quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Alimentando o Sangue - II

(Sem) Figuras e estilo:

Transmitem-se tantos olhares ao longo da rua, olhares de cinismo já num estado de

quasi-orgasmo. Cinismo seria um fio condutor para o quê?

Passeios de estilos inflamados nas influências. São influenciados sobre as coseduras de tendências

ou decalques… Dissolvem-se identidades e pintam-se paridades, sem recompensa do ponto de

vista personalizado. Deuses dos padrões, testemunhos ou correntes de personalidade imprópria.

Bonecos de plasticina, vegetais de acostumada fomentação alheia… existem e sempre existirão.

Caminham na Terra muitos indivíduos esquecidos da habilidade de um raciocínio próprio, isso é

mais que certo. Brinca-se em demasia aos metediços narizes na vida alheia. Uns, a quem chamo,

juízes fora de um tribunal restrito opinando sem regras, sem medida ou cordão acertado, sobre

os objectivos, as condutas, as estéticas, as vivências, as caracterizações filosóficas, as formas de

vida… estupidez de um mercado negro à distribuição nos nascimentos por aqui e por ali. Alô,

tolos criados!

Acenos, acenos e mais acenos de um fingir cúmplice de derrota individual. Procuram-se

conformidades ágeis noutros seres dissimulados? É ser-se parasita ignorante, quando se procura

carisma idêntico numa criatura idêntica, quando a única coisa idêntica entre elas é a inexistência

de carisma, de alguma coisa lucidamente obreira, em todos os pontos cardiais. A figuração

estilisticamente presente que é uma devoção nestas ruas e até nas camas. Metáforas, hipérboles,

toma-se banho nelas. Que se dá e se tem prazer. Continua-se sem se gostar. Finge-se que se

sabe sem saber o que o outro sabe, sem querer dizer nada.

Campos de trigo igual, semeadas e colheitas pescadas a alguém e no final o crescimento é nulo, é

zero, é como tem de ser; pertencente a quem pertence, a quem faz por algo. Não crescem

eucaliptos no deserto nem um arquitecto vai ganhar pelas suas funções o prémio Nobel da

Literatura. Impossibilidades cépticas, porquê não aplicar as impossibilidades de figuração a quem

é hipotético e exemplar vegetal? Possivelmente, a figuração é para quem a mente de si mesmo.

Seria agnóstico uma banana crescer num castanheiro? Relativo. Ganhar prémios, certamente

desligados das áreas de intervenção? Relativo. Fingir, propor e conquistar vitórias sem conhecer

os dados do jogo? Não é relativo. Nem sequer lida com esse teor. Não se duvida, nem se crê no

cepticismo além responsabilidades, finge-se, descaradamente.

Lá à frente uma guilhotina tira a dissimulação, tira a cabeça. Carne depois para minhocas.

Esta é a “pressão da minhoca”. Faz-se sem nexo à espera que algo entre ou que algo saia. Não há

genuinidade nem defesa do visceral. Venha daí a máscara!

Retórica mais explorada que a capacidade executora. Paradoxos nas intenções, habilidades,

bitolas, rituais e actuações dos que acenam.

A repetição dos conteúdos personalizados nas informações desinformadas, abraçadas sem

questão interna, não é uma camada basilar. Os resultados fedem ao mesmo estrume dos

passados conteúdos. Abarca o veículo, a vegetação seca de tantas razões representadas, sem

acréscimos, sem existências, sem imobilizações corpóreas, incorpóreas, sem matérias para o

património do Ego. Leva-se ao estancamento, aborrecimento e ao empurrão sob a inteligência.

Temos aqui a despreocupação absurda, a ilusão e a linearidade dos conhecimentos, sempre

presentes nos irritantes cínicos da “minhoca”.

E a etiqueta até calha bem, sempre bem e quando influi, quando se é de atitude que a suporte.

Seguir num barco por ver, apenas por ver, que pelo rio correm outros seres em barcos é idiotice,

é vil mascote. Nestes rios, nestas florestas de passividades cheira-se a fingido, a estupidez, a

carga de evolução para dentro que os narizes absorvem como as abelhas fazem nas flores. E a

diferença reside na amargura e na doçura dos casos. Ser-se manhoso, mafioso, arrogante e

culturalmente enterrado… muitos os narizes que se observam assim, observam-se? Eu dou-lhes

o manhoso. Uns martelos pela cabeça abaixo…

E quem vem pelo rio acima, na contra-maré, na oposição? Os rebuscados, os apartados, os

anormais, os desconformes? Chamam-lhes curiosidades, atrocidades de véu no rosto, véu preto e

bem escuro como uma noite de cemitério. Será decerto alguém, alguém de ideias naturais que

não se faz nem existe só pelo e no caso de haver rios. Gente interessante de machados e lâminas

prontas a decepar o dogmático quotidiano, o tempo que estaciona na valeta, as bestas do mundo,

o marasmo espiritual, a mecanização do remedeio, a decomposição cultural…

Satanistas, mágicos de forças, nativos de elementos predatórios, exaltados de Ego, lutadores das

vontades próprias, necessidades, prazeres e individualistas de indagação total.

Pecados capitais, blasfémias e divindades eróticas… seres respondem aqui o que lhe importam

conceber. Mas são incríveis os impulsos e os espasmos de satisfação que estes provocam. Pecar,

blasfemar, fantasiar perversamente divindades na sua pureza de erotismo é um êxtase pela

oposição feita e pela naturalidade de atitudes e acções. Preferências e escolhas de brincadeiras,

tomadas e cortesias, lá está. Sem ironias, é mesmo assim.

Quando se traçam objectivos segue-se até eles, mais tarde ou mais cedo abraçam-se. Quando

não se traça objectivos também se segue, vai-se seguindo e a história é uma pornografia de

velhas...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Alimentando o Sangue

"Descontrolado, o Sangue vermelho como a sua carne, como a sua via, desce, sobe, espalha-se

incansável e insaciavelmente. E como mordidelas noutros sangues, este Sangue alimenta-se de

novas imagens de prazer e aprendizagem. E as portadas do seu triunfo apertado abrem-se ao

sabor das palavras. O alimento que agora ingere…"

Fingir no prato da sopa:

Aproveitar, canalizar, as emoções, tanto as positivas como as negativas é o poder!Já disse isto e

volto a dizê-lo, pois é-me essencial sentir, existir, ser mais; e o acanhamento e a soneira de

posturas enervam-me como agulhas nos testículos.A Natureza deu-nos as naturais expressões.

O instinto e a naturalidade são virtudes do Homem, que muitos teimam em não projectar, pintar

na própria pele.

Infinda a contagem e infindas as emoções que existem na cósmica alcofa de substâncias e

estrelas, e tantos são os fingimentos prestados como operações de rotina para cada emoção. Em

mim é colosso humano o facto de pretender a intensidade em tudo. A INTENSIDADE! Não existe

só em palavra dita ou escrita, existe em trepidação, experiência real a nível do todo e sentido

constatado propulsor.

Se é uma coisa, está-se com esta, demonstra-se em caso de. Se é outra coisa, está-se com essa,

demonstra-se em caso de.

Sensações são faúlhas. Aparecem. Desaparecem.Faúlhas mortais emergem para o absurdo

privilégio do amanhecer, mas nunca se opta para que emanem magia, beldade ou sabedoria.

Apenas saudade, melancolia, tristeza…Prevalecem nos amenos devaneios e nos escaldantes

convívios.As sensações asseguram a força, a coragem e a auto-estima, pois semeiam num lago de

virtudes o despertar da miscelânea para a sabedoria absoluta, o conhecimento extremo, a utopia

dramática em mares grotescos e fatídicos, nos quais elas brotam a essência de uma penumbra de

união tétrica, tenebrosa e temerosa entre espectros mórbidos; sacerdotes sarcásticos; cultos

misteriosos de romantismo gótico e rituais vampíricos de sangue e energia vital. E as lápides, ui!

Invocatórias de risos e lamúrias fúteis abraçando círculos de preponderâncias fugazes… as

faúlhas ambíguas! Caricato e abstracto, louco até, mas as metodologias de disfarce emocional não

passam propriamente por um pragmatismo puro. Um puro recreio de marés-cheias em colapsos

naturais.

Não fingir no prato da sopa!A sua superfície limitada ainda acolhe uma veracidade e

espalhamento inerte, quer sejam lágrimas, cascas ou urinas sujas de sorrisos, quer sejam choros.

O alento que desunha de qualquer tom vivido é um moinho que já nem chega a activar-se.

Depaupera-se à chegada dos ventos que se tropeçam… A marcha fúnebre mesmo antes da activa

fecundação! Serve para muitos casos, a frase, não?

Dar uma vociferada utilidade à própria pessoa é pompear uma culinária frenética, mas cada vez

mais trocada, senão veja-se nas barrigas de tais burlescos organismos. São os caroços da sopa,

areias aturdidas num pó afogueado de tarar e fingir o sabor deglutido da carne como sardinha e

do peixe como vitela, ao longo dos dias, com insonsas expressões faciais nas fissuras de cada

sensibilidade mal estacionada, em algures.

Existem sádicas e doces pessoas com bastões de cristais ardidos em calada custódia…

Entender esta incapacidade ou o não procedimento de apontar o frio no frio e o calor no calor é

tento chato. Aborrece muitíssimo a tonalidade de quem não aproveita o momento, de quem não

assume a fonte da ocasião, de quem não responde o grito da alma… são óculos de sol!Tapam os

olhos, tapam a aurora genuína, tapam demasiado.

Croquetes de telha e bagaço.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Eviscerar Mistérios

Eviscerar Mistérios. Um todo de devaneios, romances, pensamentos e
erotismos, que pretendo editar como livro, em breve...

Apresento uma passagem:

Sorris. Choras. E, dolorosamente, desapareces do meu olhar, depois

de te tocar e de te beijar. Procuro o teu cheiro, voluptuosamente! A
minha sede de sedução aumenta, quando em ti surge provocação e é

doloroso penetrar na penumbra, neste momento em que, aqui, comigo

não estás. Na minha alma crescem, vociferadas, cicatrizes de

melancolia, as quais com a tua possessão esmorecerão e, finalmente,

a união da nossa crua volúpia, fugazmente, se estenderá.