"Descontrolado, o Sangue vermelho como a sua carne, como a sua via, desce, sobe, espalha-se
incansável e insaciavelmente. E como mordidelas noutros sangues, este Sangue alimenta-se de
novas imagens de prazer e aprendizagem. E as portadas do seu triunfo apertado abrem-se ao
sabor das palavras. O alimento que agora ingere…"
Fingir no prato da sopa:
Aproveitar, canalizar, as emoções, tanto as positivas como as negativas é o poder!Já disse isto e
volto a dizê-lo, pois é-me essencial sentir, existir, ser mais; e o acanhamento e a soneira de
posturas enervam-me como agulhas nos testículos.A Natureza deu-nos as naturais expressões.
O instinto e a naturalidade são virtudes do Homem, que muitos teimam em não projectar, pintar
na própria pele.
Infinda a contagem e infindas as emoções que existem na cósmica alcofa de substâncias e
estrelas, e tantos são os fingimentos prestados como operações de rotina para cada emoção. Em
mim é colosso humano o facto de pretender a intensidade em tudo. A INTENSIDADE! Não existe
só em palavra dita ou escrita, existe em trepidação, experiência real a nível do todo e sentido
constatado propulsor.
Se é uma coisa, está-se com esta, demonstra-se em caso de. Se é outra coisa, está-se com essa,
demonstra-se em caso de.
Sensações são faúlhas. Aparecem. Desaparecem.Faúlhas mortais emergem para o absurdo
privilégio do amanhecer, mas nunca se opta para que emanem magia, beldade ou sabedoria.
Apenas saudade, melancolia, tristeza…Prevalecem nos amenos devaneios e nos escaldantes
convívios.As sensações asseguram a força, a coragem e a auto-estima, pois semeiam num lago de
virtudes o despertar da miscelânea para a sabedoria absoluta, o conhecimento extremo, a utopia
dramática em mares grotescos e fatídicos, nos quais elas brotam a essência de uma penumbra de
união tétrica, tenebrosa e temerosa entre espectros mórbidos; sacerdotes sarcásticos; cultos
misteriosos de romantismo gótico e rituais vampíricos de sangue e energia vital. E as lápides, ui!
Invocatórias de risos e lamúrias fúteis abraçando círculos de preponderâncias fugazes… as
faúlhas ambíguas! Caricato e abstracto, louco até, mas as metodologias de disfarce emocional não
passam propriamente por um pragmatismo puro. Um puro recreio de marés-cheias em colapsos
naturais.
Não fingir no prato da sopa!A sua superfície limitada ainda acolhe uma veracidade e
espalhamento inerte, quer sejam lágrimas, cascas ou urinas sujas de sorrisos, quer sejam choros.
O alento que desunha de qualquer tom vivido é um moinho que já nem chega a activar-se.
Depaupera-se à chegada dos ventos que se tropeçam… A marcha fúnebre mesmo antes da activa
fecundação! Serve para muitos casos, a frase, não?
Dar uma vociferada utilidade à própria pessoa é pompear uma culinária frenética, mas cada vez
mais trocada, senão veja-se nas barrigas de tais burlescos organismos. São os caroços da sopa,
areias aturdidas num pó afogueado de tarar e fingir o sabor deglutido da carne como sardinha e
do peixe como vitela, ao longo dos dias, com insonsas expressões faciais nas fissuras de cada
sensibilidade mal estacionada, em algures.
Existem sádicas e doces pessoas com bastões de cristais ardidos em calada custódia…
Entender esta incapacidade ou o não procedimento de apontar o frio no frio e o calor no calor é
tento chato. Aborrece muitíssimo a tonalidade de quem não aproveita o momento, de quem não
assume a fonte da ocasião, de quem não responde o grito da alma… são óculos de sol!Tapam os
olhos, tapam a aurora genuína, tapam demasiado.
Croquetes de telha e bagaço.
quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
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