quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Silenciosamente em pecado

Era época de Natal. O João conheceu a Daniela, naquele Sábado à tarde.
Chovia desalmadamente sobre as lojas enfeitadas de espírito natalício, quando o João, autêntico desastrado, pisou a Daniela à saída do shopping da Baixa. Olhares amistosos entre risos naturais. O João desculpou-se e a Daniela disse, amavelmente, que o desculparia só na condição de ele tentar manter o seu olhar afastado das suas nádegas. O João tentou concordar e desafiou-a a um café. A Daniela precisava de comprar umas botas para oferecer, mas diante de tal convite, o café bom e saboroso, precisou de relegar a compra para segundo plano. Ou terceiro.

Encaminharam-se para um café próximo, evitando ao máximo a chuva e, quando estavam na entrada, o João permitiu-se a abrir a porta para a Daniela, apoiando no fundo das costas dela, a sua mão direita, num gesto suave e terno, e, enquanto a Daniela sorria agradada, o João contemplava com olhares de fogo aquelas voluptuosas nádegas. E, sem surpresa, pisou novamente a Daniela.

O ambiente dentro do café era ameno e as vozes dos clientes misturavam-se sob e sobre as mesas que nem grãos inocentes de açúcar em café. Ambos se sentaram ao mesmo tempo, solicitando cafés ao simpatiquíssimo empregado romeno. O João fazia perguntas à Daniela, umas mais abstractas, outras mais pessoais. Bebia o seu café, enquanto ouvia o que a Daniela ia dizendo. O João era um excelente ouvinte, seria a sua qualidade mais feminina, e a Daniela parecia adorar isso, revelando impulsivamente, em determinadas respostas, mais do que seria sensato revelar na altura.

Quando a Daniela termina o seu quente café, limpando sensualmente os cantos dos lábios, pergunta ao João qual é a parte física que ele mais gosta nela e, subsequentemente, quais os seus limites face a prováveis pedidos dela acerca dessa mesma parte. Infantil e obviamente, o João respondeu que se tratava das nádegas. A Daniela pergunta se ele está então à altura de ir para casa dela e penetrá-la por horas, penetrar aquele ânus. Não encontrava muitos homens dispostos a essa prática impudica, pelo que quando reparou na intensidade do olhar do João, decidiu aproveitar a dádiva do acaso, arriscar. A Daniela sentia uma necessidade tremenda há já alguns meses e o João parecia ser a peça fundamental…

Chegaram a casa da Daniela em pouco tempo. O quarto era bonito, decorado com aqueles objectos asiáticos que andam em voga e possuía no centro uma cama ao estilo da antiga realeza. Silêncios, odores cativantes e paladar a café.

Despiram-se em carícias tímidas, permitindo a que se habituassem à atitude e ao corpo um do outro. Eram amantes tolerantes, sossegados, logo fruíam com espontaneidade cada elemento erótico e carinhoso. A Daniela virou-se de costas para o João, garantindo aos olhos fogosos do João uma vista maravilhosa do objecto de culto daquela tarde. O ânus, protagonista e deus principal. Ou demónio. Os lábios do jovem colaram-se ao fundo das costas dela, largando beijos melosos. Dali, desceram e foram beijar as nádegas ardentes e voluptuosas da Daniela. Quando a língua do João decidira surgir no encanto daquele momento, a temperatura no quarto aumentou, cores selváticas apareceram nas paredes, e a língua delirante lambeu todo o interior das nádegas, sexo e ânus. Em círculos quase humorísticos, estimulou o buraco anal da Daniela, humedecendo, aquecendo, idolatrando. A Daniela transpirava e da sua boca saíam gemidos musicais, pecados e mel.

A Daniela virou-se para a beleza frontal do João, acariciando o seu rosto activo e, de seguida, entregou-se em pedidos. Pediu-lhe para que agarrasse nos seus seios e lhe preenchesse o rosto com ósculos, o qual implorava pelo gosto dele. Já se afirmava delirante ao sentir aquela boca que lhe lambia o corpo. A Daniela exige para que penetre o seu corpo… com dor. Levianos movimentos transferem para sensações de maravilha onde fica fresca, firme e feroz, enquanto os dois corpos vibram. João, agarra em mim e abraça o meu físico, enquanto penetras profundamente, silenciosamente. E, em tom de veemente ternura, uma fome alegre a arder por dentro e a sentir por fora.
Por fim, assim, o João entrou no ânus daquela jovem. Enfiou o seu sexo duro e grande no orifício anal, açucarado e quente, enfiou-o em silêncio, a Daniela em silêncio, o pénis inteiramente refugiado no ânus. Silencioso pecado. Os dois amantes observavam e escutavam o seu deleite. Os movimentos suaves, delirantes, viciantes e divertidos…

O João era um desastrado, todos o sabiam, era-o, sim, menos ali, onde sodomizava a Daniela. Era bom a enfiar-se nos ânus. As mãos do João acariciavam a pele da Daniela, agarravam as coxas e embalavam o ritmo da penetração, da sodomia silenciosa e faustosa daquela tarde chuvosa. Ambos se sentiam maravilhados, ondas de prazer inundavam os corpos, provocando sorrisos pecadores, até que o João não aguentou mais e pediu, em murmúrio, a permissão de ejacular no núcleo malicioso da Daniela. A Daniela revirava os olhos em loucura e realização pessoal, sexual, e depois de morder os seus próprios lábios vermelhos e extasiados pela perfeição do momento, a rica sensação de felicidade, disse inunda-me o rabo com o teu esperma delicioso, une-te a mim através do teu líquido prazer, molha-me com esse teu néctar que nos levará ao nirvana anal.

Gotas de suor escorrem pelas costas do João. Cheiram a luxúria. O peito está vermelho e dorido. O sexo do João, entalado nas paredes do rabo da Daniela, continua a bater no ponto mais cru e hedonista que conheciam. O jovem não se detém mais nenhum segundo e, em silêncio, ejacula no ânus da jovem, a qual sente o líquido a jorrar no seu interior com fugaz intensidade e calor, um calor anormalmente poderoso. Um estrondo sem barulho, com humidade. O João sente-se a sufocar, perante tal descarga de esperma, perante tal sensação de orgasmo, mas é a Daniela quem sente o alto prazer. O seu ânus inundado, inflamado de gozo, preenchido de silêncio, pecado e desvario… e toda a leve dor que a conduzia por um estado de abstracção total de tempo e espaço, a alucinação. Perdia-se num limbo, um limbo de que há muito sentia falta. A Daniela possuía tudo, ali, um pénis duro enfiado no ânus, néctar masculino nas suas fofas entranhas e véus de silêncio apaixonantes sobre e sob o seu corpo.

Na rua chovia com violência, mas era naquele quarto que existia a maior violência, de pecado e silêncio, para gáudio dos amantes que não pararam de se unir durante quatro horas. A chuva, essa, até parou primeiro.

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