terça-feira, 8 de março de 2011

"Red Nights" no Fantasporto 2011




Dirigi-me ao Fantasporto 2011 e optei pela visualização do filme “Red Nights”.

O filme de parceria entre França e Hong-Kong conta com a actuação e regresso da actriz conceituada Carrie Ng, e arranca com o encontro entre Carrie e uma jovem numa esplanada. Desde logo, somos presenteados com a magnífica postura de Carrie Ng, que enche o ecrã e nos delicia com um método de sedução bastante peculiar. Num filme em que as constantes da boémia, como o tabaco e álcool, fazem parelha com diálogos curtos e sedutores, deparamo-nos com o gosto pelo fetichismo e a passagem do prazer pela dor infligida nas presas de Carrie. À capacidade nata de matar, só lhe falta adicionar um elemento supremo, uma relíquia do tempo do primeiro imperador chinês, a qual envolve o poder de matar rapidamente mas igualmente de imobilizar o corpo num derradeiro nível de sensibilidade, o auge para além das fronteiras do prazer tântrico.

Uma personagem procurada pela Interpol tenta vender o tal tesouro ancestral pelo melhor preço a uma correspondente, mas logo se apercebe da ausência de facilidades e a conspiração e o risco incalculáveis adensam-se, à medida que Carrie fica mais próxima da equação de dor/prazer da relíquia maldita e, simultaneamente, teatral.

Uma película ousada, fetichista e sombria q.b., que ganha pela magnânime, diria, interpretação de Carrie Ng, mas que perde por uma história com instantes desconfortáveis da sua própria lógica e mecânicas baralhadas. Ainda assim, é um filme agradável de ver e sentir, pois provoca um rasgo de sentimento agitador e que tem hipótese de êxito no seu género de pulp-thriller, não obstante, ter sido importante no certame deste ano do festival, através da sua ligação directa ao pânico daqueles que se tornam submissos.