terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (V) - O whisky

22:04h
Sei que o mundo é bonito, mas neste momento sei que apenas o gelo o será...
Ivo. Apesar do nome curto que tenho, a forma perigosa de ter vivido a minha vida de curto nada teve. Ivo, nome de um homem de experiências fartas, nome de viajante terrestre decadente. Virtualmente, digo que fui um conjunto de irritações, exageros, hilariantes posturas pouco racionais. Veemente, digo que sou um humano que soube viver perturbadamente, a perturbar, e que colheu espontaneamente surpresas que o mundo nunca vira.

Aqui, no chão que reveste a textura das minhas calças sentadas, o frio enche-me os poros, porque este frio da Dinamarca não é uma seda que faça parte do meu código genético. O monte alto e gelado dinamarquês que subi, através da fúria que o whisky liberta dentro de mim, proporciona-me uma vista deslumbrante sobre a calmaria das pessoas que não vejo ou conheço. No cimo deste monte de gelo, largo os tempos que fizeram mudar as minhas cartas de baralho que manipulava no mundo. As revelações sobre/na repulsa.

Houve uma altura em que era Sábado e eu saí à noite, a um bar qualquer nas redondezas, para divertir-me e descomprimir de outra semana de muitos trabalhos, esforços e também náuseas. Sentei-me ao balcão, perto de uma mulher sensual e de aparente faixa etária menor do que a minha. Pedi o costume: whisky. Velho. Uma pedra de gelo pequena.

Consumo whisky quase como quem, depressivamente, bebe chá no tempo de uma gripe. O ritmo de ingestão compassada mas veemente. A par dos invisíveis segundos, funguei e passei o nariz pela manga do meu fato de Sábado, deixando obviamente marcas de líquido nasal, para de seguida dar o primeiro gole no néctar levemente acastanhado. Foi um barulho de satisfação que emiti, no fim do gole. A mulher ao meu lado riu. Lamentou não sei bem o quê com os seus lábios finos, mas continuou o namoro com a sua bebida: um cocktail de frutos silvestres, penso eu.

Momentos mais tarde, avancei um pouco mais para a mulher e ofereci-me para lhe pagar um copo, um whisky igual ao que eu bebia. Ela acedeu calma e desinteressadamente. Enquanto bebíamos e brindávamos às guerras que fizeram o mundo ser aquilo que hoje ele é, começando pela guerra entre forças, energias e compostos do Big Bang até à Segunda Guerra Mundial, os meus discursos cativavam a mulher, à qual nunca perguntei o nome, mas perante a qual me fiz passar por um ricaço, herdeiro de um casal de abastados bancários.

À medida que eu ia entendendo o ritmo das coisas, ela seria a minha presa sexual naquela noite. Bebi dez whiskys e, escusado será mostrar que, vomitei todo o balcão do bar, tal-qualmente três clientes e os meus sapatos. Foi quase numa tempestade de apupos que saí do bar, arrastando a mulher, ainda a terminar o seu whisky…
Violentamente, saindo do carro ainda com os sapatos vomitados, puxei a mulher motel adentro e o responsável deu-me a chave do quarto, que normalmente usava para os meus entretenimentos semelhantes. O quarto ficou iluminado com uma luz vermelha muito viva. Abusei promiscuamente do corpo da mulher, que foi um objecto obstinado na minha mão, e quanto mais eu lhe dava prazer, mais ela me irritava. Decidi morder-lhe a orelha direita, mas mal ela gemeu cortei-lhe a orelha selvaticamente. No instante seguinte, senti o orgasmo a caminho do meu corpo e mente e não bloqueei a intensidade até ejacular finalmente bem no núcleo da ferida imensa e fresca acima do pescoço da mulher. Enfiei o meu sexo rijo, com resquícios de sangue e saliva com whisky, na boca da mulher para prontamente vê-la a desfalecer. A cena imprópria não demorou largos minutos, mas pôs-me de rastos e só serviu para agravar a minha habitual dor de costas, que já perdurava dias afinco. Pagando uma simpatiquíssima quantia de dinheiro, pedi ao responsável do motel para se livrar do corpo da mulher. Não perdemos muito tempo com palavras e deitei-me para procurar eliminar as minhas dores, apagando tudo da minha mente. Novamente…

Na manhã seguinte, tentei arranjar uma consulta no meu médico. A maldita dor de costas estava a ser um problema demasiado extensivo. Apesar de me ter preocupado com o meu estado de saúde, estava ainda muito atordoado da anterior noite mal dormida, logo foi sem espanto que pisei algumas pessoas que estavam na sala de espera da clínica. Sem pedir desculpas a ninguém, insisti com a secretária para que me arranjasse uma consulta urgente naquela manhã. Assim fez. Sentei-me mais relaxado e arrotei ao efeito dos whiskys.

O meu médico era um homem lúcido, proveniente de uma família de sucesso na vida e com filhos talentosos. Após me ter inquirido sobre aquilo pelo qual me queixava, fazendo conversa acerca do meu estado de saúde, agitou distintamente a cabeça como se compreendesse todo o meu interior e perguntou-me se eu aceitava whisky. Fiquei à toa. Era uma pergunta demasiado insólita para aquela altura e aquele lugar… porém, respondi-lhe que aceitava. Por ter vindo a saber que eu andava com esta dor de costas, mas também febres ao princípio das noites, febres muito altas, o meu médico receitou-me um velho whisky dinamarquês, o qual continha um ingrediente como que medicinal que actuava nas zonas lombares; não só mas principalmente. Era um whisky raro, segundo ele, que apenas os bons apreciadores extraíam todo o proveito dele. Fui para casa beber o whisky. Resultados posteriores: a minha vida mudou radicalmente, porque as febres começaram a transformar-se em visões sobre o mundo, sobre curas e fórmulas para extinguir doenças. O meu cérebro esmagava-se dentro da minha cabeça e sempre que o sentia a contorcer-se de forma desconhecida, espontaneamente eu pensava em fórmulas científicas, com as quais pude entender todo o mundo da medicina, da física, da química e da biologia. O calor dentro de mim era esgotante. As minhas mãos passavam para o papel essas fórmulas, como se isso fosse a única coisa que verdadeiramente sabia fazer…

Em poucos dias, as paredes da minha sala de estar estavam riscadas com as fórmulas. Chamei o meu médico a minha casa e ele encarregou-se de chamar uns investigadores de elite para aplicarem o que eu escrevi e soube. As fórmulas que eu visionava quando bebia do whisky serviriam para destruir evoluções de cancros, para curar a sida, bem como outras doenças do mundo poderiam ser apagadas rapidamente. Era disso que eu sabia, tal como os investigadores vieram a perceber depois de lerem o que eu escrevi.
Como é que tinha eu conseguido aquelas fórmulas? Eram tão perfeitamente certas que pareciam surreais, comentavam os investigadores. Antes de proliferarem as fórmulas e métodos de vacinação pelo mundo, o meu médico ofereceu do whisky a todos nós na sala e de imediato brindámos à saúde perfeita do Homem! O whisky produziu embriaguez no médico e nos seus investigadores amigos, todavia em mim acentuou a noção de que tudo o que eu sabia era absoluto e que os pensamentos não paravam de me assaltar, bombeando visões do efeito das minhas fórmulas.

Houve, no acto seguinte, um tempo cinzento em que nada aconteceu. Os investigadores escreveram-me só passado um mês. Tinham iniciado aplicações reais das minhas fórmulas num grupo extenso de doentes de sida e cancro. Todos recuperaram 80% da sua integridade. A comunicação social começou a dar a conhecer os avanços feitos na medicina, que um estranho tinha descoberto, estranho, porque não autorizei que a minha identidade fosse revelada. Permaneci na sombra, como sempre permaneci e vi a proliferação e distribuição de whisky, que eu experimentei da parte do meu médico, começar pelo continente africano e depois por todo o mundo. Começou tal coisa, porque eu acreditava que era esse o veículo da cura de doentes. Criaram-se registos para toda a História: o whisky entrara nos hábitos mais banais do ser humano. O meu médico conhecia os efeitos daquela bebida, mas só quando me conheceu é que admitiu que tais efeitos eram superiores. Teve que admitir! Por lembrar disso, nunca se conheceu concretamente os fabricantes daquele whisky ou de onde ele nos chegava, posteriormente à revelação das minhas fórmulas medicinais.

Tudo aconteceu de forma construtiva, mas grande parte do mundo não compreendera bem o porquê ou como estava tudo a acontecer. Lembro-me de que o mundo se tornou membro de uma única crença: a científica. Crença essa que era regada por um whisky: o whisky!

Cores, transformações, soluções, resultados, vitórias…
Um dia nasceu pior que outros e esse foi a chegada do dia em que saturei de ver todas as pessoas a beber a mesma bebida que eu e o dia em que saturei de ver todo o ser humano a funcionar do meu modo e esse dia ficou registado como o dia em que deixei de escrever e palrar entre investigadores sobre as minhas fórmulas de cura. Dia preto com fumos de metal pungente. Tanta saturação, já que o mundo humano estava curado, só que tornou-se mais dependente do whisky que eu e apesar disso ver realidade pura, somente a minha pessoa via as tais fórmulas e percebia futuros…


23:19h
Detendo ainda dentro do meu corpo as imagens, as visões e os fluidos reveladores que curaram algumas doenças letais. Viajei para a terra natal do meu whisky, para correr atrás das ironias de uma infinita cosmologia e é por cá estar que os jovens e idosos da zona procuraram conhecer tudo acerca de mim…

Por todo o absoluto azar, já me encontraram e novamente de mim querem gestos. Olho para eles como se fossem os únicos seres humanos que no mundo têm a capacidade e a vontade de me chatear. Estão tão fanáticos e radicais por obter curas e respostas para os seus males que, se fosse noutra altura da minha vida, agoniza. A multidão já começou a subir o monte de gelo. As brisas nórdicas cantam ao meu ouvido imóvel.
O intuito maior destes jovens e velhos é o de comerem-me vivo para digerirem o meu corpo e as minhas células acesas pelo whisky. Sobem pela sabedoria? Ouvi falarem nisto e nesse momento sorri por ter decidido deslocar-me para este ponto do planeta. Desaparecer numa marca maior. Nasci numa marca menor. Estojos de inseguranças.
Penso nos valores nórdicos, mas nenhum é melhor que este gelo do monte. O gelo que me conforta os pensamentos. Não se é superior por muito tempo, entre humanos. Não é que não haja brio para isso, mas a verdade é que acabamos por nos aborrecermos em ser os seus comandantes. Agora, aproveitando as suas histerias, comandarei sem me chatear por não mais existir da forma física que chateia. Serei sempre um divinal espectro, com sabor a whisky com muitos anos desde a colheita ou consumação ou ainda manipulação indefinida, dentro dos genes humanos que comigo ficarão. Luxos da vida…
Estou a ser tocado pelos dinamarqueses. Apalpado. Agarrado. O gelo do monte deixa de ser branco, logo a seguir à primeira investida canibal sobre mim. As nuvens assemelham-se a grandes garrafas.

Eu estou… eles comem-me… não é mesmo possível não haver morte, não é […]
[…]


23:47h
Escreve-vos, a partir destas folhas caídas no gelo, um velho dinamarquês, caros indivíduos que encontrem alguma vez estas palavras…
Esqueçam tudo o que leram! Esse memorável cavalheiro português, Ivo, deixou de existir. Apenas as suas roupas vão para o seu caixão. Ivo deixou de existir e até que nos soube bem a sua carne. Tenra, madura, e molhada… tresandava e sabia a inteligência e a whisky. Parecia mesmo whisky…

Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (IV) - O café

Sabrina.
Poderão conhecer uma mulher, uma jovem ou mesmo uma menina, com este nome, mas essa não serei eu. Sabrina. Dentro de mim, há um todo de paixão.
Sou sábia, solteira, satisfeita e sonhadora. Sabrina, sem outro nome, que vive por Portugal, sozinha. Considero-me como outras pessoas, que sejam bonitas, donas de um bom-gosto e algo descontraídas. Tenho um peito arrebitado, um corpo característico para a minha faixa etária e sou um bocadinho peluda. Olhos mágicos. Sou dona de uns olhos mágicos.

Hoje é um dia bastante quente, no qual o sol brilha alto e redondo, mas por nada disto deixarei de cumprir o meu ritual, a consumação do meu desejo maior: beber café.
Frequento um café, o Pedaço Felizardo, perto da minha moradia. É um café básico, não muito elaborado, mas que dá prazer visitar, pelo menos a mim própria. E dá-me esse prazer visitá-lo, porque tem uma enorme fachada ao género do velho estilo barroco, com colunas de pedra vermelha, janelas espaçosas e retém um perfume interior que apaixona qualquer visitante, inclusive salientando o meu caso… mesmo sendo uma cliente assídua. Para entenderem melhor, quando entramos no estabelecimento, é como se algumas décadas tivessem caído e recuado, tal é a semelhança a locais e meios de socialização extintos, aqueles presos nas memórias das pessoas velhas e da História. O gerente do café conhece-me minimamente, tal como sempre pretendi e mencionara, mas por várias vezes, sozinha ou acompanhada, sugeriu-me, alertando-me, abandonar o vício do café. Enfim. Sempre respeitei tal comportamento, ao ponto de achar graça e dar dedos de conversa, mas vezes há em que não tenho paciência para as sugestões do tal sujeito. Da última vez que lá fui, irritei-me um tanto, silenciosamente, mas percebi que, debaixo das pestanas grandes do gerente do Pedaço Felizardo, ficara uma moldura de desdém e augúrio. Eu permaneci uns segundos inquieta, meditando naquilo em que terá ficado a pensar o homem que tanto insiste para que eu pare com o ritual do café. As maquinações… o café. O café.

Neste instante, avisto o café à minha frente… é depois daquela esquina. Depois daquela esquina. Depois da esquina. Depois daquela esquina. Ao ar livre, cheira-se um mofo xaroposo e os pulmões enchem-se-me de impressões pesadas. Hoje não prendi o meu longo cabelo escuro, quase até meio das costas, tal como costumo fazer. Não o prendi, porque preciso de sentir-me liberta, de vez em quando, neste caso, sem cabelos nem nada a estorvar… tudo o que tenho assenta apenas na pele. Preguiça. Café. Vou beber café. Estou cansada de ver os dias passar cruelmente. Vejo o café ambicionado de fronte. Passo a mão no cabelo. Tenho-o oleoso, terei que ver disto posteriormente. Oxalá, agora, este café me saiba pela vida! Minha sede exagerada, hoje…

Servem-me o café na mesa do costume. A mesa fica próxima da janela de acabamentos dourados, no canto oeste. Daqui, sentada, vejo uns velhos bosques face ao rio selvagem e olho uma mansão assombrada e queimada, a qual contabiliza cento e três anos de vida… ou de morte. O sol projecta-lhe uma imensa sombra no chão esburacado e as areias das paredes assemelham-se a bichos, a insectos, deformados terrivelmente, como que por uma grande radiação. Encontro-me no meio de um ambiente, pela paisagem que observo e descrevo, sombrio, assustado, repugnante e loucamente árido. Portugal provinciano, antigo e com detalhes desconhecidos e enterrados. Um bafo de Eras…
Pego na saqueta branca do açúcar, para sacudi-la. A saqueta pequena dança presa pelos meus dedos comprimidos. Para trás e para a frente, para trás e para a frente… uma agitação forte e barulhenta. Para trás e para a frente, para trás e para a frente… uma agitação forte e barulhenta. Para trás e para a frente, para trás e para a frente… uma agitação forte e barulhenta. Uma barulhenta e forte agitação… para a frente e para trás, para a frente e para trás. Uma barulhenta e forte agitação… para a frente e para trás, para a frente e para trás. Uma barulhenta e forte agitação… para a frente e para trás, para a frente e para trás. Eu projecto a minha mão esquerda, livre e fechada, para o centro da mesa de dois lugares, e sacudo, bato, a saqueta doce contra a mão. Sacudo e bato. A saqueta contra a mão. O açúcar na saqueta pequena, para o café. Durante cinco minutos não paro de fazer isto. Sacudir. Como uma loucura, nunca acho suficiente o tempo que gasto nisto…

Fico agora paralisada com a chávena nas mãos. Paralisada. Perdida. A devanear. Se as nuvens pudessem estalar os dedos neste preciso segundo, eu reagiria da forma comum, aquele vibrar o corpo, pestanejando fortemente os olhos, por de novo encaixar a alma na carne e no osso, que porventura se desapegou. Chávena bonita, pálida, fumegante, quente e pálida. Irracional. Ao menos, sei que penso em algo concreto.

Encho já a minúscula e requintada colher de café. Eu verto o café para a chávena, gota a gota, o café esburaca o resto do café acastanhado. Encho a colher minúscula e requintada de café. Verto o café para a chávena, gota a gota. Encho a colher com café e verto-o para a chávena. O som que isto provoca é um efeito engraçado, quase imperceptível mas hipnotizante. Encho a colher minúscula e requintada de café. Verto o café para a chávena, gota a gota. Encho a colher com café e verto-o para a chávena. Encho a colher minúscula e requintada de café. Verto o café para a chávena, gota a gota. Encho a colher com café e verto-o para a chávena. Um ciclo de faces estagnadas que se empolam. Verto o café para a chávena, gota a gota. Portanto… introduzo um dedo na chávena de café para molhá-lo na bebida castanha. O calor do líquido parece estar a invadir os meus poros sensíveis e doces de mulher, dando-me a sensação de uma particular influência eléctrica possuir o meu dedo. Dedo quente. Dedo estático. Dedo surreal, não sei quando ou como, no café real, apesar do dedo real pertencer a um sistema humano que vê coisas surreais. O meu dedo fugiu do meu controlo e espetou-se no meu peito. Ui. Manchei-me de café! Baques sucessivos estão a drenar o cansaço do meu cérebro, por intermédio de um assobio gorjeado. Toda a vontade de beber café accionou na minha mente um circuito quase majestoso de poeiras infernais com espectros exaltados. A minha mente parece que mede agora um quilómetro. Por que é que não suporto o peso do meu crânio? Ai, café…

Levo a chávena branca aos meus lábios macios. Por estes meus lábios que tantos beijos trocaram, o café invade o interior da minha boca perfumada e sinto o seu calor agradável, delicioso, a revestir os meus dentes aguçados. O café, picando-me a língua inquieta. Detenho-me, finalmente. Imóvel, finalmente. Serena, finalmente. Finalmente, balanço e tudo fica turvo, finalmente. Lume e estrondos macabros, que são explosões subterrâneas. Movimentos por debaixo da minha pele. Comichão nas nádegas. Ritmos cardíacos surpreendentes, que leva o mundo a alterar-se, neste momento. Não me recordo de algo assim! Ouço máquinas a grunhir e preservo o recente gole de café nas minhas goelas. O que é que se passa? Todo… mas… o ambiente que me circundava há quinze segundos desapareceu! Não me dói a cabeça, é certo, porém esta move-se como um puzzle orgânico. Deixo de arfar, para escutar o que parece ser o barulho de uma coruja, por eu estar a caminhar ao relento. Eu não sei, mas acho que alguém está a brincar comigo!

Estou agora numa estrada muito degradada que mostra altas colinas negras, com as árvores mais feias do Universo. Reparo que as minhas roupas estão enigmaticamente rasgadas, mas não só. Eu tenho as roupas molhadas em diluente! O local que me envolve não é muito luminoso e talvez por isso tenha uma lanterna de luz vermelha nas mãos preenchidas de feridas e quistos, nos quais vagueiam lesmas chifrudas. Mal ou bem, aponto a lanterna para o que existe à minha frente, para ver o caminho que estou a fazer nesta estrada. Ai, estou cheia de medo. Medo. Medo. Estou cheia… cheia… cheia de medo. Tenho medo, por alguma razão que desconheço e não suporto o movimento de olhar para o que vem atrás de mim, aquilo que sei que persegue a minha presença, porque sinto o meu pescoço preso, tal-qualmente tivesse duas espadas em brasa dos dois lados, obrigando-me assim a manter o pescoço desumanamente direito. Ouço morcegos a gritar. Caminho, mas infelizmente os morcegos urinam em cima dos meus cabelos e… agora as suas urinas incendeiam controladamente, em minúscula escala, as minhas roupas. Estou em agonia.

A temperatura de um nevoeiro púrpura, atrás de mim, pressiona o meu corpo brutalmente. Caminho sem querer, pela estrada que desconheço e a qual me dá arrepios. Eu não estou no meu perfeito juízo, com certeza, já que interrogo os meus sentidos por julgar que aquilo que vem atrás de mim será ou é uma legião de mortos, de pestilências, de fenómenos vis, que referencio a livros do Mundo Antigo. Os empurrões nas minhas costas em fogo são mais nojentos e medonhos, ao mesmo tempo que estou a cheirar odores cadavéricos e enervantes.

O maldito ambiente torna-se cada vez mais escuro e a luz da lanterna torna-se mais pálida e assombrosa, situação que não me surpreende. Estou a ser mordida nas costas por dentes mais aguçados do que as espadas em brasa no meu pescoço. Sinto um medo profundo, em doses de maníaca percepção, estou a sucumbir e vejo-me rodeada de paredes que rodopiam a uma velocidade intolerável. Eu tremo por toda a parte, simultaneamente poderosos abanões atingem-me no peito. Estou a abanar por dentro de um modo horrendo, perturbante, doloroso, o que agora me faz cair de joelhos. É impressionante este cenário maníaco. O fogo em mim dá-me sonhos doentios e lembro-me que gosto de tomar café. Café?

Acredito estar a sofrer espasmos graves, como se de uma doença terminal se tratasse. Abismal estado de choque… o meu olhar está a fumegar e as veias injectadas estão… neste momento, eu rio alucinadamente e sinto que unhas de metal cortantes furam os meus ombros, ao mesmo tempo que vapores de cores ácidas e abstractamente corrosivas fazem desenhos insanos à frente da minha visão obscura e desenquadrada com a realidade. Os desenhos são tronos de paisagens de carne em fóssil, sustendo figuras e personagens de vários membros, com corpos agrafados a motores com penas vomitadas, as quais dão estranhos passos mergulhados em aplicações robóticas. As figuras, que comeram as paredes que rodopiaram para mim, seguram humanos vivos pelas costas e mortos de pele púrpura que seguram velas de lume gigantesco. Os desenhos tornam-se neste momento avermelhados, brilhos de rubi, e por mim abaixo desce uma chuveirada de pregos com olhos dentro de meteoritos moles. Milhões de dedos golpeiam-me e rodas de diamante com lava fossilizada, com o tamanho das árvores feias das colinas, esfacelam de meio em meio metro a estrada à minha frente. A lanterna desliga-se. Vento…

A minha cabeça esmaga os meus ombros. Vejo quase nada, quase nada, mas ainda assim avisto mesas limpas de um café, ao meu redor. Estou no Pedaço Felizardo. Tenho a minha chávena a meio… mas questiono-me fortemente, pelos episódios que vivi, há momentos. Contudo, há cubos de inox da estatura de um gato adulto a voar do outro lado do vidro da janela, pelo que as minhas questões se evaporaram fugazmente. Não sei o que são. Olham-me. Incorporam-se uns nos outros, criando uma misteriosa escultura. Tento identificar aquela escultura, mas a chávena está a entrar na minha boca, está a entrar com muita força na minha boca. Tenho medo, não tenho condições para opinar mais sobre aqueles cubos... desmaiei. Sei que desmaiei e o café saboroso vai escorrendo por mim adentro. Arde…

É inacreditável! Ouço os sons dos meus neurónios a funcionar. Ouço os sons de uma colher a bater intermitentemente numa chávena de café. Café. O meu cérebro alimenta-se em proteínas e células de mágoa, mas também de impulsos abstractos. Levanto-me de um chão espelhado e depois num tecto de cinzas, para beber mais um trago de café.

Olho-me, em frente a uma piscina vazia. Afasto-me para o lado de um quintal cheio de abóboras em forma de gárgula e cogumelos com corpos de cavalos-marinhos. Reparo, agora, incrédula, que as minhas nádegas estão na parte da frente e que o meu ventre se encontra na parte de trás, assim como tenho os calcanhares virados para a frente e os dedos dos pés virados para trás. Inverti. O resto das pernas está correcto, aliás, consigo andar perfeitamente…


Seguro por uma trela grossa de cabedal líquido mas inquebrável, um bando de mortos com as cabeças trespassadas que cantam o meu nome ruidosamente, como um hino, com aqueles tons de um amor platónico. Os mortos, em asquerosa excitação, pretendem destruição, exigem que todos sintam o frio das suas campas. Escolheram-me por ser mulher, gostam de uma influência diferente de poder, de uma persuasão sedutora e de uma seriedade forte. Agora, sem café a restar na minha chávena, não sei como reparo nisso, vamos para um labirinto de escamas e fedores alienados. No labirinto, estão inimigos sem a coluna vertebral, sem ossos, sem tendões. São orbes sem definição, borrachas altas, gorduras e espessuras de prejuízo para nós. Vejo-os ali, perto. Solto os meus mortos enraivecidos e cintilantes em baba verde. O café. Um trago, dois tragos… tragos dissemelhantes, complicados de engolir. Com suores que cheiram a café, os meus mortos, correm para aqueles corpóreos moles, enquanto gritam como índios perturbados por homens das civilizações modernas. Os meus falecidos e putrefactos esmurram, pontapeiam, amolgam, magoam e trespassam os diversos, disformes, pedaços de gomas e colas intensamente bravos e aterrorizadores. Eu assisto impune e soltando gargalhadas à luta nefasta que se desenrola. Os mortos são arrojados, porém não conseguiram ainda eliminar nenhum dos seus esponjosos adversários.

Choro drasticamente. Borbulhas caem a meus pés. Os meus cabelos esfarelam-se em átomos de cinquenta centímetros. Um clarão cinzento irrompe do alto e desaba no epicentro da fúria. Não vejo, não sinto, não ouço. Respiro mal. Não vejo, não sinto, não ouço. Respiro mal. Não tenho medo. Tenho medo. Não tenho medo e olho como consigo para a minha frente. Os meus mortos foram-se, desapareceram, menos a presença dos seus suores com odor a café. Não tenho a trela na minha posse. As queimaduras nas minhas mãos têm a forma de uma trela. Água nasce aos meus pés, água ácida. Os adversários avançam para mim e cercam-me. Não tenho medo, apesar das suas atitudes serem para mim desconhecidas… mas não me dão medo! Os orbes não falam, não emitem sons e tão-pouco se transmutam. Dá-se novamente o clarão cinzento, ouço melhor desta vez, pelo facto de ter caído em cima de mim. As formas esponjosas agora encolhem e agarram-se à minha pele, como aparelhos, depois como injecções e por fim como tatuagens. Estou inchada, cheia de sangue esponjoso. Tenho pavor abismal perante isto tudo. Tropeço e rebolo. Rebolo, rebolo. O mundo treme e faz barulho, ensurdeço e perco a fala. Nulidade e brancura no horizonte. Penso que nada mais pode acontecer, mas… ai, levo com um bocado cru do mundo que está a mudar de novo e caio assim numa cavidade repleta de antiquíssimas estátuas Gregas, nas quais o meu corpo rebenta, devido às saliências tenebrosas de outros milénios esculpidos. Alarmes soam na cavidade, pois accionei o meu estado de emergência. Apanho o meu corpo e saio…


Levanto-me da mesa, ajeitando a cadeira. Pedaço Felizardo. Café. Deixo o dinheiro para pagar o que consumi e bocejo. Despeço-me, de lábios molhados, do gerente do espaço cativante. Digo-lhe até à vista, murmurando que vou tentar deixar de beber café. O gerente faz-me uma vénia, deixando escapar um brando olhar de relâmpagos roxos sob as suas córneas treinadas. Vou voltar para casa e prender o meu cabelo.

Recintos Possuídos OU O gozo de Um demónio (III) - Locus Amoenus

Sol rico em proteínas que deslaça o turvado das mentes, dos solos. Neste dia, azulado, esverdeado, celeste, campestre, versículos amenos, apetece viver sobre a doçura das plantas, sobre os minerais do amor, sobre a luminosidade dos cereais. Os solos verdejantes, oscilantemente declamados, amparam uma transformação. Aqui, ao nascer do Sol, já, se enceta uma alusão ao Equinócio da Primavera, que se aduz como aplausos rijos! Como, melífluas raízes de rosas.

Pelo decorrer de cada ano, criam-se desejos, fracassos e obtenções. O Homem deve sempre partir à procura dos prazeres, para assim usufruir do que precisa para ser/estar feliz. O Homem tem instintos e forças primordiais e é também com a inerência a estes aspectos que saberá conhecer-se visceralmente e saberá quais os desejos a encontrar e a possuir, para uma existência individual mais proveitosa, na qual florir abundantemente. E neste ponto do calendário meditamos sobre isto tudo! Neste ponto do calendário é período de partir-se na direcção que se quer ir. Quando se diz que ameno é flácido?A promessa de poder é imensa, porque significa a existência real da genuinidade e acções orgulhosas humanas! O Sol ameno trata-se, nesta moldura, da estrela diurna que desfaz a apatia das criaturas. O dia, com sua querida temperatura em crescendo, é fruto inspirador de companheiros e ornamentos serenos, repletos de prazeres, de festins, de conhecimentos e complexidão primaveril. As manchas diurnas fixas no céu brilham, no meio de muitas cores e tamanhos, pela magia e força resultantes pelo sexo primaveril. O estéril, fausto, sai dos cercos e caminha sobre os montes, as planícies e os betões orgânicos, aquando então começa a vestir-se plenamente de ávido, majestoso, sensual e denso. Tudo evolui nos parâmetros cativantes do Equinócio primaveril, nos parâmetros de calmas dimensões. As horas passam por nós e nada de importante, estas, são.
A nós importa fazer e ter, sem obedecer a relógios ou a nervos!

Todas as criaturas nos admiram, todas as criaturas têm algo que nos interessa, o que dá pelo nome de colaboração. Todas as criaturas não são o que nós somos, o que dá pelo nome de universal diferenciação. Ondas de calor caiem, apaixonantes ondas de liberdade natural caiem, em nós…Quando se diz que ameno é flácido?O ritualismo humano é o império entre nós, no qual a sede de felicidade e harmonia para com a robusta, fresca e bela Natureza, nos torna mais coesos. O Equinócio de Primavera saúda-nos, encorajando-nos a viver os nossos diferenciados caminhos nobres, imediatamente, sentindo as novas e naturais energias que carregam-nos acima do encantamento. E então percebe-se tudo, através do recurso e protecção, receptivas à Mãe Natureza. Pensei em ti, envernizada por pólen, a escorregar para mim, em acentos de gomos de laranja. Eu e tu fazemos um par, fazemos vários pares, de sorrisos vencedores. Sim… pois nós somos procriações. Nós somos mãos. Nós somos rectas. Nós somos curvas. Nós somos substâncias. Nós somos elementos. Nós somos corpos. Nós somos inteligências. Nós somos conquistas e artes e naturezas. Gosto do cheiro da graça… dos sentimentos.Quando se diz que ameno é flácido?Tenho dado atenção a uma expressão latina, componente literária, que desde a Antiguidade Clássica se senta nos nossos livros como imagens precisas de paisagens sonhadas, descrevendo a Natureza de uma forma amorosa, como odores frescos e renovadamente leves que voam nos braços das brisas fosforescentes das alegrias, expressando fascínios sensoriais no Homem, o qual sente-se acariciado em ambiente mágico e homogeneizado. Há quem diga, que neste meio enquadra-se o ser humano que busca a satisfação pela singeleza, no paraíso terrestre. Sinto, respiro, o dia avança bem… entre alvos germinantes, componente a espumar em mim que condiz entre ambientes leves e panoramas sem sombras, claras de ovos. Salivo no sossego de corresponder intuitivamente às parcelas apaixonadas, do cajado da interpretação, quer do universo, quer do próprio individualismo, a fim de fazer-me bem com sabedoria.

Sou um lugar relaxante? Com alimento, com alcances verdadeiros, com interacção, estou agradado aquando de descrições e afins figuras de estilo a paisagens belas, palpáveis, luzentes, massajadas e evolutivas. Por si só, a Natureza traduz-se carnalmente, no seu estado de moderação. Sabeis que na hora de amar prontamente, se acelera à valorização da sensibilidade plural, do real e da vida? Claro que sabeis, pedaços de formoso. Oferecei-me cascatas, planícies, monumentos, todos os dias, todos os inícios de tarde. Nada me dói. Neste texto, tenho gosto pela parceria… vós vindes ao encontro das palavras e sou eu. Os cremes e os sumos das histórias fazem arranjar outras histórias com cremes e sumos, de sumos e cremes das histórias, das estações da Terra.Quando se diz que ameno é flácido?Na rota de um pedregulho bem formado, sorridente, penteado, com as pupilas interessadas e sabor achocolatado na boca, assisto à tertúlia aconchegante entre dois personagens da nossa literatura. Uma tertúlia que actuo, com as chamas do pensamento em sintonia. Personagens que escreveram muito sobre amor, sobre relações, pensamentos, mas sobre um tipo de amenidade. Para lá das varandas regadas, o pólen e as cores do vento primaveril fazem as pessoas soltarem-se de casa. Eça de Queirós, Eça de Queirós. Cesário Verde, Cesário Verde. Torno a escrita em elemento importante de constituição amena, como que um horizonte poético ideal. Poder ver prados, rios, arvoredos, sons de água a escorrer, sem vê-la, é uma ambiência calma que suscita vontade e energia restauradas.

Uma enorme adição de pensamentos entre dois seres. Cesário Verde dissera, outrora, que ele e ela se encontravam pelo campo cheio de verduras, cobertos de folhagem. Falara no braço à volta do pescoço e do braço à volta da cintura, que a apertava. Cesário Verde, chamando-a de pomba mansa, descrevia mimosos jardins, bancos de mármore, arbustos, beijos, tranças, e, desejando distracções e leituras animadas, ambicionou formar com ela um único coração, um único gozo inteiramente romântico. Por volta das dez horas de uma manhã transparente, Cesário Verde gostou de admirar os jardins e suas nascentes, as suas brancuras junto de ruas quentes, reluzindo passos sem pressa, em aconchegos.

Cesário Verde, apaixonado pelas visões da horta da vida, das luzes do Sol, inscreveu-se na ideia de transformar simples vegetais num ser humano e numa existência cheia de belas proporções carnais, ao mesmo tempo que viu aromas, fumos caseiros, padeiros, subindo e batendo, por vezes, pelas portas próximas. Escreveu que o Sol dourava o céu à sua passagem, assim como as poeiras se elevavam às nuvens, alindando-o, Sol que lançava os seus raios de destilada laranja por cantos e aberturas, seus raios de laranja destilada. Um escritor que fora verdura e abundância, sonhador de um Sol campeão, humanamente campeão.Quando se diz que ameno é flácido? Pela plenitude da vida divertida, abre-se uma cascata de sementes de açúcar, no núcleo da terra. Eça de Queirós, prosador de serras e cidades, homem bem-parecido, passou tinta pelo papel, vindo a conseguir transmitir palavras de terras do Alentejo, da Estremadura, das Beiras, que formavam belas sebes densas, muros altos e cristalinas ribeiras, terminando em campos ricos em alimento. Eça de Queirós ensinara, se quisermos, que a vida é um rio, um rio de Verão, manso, translúcido, deitado em areias alvas e macias. Saudáveis arvoredos e ditosas aldeias pululam em tinta do escritor, depois de conhecermos felicidade em aproveitar clemências do fértil Abril que retira as saudades por matas, por bosques frescos e flores de muitas cores e vitalidades, quase humanas.

Eça de Queirós criou um enredo em volta de aldeias, nobres, confusões e crenças, conseguindo demonstrar água verdadeira, verdadeira água de leitura amena, romanticamente equilibrada, fazendo-nos apreciar, tal como inscrevera, com a sua tinta de cheiro novo, personagens sob um radiante Sol, sob brisas largas e extraordinariamente sãs, sob douradas manifestações da Natureza, sob atributos de papoilas e relvas e frutos, prendendo leitores à virtude mágica de viver pela boa-disposição de capacidades tradicionais, essas chegadas à luz de instantes puramente portugueses. Eça de Queirós escreveu diálogos corteses, afáveis, naturais e de um teor esforçado, revelando um espírito capaz de vencer com calos de belas feições. Um escritor que fora local e imaginário português, português de força paisagista. Eu, sentado na relva e depois na areia de praia, não conheci estes dois escritores, mas, ainda assim, acho-os bons parceiros de cartas…

O orvalho no meu nariz assemelha-se a um namoro ao amanhecer. Hormonas simples de palavras, que nos enlevam os sorrisos. É impressionante verificar surpresas nos cascos mais evitados, é impressionante dar a outrem a beleza de um ser único e dono de si. A linha do horizonte, pelo cuidado do oceano chegado, é muito deslumbrante e apoiada por nuvens claras, por moles pastos, existe a beijar-me os olhos. Somos calmamente graciosos, somos seres vivos e estamos a viver graciosamente calmos para cintilar mais um pouco.

O meu leitor terá a sua estrela visceral e até será a sua própria luz, nem que uma luz de mitologia. Em muita quantidade, positivo para ser levado a sério, em muita quantidade, fácil de ler ou simpático para conquistar, em muita quantidade, bom para deixar de ser eu mesmo. Sublinho a inteligência das plantas de fruto, que bailam sob os narizes de quem as colhe, de quem as estuda. Ser-se ameno nas terras de humanos…