quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Silenciosamente em pecado

Era época de Natal. O João conheceu a Daniela, naquele Sábado à tarde.
Chovia desalmadamente sobre as lojas enfeitadas de espírito natalício, quando o João, autêntico desastrado, pisou a Daniela à saída do shopping da Baixa. Olhares amistosos entre risos naturais. O João desculpou-se e a Daniela disse, amavelmente, que o desculparia só na condição de ele tentar manter o seu olhar afastado das suas nádegas. O João tentou concordar e desafiou-a a um café. A Daniela precisava de comprar umas botas para oferecer, mas diante de tal convite, o café bom e saboroso, precisou de relegar a compra para segundo plano. Ou terceiro.

Encaminharam-se para um café próximo, evitando ao máximo a chuva e, quando estavam na entrada, o João permitiu-se a abrir a porta para a Daniela, apoiando no fundo das costas dela, a sua mão direita, num gesto suave e terno, e, enquanto a Daniela sorria agradada, o João contemplava com olhares de fogo aquelas voluptuosas nádegas. E, sem surpresa, pisou novamente a Daniela.

O ambiente dentro do café era ameno e as vozes dos clientes misturavam-se sob e sobre as mesas que nem grãos inocentes de açúcar em café. Ambos se sentaram ao mesmo tempo, solicitando cafés ao simpatiquíssimo empregado romeno. O João fazia perguntas à Daniela, umas mais abstractas, outras mais pessoais. Bebia o seu café, enquanto ouvia o que a Daniela ia dizendo. O João era um excelente ouvinte, seria a sua qualidade mais feminina, e a Daniela parecia adorar isso, revelando impulsivamente, em determinadas respostas, mais do que seria sensato revelar na altura.

Quando a Daniela termina o seu quente café, limpando sensualmente os cantos dos lábios, pergunta ao João qual é a parte física que ele mais gosta nela e, subsequentemente, quais os seus limites face a prováveis pedidos dela acerca dessa mesma parte. Infantil e obviamente, o João respondeu que se tratava das nádegas. A Daniela pergunta se ele está então à altura de ir para casa dela e penetrá-la por horas, penetrar aquele ânus. Não encontrava muitos homens dispostos a essa prática impudica, pelo que quando reparou na intensidade do olhar do João, decidiu aproveitar a dádiva do acaso, arriscar. A Daniela sentia uma necessidade tremenda há já alguns meses e o João parecia ser a peça fundamental…

Chegaram a casa da Daniela em pouco tempo. O quarto era bonito, decorado com aqueles objectos asiáticos que andam em voga e possuía no centro uma cama ao estilo da antiga realeza. Silêncios, odores cativantes e paladar a café.

Despiram-se em carícias tímidas, permitindo a que se habituassem à atitude e ao corpo um do outro. Eram amantes tolerantes, sossegados, logo fruíam com espontaneidade cada elemento erótico e carinhoso. A Daniela virou-se de costas para o João, garantindo aos olhos fogosos do João uma vista maravilhosa do objecto de culto daquela tarde. O ânus, protagonista e deus principal. Ou demónio. Os lábios do jovem colaram-se ao fundo das costas dela, largando beijos melosos. Dali, desceram e foram beijar as nádegas ardentes e voluptuosas da Daniela. Quando a língua do João decidira surgir no encanto daquele momento, a temperatura no quarto aumentou, cores selváticas apareceram nas paredes, e a língua delirante lambeu todo o interior das nádegas, sexo e ânus. Em círculos quase humorísticos, estimulou o buraco anal da Daniela, humedecendo, aquecendo, idolatrando. A Daniela transpirava e da sua boca saíam gemidos musicais, pecados e mel.

A Daniela virou-se para a beleza frontal do João, acariciando o seu rosto activo e, de seguida, entregou-se em pedidos. Pediu-lhe para que agarrasse nos seus seios e lhe preenchesse o rosto com ósculos, o qual implorava pelo gosto dele. Já se afirmava delirante ao sentir aquela boca que lhe lambia o corpo. A Daniela exige para que penetre o seu corpo… com dor. Levianos movimentos transferem para sensações de maravilha onde fica fresca, firme e feroz, enquanto os dois corpos vibram. João, agarra em mim e abraça o meu físico, enquanto penetras profundamente, silenciosamente. E, em tom de veemente ternura, uma fome alegre a arder por dentro e a sentir por fora.
Por fim, assim, o João entrou no ânus daquela jovem. Enfiou o seu sexo duro e grande no orifício anal, açucarado e quente, enfiou-o em silêncio, a Daniela em silêncio, o pénis inteiramente refugiado no ânus. Silencioso pecado. Os dois amantes observavam e escutavam o seu deleite. Os movimentos suaves, delirantes, viciantes e divertidos…

O João era um desastrado, todos o sabiam, era-o, sim, menos ali, onde sodomizava a Daniela. Era bom a enfiar-se nos ânus. As mãos do João acariciavam a pele da Daniela, agarravam as coxas e embalavam o ritmo da penetração, da sodomia silenciosa e faustosa daquela tarde chuvosa. Ambos se sentiam maravilhados, ondas de prazer inundavam os corpos, provocando sorrisos pecadores, até que o João não aguentou mais e pediu, em murmúrio, a permissão de ejacular no núcleo malicioso da Daniela. A Daniela revirava os olhos em loucura e realização pessoal, sexual, e depois de morder os seus próprios lábios vermelhos e extasiados pela perfeição do momento, a rica sensação de felicidade, disse inunda-me o rabo com o teu esperma delicioso, une-te a mim através do teu líquido prazer, molha-me com esse teu néctar que nos levará ao nirvana anal.

Gotas de suor escorrem pelas costas do João. Cheiram a luxúria. O peito está vermelho e dorido. O sexo do João, entalado nas paredes do rabo da Daniela, continua a bater no ponto mais cru e hedonista que conheciam. O jovem não se detém mais nenhum segundo e, em silêncio, ejacula no ânus da jovem, a qual sente o líquido a jorrar no seu interior com fugaz intensidade e calor, um calor anormalmente poderoso. Um estrondo sem barulho, com humidade. O João sente-se a sufocar, perante tal descarga de esperma, perante tal sensação de orgasmo, mas é a Daniela quem sente o alto prazer. O seu ânus inundado, inflamado de gozo, preenchido de silêncio, pecado e desvario… e toda a leve dor que a conduzia por um estado de abstracção total de tempo e espaço, a alucinação. Perdia-se num limbo, um limbo de que há muito sentia falta. A Daniela possuía tudo, ali, um pénis duro enfiado no ânus, néctar masculino nas suas fofas entranhas e véus de silêncio apaixonantes sobre e sob o seu corpo.

Na rua chovia com violência, mas era naquele quarto que existia a maior violência, de pecado e silêncio, para gáudio dos amantes que não pararam de se unir durante quatro horas. A chuva, essa, até parou primeiro.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A boémia em noites de Verão





05h00m. As ruas apinhadas de gente, bebida e barulho.
Saíamos de uma discoteca e largos sorrisos estavam tatuados na cara. Todas as conversas que ia travando com o meu amigo, à medida que percorríamos os caminhos de volta ao hotel, pertenciam aos eventos que minutos antes tinham ocorrido, naquele estabelecimento de diversão nocturna, na Plaça Reial. Barcelona é uma cidade encantadora que nos revela uma arquitectura peculiar, guardada por formas que despertam todas as consciências.
Ao longo das Ramblas, vendedores de souvenirs luminosos. A inquietude de luzes. Estas demonstrações entretinham os buracos de tédio dos rostos dos vendedores, os quais procuravam ganhar mais alguns trocos antes de irem dormir. Ninguém olhava para os souvenirs que eram lançados ao ar, quais foguetes mudos. Quer dizer, algumas pessoas olhavam, mas era através de um olhar sem consistência figurada, olhavam mas não viam. Menos eu, que olhava e via, durante o regresso ao hotel às 05h00m.
Virámos para a rua do nosso hotel, encaixado no Bairro Gótico. A noite continuava voluptuosa, quente e espirituosa. Avançávamos num passo lento, torto e rico em palavras e gargalhadas. A um dado momento, avistámos uma jovem que apresentava traços indianos e que estava a despedir-se de um grupo de rapazes estrangeiros. Era puta e os rapazes não estavam interessados nos seus encantos negociáveis. Olhou para nós, viu-nos, sorriu e abordou-nos. Vós quereis foder? Olhei prontamente para o meu amigo. Não, disse eu à puta. E se somente vos chupar? Ri-me em fino espanto. A puta virou-se então para o meu amigo, tentando-o mais seriamente. Toda a lufada de ar nocturno era para mim mais interessante do que a conversa da puta, pois parecia que trazia até ao meu rosto magro o júbilo do que aquela noite estava a ser. Rajada de consolo. O meu amigo anuiu, por fim, e a puta indiana desafiou-me a acompanhá-los para, se depois me apetecesse, estar logo ali à mão de semear, ou no caso dela, de chupar.
Caminhávamos ainda em risos e picardias saudáveis, quando dois jovens, que aparentavam ser de origem marroquina, se aproximaram. Os dois jovens eram da minha altura, envergavam camisas coloridas e uns jeans. Os seus sorrisos ditosos transmitiram-nos a ideia de que regressavam, assim como nós, da boémia, facto que nos agradava sob uma espécie de química de socialização. Disseram-nos olá, apertaram-nos as mãos e perguntaram-nos de onde é que éramos. Curiosidades animadoras. Respondemos, com tranquilidade, somos portugueses, estamos a adorar a cidade e tudo o que esta tem para nos oferecer. Os nossos recentes conhecidos não se afastaram do nosso caminho, mostravam uma alegria e postura contagiantes e eu, absorto em contentamento e vapores de álcool, continuei à conversa, nas gargalhadas e a dar saltinhos de turista. Tudo já era lindo e era apetecível e era o mais vibrante que havia no mundo, mas agora com dois ilustres desconhecidos, cheios de pinta, tão amigáveis, ainda mais feliz me sentia, sem pressa nenhuma. Repentinamente, observei que a nossa puta puxava pelo braço do meu amigo, de modo a que prosseguissem o caminho, todavia eu permanecia, ali, a rir-me e a dar uns toques de amena cavaqueira nos dois marroquinos, sempre que falávamos de alguma coisa mais alucinada. O meu amigo, para voltar para a nossa beira, largou-se do braço da puta e reentrou nos discursos. A puta ficou parada, uns metros à frente, lançando o seu olhar na nossa direcção. Nós olhávamos, mas não víamos.
Quando um dos marroquinos me perguntou para onde íamos, eu respondera que tínhamos que voltar para o nosso hotel, ali uns metros à frente, pois precisávamos de descansar. Muito álcool e muita dança produziam um cansaço pesadíssimo. Estivestes a dançar? Sim, estamos agora a regressar do Jamboree, uma discoteca porreirinha e não muito longe daqui a pé. E, sem querer, a combinação desta pergunta e resposta alterou fixamente as coisas, a viagem e até a alegria que dentro de mim apalpava. Um dos dois tipos que ali conhecemos, abraçou-se a mim, lateralmente, e, faustosamente, começámos a dançar a um estilo quase militar. Eu voltava a não sentir pressa nenhuma, num instinto, sentia-me fantástico! Quando parámos, rimo-nos a bandeiras despregadas e despedimo-nos então com contumazes apertos de mão, abraços e palavras jocosas, desejando encontrarmo-nos, novamente ali, noutra noite.
Eu e o meu amigo seguimos pelo caminho e vimos que a puta não tinha ido embora, aliás, esperava-nos dona de uma expressão facial bastante carregada. O que é que teria acontecido para ela ter trocado o seu sorriso desafiante por aquele semblante pesado e repleto de dúvidas? Simples. A puta rapidamente gritou para que víssemos se nada nos faltava. Vede se tendes tudo nos bolsos! Eu ri-me, porque só sabia rir. O meu amigo colocou as mãos nos bolsos e disse que sim, tinha tudo, tinha o telemóvel e não lhe faltava nada. De seguida, foi a minha vez. Coloquei as mãos nos meus bolsos e… o meu telemóvel já era, tinha sumido. Desapareceu! Eu não tenho aqui o meu telemóvel! Oh, foda-se! Ao mesmo tempo, um vento repugnante soprou no meu rosto e dentro de mim começava a soprar uma mescla de mágoa e cilada.
Ajuda-me, implorei à nossa puta. Onde é que eles se meteram? Agora não se pode fazer nada, porque eles já foram, viraram naquelas esquinas. Eu não podia acreditar! Tinha sido roubado de uma forma simples, perfeitamente descontraída, entre animação e fingimento. Uma completa estratégia de engano, própria daquela cidade, na qual caíra com inocência. Pedi depois o telemóvel ao meu amigo para poder cancelar o meu número, preservando, pelo menos, o saldo. Mais tarde, uns dias mais tarde, eu viria a recuperar o número, mas aquilo que o telemóvel continha, isso não mais recuperaria…

Horas antes, na discoteca.
Pedi uma cerveja no balcão, observando os movimentos e escutando as conversas à minha volta. Praticamente, não se viam espanhóis, à excepção dos funcionários. Fui até à pista de dança com a garrafa de cerveja na mão e com o coração decorado de encanto. O som que as muitas colunas ali existentes bombavam era o de êxitos dos anos 80 e 90. Ao se juntar muito álcool, muita alegria e gente bonita e simpática a músicas nostálgicas, cria-se um estado de espírito iminentemente explosivo e rejuvenescedor. Encontrei das mais variadas nacionalidades nas pessoas que fui conhecendo, no meio da pista de dança, já que todo e qualquer olhar, ou sorriso, num lugar que concentre turistas e boémia como aquele, serve para início de conversa, facto que muito tenho que agradecer, já que permitiu com que eu me deparasse com argentinos, ingleses, franceses, alemães, brasileiros, italianos e suecos. Com muitas pessoas, eu falei sobre o meu país, com outras sobre Barcelona e com outras, ainda, sobre os lindos olhos e cabelos que possuíam.
As horas avançavam e as garrafas iam sendo substituídas. O meu amigo continuava no piso inferior do Jamboree, porque lá o som que bombava era mais do seu agrado, o hip-hop/RnB, cujo desenvolvia um ambiente mais tenso, deveras plástico e vaidoso, incrivelmente provocador, mas que a meu ver era menos descontraído, no sentido das puras emoções e risadas ridículas, boas e próprias das férias, logo não era tanto o que eu procurava. Fui algumas vezes à beira dele, brindámos, dissemos umas quantas vozeiradas, para depois eu voltar a subir para o meu piso dos anos 80/90. Mais uma cerveja e subi para o palco. No palco, rodeado por gajas e gajos, dançava efusivamente ao som de todas as músicas. Por me sentir tão animado é que decidi ir até ao limite do palco e começar a fazer gestos para que outras pessoas subissem, mostrando aos demais o júbilo daqueles momentos, quase como uma acção para inspirar e transmitir a alegria individual ao colectivo que pudesse estar a observar aquela situação. A verdade é que praticamente todas as pessoas que eu tentava puxar para o palco, acediam ao meu gesto, fazendo parte de uma interessante demência de festa e libertinagem visível. As gajas e os gajos que eu ia puxando para o palco, entre encontrões algo desnecessários mas próprios, entre umas pancadas e cabeçadas excitantes, involuntárias, e entre gritos de histeria fabulosa, agradeciam-me, davam-me beijinhos na cara, apertavam-me a mão, davam-me abraços e procuravam iniciar passos de dança. A cerveja virava um pouco no chão, foda-se, as conversas continuavam óptimas e o ar que circulava entre todos nós parecia uma revelação de total inexistência de segredos ou dúvidas. Um ritual de harmonia colectiva, uma espécie de câmara moderna cheia de energias em grande potência que dançavam sobre as nossas peles e os nossos corpos, peles e corpos, corpos e peles. Ali não existiam reprovações ou distâncias, intelectuais ou fibrosas, sequer, porque o factor que vivia em nós era o da harmonia de paz, partilha, da fortuna carnal, mundana comunhão. Os simples prazeres da vida! A música, a união das pessoas em deboche, a bebida. No instante em que ia buscar mais uma cerveja, preparei-me para puxar mais uma gaja, igual a/entre tantas outras, para o palco, e foi aí que alguma coisa de especial aconteceu…
Ela era linda. Os seus cabelos eram loiros, compridos e não paravam de esvoaçar diante dos meus olhos. Os olhos dela eram verdes, num rosto pálido, alongado e meigo. Na beleza que era o ponto em que o seu nariz pequeno terminava, começavam os lábios rosados e perfeitamente desenhados, à espera de se soltarem em palavras auspiciosas. Chegada à minha beira, abraçou-me naturalmente, o perfume sedutor a espelhar-se pela pele do meu rosto, desmaiando no meu nariz a desmaiar, mostrou-me a força do seu olhar, fogo cristalizado, e agradeceu-me, serenamente. Começávamos a dançar, ríamo-nos no movimento das músicas e, depois dela ter ido à beira das suas amigas e dos seus amigos, voltou para conversarmos. Ela era de Londres, tinha chegado a Barcelona há um dia e estava a desfrutar ao máximo aquelas férias. Contei-lhe no segundo imediato que estivera já em Londres, na bela Londres, e que assaz esperava regressar lá em breve. A isto, a inglesa respondeu-me que podia acolher-me na sua casa, quando eu quisesse e precisasse, porque tal não constituiria nenhum incómodo e porque adoraria ver-me um dia por lá, para conhecer os locais que ela elege como sendo os seus predilectos. Numa simplicidade diplomática, eu respondi que sim, semicerrando em simultâneo os olhos azul-frio, faríamos desse jeito, assim que me fosse possível financeiramente, pois tempo há sempre, para morrer, inclusive, tempos tempo, logo por que é que não haveria de ter tempo para visitar a sumptuosa Londres? Viver, tempo para viver, em Londres por uns milhares de segundos. Regozijámo-nos entre holofotes multicoloridos, gritos perpendiculares e paralelos oriundos quer do palco, quer do balcão do bar e brindes de garrafas de cerveja. 5€ cada uma, brindes cheios de adjectivos e promessas e todo aquele conteúdo até que fazia valer os 5€. Lancei-lhe uma pergunta de moda social: tens facebook? Não. Engraçado, fuga ao cliché juvenil/adulto, uma jovem mulher, neste parâmetro mais analógica, por isso necessitei de lançar uma segunda pergunta: tens número de telemóvel? Tenho. Sorri, satisfeito. Quando me preparava para pedir-lhe dígito por dígito, pensei/imaginei que um número inglês teria uma considerável extensão, o que, devido ao barulho faustoso e inabalável da discoteca, determinaria uma ingrata missão, eu precisaria de lhe pedir para repetir várias vezes os dígitos e tempo é dinheiro, não obstante, ali, era conquista! No momento seguinte, estendi-lhe o meu telemóvel, as suas mãos brancas e macias como chocolate branco que derrete sobre um beijo ao de leve das chamas a pegarem-no e, ao ouvido, sussurrei-lhe guarda-me o teu número, querida. Os dedos finos da rapariga digitaram o extenso número, assim como o nome que ainda não tinha surgido na nossa prosa. Levi. Belo nome, Levi, Levi. Ela devolveu-me o telemóvel, coloquei-o no bolso das minhas calças, fiz-lhe uma carícia no rosto, és ostentosamente linda, um feitiço, os olhos dela avermelharam e, de forma completamente inesperado, então fui beijado pelos lábios dela, os quais avermelharam os meus. O beijo foi perfumado, demorado e irrequieto, soube a álcool e malícia. Num abraço apertado estendemos o nosso gozo e cumplicidade. Prosseguimos a dança. Agarrei a cintura da Levi, a música aquecia-nos e a química corporal, talvez, tratava do resto, mantendo os nossos lábios colados. Quando é que voltas para Portugal? Daqui a três dias, Levi. Então temos que combinar alguma coisa, antes de ires embora. Anuí, obviamente, digo-te algo através do telemóvel para pensarmos num programinha porreiro aqui por Barcelona. Desejo-te. Os olhos dela revelaram o interior da alma: satisfação em pigmentos loiros. Prometido está. Prometido ficou.
Ondas de minutos estrondeiam… Levi despede-se de mim, vai para outra festa, beijo, abraço, tentação. Encontrei-me, depois, no balcão a pedir mais uma cerveja e aí conheci um jovem chileno. Muito boa onda, preenchido por contagiantes vibrações. Travámos conversa acerca de tópicos mundanos, observações a Barcelona e terminámos num ruidoso brinde com mais uns quantos desconhecidos. Foda-se! Faça-se barulho, viva-se com desprendimento. Guardei no meu telemóvel o facebook do chileno, este já um moderno digital, o cliché, desejei-lhe uma fabulosa estadia na cidade e rumei à minha zona de diversão, o palco. Novamente de cerveja nos lábios, braços abertos para a zona inferior da pista e a aliciar o pessoal para o palco, o meu corpo e a minha mente absorviam as emoções fugazes, músicas e gostas de suor caídas na escuridade, as tábuas do palco, no delírio, novas personagens reais fui conhecendo e cumprimentando. Um norueguês com facebook. Um sueco com facebook. Um alemão com número. Uma alemã com facebook. E, depois de termos dançado entrelaçados, rido de parvoíces e estupidezes que pouco o eram e trocado uns elogios mais ternurentos, uma francesa com número. E que francesa ela era! Umas pernas esbeltas, uma voz fatal! Quando é que vais embora, Chloe? Amanhã, infelizmente. É já a minha última noite, fofo. Tens que visitar França e aí poderemos contar mais um par de coisas um ao outro, pode ser? Pode sim, combinado! Pelo menos, falaremos à distância, eu depois mando-te uma mensagem. Abracei-a, não sabia quem era ela além do óbvio visível, porém não foi isso que me impediu de ter gostado muito do calor do seu abraço. Desejei-lhe uma boa viagem de regresso e cuspi angelicamente um beijo no canto dos lábios de menina da Chloe.
A loucura e velocidade da boémia ali cessavam, saí do Jamboree com o meu amigo e, quando pisámos o exterior, a calçada da Plaça Reial, carregava uma excepcional gratidão por aqueles momentos. Os edifícios em frente, históricos e cativantes, elevavam-se com honra e orgulho, não se deixando amedrontar pelo sublime firmamento nocturno que os vigiava. As minhas pernas avançavam com distinção, dir-se-iam ornamentadas com todas as vaidades que as pernas podem entender, e na minha cabeça giravam astros de bem-estar.

Minutos depois.
Estas imagens correm freneticamente à frente dos meus olhos. Olhar o céu da noite e recordar tudo isto como se fosse um pontapé metafórico que doía como tudo! Afinal, o que é que tinha acontecido? Barcelona fora penetrada por mísseis? Começara a chover a cântaros e eu em t-shirt? Os edifícios “gaudíanos” viraram ruínas? Não! Tiraram-me o telemóvel. Acabaram de me roubar o telemóvel, apenas isso. Apenas. Um apenas gordo. Não cheguei a enviar qualquer mensagem, não telefonei, não nada… nada, desde o Jamboree… nada. Contactos desapareceram, deixaram de existir, são iguais a como quando não existiam antes de eu ter entrado no Jamboree com o meu amigo. Não tive hipótese de dizer alguma coisa à Levi, não consegui dizer nada à Chloe, não podia lembrar-me mais dos facebooks. E o prometidos quebraram-se…
No quarto do hotel, encarei a cama com apatia. Dormiria naquele resto de noite com um sentimento de perda, mas, por outro lado, com dores musculares que me asseveravam realidades estupendas, que seriam, seguramente, dignas de repetição. Sem confiar em telemóveis ou marroquinos!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Lídia

Ali estava eu, mais uma noite, sentado na mesa do canto do bar dela. Lídia. Eu já tinha bebido a minha parte e fumado a parte de alguém, mas sentia-me mais vazio que nunca. Os olhos dela brilhavam sempre que passava a metros de mim, atarefada com a bandeja de copos e pequenas garrafas. Lídia. Eu tinha que tê-la naquela noite, beijar aquelas pernas longas, tocar o peito caprichoso e possuir a beleza cómica da sua boca. Mas como?
Contaram-me que a idade dela era o dobro da minha e que essa característica acarretava o boato de que fodia que nem uma deusa grega sob efeito dionisíaco. Lídia, quarenta primaveras. Levantei-me com o copo vazio. Dei quatro passos em direcção a ela e, quando o seu pequeno pescoço se virava para mim, caí no chão marcado pelos seus saltos afiados.

Acordei num quarto desconhecido. 10h, no relógio.
Pelos vistos, Lídia procurou ajudar-me, levando-me no seu carro em direcção ao hospital central. Porém, no caminho, despertei e pedi-lhe em agonia para não me levar, senão para a casa dela. Na minha casa, eu tinha a minha avó adoentada e jamais quereria que me visse daquela forma. Amigos, estariam por algures, mas decerto recusariam apoiarem-me nos seus ombros... e por que seria?
Acordei sozinho numa cama de casal. De onde parecia ser a cozinha, chegava até mim um fino odor a café, ovos e torradas. Levantei-me, dirigi-me à casa-de-banho em frente e lavei o rosto com água fria. A minha cabeça rodopiava quase sem parar. Teria eu bebido assim tanto para uma ressaca destas e, logicamente, para ter desmaiado abruptamente ontem?
Com dificuldade, caminhei em direcção ao cheiro da cozinha, chocando com uma escultura num dos corredores. O barulho foi grande, mas consegui evitar a queda, ao abraçar a escultura, de modo ridículo mas eficaz. Ao fundo de umas portas, apareceu a Lídia e riu-se. Consegui salvá-la, disse-lhe e, como resposta, recebi um és o meu herói, mas sê-lo-ias mais ainda, se a tivesses partido É do meu ex-marido e nem cinco euros vale. Queres tomar o pequeno-almoço? Quero…
A cozinha era grande e penetrada pela luz do sol. Detesto o sol na ressaca, mas esse sol permitia-me um vislumbre do cu da Lídia, apenas tapado por uma camisa branca e fina. Sentei-me. Obrigado, Lídia. Era um belo cu…
O pequeno-almoço estava uma delícia, disse-me a Lídia, já que eu apenas comi as pernas dela com os olhos, emborcando, em simultâneo, uma garrafa de cerveja. Apesar de não ter provado nada, o simples facto dela ter feito um pequeno-almoço também para mim, fez lembrar-me do que é sentir todo o carinho de uma mulher. Aquele momento fez-me sentir verdadeiramente em casa.
Enquanto a Lídia arrumava a louça, os meus olhos procuravam os movimentos das suas pernas, o meu ser cheirava os seus cabelos ao longe e o meu sexo espetava-se em direcção às curvas da sua cintura. O seu cu aparecia, sempre que se dobrava na banca da cozinha um pouco mais e toda a beleza que eu conhecia até então parecia consumir-se àquele ponto! A zona púbica parecia ter sido pintada por um grande artista, nas suas noites de amor, e o sol iluminava muito mais aquele peito tapado de sorte que eu tinha pela frente…
Ouve, essa coisa que bebes deixa-te atiradiço, não? Não queres pousar a garrafa, descansar um bocado os olhinhos e dar algum trabalho ao que tens aí para me mostrar? Dei-lhe um beijo na orelha. Rapidamente, chegámos à cama. Comecei a tirar a minha roupa e, quando acabei, ela já tinha a dela toda no chão, segundos antes. A pele da Lídia era branca como a neve e doce como açúcar, num corpo atraente e voluptuoso. Dei-lhe um beijo profundo e torto, mas depressa cheguei ao jeito pretendido. A penetração foi simples, firme e esperançosa, sem é que existia semelhante coisa numa cópula sob ressaca. As pernas da Lídia prendiam-me numa espécie de abraço inferior, numa dança sexual parecida ao mundo das cobras e das estrelas que nunca aprendi o nome. Os olhos dela entravam nos meus com um impacto dócil e, ao mesmo tempo, selvagem. Nesta mistura de pormenores, entrei nela umas vinte vezes e vim-me, sem qualquer preocupação em me retirar do seu interior. A Lídia soltou umas gargalhadas. Não te deste mesmo ao trabalho de tirá-la e agora espero não ter que tomar drogas, meu querido. Eu tive pouca esperança no meu desempenho, não quebraria hoje o meu recorde, disse em amável resposta. Anda daí, vamos tomar um duche, ajudas-me a limpar a tua vergonha. E segui-a…
A banheira era enorme e o chuveiro moderno. Começámos a lavar-nos e aí a Lídia contou-me que colocara uma droga inofensiva numa das últimas bebidas que me serviu na última noite. Porquê? Eu tinha reparado no teu interesse por mim, sob essas pestanas grossas, mas também tinha reparado na tua falta de jeito para me abordar. Tantas noites, a mesma coisa. Uma mulher tem que puxar dos seus trunfos, de vez em quando, e não iria pedir-te nada ou conversar para saíres comigo, ali com o meu ex-marido dentro do balcão do bar. Se ao menos te acontecesse alguma coisa menos boa para ir em ter auxílio… e então aquela ideia pareceu-me ter piada. E, agora, lembrando-me da força com que bateste com a cabeça no chão, acho que estava certa! Mas tu ias mesmo levar-me ao hospital? Sobre isso, eu não tinha realmente pensado muito bem no que faria, limitei-me a prosseguir com a minha encenação, mas, felizmente, a coisa deu-se bem e pelo lado da sorte, porque acordaste a meio do caminho e contribuíste para tudo isto.

Ao tempo que eu te queria… eu também, acredita. Teria sido mais fácil se viesses ter comigo ao mercado, onde faço as compras, já que tu conheces muito bem aquele local para comprares os teus whiskies e cenas, mas revelas-te um desafio até por isso mesmo. Puxaste pelo meu lado de bruxa. Percebo que sim, Lídia.
A água deixou de correr e com as suas mãos, a Lídia, envolveu-me para me deitar sobre a banheira espaçosa. Nunca deixes de tentar ficar comigo, por achares que sou inalcançável, eu estou aqui e vou provar-te isso mesmo. O corpo dela era uma visão de ternura. Sedoso, branco, excitante como tudo! Agarrou no meu pau e introduziu-o dentro dela, naquela racha quente e húmida, meiga, soluçando em prazer que havia um recorde a ser batido. Bati o meu recorde, entrei e saí dela, vim-me para o seu peito e, de repente, parecia que nada mais era inalcançável…

Duas noites depois, eu estava sentado à mesa de canto do bar dela. Já ia na quinta cerveja e no fim do primeiro maço de cigarros. Ainda tinha uma maratona pela frente e nem sequer sentia as pernas cansadas...
A Lídia passava de um lado para o outro, de um lado para o outro, a servir os clientes. Acabei a quinta cerveja e pedi a sexta. Aquela cerveja vinha com um ingrediente mágico. Pisquei-lhe o olho. Ia fazê-lo só por diversão. Brindei, com a cerveja no ar, ao ex-marido da Lídia, atrás do balcão, que ajeitava o seu bigode quarentão, e bebi quase de golada. Levantei-me, dei cinco, seis passos e aí a piada aconteceu, de novo. Caí com uma ideia na cabeça: na manhã seguinte, quebraria finalmente aquela escultura com a força com que bati no chão marcado pelos seus saltos afiados.
Mas, na próxima, vou mesmo abordá-la, no mercado. Poupa-se em galos na cabeça…

Lídia. Mais uma noite drogado, em preto total, mas uma noite feliz antes da ressaca da manhã…

segunda-feira, 28 de março de 2011

Novos olhares de Mr. Greeny




Expressamente, no escuro do quarto, levanto-me e com facilidade alcanço os chinelos dos "Megadeth".

Entro na sala arejada e inundada de luz diurna, maldita, e ligo o portátil. Acedendo ao programa de conversação, lânguido, clico no endereço dela. Cumprimentei-a como habitualmente, mas aquele dia estava planeado para uma novidade.

Na minha cabeça confusa e turva do whisky do pequeno-almoço, saltitava uma anã preocupação de que tinha marcado qualquer coisa para aquela tarde, mas não conseguia lembrar-me ao certo o que era. A conversação online continua e o pedido dela surge: tenho que despir-me e exibir-me para ela, através da webcam que encontrei há dias no contentor do lixo colectivo, ainda com manchas de óleo e batom. Tiro a roupa absorto da realidade, ao mesmo tempo que olho o semblante de curiosidade e paixão dela, surpreendendo-me ao notar que a adrenalina e rapidez da situação provocou-me uma erecção monumental. Ela riu-se de imediato pela sua webcam e, com vários "lol" modernos, escreveu que não era preciso apressar-me, temos tempo!

A par do surgimento de transpiração avermelhada na minha testa, a sala inuda-se com o som da campainha da porta da frente. Teclo ávido, debruçando-me para longe da webcam, facto que a chateeou, para comunicar que precisava de ir atender a porta. Ela gesticula que não devo sair dali, imperativamente e sem abreviações, que nada deve incomodar aquele meu momento de divina prosa dionisíaca. Contestei, mas não adiantou, qual gota de água no forno caseiro.

O mundo mexe-se com curiosidade, pois a minha vizinha do lado passava pela porta e viu a pessoa que tocava freneticamente à minha campainha. Não era costume eu ter a porta fechada, disse a vizinha, e, somando um mais um, a mesma disse à pessoa que bastava empurrar a porta, podia entrar na casa, porque sabia que eu não me ausentara. A vizinha empurra a porta, ouço o barulho, duas vozes em diálogo corrido, entram na sala, e confirma ao canalizador que, com a porta aberta, eu teria que encontrar-me em casa.

Olhando ininterruptamente para os olhos do canalizador e nunca para mim, de pé em frente ao computador e a teclar para ela do outro lado da webcam, a minha vizinha exclama ao canalizador que já podia começar a arranjar o meu cano.

Luz do dia dentro da sala, uma jarra verde no canto sul com uma flor de plástico rijo e a minha pele jovem.

O canalizador solta uma gargalhada teatral acompanhado por um limpar rouco de garganta e responde à minha vizinha que, por aquilo que pode ver, o cano está em perfeitas condições. Eu estava a rir, sem tirar o olhar dela na webcam, e a minha vizinha observa-me então pela primeira vez desde que entrou na casa, tapando instantaneamente os olhos com esplêndida vergonha, assim como solta um gemido desmaiado. Levo as mãos à cabeça, quando digo que me tinha esquecido que era o canalizador quem ia hoje lá a casa. A cara da minha vizinha, mais vermelha do que os móveis da minha cozinha, que continua de olhos tapados, pede-me sinceras desculpas por ter entrado de repente na casa. O canalizador disse vamos mas é lá ver esse cano estragado sem apertar a mão um ao outro; é ali, senhor, digo ao tentar acalmar a minha vizinha.

Sento-a no sofá, reparando no seu arfar e nos seus calores, e o canalizador martela o cano algures no lava-loiças. Teclo com ela através do programa de conversação e digo que tenho visitas. Ela pergunta quem. A vizinha e o canalizador. Ela ri-se. Engraçado, tenho também que ajudar o meu vizinho a escolher umas rosas para ele oferecer, leio no programa. A conversação continuará mais tarde, pelos vistos.

A luz na sala enfraquece. A minha vizinha assiste a tudo. E eu, pela primeira vez na minha vida, escrevo "lol". Sugeri à frente disso que escolhesse rosas brancas, mas apago-o de seguida, a minha vizinha exclama vermelhas. Escrevo. Ela envia para a minha janela cibernáutica uma última frase, belo cano, não o entupas de novo!

Desligo o computador, o canalizador diz que terminou o trabalho. E depois fazemos contas, passe pelo bar amanhã com roupa posta.

A porta bate.

A tranquilidade volta, porque quando solucionado um problema um outro costuma ser atraído para a sua própria solução. A minha vizinha diz-me até logo, passa a mão pelo meu sexo murcho, belo cano, mas devíamos entupi-lo logo.

A tarde lançava-se para o pôr-do-sol e da minha boca saiu que devíamos jantar juntos ali. Já posso cozinhar e a porta fica aberta, como de costume. A minha vizinha sai porta fora, lança-me um gesto de delicadeza, para o jantar veste alguma coisa.

A porta fecha-se e com ela chega uma inevitável alegria de que o mundo começa a fazer todo o sentido fora da Internet.

terça-feira, 8 de março de 2011

"Red Nights" no Fantasporto 2011




Dirigi-me ao Fantasporto 2011 e optei pela visualização do filme “Red Nights”.

O filme de parceria entre França e Hong-Kong conta com a actuação e regresso da actriz conceituada Carrie Ng, e arranca com o encontro entre Carrie e uma jovem numa esplanada. Desde logo, somos presenteados com a magnífica postura de Carrie Ng, que enche o ecrã e nos delicia com um método de sedução bastante peculiar. Num filme em que as constantes da boémia, como o tabaco e álcool, fazem parelha com diálogos curtos e sedutores, deparamo-nos com o gosto pelo fetichismo e a passagem do prazer pela dor infligida nas presas de Carrie. À capacidade nata de matar, só lhe falta adicionar um elemento supremo, uma relíquia do tempo do primeiro imperador chinês, a qual envolve o poder de matar rapidamente mas igualmente de imobilizar o corpo num derradeiro nível de sensibilidade, o auge para além das fronteiras do prazer tântrico.

Uma personagem procurada pela Interpol tenta vender o tal tesouro ancestral pelo melhor preço a uma correspondente, mas logo se apercebe da ausência de facilidades e a conspiração e o risco incalculáveis adensam-se, à medida que Carrie fica mais próxima da equação de dor/prazer da relíquia maldita e, simultaneamente, teatral.

Uma película ousada, fetichista e sombria q.b., que ganha pela magnânime, diria, interpretação de Carrie Ng, mas que perde por uma história com instantes desconfortáveis da sua própria lógica e mecânicas baralhadas. Ainda assim, é um filme agradável de ver e sentir, pois provoca um rasgo de sentimento agitador e que tem hipótese de êxito no seu género de pulp-thriller, não obstante, ter sido importante no certame deste ano do festival, através da sua ligação directa ao pânico daqueles que se tornam submissos.