quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Alimentando o Sangue

"Descontrolado, o Sangue vermelho como a sua carne, como a sua via, desce, sobe, espalha-se

incansável e insaciavelmente. E como mordidelas noutros sangues, este Sangue alimenta-se de

novas imagens de prazer e aprendizagem. E as portadas do seu triunfo apertado abrem-se ao

sabor das palavras. O alimento que agora ingere…"

Fingir no prato da sopa:

Aproveitar, canalizar, as emoções, tanto as positivas como as negativas é o poder!Já disse isto e

volto a dizê-lo, pois é-me essencial sentir, existir, ser mais; e o acanhamento e a soneira de

posturas enervam-me como agulhas nos testículos.A Natureza deu-nos as naturais expressões.

O instinto e a naturalidade são virtudes do Homem, que muitos teimam em não projectar, pintar

na própria pele.

Infinda a contagem e infindas as emoções que existem na cósmica alcofa de substâncias e

estrelas, e tantos são os fingimentos prestados como operações de rotina para cada emoção. Em

mim é colosso humano o facto de pretender a intensidade em tudo. A INTENSIDADE! Não existe

só em palavra dita ou escrita, existe em trepidação, experiência real a nível do todo e sentido

constatado propulsor.

Se é uma coisa, está-se com esta, demonstra-se em caso de. Se é outra coisa, está-se com essa,

demonstra-se em caso de.

Sensações são faúlhas. Aparecem. Desaparecem.Faúlhas mortais emergem para o absurdo

privilégio do amanhecer, mas nunca se opta para que emanem magia, beldade ou sabedoria.

Apenas saudade, melancolia, tristeza…Prevalecem nos amenos devaneios e nos escaldantes

convívios.As sensações asseguram a força, a coragem e a auto-estima, pois semeiam num lago de

virtudes o despertar da miscelânea para a sabedoria absoluta, o conhecimento extremo, a utopia

dramática em mares grotescos e fatídicos, nos quais elas brotam a essência de uma penumbra de

união tétrica, tenebrosa e temerosa entre espectros mórbidos; sacerdotes sarcásticos; cultos

misteriosos de romantismo gótico e rituais vampíricos de sangue e energia vital. E as lápides, ui!

Invocatórias de risos e lamúrias fúteis abraçando círculos de preponderâncias fugazes… as

faúlhas ambíguas! Caricato e abstracto, louco até, mas as metodologias de disfarce emocional não

passam propriamente por um pragmatismo puro. Um puro recreio de marés-cheias em colapsos

naturais.

Não fingir no prato da sopa!A sua superfície limitada ainda acolhe uma veracidade e

espalhamento inerte, quer sejam lágrimas, cascas ou urinas sujas de sorrisos, quer sejam choros.

O alento que desunha de qualquer tom vivido é um moinho que já nem chega a activar-se.

Depaupera-se à chegada dos ventos que se tropeçam… A marcha fúnebre mesmo antes da activa

fecundação! Serve para muitos casos, a frase, não?

Dar uma vociferada utilidade à própria pessoa é pompear uma culinária frenética, mas cada vez

mais trocada, senão veja-se nas barrigas de tais burlescos organismos. São os caroços da sopa,

areias aturdidas num pó afogueado de tarar e fingir o sabor deglutido da carne como sardinha e

do peixe como vitela, ao longo dos dias, com insonsas expressões faciais nas fissuras de cada

sensibilidade mal estacionada, em algures.

Existem sádicas e doces pessoas com bastões de cristais ardidos em calada custódia…

Entender esta incapacidade ou o não procedimento de apontar o frio no frio e o calor no calor é

tento chato. Aborrece muitíssimo a tonalidade de quem não aproveita o momento, de quem não

assume a fonte da ocasião, de quem não responde o grito da alma… são óculos de sol!Tapam os

olhos, tapam a aurora genuína, tapam demasiado.

Croquetes de telha e bagaço.