segunda-feira, 23 de Março de 2009

Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (VII) - Belial



A História dos homens e das mulheres e das mulheres e dos homens sempre fora pintada em telas que, nos seus braços finos e finitos, deveras assoalham passagens de demónios ultrajantes. Um dos pontos facilmente alvo de deturpações e estupidez é o campo da demonologia, ciência ou pretensão para catalogar os demónios em hierarquia, qualidade/defeito. O campo em si é já duvidoso e insuficiente de consenso geral, mas ainda assim fascina e importa conversar acerca. Nem que seja para exorcizar meninos. Nem que seja para deitar fora inércias visíveis.
A demonologia é equiparada a outras parcelas de estudos ocultos ou mais ou menos alternativos, desgastantes, incoerentes ou fantasiosos. Pinturas de incenso e alho. Leituras misteriosas e melindrosas. Pasta de símbolos e ritualismos negros. Galinhas para estripar, recantos da mente para exercitar, cabelos e madeixas brancas, verrugas no cérebro e nos focinhos humanos. Este estudo assenta nos relatos sobre perfis e existências de demónios, na delineação da sua hierarquia, composição e história (estória), bem como nos meios e nalgumas exemplificações de evocar os mesmos personagens. Apesar deste estudo estar perto de antigas inscrições religiosas e pretender englobar muitos demónios num só tomo de conhecimentos, não significa directamente que seja usado como fonte para bruxos ou rituais construtivos, porque na maior parte das vezes a única pretensão da demonologia é servir a humanidade como testemunho simples de mitologia, metafórica, ao invés de carta de amor em compromisso.
A demonologia conhece um local onde filma e passa maior parte do seu tempo a narrar e a recolher as informações e os estudos acerca dos seus escolhidos/modelos. Esse local é conhecido por todas as pessoas, mesmo variando de noção ou intenção; todas as pessoas o conhecem e tal local, variando de crença para crença, fisionomia para fisionomia, aspecto e contornos para aspectos e contornos, chama-se inferno. Um cliché religioso, um moralismo, uma percentagem de medos e dores, uma pintura, um texto, uma fotografia, uma dimensão construída sob as existências das criaturas, uma parte do ego, uma orgia de ataques profundos… ideia de lugar ou estado arcaico, o qual sempre sofreu alterações pelos milénios e pelas filosofias, pelas artes e pelos líquidos que entram no sistema digestivo universal. O inferno é uma criação de todos e de ninguém, visto que as provas de tal sítio é de conhecimento geral e de conhecimento nulo. É uma etiqueta no bolso daqueles de indumentária branca, preta, colorida, daqueles que legislam dogmas para quem os quiser cozinhar. É também uma grande abordagem dos sentimentos e das emoções que afectam a vontade e as vitórias daqueles que as exercitam, significando retrato daquilo que deturpa, condiciona, parte…
Reflectindo no que o inferno representa, facilmente se saúdam cépticos e crentes, viciados em etiquetas e emissários de medo e castração. Outros povos que se saúdam dentro desta paisagem opinativa são seriamente os crentes do castigo eterno, pessoas cinzentas e pudicas, que respiram cinzas toda uma vida, todos os dias e todas as noites e ainda um dia depois, por temerem tal crença realizada a qualquer ocasião. São os alvos de sugestões de medo, sugestões de ruína constante, opostos rijos aos não crentes, aqueles que respiram numa existência em que não se vêem a ser castigados, pois instauram em si próprios a máxima de que quem não quer castigo não procura dar a mão à palmatória ou nem tão pouco se detém à espera da palmatória. O que é verdade é que crença como a anterior é falada e transmitida, porém como essa há muitas e não vale de nada segurarmos só um dos fios quando a extensão desse não nos possibilita vantagem maior. O que existe aqui é um circuito imenso de fios absurdos, frágeis, e uma das luzes que nele se pode salientar é que uma mente acondicionada em receio de vida por uma regra a não quebrar sofrerá de um castigo quase imperceptível, prolongadamente visceral, facto que não precisa acontecer se entender que louvor e castigo andam de neurónios ligados, intercalados; e tudo seria mais simples e brando.
Nesta confusão de inferno e castigo eterno, quanto mais volumosa é a nossa lucidez, mais facilmente é o castigo derrotado. Os predadores não sofrem castigos, apenas derrotas ou oscilações dentro do jogo natural das cascas e dos néctares. As vítimas e os passivos, que piamente acreditam no lugar de danação, sofrem castigos, ao género das achas na fogueira que aquece a família em casa. São eles as achas, são eles o lume. A crença deles é a fogueira. Sorrisos, cinismos, medos, mas as pernas não querem fugir ao lume.
Somos apenas massa, carne, osso, tecido, fórmula de peso e gravidade, órgão e pele que sujam, mas isto tudo que somos é com capacidade para conhecimento sem limites e obras-primas, podendo acreditar no que se quiser. Esqueçam-se ilusões, pretensões, impulsos de divindade sem mãos e desígnios de fundamentalismo. Acredite-se em nada, realize-se objectivos sem cobrança de motivo, degrade-se, seja-se neutro!

Mais um dia esquisito, mantido numa rotina que rasga o cunho da alegria, que estripa o copo da vida, mas não a bebida. Sentado, a escrever, equaciono quanto de mim disperso para o papel e quanto nunca não o faço. É mais ou menos o resultado da soma dos pacotes de leite e cereais deitados ali no chão esburacado. Parece uma obra de arte, pois deve ter sido um artista impecável que tal fez ao pensar que as pessoas iam congratulá-lo após verem o pranto. Ou é a mania de arte que polui que é grande de mais de mais ou é a massa cinzenta menos de menos. Aposto na segunda hipótese, se bem que a primeira é gira à mesma. O Homem sempre quis criar coisas à volta dele, nem que seja o seu próprio esterco, sempre fez de tudo; subiu, desceu. Viveu, vive. Haverá sempre alguém a contemplar.
Olho para o chão, olho para nada, olho para a burrice. Parece que estou agora a escrever sobre o ambiente em redor, porque se tivesse algo mais interessante não escrevia, visto que guardava para mim. A esta hora não peço para ver ninguém e não quero ver humanos. Está toda a população sob deveres e obrigações de tempo, lazer, inércia. Por mim, óptimo, sempre tenho lixo para admirar sozinho, comportamento que os grandes artistas sempre preferiram: público concentrado, escasso, mas dedicadamente concentrado. A existência é simples, porque esta nos concede opostos simples de mastigar. Saúdes ou castigos…
Tenho uma visita esta tarde, visita que penso ter saltado do estudo do início deste texto, porque faz parte das linhas e das pretensões do saber da demonologia. De seu nome Belial, um demónio com uma idade que se perde a conta, parece-se com um belo anjo, de voz doce, com corpo duplicado e sensual, sentado num transporte com dragões que dominam e aquecem fogo. Alto como um edifício citadino, Belial pisa o chão e cumprimenta-me com elegante aparato, apresentando-se vaidoso. O que é (quem é) este enorme ser, vivo ou morto-vivo – possivelmente para além do que é vida e morte, mesmo que entrelaçadas –, que se ergue e se molda defronte à minha pessoa? Que impressionante cerimónia ou incompreensível facto é este que estou a passar? Numa leitura de demonologia mais popular, Belial é o demónio que foi criado imediatamente depois de Lúcifer, com bastante tendência para enganar qualquer um, inclusive aqueles que o convocam. Belial, um dos demónios do inferno, visualizo-o como se visualizasse um rei – se bem que não sei como é visualizar um rei –, o qual se parece como um belo anjo que tem forma mutável, indo do sensual ao perturbador.
Numa leitura de demonologia moderna ou anulação de uso de preconceitos, qualquer indício à carne de Belial é tido como organismo sem lei ou com rebeldia, fechando julgamentos e acções de embuste e terror num único teorema demoníaco. No folclore, Belial permanece como um deus, ligado especificamente com os horrores de Sodoma e Gomorra, cidades lascivas e corrompidas, e tal-qualmente com a composição obscura de subornos e assassinatos secretos.
Belial mostra-me ser uma regra do terreno e do solo impuro, sorrindo-me na certeza da sua personificação de maldade e rindo do momento em que o trataram como a mera modificação da deidade arcaica da Babilónia, onde se restringia ao submundo e à vergonha. Nada disso, sou demais, grita-me. Sou o incalculável, o livre…
O mestre da terra, Belial, é o lado carnal do Homem, é a maior ligação com a componente castanha que nos apara os pés, é a luxúria, o sexo, o prazer e por isso as vias principais que tomam a vida em coisa de mérito. Quando as pessoas, começa a dizer-me Belial, tendem a nortear-me e/ou a proibir-me, o que acontece é que o orgulho menos capaz vem ao de cima, ao passo que quando me recebem, ao de cima vêm coisas como a pujança, o deleite, a independência e directa essência terrestre. Sentir-se seguro, uno ou assente é sinónimo de contactar comigo. O Homem vencedor é simplesmente humano, em degustação e louvor da sua natureza, carne e conquista material, vocifera Belial, sendo que toda a experiência seja concreta, a experiência de vida, e assim da terra para o cimo estamos nós feitos da carne e para a carne e para os feitos e destruições grandiosos surgidos da carne!
Eu ouço Belial e escrevo algo ao mesmo tempo, mas este não parece importar-se com este facto. Não estou a escrever as falas do demónio terrestre, mas sim a escrever qualidades/características do mesmo, à medida que o monólogo dele tende a prosseguir, como se a simples audição do monólogo me concedesse tal sabedoria. Desperdiçador de lei e moralidade, opositor, imoral, dissoluto, lascivo, desmarcado, incontrolado, revolucionário, audaz, livre, impuro, injurioso, desfrutador de pasto e infracção.
O vento intensifica-se, a tarde, a terra quase borbulha de calor.
Há teólogos, discursa Belial, que me elegem como o demónio mais lascivo e indolente de todos os que perderam o lugar na virtude deles – cantam eles como se isto fosse abominável –, mas se tais criaturas olhassem para mim e me acolhessem com as suas facetas naturais e instintos de energia, podiam aprender qualquer coisa engraçada nas suas entediantes laborações! Para essas criaturas, eu sou a ruína e destruição! Belial diz isto de forma alegre, sem deixar que os seus saltos de exibição corporal abanem todo o recinto em que nos encontramos…
O enorme ser que me fala comanda mais de oitenta legiões pelo inferno e mundo afora, com a imodesta postura de que é o pai da ilegalidade, assim como aquele que detém a supremacia das nações ou figuras que são idolatradas – unicamente – devido à força unicamente humana! A Bíblia Satânica afirma Belial como um dos quatro príncipes herdeiros do inferno, tocando-lhe o trono do norte. LaVey, homem que exaltou o elemento terrestre como fonte de/para tudo, sublinhou aos canais distribuidores da História que Belial é o mestre da Humanidade e o seu retrato de campeão é o guia dos impulsos carnais que condecora a Humanidade com avanços reais. Belial é nome presente no livro de outros séculos, “Ars Goetia”. O título do livro descende do latim, mas muitas vezes reduz-se ao nome “Goetia”. Belial diz-me que nunca leu este livro, o qual contém descrições das dezenas de demónios que King Solomon evocara para os obrigar a trabalhar para o templo dele e os quais confinara num navio de bronze selado por símbolos mágicos. No “Ars Goetia”, King Solomon descrevera o perfil de cada demónio, indo das perguntas e respostas às qualidades e defeitos, como se um manual de aptidão para com demónios. Belial grita-me que nunca trabalhou obrigado para ninguém e que não gosta de navios, porque não se deslocam por terra. O livro que Belial nunca leu, parece ter instruções e rituais de trabalho, assim como métodos para utilizar fórmulas mágicas próprias para se chamar cada um dos demónios lá listados. Belial revela-me que nunca apareceu a ninguém de forma parecida, porém igualmente sabe, e não se surpreende, que as pessoas tendem a pronunciar mal as palavras e a demonstrar erradamente os seus sentimentos, em livros semelhantes, em acções semelhantes. Aleister Crowley leu e interpretou o livro para a sua magia… Belial recorda: o mago fechado em paredes a estudar e a iniciar rituais uns após outros para criar as suas maravilhas e tocar/retocar o seu infinito! Um excelente mago…
Belial foi apontado pela História como um soberano do lado negro, uma das forças mais poderosas e que mais evoluem, conjuntamente como o anjo da corrupção e da hostilidade. Os seus domínios são as trevas e as terras, a partir das quais e sob as quais alcança o objectivo fácil de influir os desejos de maldade e culpa. Sou o pai das mentiras, dos exércitos também, portanto não nos interessará acreditar de todo no todo, em mim, mas sim em partes, as partes que nos oferecem prazer, vida, força, independência, intensivamente brande Belial, e quando sou bem recebido pelos meus invocadores, consigo fornecer-lhes bons resultados a troca de boas oferendas e sacrifícios, porque aí estão a acreditar justamente nas suas qualidades naturais! Gilles de Rais, aquele nobre louco que se alterou ideologicamente durante a sua existência, matou e sacrificou vítimas em meu nome para chegar à minha amizade, mas apenas ofereceu-me partes dos corpos que esventrava, o pútrido, esquecendo-se da beleza palpitante e húmida de belas mulheres e belos homens, que inteiros podiam ter saciado um mínimo do meu lado lascivo e sensual; esqueceu o meu lado pornográfico... e quando se invoca a minha graça há que lembrar o castigo e o sexo!

Fragmentos grandes de terra com fogo líquido levantam-se à frente dos meus cabelos riçados e enfiando-se com rapidez para o interior do corpo do meu visitante negro, provocam-lhe um delírio e um bem-estar que não posso descrever mais do que isto…
Belial ensina-me que é, sempre foi, uma concreta projecção do seu néctar arcaico na espécie humana, revelador de/em pormenores com atitude estranhamente lúcida, elucidativa. Sou julgado pelas religiões contra a minha personalidade como aquele sem valor, mas eu trato-me sim de um ser no âmago daquilo que é a verídica natureza humana. Materialista, alio o meu aspecto de poder à linha de acção do senso comum para crescer em força e, de forma simplista, provar todo o prazer, continua Belial. Com subtileza, domino a terra, elemento que faz parte de mim e eu dele, e com subtileza sou mestre de mim próprio, mestre sem o mestre de terceira pessoa! Sou a terra, sou mestre de mim próprio, posso ser tu mesmo, sou Belial! “Aquilo que não nos mata, torna-nos mais fortes”; decerto já ouviste esta expressão! É verdade. Eu pu-la nas mentes daqueles que me seguiram e daqueles que me atacaram, só por uma questão de honra, porque a faceta de exaltação e auto-preservação que a mesma encerra é deveras forte. Das coisas das coisas, eu fui erguido. Sou contra as leis, sou aquele que pertence a um abismo do qual ninguém consegue subir e eu sou tudo aquilo que instila desprezo pelos deveres, pelas redenções.
Belial funde-se nos processos de vida e de morte, através dos estados da carnalidade, do sexo e da luxúria, tidos como escapes, mais-valias, forças e ruindades da qualidade de ser terrestre. Ele permitiu-se falar em tempestades de prazer que gera e gerou no planeta, capazes de engolir e regurgitar fantásticas poeiras gigantescas em todo o espaço sideral. O meu nome – a significar sem mestre –, simboliza a independência verdadeira, a auto-suficiência e a realização pessoal, explica-me Belial, verdadeiras naturezas que sempre narraram os povos de poder.

Noite cerrada. Animais excitados com os olhos brilhantes por algo que aconteceu.

Depois de um grande espaço de tempo, posso agora escrever sozinho certas noções que alcancei com a visita desta tarde, uma visita não programada, quer dizer programada, porque sou um humano consciente das minhas naturezas carnais, independentes e fortes, e às quais chamo família!
E tudo por mim adentro se molha em fogo. A certeza de mais um conjunto de diabruras, de crueldades feitas carne. Aprendi com Belial. Signo de poder inflamado, quis funcionar num universo de mundos de modo ordinário. A capacidade de ver feito, fazendo, a capacidade lá espetada. O corpo com sujidade, sujidade de luz virgem, sem quaisquer riscos de maior, atirou-o às mais largas perfurações infernais de líquidos e lava, os seus banhos irados...
Estas frases comportam efeitos que, a serem atabalhoados, muito podem fazer para o dano cerebral. A sua pele é casca gelatinosa com nódulos clássicos e a sua voz de trovão é auxiliada por um dialecto que mistura todas as línguas universalmente conhecidas, sãs e insanas. A amplíssima louquice – ou desembaraço – de Belial personifica-se na humanidade na altura de uma vingança, no traçar de um plano, no combate, na fermentação de testosterona e outras hormonas a ferver, na jornada de prazer, no nirvana, na perda de alguém querido, na derrota ideológica…
A estupidez dos deuses enerva o demónio. A ingenuidade, o cinismo, a tomada de decisões ridiculamente infértil. As montanhas são enormes, repletas de vegetação e rochedos, e são um dos pontos que cativam a paixão dele. Os rochedos vermelhos, grossos de fogo e areia, também. Toda e qualquer tentativa de torná-lo bondoso e branco recebeu uma oposição feroz, porque a sua natureza ditara que estúpidos são aqueles que dissolvem as próprias metas e os próprios interesses em prol de desígnios de deidades omnipresentes. Belial ignora regras, paraísos de ilusões, de consolos, porque não existe para ele maior sobrenaturalidade do que negar os pecados animais. Belial procura existir para vangloriar em si mesmo a sua identidade, procurando concentrar fantásticas expedições ao poder sobre tudo e todos e, similarmente, procura destruir fraquezas, gelos e seres mesquinhos. Os seus conhecimentos e a sua sabedoria estão nos poços onde vive, estão na alcovas e nas ruínas onde fornica anjos e criaturas sensuais diversas e onde tenta apagar os alicerces das faces e dos olhos das luzes, harmonias, estrelas pacíficas, unhas e fantoches, curas evangelistas sobre derrotas e soldados de fé que o desafiam.
Comandando as suas legiões, conquista parcelas de terreno no submundo, no mundo, nos mundos, e muitos homens possuem réplicas do ceptro que Belial usa para o comando... homens que vivem perto de nós. Belial passa férias no centro da Terra, bem no núcleo. Durante os tempos normais, tem que comandar as suas legiões e investir contra anjos, santos e eternos defensores das criaturas de Deus, mantendo o equilíbrio das trevas e da mentira no jogo universal; malícia e ferocidade. E as férias servem para descansar, fazer arte com lava, fogo e compostos mergulhados nos aterros da Terra. Realiza magias e por vezes viaja para se encontrar com quem o invoca ou convida… vive em campos, cavernas e florestas… estuda manuscritos extensos de filosofias modernas, de hábitos terrestres e no fundo é somente um aventureiro desgarrado dos humanos das profundezas. Ele está presente nos corpos dos exorcizados e masturba-se olhando os olhos e ouvindo as palavras dos padres patéticos e caricatos. Se estes conseguirem excitar Belial, então o demónio ejacula nas entranhas dos exorcizados e com sorte a história acaba bem, senão a masturbação não chega a bom porto ou a bom deleite (com leite vulcânico) e os exorcizados sofrerão com mais tempo de chagas e acções demoníacas. Os padres quase pelintramente voltarão, para satisfação de Belial, o masturbador luxurioso que possui as criaturas para que lhe sirvam de fetiche.
A magia elementar é uma cartilha maternal do Homem. Belial ritualista é o ser da realização autónoma, que representa o elemento terra e o qual se encontra de pés bem assentes no chão – procedimento mágico real e sólido – sem tantos lugares-comuns místicos desprovidos de objectivismo. Ritualismo ligado à terra, às rochas matrizes.
Os caminhos relativos levam à evolução pessoal, ao culto físico, à metafísica dissecada e a um estado de melhor conformidade natural entre o meio e a consciência sábia.
Não só de ruídos, pancadaria, sobressaltos mentais e físicos, vive Belial. A música é constante e invariavelmente universal e é de bom-tom o ânimo de Belial ao ouvir, escutar, melodias com letras que o toquem no factor vanglória/interesse. Uma das bandas modernas a criar um misto e uma atitude conscientes de atracção da atenção do demónio sem mestre é LORD BELIAL, a qual é feita por membros talentosos de veias inchadas por exaltação negra. Há palavras neles que excitam e animam o demónio da terra, palavras de todos nós como: paredes; rituais; carne; caveiras; decoração; velas pretas; queimar; desejo furioso; apodrecer; gritar; sacrifício; esperar; fado; ódio; arder o crucifixo; encher; sangue; profano; mãos; maldade; malícia; infernal; imensidão; fogo; …

Belial apareceu-me para que o conhecesse e escrevesse sobre ele, mas no fundo apareceu-nos, por/para essas razões, porque aquilo que de que ele é nomeado é também de nossa própria nomeação. Apareceu, conversou, engrossou-se, retrocedeu. Naturalmente.

A boca enorme do panteão infernal cospe fogo e fogo engole com abismal categoria. Um modelo saiu para conversar connosco, nos sonhos, nos pesadelos, nas simples e básicas coisas da vida, nos prazeres, nas dores, e foi dele que ouvimos explosões de força. Não sendo o único modelo, vamos caminhar atrás, ao lado e para além dele, aproveitando este tempo precioso sem que outro modelo de categoria equiparável saia até nós, sob as labaredas da boca do panteão… e um dos quatro tronos está assim ocupado, reocupado, e faltam três.