sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Crónicas que esqueci

Ela adormeceu, quente e calma, e enquanto se encolhia para o lado direito o seu ser planeava sonhar com ele.
Sonha comigo, disse ele. Faremos brincadeiras e rir-nos-emos, enquanto não fizermos amor.
E assim sonhou toda a noite, até bem perto das nove da manhã. E ela achou tudo maravilhoso, ainda ele dormia de sorriso abertamente triunfante…
O dia começou muito lentamente. Interrogava-se acerca do que tem andado a sentir. Será pura empatia, será uma engraçada atracção, será uma simples curiosidade ou será mais do que isso, mas que não pretenderá sentir ou mostrar?
Tem afazeres, mas preferia vê-lo por um minuto que fosse, para ter a ajuda dele, encarando docemente os seus olhos.
Custa um bocado não revelar a ânsia do sentimento, a intensidade que provocaria uma tempestade de afectos e loucuras. Poderá ser o facto de ter recusado inicialmente a aventura, que faça com que agora ela seja ela apocrifamente? Decerto que numa das vezes futuras irá ser mais honesta e aí ele irá dissimular respostas, porque isso irá tratar-se de justiça.

Por que é que me olham as pessoas? Ou então olham para a transparência que o meu corpo é, apenas.
Já fora mais confiante, quando a lua se estendia pelo meu negro firmamento. O meu olhar mais poderoso, capaz de inflamar as mentes de quem eu dominava, através de uma voz crua, de quem dominava…

Sono. Bocejo. Cara feia.
Beijo a suavidade das temperaturas dos teus lábios…
A luz acende ideias, as trevas dormem longínquas, os segundos passam apáticos e o dia massaja torpores.
Sono. Bocejo. Cara feia.
Eu estaria melhor com ela, agarrando-a pela cintura, em mimos de se lhe perder a conta. E a vida podia ser luz, treva, dia, noite e doçura…
Sem sono, bocejo nem cara feia.

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