estou enervado. Enervado, com aqueles nervos que me deixam num estado horrível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;O som pim, pim, pim, que vem lá de fora está a levar-me aos arames. Não o suporto, estou a rebentar de alguma maneira e já preguei murros na mesa. Apetece-me viver esta febre de nervos, escrever sob este sentimento, inspirando-me nele, massacrando-me. Eu não tenho nada que me alegre, nada que me satisfaça, apenas o meu cérebro que se entrega de braços abertos à informação negativa que recebe e, logo, me deixa roído de desprezos. Ah, como me coloco a pensar nos meus adversários, pensando fervorosamente! Vinganças! Tomara inimigos tombam ao rio e levem com muros de betão e aços queimados, bem no centro da cabeça, repetidamente, à falta de facas grandes. Tomara se rasguem em arpões envenenados e vejam sangue podre a fugir-lhes, que comam, a chorar epicamente, excrementos de todos os tamanhos e que enormes agulhas arcaicas lhes entrem pelas axilas e pelo umbigo. A temperatura do ar está turva e amarga, vejo as nuvens de cor vermelho-sangue a observarem-me, querem partir-me todo. As casas à minha volta, cheias de gente inócua, atrasada e cínica, podem ruir, agora ou daqui a pouco. Eu até correria para o local, arruinando pedacinhos de estruturas, que restassem ainda de joelhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Chegamos perto do final do ano, com orgulhos e caretas. Isto para quê? Alguma coisa vale a pena? Tudo está enraivecido, cheio de enxofre e metano, espicaçado numa banheira de iodo e petróleo e borracha e veneno. Admiro as proveitosas tragédias da natureza, ao longo do mundo, porque desejaria controlar o imenso poder de cada uma com as impressões digitais dos meus dedos. Logo, satisfazia-me à procura do sabor da destruição natural. Sinto os cheiros das desgraças. Quero lá saber de responsabilidades, de preocupar-me com quem espera de mim alguma coisa de bom. Não quero nada, neste momento. Nem penso em nada nem em ninguém. Solto fúria e solto ódio e tomara que todos os vidros e espelhos partam, que são caros como jóias e que exibem o meu físico, o qual tanto menosprezo. O meu interior vai aparecendo e reaparecendo como um parasita, umas vezes articulado, outras vezes famoso. Mostrando que me encolho em defeitos, acordo toda a semana e a mente corre logo em dúzias de assuntos. Para quê? Mudo alguma coisa no mundo? Perdi essa vontade, já que somente quero sair do quintal com alimentos que me façam sobreviver mais um dia. Se eu não pensasse, queria largar fumo em massa e os outros ao meu redor que se poluíssem nele, tal como me fazem, por vezes, aturar. Poluam-se, enervem-se, saltem, chateiem-se. Poluam-me, enervem-me, saltem em mim, chateiem-me. As ruas atulham-se de porcarias caras. Venha a mim uma sala com porcelanas, que desato a pontapear. Venha a mim faces suaves e narizes bonitos que desato a machucar. Quero tudo feio, tudo rebentado, tudo sem remédio. Folhas de Inverno, dúzias de lascas de palha, nos chapéus e nos casacos, que posso ver. Agora que urino, merecia aguentar a dor de tubos e urtigas a sair pela minha uretra. Que paixão tenho eu por mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Nas invasões militares, medievais ou do imaginário humano, de muito sabemos que os fortes invasores decapitavam outros indivíduos, que violavam as mulheres aleijando-as em toda a parte com franqueza, em todas as formas, que partiam as pessoas, que feriam as pessoas, que não alimentavam as crianças, os futuros de quem subjugavam. Que pormenores belos, que pormenores deliciosos. Eu, decerto teria imenso júbilo por ter figurado em cota de malha e espada, em tais cenários, recintos e tempos. Porém, não figurei. Desastre, realidade. Posso, também, arranjar outras missões para mim mesmo e, por exemplo, com toda a capacidade de ser horroroso, profanaria cemitérios, experimentaria sexo com mortas, enrabava-as, cuspiria à grande e à francesa nas flores, que seria lubrificante para elas, abriria buracos, enterrar-me-ia e masturbar-me-ia então na lama, nos esgotos, para espantar o mundo ou qualquer nome assim. Vivo as minhas perturbações loucas, não, as minhas irritações. Eu enervo-me tanto. Eu enervo-me tanto que me identifico, afinal, com um vulcão. Onde posso comprar lava para espirrar pelas ruas abaixo, pelos meus nervos, onde? Eu oculto os palavrões, mas eles estão cá, nos espaços do texto. Que energia produzo, que cansaço e cócegas na barriga, e, finalmente, eu gosto de ver-me a sangrar ao ferir-me, com os dedos mais pequenos dos meus pés descalços, nos cantos dos móveis bicudos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;No écran, o cursor pisca, a luminosidade das cores, a presença do viso da extraordinária compulsão, o ensinamento futurista. Que mais há de futurista que a verdadeira auto-mutilação? Não queremos afinal ser máquinas, pouco tecido humano e o resto tecnologia? Os vapores de máquinas, dominadores, a incomodarem os lábios de terceiros, os barulhos dos elementos de ferro a levarem as mentes ao tédio e à vegetação emocional dos que lhes são diferentes. Podíamos ser computadores e enviar vírus a outros, desligar redes e piratear. Não é um gozo, não? Venham a mim as mulheres bonitas, que não conseguem inovar em si as sugestões de colaboradores chegados, que lhes tiro a inocência dos seus sonhos. Máquinas, sim. Nunca transformarei ninguém em alguém melhor, porque o que pretendo é partir carcaças. O resto é para as máquinas fazerem, pois não tenho tempo, visto que sou como o coelho que corre para o País das Maravilhas. Enfio arames nas costas de um padre, de um Messias, de quem eu quiser, e vejo quão divina é a dor de um falhado ou simplesmente de um ser perfurado. Lamento lamentarem, a sério, é verdade que preciso de falar assim, mesmo a não em ouvirem tenho – uma péssima voz – uma caligrafia bonita, arranjada, não tenho? Num lado dos campos de batalha há deprimidos e eu, terrível, cortante, num outro lado. Calado ou a discursar sou a mesma criatura, apenas difere isto pela energia, pela razão e pela interpelação. Neva, neva, quisesse eu comê-la…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Escavo memórias, estariam as árvores nuas e velhas. Ele entra em casa, depois de horas combinadas, vermelho, inchado, alcoolizado. Chama nomes a ela. Ela chora e transmite mágoa. Discuto com ele, tenho mesmo que o fazer, é inevitável pois faz-me sentir aqueles nervos tão profundos. Um dia isto acabaria mal, para ele ou para o vício. Um dia dei um empurrão a ele, ela também não esperava tal coisa, mas o sofá segurou nele. Maldito sofá ou pena que tenho do sofá, mas eu não suporto quotidianos de machos tradicionais. A quantidade de anos que ele agiu daquela forma, cheio de álcool, cheio de doença psicológica, cheio de má educação. Nunca me poderá apontar o dedo à falta de respeito, mesmo agora que deixou aquelas atitudes, quem não me respeita, por mim não é respeitado. O Inverno começa a dar cartas, baratas, travando euforias deles, aumentando as minhas. Ao querer verificar os reflexos das manchas de desmaios, atrevo-me a assobiar pelos esforços de feridas…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Tenho dado atenção a uma componente literária, característica do período romântico. Sinto-a, respiro-a, o dia não avança… entre alvos bolorentos, a componente a espumar em mim condiz entre um ambiente pesado e paisagens ensombradas, funéreas. Salivo na agitação de corresponder intuitivamente às parcelas apaixonadas, do cajado do mistério, quer do universo, quer do próprio individualismo, a fim de me magoar com sabedoria. Sou um lugar horrível? Sou. Acredito nisto, como não acredito em nada, como desejo o desmaio mortal. Com vinho, com exageros mentirosos, com isolamento mais que profundo, crónico, estou agradado aquando de descrições e afins figuras de estilo a paisagens sombrias, isoladas, lúgubres, inquietantes e decadentes. Por si só, a natureza traduz-se carnalmente, no seu estado selvagem. Sabeis que na hora de odiar prontamente, se acelera à valorização da sensibilidade individual, do irreal e do sonho? Claro que sabeis, pedaços de feio. Ai, o quanto fervo e arreganho as feições! Nervos, impulsos de paranormal. Oferecei-me cavernas, grutas, ruínas, todas as noites, todos os fins de tarde. Doiem-me imenso as costas. Neste texto, tenho gosto pela total solidão… são as palavras que vão ao vosso encontro, não eu. Tenho intenções de danificar os juízos, mas amanhã não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ser-se criticado ao ser-se horrível?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Ao canto da mesa, enervado, chateado, com as pupilas dilatadas e sabor amargo na boca, assisto à tertúlia barulhenta entre dois personagens da nossa literatura. Uma tertúlia que imagino, com as chamas do pensamento em choque. Personagens que escreveram muito sobre amor, sobre relações, pensamentos, mas também sobre um tipo de horror. Para lá das janelas, o ardor e as cores do vento fazem as pessoas trancarem-se em casa, todavia no fim da tertúlia irei lá para fora cantar pelo reencontro com abismos de receios e profanas chatices. Bocage fala de duras, cavernosas, fragas e de paixões que na alma se fervem, fala da razão feroz, do coração que o indaga e dos seus erros. Bocage é agudas… ânsias… venenosas… chagas. Bocage escreve em soltar gemidos e em derramar lágrimas, escreve também que a razão o manda não amar e ele arde, ama. A razão diz a Bocage que sossegue e este pena, morre. Bocage diz que vira, apenas, a luz brilhante do dia, em empório celebrado, em sanguíneo carácter marcado. A morte devorante roubara o doce agrado da terna mãe, pelo que Bocage seguiu Marte e vagando a curva terra, o mar profundo, inundou as faces em lágrimas. Bocage longe da Pátria, longe da ventura, diz suspirar pela paz da sepultura, enquanto a insana multidão procura essas quimeras, esses bens do mundo. Eu percebo-o, distantemente, percebo-o. O comum preferir suspirar a procurar. Tamanha vontade de apagar as luzes. Almeida Garrett diz-se a ir, que o seu rosto macerado e em funda melancolia escreve, escreveu, tanto faz, que onde chega, o prazer cessa no mesmo instante. Igualmente, quando o lábio começa a dizer doçuras de amor, gela e que o riso que ia a nascer expira. Almeida Garrett é as próprias folhas caídas, ele próprio e a morte nele. Almeida Garrett espantou muitos leitores, eu sou um dos seus espantados, um dos tristes. Almeida Garrett fala no seu frio sarcasmo e no amor que falava a elas todas, mulheres, pessoas, escreveria que lhe doía a alma, se a vaga inerte tristeza, sem motivo, lhe pousasse no coração e que, porque a vida lhe parece parada, não saberia se morria ou se vivia, não sabia. Em seu, textualmente, gozo delirante, Almeida Garrett, escrevendo, sentia que era a vida ou a razão que nele se exaurira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Urtigas de palavras, que nos aspiram os sorrisos. Nada parece ser o que é na verdade. Nada disto é verdade verdade, mas sim um batalhão de palavras que doiem, que espero que façam doer, que façam irritar. A linha do horizonte é muito sedutora, apoiada por nuvens terroríficas e pastos pretos, existe a perturbar-me os olhos. Quando somos horríveis somos criticados e quando criticamos chamam-nos de horríveis. Venha o diabo e escolha, dizer-me-iam os adversários ou aliados, tanto faz para agora, venha simplesmente o meu leitor e escolha. Não tenho que ser horrível, só se o desejar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-1172824628330320355?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/1172824628330320355/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=1172824628330320355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1172824628330320355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/1172824628330320355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/08/recintos-possudos-ou-o-gozo-de-um_28.html' title='Recintos possuídos OU O gozo de Um demónio (II) - Locus Horrendus'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-6184615003766708027</id><published>2008-08-28T17:21:00.000-07:00</published><updated>2009-07-31T03:25:12.357-07:00</updated><title type='text'>Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (I) - Encarar, sob relatos de mim, eu próprio</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Vento e chuva amena. O Outono anda por aí, por aqui ando eu e por toda a parte andamos nós. Através da minha janela, apesar do pouco que a noite me deixa ver, observo uma brisa molhada que namorisca as matas e as pessoas alcoolizadas. Namorisca-vos? Escrevo, aliás comecei a escrever, porque gosto de recriar os divertimentos dos meus processos mentais, que amorais! Jovem, azulado no olhar, sou alguém que gosta do Outono puro e duro, ou, digo, talvez puro e inspirador. No desenlace destas linhas borradas em lágrimas de gato, de vazio, de papel, sei lá, assino um nome, cujo brotou da farinha com determinados significados demoníacos, mas, principalmente, libertinos! Ousados e insistentes, como pretendo deste Outono. E o porquê do Outono ser bonito para mim? Têm sempre de perguntar. Fácil; é a estação do ano que mais me lembra, através de provas, quem sou e o que gosto. Sério e carnal, como a descida da chuva às cabeças dos animais. A par das letras, as horas passam… tenho febre. Encarar o quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;No momento desta frase, que é durante a tarde, mais ou menos a horas previstas, vejo vias tradicionais, derreadas, alagadas de folhas caducadas, de um castanho inchado, que são desarrumadas, sem esqueleto, nas rugas de areias e pedras, pela brisa de dias quase cinzentos. O vento passa-me pela cara, esfregando-se sem regra à pele, num constante equilíbrio de ares e sopros meteorológicos. A tarde está sossegada por estes lados e também por outros, onde logicamente hajam semelhanças. Os sons da civilização são a constante do mundo e aqui também ouço alguns. Ouço automóveis, que daqui vejo como automóveis em miniatura. Não é por questão de tamanhos, mas, sinceramente, não gosto muito de automóveis. Eu gosto mais quando vejo o comboio, apesar que ainda prefiro os antigos, pois ostentavam-se noutras estéticas de classe. Comboios… ah. Ah!, fala-se no diabo… e aparece, agora, um comboio que passa ordinariamente perto. Um comboio dos mais recentes. Paro a apreciar, para não sentir uma sensação de aproximação involuntária ao chão, vertiginosa, como se estivesse a correr contra o comboio. Ali, entendo, há muito peso a deslocar-se a muita velocidade. Ó trilhos férreos!, quereis uma toalha para o suor e, quiçá, uma pomada para aliviar os músculos? Não obtenho resposta. O som gutural do comboio, as fricções férreas, as ardências maquinais e o despejo de velocidade. Ali. Não obtenho uma resposta em português. Encarar o quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Continuo o meu caminho, que dá para uma floresta e, entretanto, piso mais folhas e terras esverdeadas, acastanhadas e alaranjadas. Quando me detenho num local tropeço. Tamanha maldade do meu calçado! Entrei com o pé esquerdo? Bem, e com o direito também, porque ainda não cortei nenhum deles. Neste local, o silêncio parece ser de ouro. Sem grandes fumos, sem muitos fedores e barulhos. O ambiente sonoro é o hino de pássaros esquisitos sob o encantamento de uma subtil corrente de rio. Um rio aberto, apesar de manchado. Este é um local bom e é por isso que aqui estou, sem dúvida. Quem sabe dele, nele não fala. Sabe; cala! Cá no recinto recôndito, paralelo ao rio, em voz regular digo a palavra – fotografias –. Tiro o meu saco do ombro, deixando-o simplesmente cair no chão, qual ventoinha na palha. Dentro dele retiro uma máquina fotográfica digital. Queria antes ter uma de rolo, porque era um maior colorir dos meus gostos, mas para já o dinheiro que tenho não me compra uma dessas. Então começo a disparar o &lt;i style=""&gt;flash&lt;/i&gt; em múltiplas direcções. &lt;i style=""&gt;Flash! Flash! Flashflash! &lt;/i&gt;Tento captar do ambiente aquilo que nele mais me agrada: árvores e plantas e árvores, o rio, uma ponte de ferro e aço e afins, um pavimento esburacado, mais plantas e bichos, trilhos verdes que se perdem de vista, ou apenas dos meus óculos, e paredes arcaicas comidas pelos anos e pelos humanos. Ergo o meu saco, enquanto olho uma dezena de velas que se encontram a derreter em buracos podres, as quais me forçam a imaginar que situações viveram antes e durante aquele detalhe. Tudo me parece arte. “… dissera Olvido uma vez […], a palavra arte soa sempre a mistificação e a panos quentes. É melhor sermos amorais que imorais. Não achas? E agora, por favor, beija-me.” Tiro fotografias com a rapidez de um pintor talentoso, em cada pincelada. Segundos passam, minutos passam, uma hora passa, agora o dia começa a virar noite e não há mais fotografias para ninguém. O rolo não terminou ou, melhor, a memória do cartão não terminou, mas porque, sim, está no meu momento de retorno: e um Homem tem que fazer o que um Homem tem que fazer! Um Demónio faz aquilo que quer fazer! Um e outro são iguais e atribuem merecimento, instintivamente, a armas e a si próprio! Encarar o quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Levantou-se mais algum vento, entretanto. O céu, a esta hora, está sublime, está cinzento, manchado, esquisito e denso. Passo ante passo, pé ante pé, a minha casa aproxima-se imóvel. Tenho as chaves da porta de entrada. Por acaso, trata-se de umas chaves porcas e azedas. Porcas e azedas como determinadas coisas em mim, mas que lá acabam por ter a sua utilidade. Entro, neste instante, em casa. Tudo tem uma funcionalidade, digo, até a minha mala de viagem. Quando a agarro, encarrego-me de dar-lhe vida. Enfio-lhe, para que guarde, os meus pertences: as roupas, os acessórios, uns objectos diversos, a comida e a bebida. É simples de perceber que viajarei, ou irei para outro sítio. Digo fácil de perceber e não de adivinhar, porque na minha vida não se adivinha… muito. Na vossa vida adivinha-se? (Portanto…) Prosseguindo. Para a viagem que farei, daqui a pouco, tem de estar tudo no seu lugar e, por exemplo, a minha mala encarrega-se de ser a galeria de todos os lugares! Encarar o quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Já estou em viagem e à conversa com as pessoas no carro. É surpreendente a quantidade de demónios que existem nas conversas. Demónios que são as frases feitas, os clichés, as frases feitas, os clichés. Uma dose de chavões e ficamos bem. As conversas estão a ser animadas, lá isso estão. Cada qual com os seus demónios idiomáticos! Retenho o segundo, no meu olhar, em que uma das pessoas, aqui no carro, se pasma e se abana com pudor entre uma fala minha. Este é um lugar-comum meu e por ele rio-me sozinho, com certeza. Consola-me deixar aquela miúda electricidade que se activa, que dança no cérebro das minhas companhias. O que importa é essa activar-se nelas, seja na cama, seja na casa-de-banho; pensarão naquilo em que falo! Entretanto, mais qualquer conversa e explicação. Também limpo as minhas mucosas e fico quieto na audição à gelatina amanteigada do meu cérebro. É noite querida. Ventania, estradas bem iluminadas, céu com nuvens encalhadas e uma temperatura baixa. A pessoa ao meu lado grita, mas acha que fala. A meu lado, a porta do carro, um luxo, há muito que se encostou ao meu braço direito, devido ao carro estar cheio. O condutor do carro cora com os acenos a/de outros condutores e as restantes pessoas perdem-se, neste momento, a pensar naquilo que podem e não podem fazer em locais que ficam fora ou dentro das bordas da viagem. O rádio toca um disco de instrumental moderno e eu bato, algo ritmadamente, os pés nos tapetes do carro. O carro percorre estradas mais próximas do nosso fim. Estas estradas têm um aspecto negro e denso, que se engrandece no arvoredo selvagem feito, à semelhança, de um algodão rijo, frito e pegajoso. Não há barulho para além dos vidros deste carro, o qual avança como uma lâmina de corte desabitado, enquanto os passageiros riem de nada, de coisa nenhuma e de algumas coisas. Os traços brancos na estrada demarcam a palidez e calmaria do ambiente natural. O gelo do desimpedimento ainda não quebrou. Minutos e minutos transpõem. Num momento em que a noite está mais alta, piso a localidade que nos aguardava. Um sítio verde, com o peito que vive pregado numa linha de três metros acima do horizonte azul, azul muito muito escuro. Há qualquer profundidade verdadeira aqui, um armazém de belezas que mostra mercadorias presas a uma parede, totalmente na vertical. Com vertigens mas orgulho, o armazém natural alonga-se em ramos radiosos, entre as suas relvas misteriosas e viçosas, abraçado em fauna e flora de luxo e concentrado como dinamite de carne e leguminosas. Tudo, claro, no negrume, agora. Vivo em álcool, festa, palavras e necessidades. Vários capítulos estão a passar… a passar. Param. O apartamento está com a porta aberta e com as luzes ligadas. Por que é que haveria de as desligar? Não haveria e não quero saber, não estou preocupado. Ups! Caíram as minhas bolachas, preocupei-me! Sou livre para pegar em mais e não apanhar as sujas. Sou livre para acender e sujar. Estou contra a essência de que aquilo que é abandalhado é O devasso. Ora! Aqui, pela varanda avisto minimamente florestas agrupadas. Vento, cascas e garrafas. A noite é um lençol morno e a pele do meu corpo aquece devagarinho. Encarar o quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;De manhã. Acordo ao som do despertador ruidoso. Não dormi bem. O céu está enorme e chuvoso, para bem dos meus olhos com remela. Acordei com sono e com dores de estômago e dói-me o estômago e tenho sono. Vou para o lado oposto das outras pessoas, porque não tenho curiosidade nem paciência bonitas para o estilo desta manhã, da manhã das pessoas. Principio-me, por caminhos cheios de raízes e buracos, em direcção a lagoas grandes e frias, contra corrimões e varões de erva, flores e areia. Os montes gigantes têm essas lagoas a seus pés. Observo, contentíssimo! Imagino estas quantidades de água à temperatura da quente que sai da minha banheira. Não digo a ferver, mas muito quente para combinar numa fogueira branda para bruxas, mulheres libertinas e mágicas, que atiraria para ali. Não para querer queimá-las, mas para me enrolar com elas; quais salmões calorosos e transpirados! Quero um caldeirão de cetim, corações e orifícios! E sem fim, convulsões e cicios! Quero mexer essa receita culinária. Com tanto para onde olhar, deambulo, pensativo, pela areia bege e misturada não sei com o quê. Sento-me numa pedra grande e sem cor. Observo e contemplo a água calma, o ambiente espectacular e a grandeza das coisas. Isto é tão belo e tão natural que me sacudo por não ser tão habitual quanto desejaria, quanto ao país compete. O céu pouco mudou e já me chamam, por qualquer razão. Por mais que se disfarce, a sensação de incompreensão aparece-lhes no rosto. Sinto-me em casa, em casa… morno, ventoso, com cheiro de chuva e arrepios. Coisas e coisas que agora passam que não vos digo. Porém, fica o desabafo que me preocupo com a preparação do meu Halloween – &lt;i style=""&gt;All Hallows’ Eve&lt;/i&gt;. A noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro é muito especial e tem mesmo de ser bem organizada e tomada! Poções, rituais, piadas, brincadeiras, loucuras, liberdade, criação… tudo encaixarei. Este é o meu desejo e o meu querer! Aproveitarei para escrever… e festejar também com os meus personagens medonhos e os meus demónios fofos. Ainda tentarei realizar uma película satânica! Num dia à frente. Alguém me ajuda? Oh, Diabo! Até que me emprestavas uma câmara de filmar! E eu de imediato a ti, o dinheiro certo! Negoceia-se… muito bem. Irei comprar uma. Uns modelos, meia dúzia de figurinos e argumentos, quero… e encarar o quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 10pt; font-family: Verdana;"&gt;Numa próxima… as palavras mudarão, os recintos também e os gozos serão novamente meus! Chegando ao êxtase… não tenho que encarar nada, tenho sim que experimentar!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-6184615003766708027?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/6184615003766708027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=6184615003766708027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6184615003766708027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6184615003766708027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/08/recintos-possudos-ou-o-gozo-de-um.html' title='Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (I) - Encarar, sob relatos de mim, eu próprio'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-2359995400888161414</id><published>2008-08-27T16:42:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:47:22.851-07:00</updated><title type='text'>Alimentando o Sangue - IV</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Diversos de pertinácia (IV): &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;                                                                                            &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Tal sociedade que se recria mais em diversas massas boçais, que para além de boiar quantificadoramente concentrada, vazia da periferia ao centro, ainda reage doentiamente a inovadores programas de vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Há certo comodismo em tudo e isto, lucidamente, traz seguranças, frutos e prismas, mas é tal qual uma seta lançada a meio-gás para perpetrar-se em alvos de constante escravidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Fios condutores à visão analítica, de gentes de mãos dadas, desconfiando, continuando, e matam-se interiormente a passear pelas ruas da frustração, da vulgaridade e da perdição dos sentidos. E por sinal mantêm sexo com os vizinhos, enquanto umas outras lambem duas notas de cinco euros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;É uma perversidade, mas que nem a aproveitam ou assumem. Deixam-na ficar nos bolsos furados que enroscam tudo. Os sentidos não lhes são fiéis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E a inteligência desconhecida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ora, procriem mas é criatividade para os miolos e para a Vida!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Independentemente disto, muitos indivíduos depois da infância e da adolescência já não são mágicos nem instintivos. Chamo-lhes deficientes. Por isto é que, tal-qualmente, perdem a vontade e o talento para as brincadeiras. É tudo tão cinzento e incómodo como uma casa-de-banho entupida e alagada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Porém, toda a criatura pode reparar que a travessia que existe entre o ver de perto e o tocar num tesouro de Vida não é nem a ilusão de merecer nem é o copiar a marcha e a actuação e nem é o rodopiar na mola ferrugenta da hipocrisia. Essa travessia é antes a virtude da individualidade, o germe e a força satânicas, a naturalidade da vingança, o zelo ao poder e absorvimento. Tesouro conquistado, mostrando ao íntimo, ao profundo. Mamando auto-glorificação e auto-condecoração, primeiramente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;De modo perpendicular haver quem lamba excrementos, há? Há! E isto é um tesouro? Existe quem o mereça, apenas fará ou não fará para alcançá-lo totalmente, o que, portanto, será para muitos um prazer, de isso ver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ainda uns casos repugnantes são os desmaios acordados, sem pestanejar, nos limites, nas fronteiras entre duas linhas. É que os casos nem obram para uma nem para outra. Seguem em frente sem adaptar, sem tocar, sem experimentar, sem ver antes de optar com vontade um rumo. Mas que continuem, esta observação é somente isso. Não é uma lição de/para outra lição. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Com uma variedade de lições, a metamorfose da mente humana é um campo de luzes apagadas, acesas e depois apagadas e depois acesas, sem interruptor, todavia com existência concreta, ponto de acontecimento e explosão exigida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ficaria mal ou, porventura, seria redutora uma decisão menos frequente numa ascensão terrena? Não! Obviamente que são histórias fascinantes…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E, a par destas, vivem tripas que respiram e consomem organismos fátuos, tripas ocas e viajantes sobre ideias e remorsos e obediências não questionadas. Merecem ser tapetes sem textura e sem quaisquer pés para servir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Existem à mesma!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Consequentemente, ter intensidade e vigor e charme arrasador de escolha falta em muito osso e fibra. E o tesouro de Viver está indisposto em seres indiferentes ao efeito, iguais a tudo, a tédio de seus ricos confortos. Não se olha muitas vezes para o óbvio. Será que assim dói?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;No mundo irracional dos animais a par do racional, na Natureza, acorrem às vistas e aos entendimentos a diversidade de vontades, de elementos, de capacidades, de hábitos e perseveranças. Os instintos à diferenciação, à ignomínia da igualdade, ao rasgão dos julgamentos hipócritas e à total recolha das consequências. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A afirmação própria, nos casos em que seja desejada, devia assentar vigorosa, pois é uma defesa e um ataque, uma construção de campos de acção, uma interacção abstraída e alargada, uma noção de realidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A adaptabilidade construtiva e a procura do prazer servem de espada e de machado e de pistola ao Homem. Com a inteligência, sua agregada amante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Casos de meticulosa extorsão da volúpia humana são vistos, aos quais se exigem que sirvam os propósitos de perturbação ante minorias diversificadas, e que sendo causas dignas, estas não se devem confranger sob deixas padronizadas, hipocritamente proliferadas. Muitas habilidades de sensualidade são constantemente riscadas por aglomerações que se servem da moral e da tradição para, inibidoramente, encaminhar com os seus desígnios pitorescamente vagos os sensualismos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A realidade e a fantasia do Homem sempre foram e sempre serão perversas. A teatralização do Homem sempre foi e sempre será sensual, carnal, charmosa, elegante, sentimentalista. E odorífica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A realidade de contradizer estas realidades, negá-las e difamá-las com expressões, júbilos auto-inculpados exaltados por ocultos cantos, é coisa vista e presente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Logo, uma presença de demagogias e de críticas rudimentares sem fundamento por consciências terceiras é uma personagem para ter a respeitar, mas a lidar para um caminho afastado. Tem de se ver que os alcances de uns indivíduos não são os de outros, coisa que se louva!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Logo, incutir entraves e persuasões de culpa em extractos activos desiguais trará negação perniciosa a ambas as partes. A ignorância arrogante e o engano trajado. O fraco e o fraco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Seguidamente, a colecção de armas naturais como a ordem, a pressão, o encanto, o domínio, a beleza, a sabedoria, a liderança, a diferença, a conquista e afins faz mundos de interesses e materiais chegarem a mãos e pés cheios. Instintiva e definidamente, um ser procura num outro coisas que lhe agradem, interessem possuir. E, claramente que, o uso de caprichos e de características ditará os resultados. A maneira de colocação, de actuação, de convicção e de força sobressaem na altura de materializarem-se os desejos e de experimentarem-se os feitos, coleccionarem-se. Mais, reforçar a utilização da beleza e da persuasão é positivo. Decidindo, encarando, recolhendo. Colhendo orquídeas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O factor sexual encanta qualquer ser. Na possibilidade de conseguir-se – por exemplo – a atenção e o interesse sexual concordantes, a manipulação entra em jogo. Manipulando conseguem-se extrair necessidades, transmitindo a sensação calma, satisfatória de um momento vivido. Há que ter em conta que o apelo sexual só traz frustração se não for correctamente pensado, desejado e/ou ilusoriamente idolatrado. Pode ser-se muito bem usado, se assim pretendido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Com a fixação em algum objectivo os instrumentos a utilizar são, entre muita coisa, as facetas intelectuais e corporais, com os odores tornando tudo mais vantajoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A inocência também atrai inocentes e adeptos da inocência. A inocência aliada a um factor de sensualidade e aprendizagem fortes cria uma completa magia em alvos pensados e não pensados, seja em que contexto for.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Enoja, somente, a arrogância que leva a mostrar uma superioridade, quando só os factores roubo, aproveitamento e fraqueza estão sobre a própria mesa. Enganados, mas faladores de mais. Todavia, entende-se: aspectos de sustentação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;É neste parâmetro, nesta conotação, que a auto-estima e o amor-próprio devem ditar muitas leis e subvencionar outras. Ter caminhos concretos e não ter que atribuir atenção nem ser seduzido por todas as personagens. Não há necessidade de provar a virilidade e a lascívia a todos e a quem não se queira ou não mereça. Especificamente, a erecção pode ser tão simples, tanto numa luxúria como num combate. E avançar para o uso dela, como um requisito, em todos os momentos e corpos só antevê inocência, insegurança, compulsão, desconhecimentos e primazia ausente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;E, então, verifica-se que varia o porte de sedução de criatura em criatura. As menos habilitadas para tal, mais rapidamente são seduzidas e vêem-se-lhes propriedades partilhadas, provocando-lhes remorsos ou não. As mais habilitadas para tal, mais lentamente são seduzidas e afins, enfim. Têm perfis. Possuem sentido de sedução, momentos e experiências fortes, compreensão de sensações. Introspecções educativas, mas nada aqui que imperiosamente, dependendo de cada ser, seja positivo ou negativo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;É importante saber que tudo é saudavelmente praticável, se realizado com a dupla consciência em acordo, em vontade e em desejo, com as preferências estabelecidas devidamente. As tentativas, mesmo que conseguidas, de pressão e de obrigações sexuais/sedutoras/afectivas sobre um dos lados é prejudicialmente saudável e reprovável, visto que a satisfação dos desejos de uma criatura tem de acontecer de acordo com a satisfação, desejo, domínio e apoio de uma outra, no caso de (ter) de existir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;No caso da vontade própria estar em total comunhão, então, não haverá espaço para qualquer tipo de pudor, mas apenas lugar para a satisfação, realização geral e/ou objectiva, enriquecimento mútuos (ou variados.). Lugar pleno para o idealismo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Um plano real e instintivo de força universal, mas que é muito falseado é o amor. Este é um sentimento cósmico, mas de interpretação e alinhamento individuais. Não interessa tentar acompanhar ou classificar a magnitude do amor de terceiros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Uma das questões é a falta de naturalidade, de compreensão do outro e de si próprio, de intensidade, de segurança e de decisão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O amor-próprio existe e o amor a outro ser também. Eterno é uma utopia, mas existindo ou não, há que batalhar e marcadamente assumir-se as vontades e as forças. E não se ama escondendo uma dor. É para partilhar dentro de uma realidade, as coisas, ou não? O mundo parece muito frustrado. Tem medo dele mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Escrever sobre o amor assassina-o. O basilar não é como ele seja, ou as poucas certezas de felicidade, mas sim a evolução que se sente com ele, a magia que injecta nas veias, os orgasmos que traz, a soberania que incute no ser humano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Amor não é uma frustração. Sexo é para ser sexo; melhor ou pior com o amor. Constrangimento ou fracasso eterno não é amor. Todavia, faz parte aquilo que se deseje, mereça. Misturas para maiores e melhores goles. Com mais ou menos lucidez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Amor é amor, não deve ter sinónimos, deve ter estados, cores e canalizações inerentes. Não se trata de encontrá-lo, trata-se do instinto à ternura e à luxúria, projectado, a construi-lo e a sê-lo, num ou em vários corpos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Ele vive e o sexo vive. A manipulação vive e o encanto vive.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Deixar agora tudo dentro de cada um, para ser oferecido, com uso, com abuso e com respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Nesta existência é muito e até demasiado aquilo que temos para dizer e fazer a outros indivíduos. Por isso, escrever um livro e criar seria um ganho. Colocar em papéis organizados tudo e tudo o mais que se sente, pensa, faz, pretende, deseja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Assentar arquivos pessoais organizados seria um baú de realidades, em que se aprendia e se voltava a aprender para ensinar, certamente, sucessivamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Nacionalmente, um comboio apita e apita, pelas linhas-férreas como um louco e como um chato e como um conformista e como um apontador sem mãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Leva orquídeas nas carruagens. As orquídeas que indicam e mostram a sensualidade e a fragilidade das naturezas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Os passageiros ganham flores. As ruins são para os habitantes da hipocrisia e da estupidez com os seus corpos feios, ridículos. Orquídeas ruins, que assobiam nas camisas das criaturas que nada percebem, mas que até vão ouvindo. Ouvindo, melhor ou pior...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Majestoso, o Sangue vermelho como a sua carne, como a sua via, desce, sobe, espalha-se digna e insaciavelmente. E como mordidelas noutros sangues, este Sangue avoluma-se de imagens de prazer, palavras de espadas e aprendizagem. E as portadas do seu triunfo apertado recebem as evoluções. O alimento que ingeriu, que ingerirá…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-2359995400888161414?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/2359995400888161414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=2359995400888161414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2359995400888161414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2359995400888161414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/08/alimentando-o-sangue-iv.html' title='Alimentando o Sangue - IV'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-2871115883756464726</id><published>2008-08-27T16:29:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T16:51:31.864-07:00</updated><title type='text'>Alimentando o Sangue - III</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Um receituário&lt;br /&gt; &lt;!--[if !supportLineBreakNewLine]--&gt;&lt;br /&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Cultura;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt; Faz chama, faz agitar os órgãos, faz o progresso de um veículo orgânico. A cultura engrandece o Ego. Todavia, o comum, o espelho fútil omnipotente, aos pobres Egos que por aí existem.&lt;br /&gt;Horríveis. Doentios. Inexistentes, fotocopiados nos regos, abjectos…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;O mundo muda e as pessoas mudam com ele e ele muda com as pessoas. &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;As mudanças naturais do mundo são francas, mas as pessoas mudam francamente mal ou talvez,&lt;br /&gt;simplesmente, nunca mudam, nunca evoluem, mantêm a estupidez e a falha de inteligência;&lt;br /&gt;alteram-se abundantemente para a mediocridade psicológica. Alteram-se não, vinculam mais a sua&lt;br /&gt;constante. Aonde anda a forte natureza? Foi passear o cão ou vagueia com a insistência de ser&lt;br /&gt;ignorada?&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;A cultura de hoje é de seringada hospitalar, daquelas dolorosas. É administrada a custo, no fim até&lt;br /&gt;parece bem, mas estoicamente não se deseja repetir tão cedo, muitíssimo pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Mergulhando na facção das cerebrais minas de muitos seres festeja-se o palavreado sobre os gostos &lt;i&gt;&lt;br /&gt;out-fashion&lt;/i&gt;, metodologias de embate não tão sublinhadas, menos tecnológicas. O magnífico detalhe&lt;br /&gt;da escrita com a caneta definhou, praticamente. Embate, aqui como, na presença, na convivência,&lt;br /&gt;na amostra, na partilha, na transformação realmente vivida:&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;“Ui, vais à livraria comprar blocos de folhas para escrever cartas? Ainda fazes isso? É uma tarefa&lt;br /&gt;em desuso, em discordância com o sistema que a malta gosta! Ninguém liga a isso, pá. Que&lt;br /&gt;trabalhão e perda de tempo”.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Perda de tempo? O que há a dizer dos interesses das massas? Chacina do Ego, conformidade&lt;br /&gt;obsoleta, enterro de ambições e conquistas não uniformes.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;"Time is no important, only life matters"&lt;/span&gt;. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;E depois, aqui, o excepcional gozo de escrever e de travar correspondências pelo correio. É algo&lt;br /&gt;pouco utilizado pelas faixas etárias que mais se empolgam pelas descobertas e relações entre si e é&lt;br /&gt;algo que acomoda muita História, muito encanto; ler textos produzidos com a escrita da caneta é&lt;br /&gt;algo pouco contemplado, decerto, nestes tempos!&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Vejo tudo isto… sendo um floco para com uma melhor aptidão cultural, forma de crescimento e&lt;br /&gt;acendimento da personalidade diferenciados.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Com o que se escreve nestes dias? Teclas. Abreviações e estrangeirismos desastrosos, membranas&lt;br /&gt;dos parvos e oculares do fingimento. Manhosos? Uma ova! Certas máquinas têm as suas e umas&lt;br /&gt;pancadas de rigidez resolvem.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Enfarinhando a separação à glória cultural até os teclados informáticos poderão vir a ser alvos de&lt;br /&gt;uma mudança engraçada. Imaginar que após encurtar-se verdadeiramente o alfabeto, para que serve&lt;br /&gt;um teclado com tantas teclas? Sim, porque se trata aqui de servir ou não servir a intelectualidade de&lt;br /&gt;tais indivíduos, utilidades de colagem (!). Bastaria para aí três ou quatro teclas. Basicamente seria;&lt;br /&gt;fariam as palavras que chegassem. Sem muito trabalho, sem muita preocupação. “Cultura? Não!”&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Interessantes para a Sociedade, a Literatura, as Artes, a Arquitectura, a História, não o são!&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Ponto crucial no ventre dos gostos de pilha – “os telemóveis, sim” –, dizem imensos indivíduos que&lt;br /&gt;estes são a essência cultural, a modernidade, o avanço rijo, vida, outro mundo, o fundamental!&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Discursos das normas destes intelectuais; estereótipos delirantemente ocos: “Quem, o quê, mas tu&lt;br /&gt;não compras um 3G nem sequer um a cores? Assim não vais longe, não”.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;E vive-se sobre uns lençóis rotos de uma acreditada intelectualidade de telemóvel e de chat, sem&lt;br /&gt;menosprezar estes serviços, mas sim o exagerado consumo que se faz a eles, e são entendidos como&lt;br /&gt;uma colherada de vitaminas, quase tanto mais ou menos, filosóficas!&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Simplifica-se, mas de forma errada. E o complicado é que é desagradável, é caro, é nojento?&lt;br /&gt;Pois,mas a evolução é simples? Não.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Não se trata de “rapidinhas”!&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;No Satanismo, a evolução do Satanista é maximizada pela troca de opiniões, ideias, pontos de&lt;br /&gt;vista, experiências.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Uma das boas actividades a que eu regularmente me entrego é à de confraternizar com &lt;i&gt;like-minded&lt;br /&gt;individuals&lt;/i&gt;. Na constante evolução ao longo vida, a troca de ideias, de experiências é um elemento&lt;br /&gt;muito presente e especial. É marcante conversar, partilhar e ouvir consciências para o&lt;br /&gt;melhoramento do nosso trilho.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;São formas próprias de estar, mudar e viver, que uns acatam e escolhem, outros não.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Para alguém inteligente a confrontação de novas perspectivas, inexistentes no seu trajo é deveras&lt;br /&gt;essencial para uma compreensão parcial/total de questão, na postura, na decisão e na caminhada,&lt;br /&gt;sucessivamente, a roçar no nosso desejado vastíssimo, no mundo.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Muitos indivíduos que insistem em não melhor a sua visão, compreensivelmente ou não, fazem-no&lt;br /&gt;por alguma natureza; umas a meu ver serão as da pouco inteligência, da pouca ambição e do receio&lt;br /&gt;da exposição de um Ego oco!&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Poderei ter razão… uns influenciam-se eternamente, outros momentaneamente, outros melhoram-se&lt;br /&gt;construtivamente pelos próprios pés, mãos, olhos e neurónios, outros decadentemente.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Creio como muitos seres, que todos chegaríamos a pontos mais longínquos se dispuséssemo-nos à&lt;br /&gt;ampliação de nós mesmos, partilha de/em diversos conteúdos, teses e filosofias, mas há quem não&lt;br /&gt;consiga, não procure ou não conheça.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Passa tudo pelo Ego, pela descoberta, pela força.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;i&gt;Almost… the same, but still this is… totally primordial!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;No Satanismo, a exaltação do "Eu", a aprendizagem e o ensinamento não hão mediante sendas&lt;br /&gt;iguais, sem vigor, nem tão pouco escritos. Hão mediante cada Satanista que se exalta da forma que&lt;br /&gt;lhe é natural, modelando – até criando – os conceitos que lhe são semelhantes, mas nunca iguais.&lt;br /&gt;Evolução constante, descoberta, excitação e atiço à inteligência. Formam-se as culturas, as&lt;br /&gt;sabedorias, os caminhos de vida, as acções, os resultados, ganhos e perdas, a vontade própria e a&lt;br /&gt;sua colossal teia.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Uns grandes cancros da sociedade actual são a proliferação da informação, a televisão e todos os&lt;br /&gt;seus métodos, contra-métodos e natureza. Estes cancros controlam a mente humana nos dias de&lt;br /&gt;hoje.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;A facilidade de encosto à televisão e ao seu hipnotismo que dispersam a energia para a procura e a&lt;br /&gt;actuação longe e longas…&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Acarreta dizer a forma estúpida, involuntária e consumista com que esta usurpa a essência da&lt;br /&gt;verdadeira e vetusta cultura. Deste modo, inutiliza a capacidade dos indivíduos em se instruírem&lt;br /&gt;noutras áreas de interesses, consciências e temas. É um vício que mastiga sempre o mesmo material,&lt;br /&gt;domina com constantes preliminares a mente humana, vai, mas não chega, trata e retrata a informação de forma agitadora, não muito credível e apreensiva. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;Um algo a criar agora seria uma espécie de imposto, cobrança… da amplitude de estupidez.&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Graciosamente belo ver a fortuna que cada indivíduo chegaria a pagar por ser estúpido!&lt;br /&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;Um premente imposto a ser criado e/ou subir uma taxa de inflação seria o/ao IAE (Imposto sobre a&lt;br /&gt;Amplitude de Estupidez).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.45pt; line-height: 150%;font-family:courier new;" &gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Era um receituário cultural. E a farmácia já está em hora de encerramento…&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-2871115883756464726?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/2871115883756464726/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=2871115883756464726' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2871115883756464726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/2871115883756464726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/08/alimentando-o-sangue-iii.html' title='Alimentando o Sangue - III'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-5109011331178521350</id><published>2008-05-17T18:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-13T12:33:14.491-07:00</updated><title type='text'>My Book</title><content type='html'>Eu, na sede de sangue...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;My first book was released... &lt;br /&gt;A book of thoughts, love, sex, hate, pain, other sensations, experiences and deep, abstract life views. Adquire it - , if you have enough mysterious in a bloody bag...&lt;br /&gt;On: &lt;a href="http://www.apsatanismo.org/shop"&gt;[link]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And the life will be always an epic pleasure...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-5109011331178521350?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/5109011331178521350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=5109011331178521350' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/5109011331178521350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/5109011331178521350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/05/eu-na-sede-de-sangue.html' title='My Book'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-374877096323530612</id><published>2008-02-28T14:01:00.000-08:00</published><updated>2008-08-27T16:18:06.350-07:00</updated><title type='text'>Alimentando o Sangue - II</title><content type='html'>(Sem) Figuras e estilo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transmitem-se tantos olhares ao longo da rua, olhares de cinismo já num estado de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quasi-orgasmo. Cinismo seria um fio condutor para o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeios de estilos inflamados nas influências. São influenciados sobre as coseduras de tendências&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou decalques… Dissolvem-se identidades e pintam-se paridades, sem recompensa do ponto de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vista personalizado. Deuses dos padrões, testemunhos ou correntes de personalidade imprópria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonecos de plasticina, vegetais de acostumada fomentação alheia… existem e sempre existirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminham na Terra muitos indivíduos esquecidos da habilidade de um raciocínio próprio, isso é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais que certo. Brinca-se em demasia aos metediços narizes na vida alheia. Uns, a quem chamo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;juízes fora de um tribunal restrito opinando sem regras, sem medida ou cordão acertado, sobre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os objectivos, as condutas, as estéticas, as vivências, as caracterizações filosóficas, as formas de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vida… estupidez de um mercado negro à distribuição nos nascimentos por aqui e por ali. Alô,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tolos criados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acenos, acenos e mais acenos de um fingir cúmplice de derrota individual. Procuram-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conformidades ágeis noutros seres dissimulados? É ser-se parasita ignorante, quando se procura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;carisma idêntico numa criatura idêntica, quando a única coisa idêntica entre elas é a inexistência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de carisma, de alguma coisa lucidamente obreira, em todos os pontos cardiais. A figuração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estilisticamente presente que é uma devoção nestas ruas e até nas camas. Metáforas, hipérboles,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toma-se banho nelas. Que se dá e se tem prazer. Continua-se sem se gostar. Finge-se que se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe sem saber o que o outro sabe, sem querer dizer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campos de trigo igual, semeadas e colheitas pescadas a alguém e no final o crescimento é nulo, é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;zero, é como tem de ser; pertencente a quem pertence, a quem faz por algo. Não crescem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eucaliptos no deserto nem um arquitecto vai ganhar pelas suas funções o prémio Nobel da&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura. Impossibilidades cépticas, porquê não aplicar as impossibilidades de figuração a quem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; é hipotético e exemplar vegetal? Possivelmente, a figuração é para quem a mente de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria agnóstico uma banana crescer num castanheiro? Relativo. Ganhar prémios, certamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desligados das áreas de intervenção? Relativo. Fingir, propor e conquistar vitórias sem conhecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os dados do jogo? Não é relativo. Nem sequer lida com esse teor. Não se duvida, nem se crê no&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cepticismo além responsabilidades, finge-se, descaradamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá à frente uma guilhotina tira a dissimulação, tira a cabeça. Carne depois para minhocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a “pressão da minhoca”. Faz-se sem nexo à espera que algo entre ou que algo saia. Não há&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;genuinidade nem defesa do visceral. Venha daí a máscara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retórica mais explorada que a capacidade executora. Paradoxos nas intenções, habilidades,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bitolas, rituais e actuações dos que acenam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A repetição dos conteúdos personalizados nas informações desinformadas, abraçadas sem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;questão interna, não é uma camada basilar. Os resultados fedem ao mesmo estrume dos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passados conteúdos. Abarca o veículo, a vegetação seca de tantas razões representadas, sem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acréscimos, sem existências, sem imobilizações corpóreas, incorpóreas, sem matérias para o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;património do Ego. Leva-se ao estancamento, aborrecimento e ao empurrão sob a inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos aqui a despreocupação absurda, a ilusão e a linearidade dos conhecimentos, sempre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;presentes nos irritantes cínicos da “minhoca”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a etiqueta até calha bem, sempre bem e quando influi, quando se é de atitude que a suporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguir num barco por ver, apenas por ver, que pelo rio correm outros seres em barcos é idiotice,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é vil mascote. Nestes rios, nestas florestas de passividades cheira-se a fingido, a estupidez, a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;carga de evolução para dentro que os narizes absorvem como as abelhas fazem nas flores. E a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diferença reside na amargura e na doçura dos casos. Ser-se manhoso, mafioso, arrogante e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;culturalmente enterrado… muitos os narizes que se observam assim, observam-se? Eu dou-lhes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o manhoso. Uns martelos pela cabeça abaixo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem vem pelo rio acima, na contra-maré, na oposição? Os rebuscados, os apartados, os&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;anormais, os desconformes? Chamam-lhes curiosidades, atrocidades de véu no rosto, véu preto e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bem escuro como uma noite de cemitério. Será decerto alguém, alguém de ideias naturais que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se faz nem existe só pelo e no caso de haver rios. Gente interessante de machados e lâminas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;prontas a decepar o dogmático quotidiano, o tempo que estaciona na valeta, as bestas do mundo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o marasmo espiritual, a mecanização do remedeio, a decomposição cultural…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Satanistas, mágicos de forças, nativos de elementos predatórios, exaltados de Ego, lutadores das&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vontades próprias, necessidades, prazeres e individualistas de indagação total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pecados capitais, blasfémias e divindades eróticas… seres respondem aqui o que lhe importam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conceber. Mas são incríveis os impulsos e os espasmos de satisfação que estes provocam. Pecar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;blasfemar, fantasiar perversamente divindades na sua pureza de erotismo é um êxtase pela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oposição feita e pela naturalidade de atitudes e acções. Preferências e escolhas de brincadeiras,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tomadas e cortesias, lá está. Sem ironias, é mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se traçam objectivos segue-se até eles, mais tarde ou mais cedo abraçam-se. Quando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se traça objectivos também se segue, vai-se seguindo e a história é uma pornografia de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;velhas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-374877096323530612?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/374877096323530612/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=374877096323530612' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/374877096323530612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/374877096323530612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/02/alimentando-o-sangue-ii.html' title='Alimentando o Sangue - II'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-6084258583352313414</id><published>2008-02-27T14:50:00.000-08:00</published><updated>2008-08-27T16:16:30.325-07:00</updated><title type='text'>Alimentando o Sangue</title><content type='html'>"Descontrolado, o Sangue vermelho como a sua carne, como a sua via, desce, sobe, espalha-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;incansável e insaciavelmente. E como mordidelas noutros sangues, este Sangue alimenta-se de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;novas imagens de prazer e aprendizagem. E as portadas do seu triunfo apertado abrem-se ao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabor das palavras. O alimento que agora ingere…"                                                                                                                                                                  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fingir no prato da sopa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitar, canalizar, as emoções, tanto as positivas como as negativas é o poder!Já disse isto e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;volto a dizê-lo, pois é-me essencial sentir, existir, ser mais; e o acanhamento e a soneira de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;posturas enervam-me como agulhas nos testículos.A Natureza deu-nos as naturais expressões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O instinto e a naturalidade são virtudes do Homem, que muitos teimam em não projectar, pintar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na própria pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infinda a contagem e infindas as emoções que existem na cósmica alcofa de substâncias e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estrelas, e tantos são os fingimentos prestados como operações de rotina para cada emoção. Em&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mim é colosso humano o facto de pretender a intensidade em tudo. A INTENSIDADE! Não existe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só em palavra dita ou escrita, existe em trepidação, experiência real a nível do todo e sentido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;constatado propulsor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é uma coisa, está-se com esta, demonstra-se em caso de. Se é outra coisa, está-se com essa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;demonstra-se em caso de.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sensações são faúlhas. Aparecem. Desaparecem.Faúlhas mortais emergem para o absurdo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;privilégio do amanhecer, mas nunca se opta para que emanem magia, beldade ou sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas saudade, melancolia, tristeza…Prevalecem nos amenos devaneios e nos escaldantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;convívios.As sensações asseguram a força, a coragem e a auto-estima, pois semeiam num lago de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;virtudes o despertar da miscelânea para a sabedoria absoluta, o conhecimento extremo, a utopia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dramática em mares grotescos e fatídicos, nos quais elas brotam a essência de uma penumbra de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;união tétrica, tenebrosa e temerosa entre espectros mórbidos; sacerdotes sarcásticos; cultos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;misteriosos de romantismo gótico e rituais vampíricos de sangue e energia vital. E as lápides, ui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invocatórias de risos e lamúrias fúteis abraçando círculos de preponderâncias fugazes… as&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faúlhas ambíguas! Caricato e abstracto, louco até, mas as metodologias de disfarce emocional não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passam propriamente por um pragmatismo puro. Um puro recreio de marés-cheias em colapsos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;naturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fingir no prato da sopa!A sua superfície limitada ainda acolhe uma veracidade e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;espalhamento inerte, quer sejam lágrimas, cascas ou urinas sujas de sorrisos, quer sejam choros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alento que desunha de qualquer tom vivido é um moinho que já nem chega a activar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depaupera-se à chegada dos ventos que se tropeçam… A marcha fúnebre mesmo antes da activa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fecundação! Serve para muitos casos, a frase, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar uma vociferada utilidade à própria pessoa é pompear uma culinária frenética, mas cada vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais trocada, senão veja-se nas barrigas de tais burlescos organismos. São os caroços da sopa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;areias aturdidas num pó afogueado de tarar e fingir o sabor deglutido da carne como sardinha e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do peixe como vitela, ao longo dos dias, com insonsas expressões faciais nas fissuras de cada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sensibilidade mal estacionada, em algures.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem sádicas e doces pessoas com bastões de cristais ardidos em calada custódia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entender esta incapacidade ou o não procedimento de apontar o frio no frio e o calor no calor é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tento chato. Aborrece muitíssimo a tonalidade de quem não aproveita o momento, de quem não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assume a fonte da ocasião, de quem não responde o grito da alma… são óculos de sol!Tapam os&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olhos, tapam a aurora genuína, tapam demasiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Croquetes de telha e bagaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-6084258583352313414?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/6084258583352313414/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=6084258583352313414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6084258583352313414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/6084258583352313414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/02/alimentando-o-sangue.html' title='Alimentando o Sangue'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7192462803443272823.post-7711129541242137707</id><published>2008-02-22T15:08:00.000-08:00</published><updated>2009-03-13T12:31:18.385-07:00</updated><title type='text'>Eviscerar Mistérios</title><content type='html'>Eviscerar Mistérios. Um todo de devaneios, romances, pensamentos e&lt;br /&gt;erotismos, que pretendo editar como livro, em breve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresento uma passagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorris. Choras. E, dolorosamente, desapareces do meu olhar, depois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de te tocar e de te beijar. Procuro o teu cheiro, voluptuosamente! A&lt;br /&gt;minha sede de sedução aumenta, quando em ti surge provocação e é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;doloroso penetrar na penumbra, neste momento em que, aqui, comigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não estás. Na minha alma crescem, vociferadas, cicatrizes de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;melancolia, as quais com a tua possessão esmorecerão e, finalmente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a união da nossa crua volúpia, fugazmente, se estenderá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7192462803443272823-7711129541242137707?l=gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/feeds/7711129541242137707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7192462803443272823&amp;postID=7711129541242137707' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/7711129541242137707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7192462803443272823/posts/default/7711129541242137707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gotasliricamentecoaguladas.blogspot.com/2008/02/eviscerar-mistrios.html' title='Eviscerar Mistérios'/><author><name>Mosath</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02633985761301509334</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='10565240686579746523'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry></feed>