quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Alimentando o Sangue - IV

Diversos de pertinácia (IV):

Tal sociedade que se recria mais em diversas massas boçais, que para além de boiar quantificadoramente concentrada, vazia da periferia ao centro, ainda reage doentiamente a inovadores programas de vida.
Há certo comodismo em tudo e isto, lucidamente, traz seguranças, frutos e prismas, mas é tal qual uma seta lançada a meio-gás para perpetrar-se em alvos de constante escravidão.
Fios condutores à visão analítica, de gentes de mãos dadas, desconfiando, continuando, e matam-se interiormente a passear pelas ruas da frustração, da vulgaridade e da perdição dos sentidos. E por sinal mantêm sexo com os vizinhos, enquanto umas outras lambem duas notas de cinco euros.
É uma perversidade, mas que nem a aproveitam ou assumem. Deixam-na ficar nos bolsos furados que enroscam tudo. Os sentidos não lhes são fiéis.
E a inteligência desconhecida.
Ora, procriem mas é criatividade para os miolos e para a Vida!
Independentemente disto, muitos indivíduos depois da infância e da adolescência já não são mágicos nem instintivos. Chamo-lhes deficientes. Por isto é que, tal-qualmente, perdem a vontade e o talento para as brincadeiras. É tudo tão cinzento e incómodo como uma casa-de-banho entupida e alagada.
Porém, toda a criatura pode reparar que a travessia que existe entre o ver de perto e o tocar num tesouro de Vida não é nem a ilusão de merecer nem é o copiar a marcha e a actuação e nem é o rodopiar na mola ferrugenta da hipocrisia. Essa travessia é antes a virtude da individualidade, o germe e a força satânicas, a naturalidade da vingança, o zelo ao poder e absorvimento. Tesouro conquistado, mostrando ao íntimo, ao profundo. Mamando auto-glorificação e auto-condecoração, primeiramente.
De modo perpendicular haver quem lamba excrementos, há? Há! E isto é um tesouro? Existe quem o mereça, apenas fará ou não fará para alcançá-lo totalmente, o que, portanto, será para muitos um prazer, de isso ver.
Ainda uns casos repugnantes são os desmaios acordados, sem pestanejar, nos limites, nas fronteiras entre duas linhas. É que os casos nem obram para uma nem para outra. Seguem em frente sem adaptar, sem tocar, sem experimentar, sem ver antes de optar com vontade um rumo. Mas que continuem, esta observação é somente isso. Não é uma lição de/para outra lição.
Com uma variedade de lições, a metamorfose da mente humana é um campo de luzes apagadas, acesas e depois apagadas e depois acesas, sem interruptor, todavia com existência concreta, ponto de acontecimento e explosão exigida.
Ficaria mal ou, porventura, seria redutora uma decisão menos frequente numa ascensão terrena? Não! Obviamente que são histórias fascinantes…
E, a par destas, vivem tripas que respiram e consomem organismos fátuos, tripas ocas e viajantes sobre ideias e remorsos e obediências não questionadas. Merecem ser tapetes sem textura e sem quaisquer pés para servir.
Existem à mesma!
Consequentemente, ter intensidade e vigor e charme arrasador de escolha falta em muito osso e fibra. E o tesouro de Viver está indisposto em seres indiferentes ao efeito, iguais a tudo, a tédio de seus ricos confortos. Não se olha muitas vezes para o óbvio. Será que assim dói?
No mundo irracional dos animais a par do racional, na Natureza, acorrem às vistas e aos entendimentos a diversidade de vontades, de elementos, de capacidades, de hábitos e perseveranças. Os instintos à diferenciação, à ignomínia da igualdade, ao rasgão dos julgamentos hipócritas e à total recolha das consequências.
A afirmação própria, nos casos em que seja desejada, devia assentar vigorosa, pois é uma defesa e um ataque, uma construção de campos de acção, uma interacção abstraída e alargada, uma noção de realidade.
A adaptabilidade construtiva e a procura do prazer servem de espada e de machado e de pistola ao Homem. Com a inteligência, sua agregada amante.
Casos de meticulosa extorsão da volúpia humana são vistos, aos quais se exigem que sirvam os propósitos de perturbação ante minorias diversificadas, e que sendo causas dignas, estas não se devem confranger sob deixas padronizadas, hipocritamente proliferadas. Muitas habilidades de sensualidade são constantemente riscadas por aglomerações que se servem da moral e da tradição para, inibidoramente, encaminhar com os seus desígnios pitorescamente vagos os sensualismos.
A realidade e a fantasia do Homem sempre foram e sempre serão perversas. A teatralização do Homem sempre foi e sempre será sensual, carnal, charmosa, elegante, sentimentalista. E odorífica.
A realidade de contradizer estas realidades, negá-las e difamá-las com expressões, júbilos auto-inculpados exaltados por ocultos cantos, é coisa vista e presente.
Logo, uma presença de demagogias e de críticas rudimentares sem fundamento por consciências terceiras é uma personagem para ter a respeitar, mas a lidar para um caminho afastado. Tem de se ver que os alcances de uns indivíduos não são os de outros, coisa que se louva!
Logo, incutir entraves e persuasões de culpa em extractos activos desiguais trará negação perniciosa a ambas as partes. A ignorância arrogante e o engano trajado. O fraco e o fraco.
Seguidamente, a colecção de armas naturais como a ordem, a pressão, o encanto, o domínio, a beleza, a sabedoria, a liderança, a diferença, a conquista e afins faz mundos de interesses e materiais chegarem a mãos e pés cheios. Instintiva e definidamente, um ser procura num outro coisas que lhe agradem, interessem possuir. E, claramente que, o uso de caprichos e de características ditará os resultados. A maneira de colocação, de actuação, de convicção e de força sobressaem na altura de materializarem-se os desejos e de experimentarem-se os feitos, coleccionarem-se. Mais, reforçar a utilização da beleza e da persuasão é positivo. Decidindo, encarando, recolhendo. Colhendo orquídeas.
O factor sexual encanta qualquer ser. Na possibilidade de conseguir-se – por exemplo – a atenção e o interesse sexual concordantes, a manipulação entra em jogo. Manipulando conseguem-se extrair necessidades, transmitindo a sensação calma, satisfatória de um momento vivido. Há que ter em conta que o apelo sexual só traz frustração se não for correctamente pensado, desejado e/ou ilusoriamente idolatrado. Pode ser-se muito bem usado, se assim pretendido.
Com a fixação em algum objectivo os instrumentos a utilizar são, entre muita coisa, as facetas intelectuais e corporais, com os odores tornando tudo mais vantajoso.
A inocência também atrai inocentes e adeptos da inocência. A inocência aliada a um factor de sensualidade e aprendizagem fortes cria uma completa magia em alvos pensados e não pensados, seja em que contexto for.
Enoja, somente, a arrogância que leva a mostrar uma superioridade, quando só os factores roubo, aproveitamento e fraqueza estão sobre a própria mesa. Enganados, mas faladores de mais. Todavia, entende-se: aspectos de sustentação.
É neste parâmetro, nesta conotação, que a auto-estima e o amor-próprio devem ditar muitas leis e subvencionar outras. Ter caminhos concretos e não ter que atribuir atenção nem ser seduzido por todas as personagens. Não há necessidade de provar a virilidade e a lascívia a todos e a quem não se queira ou não mereça. Especificamente, a erecção pode ser tão simples, tanto numa luxúria como num combate. E avançar para o uso dela, como um requisito, em todos os momentos e corpos só antevê inocência, insegurança, compulsão, desconhecimentos e primazia ausente.
E, então, verifica-se que varia o porte de sedução de criatura em criatura. As menos habilitadas para tal, mais rapidamente são seduzidas e vêem-se-lhes propriedades partilhadas, provocando-lhes remorsos ou não. As mais habilitadas para tal, mais lentamente são seduzidas e afins, enfim. Têm perfis. Possuem sentido de sedução, momentos e experiências fortes, compreensão de sensações. Introspecções educativas, mas nada aqui que imperiosamente, dependendo de cada ser, seja positivo ou negativo.
É importante saber que tudo é saudavelmente praticável, se realizado com a dupla consciência em acordo, em vontade e em desejo, com as preferências estabelecidas devidamente. As tentativas, mesmo que conseguidas, de pressão e de obrigações sexuais/sedutoras/afectivas sobre um dos lados é prejudicialmente saudável e reprovável, visto que a satisfação dos desejos de uma criatura tem de acontecer de acordo com a satisfação, desejo, domínio e apoio de uma outra, no caso de (ter) de existir.
No caso da vontade própria estar em total comunhão, então, não haverá espaço para qualquer tipo de pudor, mas apenas lugar para a satisfação, realização geral e/ou objectiva, enriquecimento mútuos (ou variados.). Lugar pleno para o idealismo.
Um plano real e instintivo de força universal, mas que é muito falseado é o amor. Este é um sentimento cósmico, mas de interpretação e alinhamento individuais. Não interessa tentar acompanhar ou classificar a magnitude do amor de terceiros. Uma das questões é a falta de naturalidade, de compreensão do outro e de si próprio, de intensidade, de segurança e de decisão.
O amor-próprio existe e o amor a outro ser também. Eterno é uma utopia, mas existindo ou não, há que batalhar e marcadamente assumir-se as vontades e as forças. E não se ama escondendo uma dor. É para partilhar dentro de uma realidade, as coisas, ou não? O mundo parece muito frustrado. Tem medo dele mesmo.
Escrever sobre o amor assassina-o. O basilar não é como ele seja, ou as poucas certezas de felicidade, mas sim a evolução que se sente com ele, a magia que injecta nas veias, os orgasmos que traz, a soberania que incute no ser humano.
Amor não é uma frustração. Sexo é para ser sexo; melhor ou pior com o amor. Constrangimento ou fracasso eterno não é amor. Todavia, faz parte aquilo que se deseje, mereça. Misturas para maiores e melhores goles. Com mais ou menos lucidez.
Amor é amor, não deve ter sinónimos, deve ter estados, cores e canalizações inerentes. Não se trata de encontrá-lo, trata-se do instinto à ternura e à luxúria, projectado, a construi-lo e a sê-lo, num ou em vários corpos.
Ele vive e o sexo vive. A manipulação vive e o encanto vive.
Deixar agora tudo dentro de cada um, para ser oferecido, com uso, com abuso e com respeito.
Nesta existência é muito e até demasiado aquilo que temos para dizer e fazer a outros indivíduos. Por isso, escrever um livro e criar seria um ganho. Colocar em papéis organizados tudo e tudo o mais que se sente, pensa, faz, pretende, deseja.
Assentar arquivos pessoais organizados seria um baú de realidades, em que se aprendia e se voltava a aprender para ensinar, certamente, sucessivamente.
Nacionalmente, um comboio apita e apita, pelas linhas-férreas como um louco e como um chato e como um conformista e como um apontador sem mãos.
Leva orquídeas nas carruagens. As orquídeas que indicam e mostram a sensualidade e a fragilidade das naturezas.
Os passageiros ganham flores. As ruins são para os habitantes da hipocrisia e da estupidez com os seus corpos feios, ridículos. Orquídeas ruins, que assobiam nas camisas das criaturas que nada percebem, mas que até vão ouvindo. Ouvindo, melhor ou pior...

Majestoso, o Sangue vermelho como a sua carne, como a sua via, desce, sobe, espalha-se digna e insaciavelmente. E como mordidelas noutros sangues, este Sangue avoluma-se de imagens de prazer, palavras de espadas e aprendizagem. E as portadas do seu triunfo apertado recebem as evoluções. O alimento que ingeriu, que ingerirá…

Alimentando o Sangue - III

Um receituário

Cultura; Faz chama, faz agitar os órgãos, faz o progresso de um veículo orgânico. A cultura engrandece o Ego. Todavia, o comum, o espelho fútil omnipotente, aos pobres Egos que por aí existem.
Horríveis. Doentios. Inexistentes, fotocopiados nos regos, abjectos…

O mundo muda e as pessoas mudam com ele e ele muda com as pessoas. As mudanças naturais do mundo são francas, mas as pessoas mudam francamente mal ou talvez,
simplesmente, nunca mudam, nunca evoluem, mantêm a estupidez e a falha de inteligência;
alteram-se abundantemente para a mediocridade psicológica. Alteram-se não, vinculam mais a sua
constante. Aonde anda a forte natureza? Foi passear o cão ou vagueia com a insistência de ser
ignorada?
A cultura de hoje é de seringada hospitalar, daquelas dolorosas. É administrada a custo, no fim até
parece bem, mas estoicamente não se deseja repetir tão cedo, muitíssimo pelo contrário.
Mergulhando na facção das cerebrais minas de muitos seres festeja-se o palavreado sobre os gostos
out-fashion
, metodologias de embate não tão sublinhadas, menos tecnológicas. O magnífico detalhe
da escrita com a caneta definhou, praticamente. Embate, aqui como, na presença, na convivência,
na amostra, na partilha, na transformação realmente vivida:
“Ui, vais à livraria comprar blocos de folhas para escrever cartas? Ainda fazes isso? É uma tarefa
em desuso, em discordância com o sistema que a malta gosta! Ninguém liga a isso, pá. Que
trabalhão e perda de tempo”.
Perda de tempo? O que há a dizer dos interesses das massas? Chacina do Ego, conformidade
obsoleta, enterro de ambições e conquistas não uniformes.
"Time is no important, only life matters".
E depois, aqui, o excepcional gozo de escrever e de travar correspondências pelo correio. É algo
pouco utilizado pelas faixas etárias que mais se empolgam pelas descobertas e relações entre si e é
algo que acomoda muita História, muito encanto; ler textos produzidos com a escrita da caneta é
algo pouco contemplado, decerto, nestes tempos!
Vejo tudo isto… sendo um floco para com uma melhor aptidão cultural, forma de crescimento e
acendimento da personalidade diferenciados.
Com o que se escreve nestes dias? Teclas. Abreviações e estrangeirismos desastrosos, membranas
dos parvos e oculares do fingimento. Manhosos? Uma ova! Certas máquinas têm as suas e umas
pancadas de rigidez resolvem.
Enfarinhando a separação à glória cultural até os teclados informáticos poderão vir a ser alvos de
uma mudança engraçada. Imaginar que após encurtar-se verdadeiramente o alfabeto, para que serve
um teclado com tantas teclas? Sim, porque se trata aqui de servir ou não servir a intelectualidade de
tais indivíduos, utilidades de colagem (!). Bastaria para aí três ou quatro teclas. Basicamente seria;
fariam as palavras que chegassem. Sem muito trabalho, sem muita preocupação. “Cultura? Não!”
Interessantes para a Sociedade, a Literatura, as Artes, a Arquitectura, a História, não o são!
Ponto crucial no ventre dos gostos de pilha – “os telemóveis, sim” –, dizem imensos indivíduos que
estes são a essência cultural, a modernidade, o avanço rijo, vida, outro mundo, o fundamental!
Discursos das normas destes intelectuais; estereótipos delirantemente ocos: “Quem, o quê, mas tu
não compras um 3G nem sequer um a cores? Assim não vais longe, não”.
E vive-se sobre uns lençóis rotos de uma acreditada intelectualidade de telemóvel e de chat, sem
menosprezar estes serviços, mas sim o exagerado consumo que se faz a eles, e são entendidos como
uma colherada de vitaminas, quase tanto mais ou menos, filosóficas!
Simplifica-se, mas de forma errada. E o complicado é que é desagradável, é caro, é nojento?
Pois,mas a evolução é simples? Não.
Não se trata de “rapidinhas”!
No Satanismo, a evolução do Satanista é maximizada pela troca de opiniões, ideias, pontos de
vista, experiências.
Uma das boas actividades a que eu regularmente me entrego é à de confraternizar com like-minded
individuals
. Na constante evolução ao longo vida, a troca de ideias, de experiências é um elemento
muito presente e especial. É marcante conversar, partilhar e ouvir consciências para o
melhoramento do nosso trilho.
São formas próprias de estar, mudar e viver, que uns acatam e escolhem, outros não.
Para alguém inteligente a confrontação de novas perspectivas, inexistentes no seu trajo é deveras
essencial para uma compreensão parcial/total de questão, na postura, na decisão e na caminhada,
sucessivamente, a roçar no nosso desejado vastíssimo, no mundo.
Muitos indivíduos que insistem em não melhor a sua visão, compreensivelmente ou não, fazem-no
por alguma natureza; umas a meu ver serão as da pouco inteligência, da pouca ambição e do receio
da exposição de um Ego oco!
Poderei ter razão… uns influenciam-se eternamente, outros momentaneamente, outros melhoram-se
construtivamente pelos próprios pés, mãos, olhos e neurónios, outros decadentemente.
Creio como muitos seres, que todos chegaríamos a pontos mais longínquos se dispuséssemo-nos à
ampliação de nós mesmos, partilha de/em diversos conteúdos, teses e filosofias, mas há quem não
consiga, não procure ou não conheça.
Passa tudo pelo Ego, pela descoberta, pela força.
Almost… the same, but still this is… totally primordial!
No Satanismo, a exaltação do "Eu", a aprendizagem e o ensinamento não hão mediante sendas
iguais, sem vigor, nem tão pouco escritos. Hão mediante cada Satanista que se exalta da forma que
lhe é natural, modelando – até criando – os conceitos que lhe são semelhantes, mas nunca iguais.
Evolução constante, descoberta, excitação e atiço à inteligência. Formam-se as culturas, as
sabedorias, os caminhos de vida, as acções, os resultados, ganhos e perdas, a vontade própria e a
sua colossal teia.
Uns grandes cancros da sociedade actual são a proliferação da informação, a televisão e todos os
seus métodos, contra-métodos e natureza. Estes cancros controlam a mente humana nos dias de
hoje.
A facilidade de encosto à televisão e ao seu hipnotismo que dispersam a energia para a procura e a
actuação longe e longas…
Acarreta dizer a forma estúpida, involuntária e consumista com que esta usurpa a essência da
verdadeira e vetusta cultura. Deste modo, inutiliza a capacidade dos indivíduos em se instruírem
noutras áreas de interesses, consciências e temas. É um vício que mastiga sempre o mesmo material,
domina com constantes preliminares a mente humana, vai, mas não chega, trata e retrata a informação de forma agitadora, não muito credível e apreensiva.

Um algo a criar agora seria uma espécie de imposto, cobrança… da amplitude de estupidez.
Graciosamente belo ver a fortuna que cada indivíduo chegaria a pagar por ser estúpido!
Um premente imposto a ser criado e/ou subir uma taxa de inflação seria o/ao IAE (Imposto sobre a
Amplitude de Estupidez).

Era um receituário cultural. E a farmácia já está em hora de encerramento…