sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Lídia

Ali estava eu, mais uma noite, sentado na mesa do canto do bar dela. Lídia. Eu já tinha bebido a minha parte e fumado a parte de alguém, mas sentia-me mais vazio que nunca. Os olhos dela brilhavam sempre que passava a metros de mim, atarefada com a bandeja de copos e pequenas garrafas. Lídia. Eu tinha que tê-la naquela noite, beijar aquelas pernas longas, tocar o peito caprichoso e possuir a beleza cómica da sua boca. Mas como?
Contaram-me que a idade dela era o dobro da minha e que essa característica acarretava o boato de que fodia que nem uma deusa grega sob efeito dionisíaco. Lídia, quarenta primaveras. Levantei-me com o copo vazio. Dei quatro passos em direcção a ela e, quando o seu pequeno pescoço se virava para mim, caí no chão marcado pelos seus saltos afiados.

Acordei num quarto desconhecido. 10h, no relógio.
Pelos vistos, Lídia procurou ajudar-me, levando-me no seu carro em direcção ao hospital central. Porém, no caminho, despertei e pedi-lhe em agonia para não me levar, senão para a casa dela. Na minha casa, eu tinha a minha avó adoentada e jamais quereria que me visse daquela forma. Amigos, estariam por algures, mas decerto recusariam apoiarem-me nos seus ombros... e por que seria?
Acordei sozinho numa cama de casal. De onde parecia ser a cozinha, chegava até mim um fino odor a café, ovos e torradas. Levantei-me, dirigi-me à casa-de-banho em frente e lavei o rosto com água fria. A minha cabeça rodopiava quase sem parar. Teria eu bebido assim tanto para uma ressaca destas e, logicamente, para ter desmaiado abruptamente ontem?
Com dificuldade, caminhei em direcção ao cheiro da cozinha, chocando com uma escultura num dos corredores. O barulho foi grande, mas consegui evitar a queda, ao abraçar a escultura, de modo ridículo mas eficaz. Ao fundo de umas portas, apareceu a Lídia e riu-se. Consegui salvá-la, disse-lhe e, como resposta, recebi um és o meu herói, mas sê-lo-ias mais ainda, se a tivesses partido É do meu ex-marido e nem cinco euros vale. Queres tomar o pequeno-almoço? Quero…
A cozinha era grande e penetrada pela luz do sol. Detesto o sol na ressaca, mas esse sol permitia-me um vislumbre do cu da Lídia, apenas tapado por uma camisa branca e fina. Sentei-me. Obrigado, Lídia. Era um belo cu…
O pequeno-almoço estava uma delícia, disse-me a Lídia, já que eu apenas comi as pernas dela com os olhos, emborcando, em simultâneo, uma garrafa de cerveja. Apesar de não ter provado nada, o simples facto dela ter feito um pequeno-almoço também para mim, fez lembrar-me do que é sentir todo o carinho de uma mulher. Aquele momento fez-me sentir verdadeiramente em casa.
Enquanto a Lídia arrumava a louça, os meus olhos procuravam os movimentos das suas pernas, o meu ser cheirava os seus cabelos ao longe e o meu sexo espetava-se em direcção às curvas da sua cintura. O seu cu aparecia, sempre que se dobrava na banca da cozinha um pouco mais e toda a beleza que eu conhecia até então parecia consumir-se àquele ponto! A zona púbica parecia ter sido pintada por um grande artista, nas suas noites de amor, e o sol iluminava muito mais aquele peito tapado de sorte que eu tinha pela frente…
Ouve, essa coisa que bebes deixa-te atiradiço, não? Não queres pousar a garrafa, descansar um bocado os olhinhos e dar algum trabalho ao que tens aí para me mostrar? Dei-lhe um beijo na orelha. Rapidamente, chegámos à cama. Comecei a tirar a minha roupa e, quando acabei, ela já tinha a dela toda no chão, segundos antes. A pele da Lídia era branca como a neve e doce como açúcar, num corpo atraente e voluptuoso. Dei-lhe um beijo profundo e torto, mas depressa cheguei ao jeito pretendido. A penetração foi simples, firme e esperançosa, sem é que existia semelhante coisa numa cópula sob ressaca. As pernas da Lídia prendiam-me numa espécie de abraço inferior, numa dança sexual parecida ao mundo das cobras e das estrelas que nunca aprendi o nome. Os olhos dela entravam nos meus com um impacto dócil e, ao mesmo tempo, selvagem. Nesta mistura de pormenores, entrei nela umas vinte vezes e vim-me, sem qualquer preocupação em me retirar do seu interior. A Lídia soltou umas gargalhadas. Não te deste mesmo ao trabalho de tirá-la e agora espero não ter que tomar drogas, meu querido. Eu tive pouca esperança no meu desempenho, não quebraria hoje o meu recorde, disse em amável resposta. Anda daí, vamos tomar um duche, ajudas-me a limpar a tua vergonha. E segui-a…
A banheira era enorme e o chuveiro moderno. Começámos a lavar-nos e aí a Lídia contou-me que colocara uma droga inofensiva numa das últimas bebidas que me serviu na última noite. Porquê? Eu tinha reparado no teu interesse por mim, sob essas pestanas grossas, mas também tinha reparado na tua falta de jeito para me abordar. Tantas noites, a mesma coisa. Uma mulher tem que puxar dos seus trunfos, de vez em quando, e não iria pedir-te nada ou conversar para saíres comigo, ali com o meu ex-marido dentro do balcão do bar. Se ao menos te acontecesse alguma coisa menos boa para ir em ter auxílio… e então aquela ideia pareceu-me ter piada. E, agora, lembrando-me da força com que bateste com a cabeça no chão, acho que estava certa! Mas tu ias mesmo levar-me ao hospital? Sobre isso, eu não tinha realmente pensado muito bem no que faria, limitei-me a prosseguir com a minha encenação, mas, felizmente, a coisa deu-se bem e pelo lado da sorte, porque acordaste a meio do caminho e contribuíste para tudo isto.

Ao tempo que eu te queria… eu também, acredita. Teria sido mais fácil se viesses ter comigo ao mercado, onde faço as compras, já que tu conheces muito bem aquele local para comprares os teus whiskies e cenas, mas revelas-te um desafio até por isso mesmo. Puxaste pelo meu lado de bruxa. Percebo que sim, Lídia.
A água deixou de correr e com as suas mãos, a Lídia, envolveu-me para me deitar sobre a banheira espaçosa. Nunca deixes de tentar ficar comigo, por achares que sou inalcançável, eu estou aqui e vou provar-te isso mesmo. O corpo dela era uma visão de ternura. Sedoso, branco, excitante como tudo! Agarrou no meu pau e introduziu-o dentro dela, naquela racha quente e húmida, meiga, soluçando em prazer que havia um recorde a ser batido. Bati o meu recorde, entrei e saí dela, vim-me para o seu peito e, de repente, parecia que nada mais era inalcançável…

Duas noites depois, eu estava sentado à mesa de canto do bar dela. Já ia na quinta cerveja e no fim do primeiro maço de cigarros. Ainda tinha uma maratona pela frente e nem sequer sentia as pernas cansadas...
A Lídia passava de um lado para o outro, de um lado para o outro, a servir os clientes. Acabei a quinta cerveja e pedi a sexta. Aquela cerveja vinha com um ingrediente mágico. Pisquei-lhe o olho. Ia fazê-lo só por diversão. Brindei, com a cerveja no ar, ao ex-marido da Lídia, atrás do balcão, que ajeitava o seu bigode quarentão, e bebi quase de golada. Levantei-me, dei cinco, seis passos e aí a piada aconteceu, de novo. Caí com uma ideia na cabeça: na manhã seguinte, quebraria finalmente aquela escultura com a força com que bati no chão marcado pelos seus saltos afiados.
Mas, na próxima, vou mesmo abordá-la, no mercado. Poupa-se em galos na cabeça…

Lídia. Mais uma noite drogado, em preto total, mas uma noite feliz antes da ressaca da manhã…