quarta-feira, 15 de abril de 2015

Reacção a Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio




É com contentamento que aqui publico as palavras da autora e minha amiga Luísa Fresta, no que à leitura do meu último livro, Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio, diz respeito.


“Tomei o pulso ao teu livro, lendo algumas passagens, um bocadinho de várias narrativas (hesito em classificá-las como contos, crónicas ou apontamentos de «viagem», excertos de um hipotético diário, porque creio que é um género híbrido). Por outro lado, alguma coisa me diz que não buscas classificações, antes procurar afirmar-te como és e como escreves, o que, não sendo o mesmo, conduz ao mesmo destino. Gostei particularmente do texto «O Café», até pela maneira como, deliberadamente ou não, decidiste dar voz a uma personagem feminina na primeira pessoa. É um jogo intrigante e estimulante, esse de distanciar o autor do narrador e de conseguir contar algo que não te é próximo por natureza. Revela que consegues sentir empatia pelos outros, assumir comportamentos e maneiras de sentir que não são teus intrinsecamente, e acho que esse é um passo importante para um autor. A tua linguagem é forte, provocadora, abusadora. Rompe tabus, desafia normas, fere e incomoda. Imagino que seja intencional, mais do que espontâneo, uma maneira de dizer que escreves para seres lido, mas sobretudo para que «te oiçam», no registo que escolheste. É uma escolha arriscada, sobretudo num país de forte tradição católica, mas louvo-te a coragem e o à-vontade.

Quanto ao conteúdo parece-me interessante a maneira como te relacionas com sensações primárias, comida, bebida, sexo, sem eufemismos nem distanciamentos. A tua escrita remete para impressões reais, palpáveis, animais. É talvez a sua maior força e também o seu maior perigo. Mas esta é apenas uma opinião superficial de uma «colega» das palavras.”

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