quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Alimentando o Sangue - III

Um receituário

Cultura; Faz chama, faz agitar os órgãos, faz o progresso de um veículo orgânico. A cultura engrandece o Ego. Todavia, o comum, o espelho fútil omnipotente, aos pobres Egos que por aí existem.
Horríveis. Doentios. Inexistentes, fotocopiados nos regos, abjectos…

O mundo muda e as pessoas mudam com ele e ele muda com as pessoas. As mudanças naturais do mundo são francas, mas as pessoas mudam francamente mal ou talvez,
simplesmente, nunca mudam, nunca evoluem, mantêm a estupidez e a falha de inteligência;
alteram-se abundantemente para a mediocridade psicológica. Alteram-se não, vinculam mais a sua
constante. Aonde anda a forte natureza? Foi passear o cão ou vagueia com a insistência de ser
ignorada?
A cultura de hoje é de seringada hospitalar, daquelas dolorosas. É administrada a custo, no fim até
parece bem, mas estoicamente não se deseja repetir tão cedo, muitíssimo pelo contrário.
Mergulhando na facção das cerebrais minas de muitos seres festeja-se o palavreado sobre os gostos
out-fashion
, metodologias de embate não tão sublinhadas, menos tecnológicas. O magnífico detalhe
da escrita com a caneta definhou, praticamente. Embate, aqui como, na presença, na convivência,
na amostra, na partilha, na transformação realmente vivida:
“Ui, vais à livraria comprar blocos de folhas para escrever cartas? Ainda fazes isso? É uma tarefa
em desuso, em discordância com o sistema que a malta gosta! Ninguém liga a isso, pá. Que
trabalhão e perda de tempo”.
Perda de tempo? O que há a dizer dos interesses das massas? Chacina do Ego, conformidade
obsoleta, enterro de ambições e conquistas não uniformes.
"Time is no important, only life matters".
E depois, aqui, o excepcional gozo de escrever e de travar correspondências pelo correio. É algo
pouco utilizado pelas faixas etárias que mais se empolgam pelas descobertas e relações entre si e é
algo que acomoda muita História, muito encanto; ler textos produzidos com a escrita da caneta é
algo pouco contemplado, decerto, nestes tempos!
Vejo tudo isto… sendo um floco para com uma melhor aptidão cultural, forma de crescimento e
acendimento da personalidade diferenciados.
Com o que se escreve nestes dias? Teclas. Abreviações e estrangeirismos desastrosos, membranas
dos parvos e oculares do fingimento. Manhosos? Uma ova! Certas máquinas têm as suas e umas
pancadas de rigidez resolvem.
Enfarinhando a separação à glória cultural até os teclados informáticos poderão vir a ser alvos de
uma mudança engraçada. Imaginar que após encurtar-se verdadeiramente o alfabeto, para que serve
um teclado com tantas teclas? Sim, porque se trata aqui de servir ou não servir a intelectualidade de
tais indivíduos, utilidades de colagem (!). Bastaria para aí três ou quatro teclas. Basicamente seria;
fariam as palavras que chegassem. Sem muito trabalho, sem muita preocupação. “Cultura? Não!”
Interessantes para a Sociedade, a Literatura, as Artes, a Arquitectura, a História, não o são!
Ponto crucial no ventre dos gostos de pilha – “os telemóveis, sim” –, dizem imensos indivíduos que
estes são a essência cultural, a modernidade, o avanço rijo, vida, outro mundo, o fundamental!
Discursos das normas destes intelectuais; estereótipos delirantemente ocos: “Quem, o quê, mas tu
não compras um 3G nem sequer um a cores? Assim não vais longe, não”.
E vive-se sobre uns lençóis rotos de uma acreditada intelectualidade de telemóvel e de chat, sem
menosprezar estes serviços, mas sim o exagerado consumo que se faz a eles, e são entendidos como
uma colherada de vitaminas, quase tanto mais ou menos, filosóficas!
Simplifica-se, mas de forma errada. E o complicado é que é desagradável, é caro, é nojento?
Pois,mas a evolução é simples? Não.
Não se trata de “rapidinhas”!
No Satanismo, a evolução do Satanista é maximizada pela troca de opiniões, ideias, pontos de
vista, experiências.
Uma das boas actividades a que eu regularmente me entrego é à de confraternizar com like-minded
individuals
. Na constante evolução ao longo vida, a troca de ideias, de experiências é um elemento
muito presente e especial. É marcante conversar, partilhar e ouvir consciências para o
melhoramento do nosso trilho.
São formas próprias de estar, mudar e viver, que uns acatam e escolhem, outros não.
Para alguém inteligente a confrontação de novas perspectivas, inexistentes no seu trajo é deveras
essencial para uma compreensão parcial/total de questão, na postura, na decisão e na caminhada,
sucessivamente, a roçar no nosso desejado vastíssimo, no mundo.
Muitos indivíduos que insistem em não melhor a sua visão, compreensivelmente ou não, fazem-no
por alguma natureza; umas a meu ver serão as da pouco inteligência, da pouca ambição e do receio
da exposição de um Ego oco!
Poderei ter razão… uns influenciam-se eternamente, outros momentaneamente, outros melhoram-se
construtivamente pelos próprios pés, mãos, olhos e neurónios, outros decadentemente.
Creio como muitos seres, que todos chegaríamos a pontos mais longínquos se dispuséssemo-nos à
ampliação de nós mesmos, partilha de/em diversos conteúdos, teses e filosofias, mas há quem não
consiga, não procure ou não conheça.
Passa tudo pelo Ego, pela descoberta, pela força.
Almost… the same, but still this is… totally primordial!
No Satanismo, a exaltação do "Eu", a aprendizagem e o ensinamento não hão mediante sendas
iguais, sem vigor, nem tão pouco escritos. Hão mediante cada Satanista que se exalta da forma que
lhe é natural, modelando – até criando – os conceitos que lhe são semelhantes, mas nunca iguais.
Evolução constante, descoberta, excitação e atiço à inteligência. Formam-se as culturas, as
sabedorias, os caminhos de vida, as acções, os resultados, ganhos e perdas, a vontade própria e a
sua colossal teia.
Uns grandes cancros da sociedade actual são a proliferação da informação, a televisão e todos os
seus métodos, contra-métodos e natureza. Estes cancros controlam a mente humana nos dias de
hoje.
A facilidade de encosto à televisão e ao seu hipnotismo que dispersam a energia para a procura e a
actuação longe e longas…
Acarreta dizer a forma estúpida, involuntária e consumista com que esta usurpa a essência da
verdadeira e vetusta cultura. Deste modo, inutiliza a capacidade dos indivíduos em se instruírem
noutras áreas de interesses, consciências e temas. É um vício que mastiga sempre o mesmo material,
domina com constantes preliminares a mente humana, vai, mas não chega, trata e retrata a informação de forma agitadora, não muito credível e apreensiva.

Um algo a criar agora seria uma espécie de imposto, cobrança… da amplitude de estupidez.
Graciosamente belo ver a fortuna que cada indivíduo chegaria a pagar por ser estúpido!
Um premente imposto a ser criado e/ou subir uma taxa de inflação seria o/ao IAE (Imposto sobre a
Amplitude de Estupidez).

Era um receituário cultural. E a farmácia já está em hora de encerramento…

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