Sol rico em proteínas que deslaça o turvado das mentes, dos solos. Neste dia, azulado, esverdeado, celeste, campestre, versículos amenos, apetece viver sobre a doçura das plantas, sobre os minerais do amor, sobre a luminosidade dos cereais. Os solos verdejantes, oscilantemente declamados, amparam uma transformação. Aqui, ao nascer do Sol, já, se enceta uma alusão ao Equinócio da Primavera, que se aduz como aplausos rijos! Como, melífluas raízes de rosas.
Pelo decorrer de cada ano, criam-se desejos, fracassos e obtenções. O Homem deve sempre partir à procura dos prazeres, para assim usufruir do que precisa para ser/estar feliz. O Homem tem instintos e forças primordiais e é também com a inerência a estes aspectos que saberá conhecer-se visceralmente e saberá quais os desejos a encontrar e a possuir, para uma existência individual mais proveitosa, na qual florir abundantemente. E neste ponto do calendário meditamos sobre isto tudo! Neste ponto do calendário é período de partir-se na direcção que se quer ir. Quando se diz que ameno é flácido?A promessa de poder é imensa, porque significa a existência real da genuinidade e acções orgulhosas humanas! O Sol ameno trata-se, nesta moldura, da estrela diurna que desfaz a apatia das criaturas. O dia, com sua querida temperatura em crescendo, é fruto inspirador de companheiros e ornamentos serenos, repletos de prazeres, de festins, de conhecimentos e complexidão primaveril. As manchas diurnas fixas no céu brilham, no meio de muitas cores e tamanhos, pela magia e força resultantes pelo sexo primaveril. O estéril, fausto, sai dos cercos e caminha sobre os montes, as planícies e os betões orgânicos, aquando então começa a vestir-se plenamente de ávido, majestoso, sensual e denso. Tudo evolui nos parâmetros cativantes do Equinócio primaveril, nos parâmetros de calmas dimensões. As horas passam por nós e nada de importante, estas, são.
A nós importa fazer e ter, sem obedecer a relógios ou a nervos!
Todas as criaturas nos admiram, todas as criaturas têm algo que nos interessa, o que dá pelo nome de colaboração. Todas as criaturas não são o que nós somos, o que dá pelo nome de universal diferenciação. Ondas de calor caiem, apaixonantes ondas de liberdade natural caiem, em nós…Quando se diz que ameno é flácido?O ritualismo humano é o império entre nós, no qual a sede de felicidade e harmonia para com a robusta, fresca e bela Natureza, nos torna mais coesos. O Equinócio de Primavera saúda-nos, encorajando-nos a viver os nossos diferenciados caminhos nobres, imediatamente, sentindo as novas e naturais energias que carregam-nos acima do encantamento. E então percebe-se tudo, através do recurso e protecção, receptivas à Mãe Natureza. Pensei em ti, envernizada por pólen, a escorregar para mim, em acentos de gomos de laranja. Eu e tu fazemos um par, fazemos vários pares, de sorrisos vencedores. Sim… pois nós somos procriações. Nós somos mãos. Nós somos rectas. Nós somos curvas. Nós somos substâncias. Nós somos elementos. Nós somos corpos. Nós somos inteligências. Nós somos conquistas e artes e naturezas. Gosto do cheiro da graça… dos sentimentos.Quando se diz que ameno é flácido?Tenho dado atenção a uma expressão latina, componente literária, que desde a Antiguidade Clássica se senta nos nossos livros como imagens precisas de paisagens sonhadas, descrevendo a Natureza de uma forma amorosa, como odores frescos e renovadamente leves que voam nos braços das brisas fosforescentes das alegrias, expressando fascínios sensoriais no Homem, o qual sente-se acariciado em ambiente mágico e homogeneizado. Há quem diga, que neste meio enquadra-se o ser humano que busca a satisfação pela singeleza, no paraíso terrestre. Sinto, respiro, o dia avança bem… entre alvos germinantes, componente a espumar em mim que condiz entre ambientes leves e panoramas sem sombras, claras de ovos. Salivo no sossego de corresponder intuitivamente às parcelas apaixonadas, do cajado da interpretação, quer do universo, quer do próprio individualismo, a fim de fazer-me bem com sabedoria.
Sou um lugar relaxante? Com alimento, com alcances verdadeiros, com interacção, estou agradado aquando de descrições e afins figuras de estilo a paisagens belas, palpáveis, luzentes, massajadas e evolutivas. Por si só, a Natureza traduz-se carnalmente, no seu estado de moderação. Sabeis que na hora de amar prontamente, se acelera à valorização da sensibilidade plural, do real e da vida? Claro que sabeis, pedaços de formoso. Oferecei-me cascatas, planícies, monumentos, todos os dias, todos os inícios de tarde. Nada me dói. Neste texto, tenho gosto pela parceria… vós vindes ao encontro das palavras e sou eu. Os cremes e os sumos das histórias fazem arranjar outras histórias com cremes e sumos, de sumos e cremes das histórias, das estações da Terra.Quando se diz que ameno é flácido?Na rota de um pedregulho bem formado, sorridente, penteado, com as pupilas interessadas e sabor achocolatado na boca, assisto à tertúlia aconchegante entre dois personagens da nossa literatura. Uma tertúlia que actuo, com as chamas do pensamento em sintonia. Personagens que escreveram muito sobre amor, sobre relações, pensamentos, mas sobre um tipo de amenidade. Para lá das varandas regadas, o pólen e as cores do vento primaveril fazem as pessoas soltarem-se de casa. Eça de Queirós, Eça de Queirós. Cesário Verde, Cesário Verde. Torno a escrita em elemento importante de constituição amena, como que um horizonte poético ideal. Poder ver prados, rios, arvoredos, sons de água a escorrer, sem vê-la, é uma ambiência calma que suscita vontade e energia restauradas.
Uma enorme adição de pensamentos entre dois seres. Cesário Verde dissera, outrora, que ele e ela se encontravam pelo campo cheio de verduras, cobertos de folhagem. Falara no braço à volta do pescoço e do braço à volta da cintura, que a apertava. Cesário Verde, chamando-a de pomba mansa, descrevia mimosos jardins, bancos de mármore, arbustos, beijos, tranças, e, desejando distracções e leituras animadas, ambicionou formar com ela um único coração, um único gozo inteiramente romântico. Por volta das dez horas de uma manhã transparente, Cesário Verde gostou de admirar os jardins e suas nascentes, as suas brancuras junto de ruas quentes, reluzindo passos sem pressa, em aconchegos.
Cesário Verde, apaixonado pelas visões da horta da vida, das luzes do Sol, inscreveu-se na ideia de transformar simples vegetais num ser humano e numa existência cheia de belas proporções carnais, ao mesmo tempo que viu aromas, fumos caseiros, padeiros, subindo e batendo, por vezes, pelas portas próximas. Escreveu que o Sol dourava o céu à sua passagem, assim como as poeiras se elevavam às nuvens, alindando-o, Sol que lançava os seus raios de destilada laranja por cantos e aberturas, seus raios de laranja destilada. Um escritor que fora verdura e abundância, sonhador de um Sol campeão, humanamente campeão.Quando se diz que ameno é flácido? Pela plenitude da vida divertida, abre-se uma cascata de sementes de açúcar, no núcleo da terra. Eça de Queirós, prosador de serras e cidades, homem bem-parecido, passou tinta pelo papel, vindo a conseguir transmitir palavras de terras do Alentejo, da Estremadura, das Beiras, que formavam belas sebes densas, muros altos e cristalinas ribeiras, terminando em campos ricos em alimento. Eça de Queirós ensinara, se quisermos, que a vida é um rio, um rio de Verão, manso, translúcido, deitado em areias alvas e macias. Saudáveis arvoredos e ditosas aldeias pululam em tinta do escritor, depois de conhecermos felicidade em aproveitar clemências do fértil Abril que retira as saudades por matas, por bosques frescos e flores de muitas cores e vitalidades, quase humanas.
Eça de Queirós criou um enredo em volta de aldeias, nobres, confusões e crenças, conseguindo demonstrar água verdadeira, verdadeira água de leitura amena, romanticamente equilibrada, fazendo-nos apreciar, tal como inscrevera, com a sua tinta de cheiro novo, personagens sob um radiante Sol, sob brisas largas e extraordinariamente sãs, sob douradas manifestações da Natureza, sob atributos de papoilas e relvas e frutos, prendendo leitores à virtude mágica de viver pela boa-disposição de capacidades tradicionais, essas chegadas à luz de instantes puramente portugueses. Eça de Queirós escreveu diálogos corteses, afáveis, naturais e de um teor esforçado, revelando um espírito capaz de vencer com calos de belas feições. Um escritor que fora local e imaginário português, português de força paisagista. Eu, sentado na relva e depois na areia de praia, não conheci estes dois escritores, mas, ainda assim, acho-os bons parceiros de cartas…
O orvalho no meu nariz assemelha-se a um namoro ao amanhecer. Hormonas simples de palavras, que nos enlevam os sorrisos. É impressionante verificar surpresas nos cascos mais evitados, é impressionante dar a outrem a beleza de um ser único e dono de si. A linha do horizonte, pelo cuidado do oceano chegado, é muito deslumbrante e apoiada por nuvens claras, por moles pastos, existe a beijar-me os olhos. Somos calmamente graciosos, somos seres vivos e estamos a viver graciosamente calmos para cintilar mais um pouco.
O meu leitor terá a sua estrela visceral e até será a sua própria luz, nem que uma luz de mitologia. Em muita quantidade, positivo para ser levado a sério, em muita quantidade, fácil de ler ou simpático para conquistar, em muita quantidade, bom para deixar de ser eu mesmo. Sublinho a inteligência das plantas de fruto, que bailam sob os narizes de quem as colhe, de quem as estuda. Ser-se ameno nas terras de humanos…
terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)
0 comentários:
Enviar um comentário