sexta-feira, 18 de outubro de 2013

i

i always get confused
By listening to your words.
i lost my vision
And i faint
From inside...
Everything is too much!

One left hand
Rests
The paper pages,
While the odorous
Voice
Blows into the empty place...
Of the thought.

The left
Hand
Grabs the thought
And shuts it up. i just do not hear you anymore.

Crónicas que esqueci

Ela adormeceu, quente e calma, e enquanto se encolhia para o lado direito o seu ser planeava sonhar com ele.
Sonha comigo, disse ele. Faremos brincadeiras e rir-nos-emos, enquanto não fizermos amor.
E assim sonhou toda a noite, até bem perto das nove da manhã. E ela achou tudo maravilhoso, ainda ele dormia de sorriso abertamente triunfante…
O dia começou muito lentamente. Interrogava-se acerca do que tem andado a sentir. Será pura empatia, será uma engraçada atracção, será uma simples curiosidade ou será mais do que isso, mas que não pretenderá sentir ou mostrar?
Tem afazeres, mas preferia vê-lo por um minuto que fosse, para ter a ajuda dele, encarando docemente os seus olhos.
Custa um bocado não revelar a ânsia do sentimento, a intensidade que provocaria uma tempestade de afectos e loucuras. Poderá ser o facto de ter recusado inicialmente a aventura, que faça com que agora ela seja ela apocrifamente? Decerto que numa das vezes futuras irá ser mais honesta e aí ele irá dissimular respostas, porque isso irá tratar-se de justiça.

Por que é que me olham as pessoas? Ou então olham para a transparência que o meu corpo é, apenas.
Já fora mais confiante, quando a lua se estendia pelo meu negro firmamento. O meu olhar mais poderoso, capaz de inflamar as mentes de quem eu dominava, através de uma voz crua, de quem dominava…

Sono. Bocejo. Cara feia.
Beijo a suavidade das temperaturas dos teus lábios…
A luz acende ideias, as trevas dormem longínquas, os segundos passam apáticos e o dia massaja torpores.
Sono. Bocejo. Cara feia.
Eu estaria melhor com ela, agarrando-a pela cintura, em mimos de se lhe perder a conta. E a vida podia ser luz, treva, dia, noite e doçura…
Sem sono, bocejo nem cara feia.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Alinguagem

Começar,
Fontes nas horas perdidas horas nas fontes;
Horas de fontes perdidas fontes de horas;
Noto tudo neste abismo neste tudo noto.

As Fontes: verdadeiro ou falso;
As Horas: números;
O Abismo: números;
O Abismo = a 0+14.

Começar,
Se as Fontes são > do que verdadeiro então
Começar as Horas = a 7.
Escrever (Fontes (Horas +1)).
Fim,
Fim.

Começar,
Se as Fontes são = a falso então
Começar as Horas = a 0.
Escrever (Fontes (Horas -1)).
Fim,
Fim.

O Espelho: números.

Começar,
Enquanto o Abismo é = a 100 fazer
Começar,
Escrever caminhar +1.
Fim,
Fim.

Começar,
Enquanto o Abismo é = a -1 fazer
Começar,
Escrever amar + sofrer > do que verdadeiro.
Fim,
Fim.

Ler (Fontes);
Escrever (Espelho x ∞).

Fim.


Não entra (n)a cabeça

Estar a dormir é um movimento,
Uma entrada num túnel luzidio,
Estar a dormir é uma conversa,
Uma conversa que se fuma sozinho.

Estar acordado é um barco quieto,
Uma quietude debaixo de pontes,
Estar acordado é uma soma,
Uma soma em que não há copiar.

Estar a sonhar é uma saia ao vento,
Um salto com molas espetadas no nariz,
Estar a sonhar é um poço,
Um poço em que as águas são música.



Iremos ver

Iremos sempre explodir
Uma bomba nuclear
No espaço sideral
Queimará Marte
Iremos ver
Um cogumelo estrelado
Iremos ver o cosmos
Sem qualquer Arte
Vo(lu)mitado

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vi o mar

Vi o mar
No mar
O teu olhar
Numa onda
O teu despertar
E aquele teu límpido
Olhar.

Vi o mar
E vi o sol que queimava,
Pensei em ti a surgir
Da espuma do mar da cor de uma onda,
Pensei em todas as formas de te beijar
E somente uma delas eu quis.

Vi o mar
E quis desmaiar
Na tua boca
Quis afogar-me no mar
E quis o mar afogar.

Contudo, vi as ondas da paixão
E vi o mar que nos sacode.
A movimentação.

Vi o mar
E numa onda toquei,
Uma onda que vinha camuflada
Sugou a minha energia
E vieste a correr,
Caíste eu caí,
O mar avançou.

Vi o teu olhar
Numa outra onda
E a minha energia tornada sal…

Foi ontem que esqueci
O mal,
Foi ontem que vi
Que eras a tal,
Sinónimos de ti
Mal tal,
Tal mal.

Vi o mar
E vi que eras tu
Quem sempre via
Comigo as mesmas ondas
E aquela tua falta de voz
E coragem…

Vi o mar.
Presente.
Tu.
Ausente.
Tu.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Livro As Estátuas



Viva!

É com alegria que apresento o meu novo livro!
Trata-se de um pequeno livro de poesia que reúne 30 singelos poemas. Após participação num concurso literário promovido pela "Poesia fã clube", surgiu o convite à publicação.

E aqui está ela!
Muito obrigado pela atenção e siga em frente, passo a passo!

http://poesiafaclube.com/node/1289

No dia 22, do presente mês, irei apresentar o meu segundo livro – “As Estátuas” (“Poesia fã Clube”, 2013) – na Biblioteca Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão, pelas 18h.

Este pequeno livro é constituído por 30 poemas, cujas temáticas assentam na Vida, na contemplação do mundo e das ideias que o movem, na Individualidade, no prazer e na perda pessoais, aliadas a um humor e a uma sinceridade muito próprias de um autor desassossegado. 

A apresentação pública deste livro ficará a meu cargo, acompanhado pela Sabedoria do poeta famalicense Luís Serguilha.

Interessados por poesia, por livros ou por simplesmente uns minutos de criatividade, apareçam! Com todo o gosto…

Mosath

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Crítica ao livro "Nymphea"



Conheci a Luísa D. Raposo, através do seu blogspot.
A escrita erótica, provocante, descritiva, espessa e burlesca que possui agradou-me deveras, visto que funcionou como que uma pedra que abalou o lago desta normalidade geral do panorama literário nacional.
Escrever erotismo não é simples, corta bastante as mãos e, quando escrito por uma mulher, ainda mais injusto se adivinhará. Tudo isto, aliado às belíssimas escolhas de vocábulos, às combinações de ideias e a fetiches e paisagens literárias íntimas, deixou-me interessadíssimo pela escrita da autora Luísa D. Raposo. O sexo e o erotismo devem ser criados com energia grossa e pujante sob talento e vontade, logo é com naturalidade e sem fricções morais que escrevo que nos faz falta uma voz destas na Literatura!

O livro “Nymphea” é um conjunto de textos eróticos, sensuais, cristalizados em imagens carnais, em emoções intensas e que me envolveram numa massa excitante. O seu registo é poético, um ritmo que me deu a sentir peculiaridades e desejos e riquezas sexuais da autora num trago poético de liberdade, qual voz erótica divina e em êxtase, de ponto a ponto. 

Os textos são curtos, pelo que a leitura é rápida, embaladora e funciona como que uma semente que se nos entranha na mente, alastrando ao corpo uma vibração luxuriosa. Como os textos são curtos, podemos reler um deles antes de avançar para outro texto, a fim de sentir, qual prisma diferente de um mesmo objecto, a qualidade das palavras, a bela utilização de figuras estilísticas, o jogo de nomes e verbos e artigos, tudo misturado, a ser uma segunda leitura mais cativante, onde descobrimos detalhes novos e onde a minha mente se lançou a pensamentos tão bonitos quanto carnais.

A linguagem é cuidada, se bem que penso que sai instintivamente da caneta da autora. Como a temática principal é o erotismo, o corpo é o alvo deste género de escrita e fica perfeitamente retratado, teatralizado e homenageado. 
”Nymphea” trata-se de um conjunto de textos que incidem sobre o erotismo, o sexo, as fantasias, o desejo, a extrapolação, o orgasmo; vectores que permitem ao Homem crescer e cultivar as Suas realidades. O sexo, o orgasmo, as descrições genitais e as interjeições são as personagens principais deste livro, porém, são a vontade de conquistar o amor, a alegria de viver e a defesa dos laços emocionais e básicos os lares dessas mesmas personagens.

Luísa D. Raposo possui um talento enorme na escrita erótica e este é um bom livro para conhecê-la, porque contém toda a mestria e elegância das palavras e imagens que a autora tinha vindo a apresentar antes do mesmo.
”Nymphea” alude às Ninfas, às Belezas, à Mulher, à União sexual e, por conseguinte, ao pleno abraço dos sentimentos e prazeres. Ser desejoso de sexo e de prazer é tão natural como as temperaturas que sobem quando nos acercamos de quem respeitamos e de quem gostamos, já que é uma materialização de pensamentos em realidade, através dos sentidos.

Este livro é belo para quem aprecia o género literário em questão e é marcante para todos os outros seres. Não se arrependerá, o leitor, ao folhear esta obra do erotismo português, porque entenderá que a autora pinta a Vida como uma ninfomaníaca, uma Deusa, à qual prestamos as nossas carícias e malícias, em linguagem cuidada, activa, intensa e orgásmica e sorrirá com júbilo e entenderá a Liberdade da Vida. A “Liberdade-Vida”! A Mulher é a Ninfa da Palavra do mundo.

Para terminar, uma pequeníssima alusão a erros de edição, possivelmente de uma má revisão, mas que não são suficientemente importantes para quebrar a alma do livro ou o desígnio da Luísa D. Raposo: a sensualidade das palavras no erótico da leitura.

Descubram o livro, a autora e todos os seus textos! É uma sugestão de prazer.